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Indicadores são compostos com o objetivo de atender à visão da consciência vigente. A civilização ocidental de base industrial, no processo de se tornar dominante em todo o mundo construiu, até recentemente, apenas indicadores econômicos (diretos ou indiretos), exibindo indicadores ascendentes, como crescimento exponencial da população, duração média de vida, consumo de energia, demanda de alimentos, invenções e descobertas e desenvolvimento de serviços de comunicação (CAMARGO, UGAYA e AGUDELO, 2004, p.1). Com ascensão da visão da realidade, buscando-se a concepção de uma consciência mais sustentável, se iniciou o fomento dos indicadores de sustentabilidade. Coetaneamente, o contexto vivido sugere a atenção ao desafio das mudanças climáticas. Dentre os métodos de sustentabilidade corporativa (Quadro 3),

partindo-se da conceituação da eco-eficiência, o indicador Pegada de Carbono mostra-se como um instrumento bastante viável para a visualização contextual e tomada de decisões quanto às emissões empresarias de GEE.

Quanto à caracterização da amplitude de causas e consequências que este instrumento abrange, é bem sabido que a energia custa à sociedade bilhões de dólares a mais do que seus usuários pagam diretamente por ela. Os custos ocultos da energia incluem subsídios, degradação ambiental, despesas crescentes com saúde e compensação por perda de empregos. É difícil estimar com precisão os danos causados pelas várias fontes de energia à saúde humana, agricultura, monumentos históricos e, sobretudo, ao meio ambiente (GOLDEMBERG e LUCON, 2008, p.301). Em relação às danos relativos aos GEE emitidos ao longo de toda geração e usos energéticos, a Pegada de Carbono destina-se justamente a promover o diagnóstico destes impactos, o conhecimento base para tomada de decisões. Entretanto, a utilização da Pegada de Carbono como indicador envolve mais outros fatores.

Ao se buscar identificar as políticas necessárias para evitar alguma degradação ambiental, deve ser avaliada, social e economicamente, qual a melhor opção entre o custo da „reparação‟ dos danos causados ou custo de se evitar o problema. Em tese, uma comparação entre ambos pode ajudar a decidir qual tipo de ação é mais conveniente ou mais efetiva em termos de custo. Na prática, os custos de mitigação em geral são menores, mas o poluidor assume o risco de causar o impacto sabendo que não será cobrado na íntegra pelo que deu causa. Tal enfoque, o qual pode ser aplicado a qualquer problema ambiental, gera resultados particularmente interessantes no problema das mudanças climáticas globais. O fato de as mudanças climáticas apontarem para graves e prementes impactos vem transformando rapidamente o enfoque dado à questão.

Estudos do início da década de 1970 investigavam predominantemente emissões de substâncias poluidoras do ar de diferentes modais energéticos para a geração de energia elétrica de suprimento. Nos anos 80 houve um foco de atenção sobre os poluentes SO2 e NOx. Também foram investigados os sistemas de aquecimento e os impactos ambientais da energia nuclear. Desde o final da década de 1980, a atenção foi voltada par a emissão de GEE, incluindo o setor de transportes. O início dos anos 90 foi caracterizado por um paulatino aumento na extensão dessa discussão. Em razão das emissões de GEE (locais) causarem problemas globais, ampliando a responsabilidade dos emissores, de lá até então, não apenas os impactos ambientais diretos dos sistemas energéticos vêm sendo considerados, mas também os referentes aos processos upstream e dowstream. Acredita-se que, daqui pra frente, os materiais para construção das estruturas físicas dos processos produtivos serão considerados também em termos da Análise do Ciclo de Vida (ACV). Este modo integrado de „olhar‟ os sistemas energéticos – e fluxo de materiais – alça a altos padrões os bancos de dados e modelagem computacional, e cancela a distinção entre avaliações ambientais „referentes à energia‟ e atinentes a outros setores (e.g. bens de consumo, transportes e outros) (FRITSCHE, 2008, p.9).

Em se dando atenção às drásticas e alarmantes previsões do IPCC, o mais lógico seria que os atores centrais (grandes empresas e governos) dos principais processos

produtivos emissores assumissem a responsabilidade de reverter tais alterações climáticas, não por beneficência, mas por serem os únicos capazes de refrear e neutralizar emissões, por seu domínio de tecnologias, recursos e influência socioeconômica junto aos ciclos produtivos e sociedade. Assim, a integração da ACV nos inventários de emissões é bem aceitável e justificável até, pois todas as emissões de processos upstream possuem um fim, sendo este a razão de existirem tais processos. Além do mais, o motivo maior é que a utilização apenas de indicadores de emissões diretas não promovem a correção dos impactos causados pelas emissões de GEE. Isto pode ser demonstrado por um exemplo contido em um estudo científico patrocinado pelos Ministério Federal Alemão para o Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear - BMU, Ministério Federal Alemão de Pesquisa e Educação - BMBF e a Agência Federal de Meio Ambiente da Alemanha – UBA (FRITSCHE, 2006).

O estudo aponta que, em relação às alterações climáticas, a aparente vantagem das plantas de geração de energia nuclear é baseada no fato de que estas não emitem GEE diretamente. Contudo, a produção de energia nuclear inclui a extração de minérios, enriquecimento de urânio, fabricação de combustível, etc. – isto é o chamado ciclo de combustível upstream. A energia nuclear não é o único recurso que necessita de atividades upstream antes de ocorrer propriamente a geração de energia: também os combustíveis fósseis e biomassa precisam de extração, processamento, conversão e transporte. Existem também as atividades downstream, necessárias para processar e estocar resíduos (nucleares). Além disso, o aço, concreto, e outros materiais são necessários para a construção de ambas as plantas de geração de energia nuclear, como também das estruturas que compõem as atividades up- e downstream. A inclusão destes compreende o ciclo de vida completo do sistema nuclear. Ainda, avalia-se que a energia usada para esses propósitos é em parte produzida por energia fóssil (emissora de GEE), e algumas emissões adicionais de GEE resultam diretamente de reações químicas durante o processamento de materiais (e.g. produção de cimento). Desse modo, plantas de geração de energia nuclear – assim como outras fontes de geração de energia – indiretamente contribuem significativamente na emissão de GEE (FRITSCHE, 2006, p.2).

A Pegada de Carbono é efetivamente o instrumento para avaliar o impacto de uma atividade como contribuinte às alterações climáticas. Por meio da medição desta, são avaliadas inclusive as emissões evitadas, contabilizando-se o crédito por atividades de fixação de carbono na biomassa, sequestro de carbono, uso de energias renováveis, processos de cogeração de energia e outras. Quanto às emissões „negativas‟ (evitadas) advindas da cogeração, estas podem referir-se a diversos casos. Há opções, por exemplo, em que a geração de energia é combinada ao processo de aquecimento, ao se lidar com o adicional „não-elétrico‟ mas ainda assim útil calor gerado como output pelo sistema de cogeração. Para isso, determina-se o total de emissões do sistema de cogeração (i.e. as emissões de ambas as gerações – eletricidade e aquecimento). Então, as emissões do sistema de aquecimento que fornecem o mesmo tanto de calor são subtraídas („creditadas‟). Como exemplo, a produção de 1 kWh de eletricidade em um motor de combustão interna movido a gás cogerados substitui cerca de 2 kWh de aquecimento, que não precisam ser produzidos separadamente (FRITSCHE, 2006, p.5).

Não defendemos que a atividade/empresa deva necessariamente se responsabilizar pelas emissões motivadas por sua existência, mas o conhecimento destas é imprescindível para a formação de uma imagem mais real de seus impactos nesse âmbito. O indicador Pegada de Carbono é aconselhado como mais um a integrar os demais indicadores. As empresas podem, e num primeiro momento até devem, continuar a mensurar também suas emissões diretas apenas, visando divulgação de valores ou atendimento a normatizações e compromissos de RSE. Mas, aquelas que buscam realmente cumprir seu papel, fazendo sua parte perante a sociedade (humanidade) e visando a uma vitória no desafio de reverter as mudanças climáticas, devem atentar para o uso da Pegada de Carbono.

Brandão (2008) promoveu um estudo objetivando a formulação de um novo indicador na responsabilidade socioambiental individual e empresarial, levando em consideração as emissões de GEE e possibilidade da neutralização dessas emissões. Com base no princípio do desenvolvimento sustentável e da ética inter e intrageracional, vislumbrou a inclusão da contabilização da neutralização das emissões de GEE no Indicador de Desenvolvimento Sustentável do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e nos Indicadores do Instituto ETHOS, com o objetivo de contribuir para sinalizar um maior envolvimento e compreensão por parte das empresas e indivíduos, como um todo, na divisão das responsabilidades socioambientais na participação para o bem comum. O autor crê que “tais indicadores representam um instrumento de gestão socioambiental privada, cuja consciência ambiental se desenvolve na medida em que a adesão empresarial e individual é voluntária para se tornar „carbono neutro‟” (BRANDÃO, 2008, p.7).

Adeptos dessa consciência, os gestores empresariais e governamentais podem utilizar o indicador na formulação de políticas climáticas e usá-lo como ferramenta avaliativa de quão efetivas são as políticas existentes (i.e. a cada medição de um novo ciclo, e.g. ano). Para mercados financeiros, o indicador pode prover previsões quanto aos esforços da companhia na gestão das emissões e os potenciais de otimização destas, demonstrando as implicações presentes e futuras das emissões para as companhias. Consoante os resultados, a informação pode ser usada para otimização do planejamento de investimentos ou determinar os riscos e possíveis ganhos, ou seja, as companhias podem obter previsões quanto ao encarecimento de atividades emissoras ou aos riscos de seus processos produtivos e infra-estruturas. Na base das informações, eles poderão avaliar os investimentos e projetos futuros ou analisar processos correntes. Dessa forma, os atores dos mercados financeiros serão capazes de reajustar suas análises de investimentos, promover consultorias e, consequentemente, ajudar na pavimentação do caminho rumo ao um futuro de menores emissões. Ainda mais, poderão usar as informações correspondentes para marketing empresarial e relatórios corporativos (HOFFMANN, 2008, p.13).

Para a realidade brasileira, o indicador Pegada de Carbono é perfeitamente compatível com os princípios nacionais estabelecidos para o desafio das mudanças climáticas. Na definição das ações prioritárias da Agenda 21 no Brasil (MMA, 2002b,

p.36), o Ministério do Meio Ambiente – MMA norteia como objetivos para a área de eco- eficiência e RSE:

 Criar condições para que as empresas brasileiras adotem os princípios de eco- eficiência e de responsabilidade social, que aumentam a eficiência pela incorporação de valores éticos e culturais ao processo de decisão;

 adotar os procedimentos adequados para minimizar efeitos adversos na saúde e no meio ambiente com a utilização de: i) desenvolvimento de padrões mais seguros de embalagem e rotulagem; ii) consideração dos conceitos de ciclo de vida dos produtos pelo uso de sistemas de gestão ambiental, técnicas de produção mais limpa e sistema de gerenciamento de resíduos; e iii) desenvolvimento de procedimentos voluntários de auto-avaliação, monitoramento e relatórios de desempenho e medidas corretivas;

 promover a recuperação do passivo ambiental das empresas por meio de termos de ajuste de conduta, nos quais fiquem claramente estabelecidos os compromissos sobre as técnicas de recuperação, os investimentos alocados e os cronogramas de execução;

 difundir amplamente a Convenção Quadro de Mudança do Clima e o Protocolo de Quioto, especialmente o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL, para que, as micro, pequenas e médias empresas possam se beneficiar com recursos de projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa e de seqüestro de carbono.

O indicador Pegada de Carbono constitui-se como instrumento efetivo para atender aos tópicos citados, diretamente ou servindo de base para tal. Quanto ao primeiro tópico, é uma condição adotável por empresas comprometidas com os princípios de eco- eficiência e RSE, e que busquem um aumento progressivo da eficiência desses princípios, para isso integrando mais e mais valores éticos e culturais, o que perpassa pela aceitação da Pegada de Carbono. O indicador também refere-se a rotulagem, gestão de impactos segundo ACV e serve de base à auto-avaliação, monitoramento, relatórios corporativos e aplicação de medidas corretivas, além das preventivas. O indicador também atende o terceiro tópico, pela clarificação das emissões totais derivadas de uma atividade empresarial, permitindo o ajuste de conduta voluntário (e no futuro talvez imprescindível) na recuperação do passivo ambiental relativo às alterações climáticas. O indicador Pegada de Carbono é também base mais segura e real para ações relacionadas ao MDL, CCS e demais medidas de mitigação de emissões. Tanto que seu uso certamente permite a obtenção de mais eficiência na aplicação das tecnologias e práticas de mitigação mais relevantes por setores, fixadas no Plano Nacional sobre Mudança do Clima (MMA, 2008, p.27), especialmente para as condições brasileiras (Quadro 4).

O uso do indicador Pegada de Carbono ainda presta-se a servir a outro planejamento do MMA. Dentre ações prioritárias da Agenda 21 no Brasil (MMA, 2002b, p.98), o MMA defende o uso de alguns mecanismos e instrumentos de mercado na implementação das políticas ambientais, a exemplo do imposto verde. Basicamente, um

imposto verde representa a imposição de uma taxa sobre a poluição ou degradação ambiental que causassem danos ambientais pela descarga de resíduos no meio ambiente. Assim, o imposto verde deveria, por critérios de eficiência, refletir os custos da poluição. No caso, a emissão de GEE, especificamente, resulta em poluição não-local, mas sim global. Ainda assim, a Pegada de Carbono poderia servir como uma das bases na formulação matemática de tal imposto, até porque as emissões de GEE são acompanhadas de emissões de poluentes locais.

Quadro 4 - Tecnologias e práticas para mitigação das emissões de GEE para a realidade brasileira. Fonte: MMA (2008, p.27).

Setor Tecnologias e práticas para mitigação das emissões

Energia

Melhoria da eficiência da oferta e distribuição de energia; manutenção da elevada participação de energia renovável na matriz elétrica nacional; substituição de combustíveis mais carbono-intensivos por aqueles com menor teor de carbono ou por combustíveis de fontes renováveis; e captação e armazenamento de carbono.

Transportes

Utilização de veículos eficientes e modernização de frota; expansão de sistemas ferroviários e aquaviários; incentivos aos transportes coletivos; e aumento sustentável da participação de biocombustíveis na matriz de transportes nacional.

Edificações

Utilização de equipamentos eficientes e de energia solar; adoção de sistemas de planejamento integrado que permitam ganhos de eficiência no uso da energia.

Indústria

Utilização de equipamentos eficientes; adoção de práticas de reciclagem e de substituição de materiais; controle das emissões de gases; e captação e armazenamento de carbono.

Agricultura

Manejo adequado para aumentar o armazenamento de carbono no solo; recuperação de áreas degradadas; melhorias em cultivos e na fertilização para reduzir emissões de CH4 e N2O; e estabelecimento de

culturas energéticas. Silvicultura

/ Florestal

Redução do desmatamento; manejo florestal sustentável; florestamento e reflorestamento; e uso de produtos e subprodutos florestais, em bases sustentáveis, na geração de energia.

Resíduos Recuperação do CH4 de aterros; incineração com recuperação

energética; e reciclagem.

Acadêmico

Procurar identificar os impactos ambientais decorrentes da mudança do clima e fomentar o desenvolvimento de pesquisas científicas para que se possa traçar uma estratégia que minimize os custos socioeconômicos de adaptação do País.

Além do mais, a Pegada de Carbono propicia o uso de outros mecanismos, como a rotulagem ambiental de produtos/processos. Como exemplo do planejamento governamental de um mecanismo advindo da mensuração da Pegada de Carbono, existiu na Assembléia Legislativa do estado do RN um projeto de lei visando a instituir o „Selo de Neutralidade em Emissão de Carbono‟ para as empresas localizadas no âmbito do estado (Anexo II). O artigo 2º do projeto de lei dita que “o objetivo desta lei é incentivar a responsabilidade ambiental das organizações que atuam no âmbito do Estado do Rio Grande do Norte, a neutralizar a emissão de carbono através do plantio de árvores”. O artigo 6º cita os benefícios conseqüentes, estabelecendo que “os empresários selecionados e aprovados no Selo de Neutralidade em Emissão de Carbono terão prioridade no financiamento para investimento e custeio na sua propriedade”.

Da mesma maneira que o indicador Pegada de Carbono é prestimoso às necessárias ações governamentais referentes às mudanças climáticas, ele o é também para o setor empresarial. Matthews (2008, p.1) adverte que “sem o inteiro conhecimento de suas Pegadas de Carbono, as companhias não estarão hábeis a seguir as melhores estratégias em eficiência e custos para mitigação das emissões”. O autor sugere que as firmas usem a análise em nível de „peneiramento fino‟, de forma a assegurar que elas não ignorem recursos significativos em impactos ambientais presentes ao longo de suas cadeias de abastecimento. Tais informações podem auxiliar as empresas a procurar desempenhar projetos de mitigação de emissões e de impactos ambientais, não apenas concernentes a suas plantas, mas também imiscuídos em toda a cadeia de suprimentos. Assim é que a medição de Pegadas de Carbono empresariais podem ser úteis para a aquiescência de políticas mais efetivas quanto à reversão das mudanças climáticas.

Muitas vezes, a aferição da Pegada de Carbono traz resultados surpreendentes. Em um estudo do Global Action Plan, instituição que possui mais de 12 anos de experiência em ajudar organizações a reduzir seus impactos ambientais, descobriu-se que o setor de Tecnologia em Informação e Comunicação (ICT – Information and Communication Technology) causa impactos significativos e crescentes nas mudanças climáticas. No estudo, verificou-se, por meio de entrevistas, que quase todos os profissionais de ICT estavam cientes de que seu departamento gera um impacto no ambiente, com mais da metade acreditando que os impactos são significativos. Apesar dessas crenças, 86% dos profissionais de ICT não conhecem a Pegada de Carbono das atividades de seu departamento, muitos deles pertencentes a empresas que quantificam sua Pegada. Após o estudo, a maioria afirmou que as considerações ambientais serão importantes em suas decisões de compras relacionadas ao setor de ICT pelos próximos 2 anos (GAP, 2007, p.3).

Há mais de um bilhão de computadores no planeta, e o setor mundial de ICT é responsável por cerca de 2% das emissões antrópicas anuais de CO2 – similarmente à indústria mundial de aviação comercial. No Reino Unido, há uma estimativa de 10 milhões de computadores em escritórios, sendo que os equipamentos de ICT respondem por aproximadamente 10% do consumo total de energia. Aferiu-se também que um servidor de tamanho médio possui uma Pegada de Carbono similar a um veículo urbano pequeno que percorra 15 milhas por galão (6,38 km/l). Além disso, servidores também requerem

tanta energia para resfriar quanto a que eles consomem diretamente. Estendendo a abrangência dos impactos do setor, verificou-se que se 20% das viagens de negócios européias fossem substituídas por teleconferência, poderiam ser evitadas emissões de GEE em cerca de 25 milhões de CO2 por ano (GAP, 2007, p.2). De posse dos resultados, a Pegada de Carbono passará a ser usada como um indicador (interno) por algumas empresas de ICT abarcadas, com objetivo de balizar a busca por ações direcionadas à mitigação e neutralização de emissões.

Todavia, as informações delineadas pela mensuração da Pegada de Carbono variam dependendo de como a mesma foi calculada e de quanta responsabilidade a entidade sendo avaliada está disposta a arcar com. Existe uma inerente troca entre a extensão das medições (i.e. o percentual do total de emissões de GEE incluídas em um sistema) e participação (i.e. o percentual de negócios ou consumidores tomando parte no sistema) (MATTHEWS, 2008, p.2). Logo, a garantia de eficácia quando da aplicação de ações fundamentadas na Pegada de Carbono resulta da eficiência de mensuração da Pegada, envolvendo processo metodológico e dados usados. Um inventário de emissões deve ser suficientemente georreferenciado, com uma abrangência territorial compatível com seu impacto. Disto que, justifica-se inventariar GEE por todo um país, mas para poluentes locais é preferível para efeitos de saúde pública a abrangência reduzida (e.g. „MP10 no entorno do empreendimento‟ ou „hidrocarbonetos no município‟) (GOLDEMBERG e LUCON, 2008, p.115).

Desta feita, a quantificação da Pegada de Carbono deve remontar ao início do ciclo