• Nenhum resultado encontrado

A Pós-Modernidade e a Volta das Comunidades

No documento AUTOCONCEITO, IDENTIDADE E CONSUMO CULTURAL (páginas 35-38)

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 AUTOCONCEITO

2.1.2 IDENTIDADE SOCIAL

2.1.2.3 A Pós-Modernidade e a Volta das Comunidades

Durante o período moderno, há uma expansão das culturas. À medida que

determinada cultura é expandida e se torna mais complexa, mais individualistas

ficam as pessoas que nela estão inseridas. Uma estratégia de enfrentamento

utilizada para evitar esse individualismo é a criação de subgrupos, ou comunidades,

Culturas de Mercado (Marketplace)

Ideologias do Mercado de Massa e

Estratégias Interpretativas dos Consumidores Padrão Sócio-histórico do Consumo Modelo de consumo por classe, gênero, etnia e outras categorias sociais comumente utilizadas; consumo sob condições de recursos culturais; institucionalização e reprodução das relações de poder por meio de hierarquias socioeconômicas.

Dinâmicas sócio-culturais inseridas em comunidades de marca, comunidades de fãs, microculturas de consumidores, subculturas de consumo, tribos de consumidores; o mercado como mediador de vínculos e relações sociais.

Representações discursivas, imagéticas e materiais das ideologias consumistas no mercado, uso ativo dos consumidores da mídia e crítica contra as leituras dos códigos hegemônicos, a dinâmica da cooptação corporativa, as influências da paisagem midiática (mediascapes) globalizada e cenário de consumo (consumptionscapes).

Projetos de Identidade do Consumidor Atuação da identidade, imagem corporal e

auto-apresentação, representações de gênero, distinções simbólicas, selfestendido, contradições culturais em negociação, dimensões experimentais do consumo.

Glocalização e as

“paisagens” dos fluxos globais. Estrutura – tensões da agência

Redes mediadas pelo mercado e consumo embutido

Formação ideológica dos objetivos e desejos da identidade do consumidor

Culturas de Mercado (Marketplace)

Ideologias do Mercado de Massa e

Estratégias Interpretativas dos Consumidores Padrão Sócio-histórico do Consumo Modelo de consumo por classe, gênero, etnia e outras categorias sociais comumente utilizadas; consumo sob condições de recursos culturais; institucionalização e reprodução das relações de poder por meio de hierarquias socioeconômicas.

Dinâmicas sócio-culturais inseridas em comunidades de marca, comunidades de fãs, microculturas de consumidores, subculturas de consumo, tribos de consumidores; o mercado como mediador de vínculos e relações sociais.

Representações discursivas, imagéticas e materiais das ideologias consumistas no mercado, uso ativo dos consumidores da mídia e crítica contra as leituras dos códigos hegemônicos, a dinâmica da cooptação corporativa, as influências da paisagem midiática (mediascapes) globalizada e cenário de consumo (consumptionscapes).

Projetos de Identidade do Consumidor Atuação da identidade, imagem corporal e

auto-apresentação, representações de gênero, distinções simbólicas, selfestendido, contradições culturais em negociação, dimensões experimentais do consumo.

Glocalização e as

“paisagens” dos fluxos globais. Estrutura – tensões da agência

Redes mediadas pelo mercado e consumo embutido

Formação ideológica dos objetivos e desejos da identidade do consumidor

Ideologias do Mercado de Massa e

Estratégias Interpretativas dos Consumidores Padrão Sócio-histórico do Consumo Modelo de consumo por classe, gênero, etnia e outras categorias sociais comumente utilizadas; consumo sob condições de recursos culturais; institucionalização e reprodução das relações de poder por meio de hierarquias socioeconômicas.

Dinâmicas sócio-culturais inseridas em comunidades de marca, comunidades de fãs, microculturas de consumidores, subculturas de consumo, tribos de consumidores; o mercado como mediador de vínculos e relações sociais.

Representações discursivas, imagéticas e materiais das ideologias consumistas no mercado, uso ativo dos consumidores da mídia e crítica contra as leituras dos códigos hegemônicos, a dinâmica da cooptação corporativa, as influências da paisagem midiática (mediascapes) globalizada e cenário de consumo (consumptionscapes).

Projetos de Identidade do Consumidor Atuação da identidade, imagem corporal e

auto-apresentação, representações de gênero, distinções simbólicas, selfestendido, contradições culturais em negociação, dimensões experimentais do consumo.

Glocalização e as

“paisagens” dos fluxos globais. Estrutura – tensões da agência

Redes mediadas pelo mercado e consumo embutido

Formação ideológica dos objetivos e desejos da identidade do consumidor

Padrão Sócio-histórico do Consumo Modelo de consumo por classe, gênero, etnia e outras categorias sociais comumente utilizadas; consumo sob condições de recursos culturais; institucionalização e reprodução das relações de poder por meio de hierarquias socioeconômicas.

Dinâmicas sócio-culturais inseridas em comunidades de marca, comunidades de fãs, microculturas de consumidores, subculturas de consumo, tribos de consumidores; o mercado como mediador de vínculos e relações sociais.

Representações discursivas, imagéticas e materiais das ideologias consumistas no mercado, uso ativo dos consumidores da mídia e crítica contra as leituras dos códigos hegemônicos, a dinâmica da cooptação corporativa, as influências da paisagem midiática (mediascapes) globalizada e cenário de consumo (consumptionscapes).

Projetos de Identidade do Consumidor Atuação da identidade, imagem corporal e

auto-apresentação, representações de gênero, distinções simbólicas, selfestendido, contradições culturais em negociação, dimensões experimentais do consumo.

Glocalização e as

“paisagens” dos fluxos globais. Estrutura – tensões da agência

Redes mediadas pelo mercado e consumo embutido

Formação ideológica dos objetivos e desejos da identidade do consumidor

Figura 1. CCT - Estruturas Comuns de Interesse Teórico. Adaptado de Arnould e Thompson, 2007.

que servem como base para a identidade e a identificação de seus membros (BELK,

1984). No período entendido como pós-modernidade

2

há, então, um apelo para a

volta das comunidades.

A comunidade representa uma proteção e um lar diante dos efeitos da

globalização (BAUMAN, 2005), como por exemplo, a congruência cultural e a

aceleração das trocas comerciais e de informações. O indivíduo percebe que, entre

muitas pessoas diferentes com as quais se tem contato, há um grupo que oferece

conforto por apresentar semelhanças e familiaridades com os seus próprios hábitos

e atitudes. Esse fenômeno é chamado por Maffesoli (1998) de “superação do

princípio de individualização”, princípio existente nas sociedades modernas.

A pós-modernidade trouxe, então, entre outras mudanças, uma nova

concepção para a cultura, uma vez que é entendida como um período de “processos

que formam e deformam a esfera cultural” (FEATHERSTONE, 1995, p. 200). É

como se, durante muito tempo, existissem subculturas contidas pelos processos

civilizatórios existentes, a fim de que uma ordem fosse estabelecida. Inicia-se, então,

um abandono das tradições e a sociedade torna-se mais flexível, fazendo com que

as subculturas se proliferem (FEATHERSTONE,1995).

A descentralização do sujeito para os grupos é, portanto, uma característica

da pós-modernidade (FEATHERSTONE, 1995). Nas sociedades pós-modernas,

mesmo na cultura ocidental, onde a visão de self é mais independente, há ainda

uma forte interdependência, que é refletida principalmente nos valores e atividades

de subculturas (MARKUS e KITAYAMA, 1991) que surgem nas grandes cidades,

onde não há mais a predominância de uma cultura homogênea. As micro ou

subculturas são grupos que se unem e se expressam a partir de características

comuns, sejam elas vestimentas, comportamentos ou filosofias de vida (SCHOUTEN

e MCALEXANDER, 1993).

Ao olhar a massa com que é formada a sociedade, pode-se observar que

não há mais uma congruência na maneira de se vestir e se portar. Essa massa

atualmente é caracterizada pelo surgimento de microgrupos, chamados por Maffesoli

(1998) de “tribos”. Diferentemente das tribos tradicionais, cuja estabilidade é

2

O termo pós-modernidade possui múltiplas interpretações. Porém, não é o foco do estudo iniciar essa discussão, já que o termo é utilizado aqui somente para fins de contextualização. Em resumo, pode-se dizer que a pós-modernidade é entendida, para os objetivos desse estudo, como uma “desordem cultural” iniciada em contrapartida à ordem, unidade e coerência cultural existente no período entendido como modernidade (FEATHERSTONE,1995).

característica marcante, o neotribalismo pode ser reconhecido por sua fluidez e

dispersão (MAFFESOLI, 1998).

Maffesoli (1998) diferencia a sociedade atual com o termo “socialidade”.

Segundo o autor, diferentemente da sociedade tradicional, onde o indivíduo possuía

uma função bem definida dentro de um grupo estável, na socialidade a pessoa:

“representa papéis, tanto dentro de sua atividade profissional quanto no seio das diversas tribos de que participa. Mudando o seu figurino, ela vai, de acordo com seus gostos (sexuais, culturais, religiosos, amicais) assumir o seu lugar, a cada dia, nas diversas peças do theatrum mundi” (MAFFESOLI, 1998, p.108)

A figura 2, elaborada por Maffesoli (1998) ilustra como a socialidade se

contrapõe à sociedade do período moderno, e como essa nova configuração altera a

produção cultural.

Figura 2. Sociedade x Socialidade. Adaptado de Maffesoli, 1998.

As tribos podem até possuir um objetivo bem definido, mas não é isso que

define a sua essência. Esses grupos são formados por afinidade, gostos e estilos de

Estrutura mecânica

(Modernidade)

Estrutura complexa ou

Orgânica

(Pós-Modernidade)

Social Socialidade

organização econômico-pol.

Indivíduos

(função)

grupos contratuais

(domínios culturais, produtivo, cultual, sexual, ideológico)

massas

Pessoas

(papel)

tribos afetuais

vida, e decidem permanecer juntos pelo simples fato de estar junto (MAFFESOLI,

1998).

Partindo do pressuposto de que esses grupos compartilham atitudes e

interesses, é natural que os mesmos apresentem também certa compatibilidade em

seus hábitos de consumo. Pode-se, então, dizer que conforme novas microculturas

surgem dentro de um mesmo contexto cultural, vão surgindo também subculturas de

consumo, ou seja, grupos de consumidores que apresentam certos produtos e

marcas ou atividades de consumo em comum, e que, através dessas marcas e

atividades, se identificam entre si (SCHOUTEN e MCALEXANDER, 1995).

No documento AUTOCONCEITO, IDENTIDADE E CONSUMO CULTURAL (páginas 35-38)