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A pedagogia renascentista

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A perspectiva metafísica da educação

2. A pedagogia renascentista

A época que vai do final do século XV a aproximadamente meados do século XVI, que na Europa se autodenominou Renascença em contraposição ao suposto “período de trevas” medieval, revalorizou a cultura greco-romana, incluindo a exaltação do corpo como manifestação da perfeição que o homem pode alcançar, e deslocou o eixo do pensamento da reflexão sobre a fé revelada à reflexão sobre o homem e os fenômenos da natureza.

Foi na época renascentista que floresceu o

humanismo filosófico como o entendemos hoje: uma

concepção do mundo que vê o homem como centro do universo ou da criação, máximo degrau na escala – não concebida ainda como evolução – das espécies, um ser acabado, essencialmente perfeito e que pode manifestar essa sua perfeição por meio de um treinamento adequado do corpo e da mente. É uma concepção da qual deriva uma ética centrada no conceito de

dignidade humana, ainda hoje muito presente em nossa

cultura, que atribui a maior importância às aspirações e necessidades do homem - em detrimento das demais espécies - e valoriza ao máximo as capacidades humanas, especialmente a racionalidade, percebida como a nossa principal característica. Essa nova concepção antropológica fez emergir projetos pedagógicos que visavam a plena realização da perfeição humana e se centravam na valorização do indivíduo.

Antes de prosseguir, assista este vídeo que vai lhe ajudar a se familiarizar de forma descontraída, com cenas extraídas de obras cinematográficas, com o contexto em que foi gestado o pensamento pedagógico renascentista e as principais ideias educacionais daquela época.

http://www.youtube.com/watch?v=KRvGvoYTHl0

Fig. 10 - A Renascença é o berço do humanismo filosófico, que coloca o homem no cen- tro do universo.

Destacamos alguns pensadores renascentistas que elaboraram ideias pedagógicas. O italiano Vittorino da Feltre, considerado um dos precursores da “escola nova” dos séculos XIX e XX, defendia uma educação individualizada que incentivasse o autogoverno dos educandos e se baseasse na imitação. O holandês

A exaltação renascentista do indivíduo, de sua racionalidade e de seu livre- arbítrio inspiraram também a maior ruptura

que aconteceu no seio da Igreja: a Reforma Protestante iniciada pelo monge alemão

Martinho Lutero em 1517, cuja principal

repercussão na educação foi a transferência do controle da instituição escolar da Igreja para o Estado nos países que aderiram ao protestantismo, embora essa escola ainda não fosse - como lembra Gadotti (2008) - uma escola pública, laica, obrigatória, universal e gratuita.

A Igreja Católica reagiu à Reforma Protestante com a Contrarreforma promovida pelo Concílio de Trento (1545-1563) - que criou a Inquisição para combater as “doutrinas

Erasmo de Roterdã considerava o livre-arbítrio, característica

precípua do homem, como a fonte de todo pensamento e de toda moral. Acreditava que a finalidade da educação era cultivar a razão, faculdade que realizaria a plena humanidade e que, para isso, seria necessária uma distribuição racional das atividades a partir das características de cada indivíduo. Ao professor, que na visão pedagógica de Erasmo desempenha um papel fundamental no processo educativo, caberia identificar as características individuais dos sujeitos e basear-se nelas para estabelecer as modalidades de ensino mais oportunas para cada educando. O espanhol Juan Luís Vives pregou antes de

qualquer outro pensador a legitimidade do método indutivo para a construção de conhecimento e para incentivar a pesquisa do educando nos processos educativos, enfatizando o valor da observação atenta, da experiência concreta, do particular e do individualizado; defendeu os exercícios corporais na educação, foi o primeiro a compreender a importância do jogo para o processo de aprendizagem das crianças e um dos primeiros a defender a remuneração governamental dos professores. O francês François Rabelais rejeitava a educação baseada nos livros e sustentava que o centro do processo educativo fosse a natureza. Pregava uma educação que cuidasse do corpo, por meio de exercícios físicos, e se baseasse na vida ao ar livre.

Michel de Montaigne, francês como Rabelais, também rejeitava a erudição livresca

e sustentava que as crianças deviam aprender aquilo que precisarão fazer quando adultos: era uma pedagogia que enfatizava as humanidades, entendida como “os conhecimentos ligados diretamente aos interesses humanos, que formam e desenvolvem o homem, que respeitam sua personalidade” (GADOTTI, 2008, p. 64).

Fig. 11 - A Reforma Protestante de Mar- tinho Lutero fez com que o controle da educação passasse da Igreja para o Es- tado nos países protestantes.

hereges” e promulgou um índice de livros proibidos - e fundando, em 1534, a Companhia de Jesus, que tinha como missão converter os hereges e alimentar a fé cristã. A doutrina pedagógica jesuíta, fundada por Inácio de Loyola, previa a formação em latim e grego, em filosofia e em teologia e seu método se compunha de cinco momentos: prelação, contenda ou emulação, memorização, expressão e imitação. Na contra-tendência do pensamento renascentista, a educação jesuítica privilegiava o conhecimento dogmático em detrimento do cultivo do espírito crítico, o respeito à tradição e uma formação mais científica e moral do que humanista. Na pedagogia dos jesuítas, tudo estava rigidamente pré-definido, inclusive a posição das mãos e o modo de levantar os olhos dos educandos, para evitar qualquer estímulo à independência pessoal.

1. Releia o texto anterior e, após refletir sobre os conteúdos expostos, responda: em sua opinião, o pensamento pedagógico renascentista e o medieval têm características comuns ou apresentam apenas diferenças quanto às perspectivas conceituais e propostas educativas? Justifique sua resposta.

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2. Compare as ideias pedagógicas renascentistas com as da Antiguidade greco-romana e descreva o que, a seu ver, elas têm em comum e os traços específicos da visão educacional da Renascença.

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3. Reflita sobre as experiências educacionais pelas quais já passou, seja como aluno(a) ou como professor(a), e responda: em sua opinião, as ideias pedagógicas renascentistas deixaram algum legado nas práticas educativas que você experienciou? Justifique e argumente sua resposta.

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A perspectiva metafísica da educação

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