3 SER MULHER
4.3 A PELE COMO FORMA DE EXPRESSÃO
Figura 18: Antes e depois da aplicação da toxina botulínica
Fonte: Beauty Estética42 (2017)
Inicialmente o objetivo do uso da toxina era para tratamentos de estrabismo e em outras partes da região, porém foi percebida a diminuição de rugas e linhas de expressão com a aplicação, inspirando estudos com a sua função estética. A técnica acontece de forma intramuscular, agindo como paralisante muscular (BRATZ;
MALLET, 2016).
estado do Rio de Janeiro “morenidade parece ser uma espécie de palavra de ordem na cidade, a conquista de uma cor considerada a perfeição do corpo”. Assim, surgiram cada vez técnicas para o bronzeamento e adeptas durante o verão.
Um método bastante utilizado para se bronzear no início dos anos 2000 eram as câmaras de bronzeamento artificial (figura 19), que simulavam em lâmpadas fluorescentes a emissão de raios ultravioleta. O resultado deste tipo de bronzeamento era alcançado após algumas sessões, entretanto, era possível colocar em altas temperaturas para ser quase instantâneo, o que nos leva a notar que bronzear-se deixou de ser uma consequência da exposição ao sol e, tornando-se então, uma escolha e estilo de vida.
No entanto, em 2009 após um estudo da sobre o câncer de pele no Brasil, a Anvisa43 proibiu o uso destes equipamentos para fins estéticos (BOHER, 2009). Porém, um programa de televisão brasileiro apresentou uma reportagem em que mostra que mesmo sendo proibido o uso de câmeras de bronzeamento artificial no país, ainda existem estabelecimentos que operam o uso à clientes normalmente, ambos sabendo da proibição. A matéria chama atenção também para uma estimativa publicada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, alertando para 419 mil casos anuais de câncer de pele causados por bronzeamento artificial só nos EUA (FANTÁSTICO, 2014)
Figura 19: Câmera de bronzeamento artificial
Fonte: Revista Donna44 (2009)
43 Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
44 Disponível em: <http://revistadonna.clicrbs.com.br/beleza/proibicao-de-bronzeamento-pega-esteticas-de-surpresa-no-estado/> Acesso em: 30 de outubro de 2017.
Com o desejo de ficar com o corpo bronzeado e a marca do biquíni bem destacada, novas técnicas tem surgido, que prometem o resultado perfeito.
Celebridades e pessoas anônimas têm aderido ao biquíni feito de fita isolante, que ficou ainda mais conhecido após a cantora Anitta (figura 20) usar recentemente em uma produção de um videoclipe (VEJA, 2017). A técnica, chamada pelas usuárias de bronzeamento natural, consiste em aplicar a fita isolante sobre a pele no formato de um biquíni comum aliada a aplicação de protetor solar e as adeptas ao novo biquíni preferem tomar banho de sol na cobertura de casa do que na praia, mais uma vez podendo se destacar o fetiche e desejo de bronzear-se não sendo apenas consequência da alta exposição solar.
Figura 20: Anitta ao sol com biquíni de fita isolante
Fonte: Vila Mulher UOL45 (2017)
Torres (2016) destaca que a nova prática do biquíni de fita isolante já está se tornando serviço especializado, o bronzeado é feito por sessões e na colagem da fita no corpo. É possível também encontrar em alguns sites de vendas moldes para montar o biquíni de fita ou até mesmo ele já pronto. Porém, sinaliza que é preciso ter cuidado com os riscos que a técnica por apresentar, devido a própria fita isolante e aos vários casos da longa exposição aos raios solares que as usuárias se submetem. Outra técnica similar sendo praticada, é de fazer o biquíni com esparadrapo, ao invés da fita isolante, aliado ao uso de parafina como ativador solar.
Cuminale (2017) complementa que apesar da fita bloquear a passagem dos raios
45 Disponível em: <http://vilamulher.uol.com.br/beleza/corpo/biquini-adesivo-dermatologistas-nao-recomendam-m0215-698755.html> Acesso em: 30 de outubro de 2017.
solares, ela proporciona uma marca menor que faria na praia com o biquíni tradicional, deixando uma amostra de pele considerada virgem e, portanto, com mais chances de queimaduras e manchas, além de dermatite de contato.
Ao contrário da incessante busca pela cor do verão, referindo-se ao bronzeamento, existem produtos que tem como objetivo o clareamento da pele.
Araújo (2014) destaca que na Tailândia é comum as mulheres buscarem cremes que clareiam a pele, sendo objeto de status e desejo dos que possuem maiores condições, como objetivo de diferencia-se dos mais pobres. Atualmente, os procedimentos para o clareamento vão de receitas caseiras, que incluem iogurte natural, pomada Hipoglós ou óleo de rosa mosqueta. Já entre procedimentos estéticos´, o peeling46 ou ainda cremes clareadores ou com vitamina C. Um programa de televisão brasileiro apresentou em agosto de 2015 uma matéria sobre as mulheres da Costa do Marfim que utilizavam produtos de alto risco para clarear a pele, sendo no mesmo ano o país tinha criado uma lei que proibia produtos com a finalidade de clareamento. Algumas mulheres citaram como justificativa para o uso dos produtos a pressão social, especialmente por parte dos homens e mulheres na mídia que utilizam, tornando- se sinônimo de beleza e desejo. Nos rótulos é possível ler “brilho e branco” e “branco no corpo”, não deixando dúvidas do principal objetivo (BEM ESTAR, 2015).
Um dos procedimentos mais procurados e utilizados pela população brasileira é a depilação, impulsionando o mercado estético a crescer cada vez mais. Visto por muitos como forma de higiene pessoal, é um método de eliminação dos pelos indesejáveis. A questão de se depilar é muito mais antiga do que pensamos, que de acordo com a lenda, as mulheres no Antigo Egito foram as primeiras a utilizar argila, extrato de sândalo e mel de abelha, dando origem a depilação de cera atualmente.
Na Antiga Grécia era utilizada uma varinha com ponta curva para remoção dos pelos. As Sacerdotisas de Creta bebiam entorpecentes para aliviar a dor da depilação no corpo inteiro. No Brasil, conta-se que alguns índios utilizavam as pontas dos dedos para arrancarem as sobrancelhas. Assim, percebe-se que a depilação envolve crenças, cultura, motivos religiosos ou apenas a estética.
46 Técnica de clareamento da pele. É um dos procedimentos de medicina estética capaz de promover a renovação celular, de forma progressiva, estimulando a regeneração natural dos tecidos.
Farias (2002) destaca o quanto somos levados a enquadrar nossos corpos nos padrões, devido ao receio da rejeição. A autora justifica com o depoimento de um homem ao referir-se sobre as mulheres frequentadoras de certa praia “pô, fica aquela mulherada cabeluda, sem se raspar, com tudo de fora, às vezes cada corpo feio, seilá, deviam ter mais cuidado...”, o que nos leva a perceber que muitas vezes utilizamos certas técnicas mais por busca do aceitamento social do que da nossa própria vontade e gosto pessoal.
Uma das principais funções do pelo é a proteção, evitar atritos e ainda proteger de raios ultravioletas e agentes externos. Entretanto, com os conceitos atuais de beleza e a grande exposição corporal, a cultura de se depilar se impregnou na sociedade e causa estranheza em muitos quando se percebe que a mulher, principalmente, não depilou alguma parte do corpo, como citado anteriormente.
Com a grande demanda de adeptos, vários processos depilatórios e profissionais especializados surgiram ao longo do tempo para atender o desejo das clientes que procuram uma eliminação rápida e duradoura e entre os procedimentos estão: cera quente ou fria, lâmina, à linha ou fio, por eletrólise, laser, luz pulsada, aparelhos elétricos ou cremes próprios para depilação. Em todas as técnicas é necessário tomar cuidado aos danos que podem causar para pele além da dor decorrente do processo (SANTOS; BESSANI, 2013).