• Nenhum resultado encontrado

4 AS ESCOLAS DE GOVERNO NO BRASIL

4.1 A ORIGEM DAS ESCOLAS E O PAPEL INSTITUCIONAL

Diversas modificações ocorreram no cenário da gestão pública brasileira nos últimos anos. Do enfraquecimento do papel do Estado nos anos 80, passando por todas as tentativas de reformas dos anos 90, até os primeiros impulsos de redefinição de seu papel, na primeira década de 2.000, foram muitos os acontecimentos que influenciaram diretamente a formação dos servidores públicos no Brasil.

A repercussão dessas mudanças na esfera de atuação do Estado, para Rocha [et al] (2010), se faz sentir com maior intensidade com a criação das escolas de governo e a aplicabilidade de cursos de formação implementados pelas mesmas. As trajetórias dos cursos pioneiros evidenciam a repercussão dessas alterações. E assim:

O tema escola de governo emergiu da discussão em torno da formação dos servidores públicos, em dois momentos, quando foi objeto de propostas para a criação de uma escola nacional de administração, no contexto da reforma administrativa do governo Vargas (1937-1945) e de um centro de aperfeiçoamento de servidores, como iniciativa da reforma empreendida no governo Castello Branco (1964-1967). (FERNANDES, 2015, p.4).

Foi necessária a criação de instituições com a finalidade de formar quadros dirigentes e operacionais para a burocracia pública, com um projeto político de atuação. Tais experiências desenvolvidas a partir dos anos de 1980 e no início dos anos de 1990, em Belo Horizonte, em São Paulo, em Porto Alegre, em Curitiba, no Rio de Janeiro e em Brasília pareceram, inicialmente, indicar o fôlego de um projeto que vem enfrentando grandes dificuldades para consolidar-se em todo o território nacional - embora haja uma clara sinalização internacional revelando o espaço institucional para propostas dessa natureza, como ocorre na França, na Espanha, na Itália, no Canadá, em Portugal, no México e na Argentina, entre outros países, conforme enfatizado por Bittencourt e Zouain (2010). Os novos cursos de formação e capacitação para os servidores públicos vêm de encontro ao novo olhar dado à administração pública, respondendo aos anseios desses servidores, bem como atendendo a uma demanda de mercado estatal emergente.

Assim, visando desenvolvimento da profissionalização do servidor público, qualificado, preparado a enfrentar esse novo cenário, surgem no Brasil as primeiras “Escolas de Governo” na década de 80, com missão, finalidades e desafios próprios de cada Estado, mas ainda com alguns conflitos de foco. Sendo que na década seguinte, começaram a tomar novos rumos, adotando o conceito de “formação continuada”, aplicando-os na capacitação de diversos segmentos do serviço púbico Federal e Estadual. A criação das Escolas de Governo foi referendada no Art. 39, § 2º da Constituição Federal de 1988, que diz:

§ 2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas de governo para a formação e o aperfeiçoamento dos servidores públicos, constituindo- se a participação nos cursos um dos requisitos para a promoção na carreira, facultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos entre os entes federados. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). (BRASIL).

Embora tenha sido dado todo um suporte para a criação da Escola Nacional de Administração Pública – ENAP, a mesma enfrentou uma série de dificuldades na implantação de seu curso de Políticas Públicas e Gestão Governamental, bem como em relação à sua própria existência como escola formadora de quadros para os escalões superiores do governo, devido ainda a algumas ideias divergentes para a consecução do mesmo.

Figura 1 - Vista panorâmica da Escola Nacional de Administração Pública

Fonte: Portal da EANAP.

No entanto, esse cenário começou a mudar com o crescente debate sobre a necessidade de reforma e modernização do Estado. A nova Constituição corroborou em intensificar a discussão das necessidades de mudanças profundas da máquina pública tendo em vista a ampliação de direitos e a diversidade inerente às novas políticas públicas demandadas.

Em estudos realizados por Fonseca et al (2015), há consonância formal e empírica de que o papel das escolas de governo está voltado para a capacitação, formação e educação de servidores públicos, assim como para a geração e difusão de conhecimentos técnicos e científicos. No entanto, observa-se nos relatos obtidos em pesquisas que há diferenças quanto aos objetivos das atividades educacionais e as formas específicas de realização dessas atividades.

Percebe-se que a intervenção da questão política no institucional, interfere sobremaneira no objetivo educacional das atividades realizadas em cada Escola de Governo, desta forma, abrindo uma lacuna perceptível neste quesito.

Cabe enfatizar que a ENAP ampliou sua atuação, para além das atividades de educação e geração de conhecimento. Implementou o papel de coordenação e articulação institucional entre escolas de governo, identificado especialmente na criação de redes de cooperação entre essas organizações. Observa-se ainda que outras escolas se dividem entre as atividades de capacitação de servidores públicos e outros processos organizacionais fundamentais, tais como publicação de pesquisas científicas, atividades acadêmicas e avaliação de políticas públicas.

De forma geral, as escolas de governo não possuem uma convergência no que se refere à base de uma matriz estratégica e a realização de rotinas de

planejamento. Nem tão pouco, apresentam em seus normativos princípios e valores que orientam a atuação da escola, assim como assuas finalidades de maneira ampla. Tal cenário de divergências representa a articulação do Estado frente aos objetivos que se deseja alcançar junto aos servidores e a Administração púbica.

Cabe ressaltar que as escolas de governo vêm crescendo administrativa e pedagogicamente, possuindo grande referencial de organização e aplicação dos recursos a elas destinados. Exercendo grande suporte a projetos estratégicos, elas vêm apresentando um grande aumento da produtividade e da qualidade dos processos organizacionais.