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A Pequena Imprensa

No documento PORTCOM (páginas 59-83)

de Mato Grosso do Sul1

Daniela Cristiane Ota e Mario Luiz Fernandes Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

M

ato Grosso do Sul é um estado situado na região Centro-Oeste do Brasil, que conta com 78 municípios e 165 distritos. Possui dois importantes biomas – Pantanal e Cer- rado – e tem como base econômica atividades ligadas ao agronegócio. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a população sul-mato-grossense no Censo Demográfico de 2010 era de aproximadamente 2,5 milhões de habitantes.

Mato Grosso do Sul tem como limites os estados de Goiás (Nordeste), Minas Gerais (Leste), Mato Grosso (Norte), Paraná (Sul) e São Paulo (Sudeste). Outra característica geográfica im- portante é a fronteira com o Paraguai e a Bolívia. Historicamente, o Estado é um dos mais novos do Brasil. Foi criado em 11 de outubro de 1977, por meio da Lei Complementar nº 31, e instalado em 1979, pelo então presidente Ernesto Geisel.

Desde sua instalação, o Estado vem experimentando um acelerado crescimento em seus aspectos econômicos e sociais. Movida por estes fatores, a mídia sul-mato-grossense também passa por expressivo avanço. Nossa estimativa é de que entre 140 e 150 jornais são editados no estado. Eles buscam atender a demanda de informação de 2,5 milhões de habitantes com índice de alfabetização de 91,3% (IBGE 2010) e considerável renda per capta, fatores que credenciam esses cidadãos a potenciais leitores.

No sistema de rádio são 132 emissoras comerciais – 74 FMs (Frequência Modulada), 56 OMs (Onda Média), 02 OTs (Ondas Tropicais) – além de nove Educativas (FMs) e 76 Comunitárias (FMs). Campo Grande, a capital, concentra 11,8% (26 rádios) desse total de emissoras. Entre as seis principais cidades do estado que detém as maiores populações e indicadores eco- nômicos essa concentração é de 28,7% (63 rádios).2 De acordo com a Agência Nacional de

Telecomunicações (Anatel), em fevereiro de 2011 Mato Grosso do Sul ainda contava com 29 canais em aberto para emissoras FM, cinco para OM e nove para Educativas.

Em televisão, são 15 emissoras comerciais de canal aberto e oito educativas. Neste siste- ma de comunicação destacam-se alguns conglomerados regionais como a Rede MS de Rádio e Televisão (afiliada à Rede Record), Rede Centro-Oeste de Rádio e TV (SBT), Rede Mato-grossense de Televisão (Rede Globo) e TV Guanandi (Bandeirantes), entre outros. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD/IBGE – 2009), do total de lares sul-mato-grossenses, 85,5% possuem aparelho de rádio, 96,9% de televi- são, 92,8% de telefone fixo, 32,3% de microcomputadores e 24,8% de microcomputa- dores com acesso à Internet. Esses índices colocam a informação, via meios eletrônicos, ao alcance de praticamente toda a população.

1 Artigo apresentado no V Colóquio Brasil-EUA de Ciências da Comunicação. Chicago, 2012.

2 As cidades com o maior número de emissoras são: Campo Grande, a capital, com sete OMs, sete FMs, duas OTs; seis Comunitárias e quatro Educativas; Corumbá com três FMs e quatro OMs, uma Educativa e duas Comunitárias; Dourados com três OMs, três FMs, uma Educativa, uma Ondas Tropicais e duas Comunitárias; Três Lagoas com duas OMs, três FMs, uma Educativa e três Comunitá- rias; Ponta Porã com duas OMs, três FMs e uma Comunitária; Coxim com duas OMs, uma FM e uma Comunitária.

E qual a estrutura dos pequenos jornais impressos de Mato Grosso do Sul? Em bus- ca dessa resposta, estes pesquisadores colocaram em desenvolvimento do projeto de pesquisa intitulado Perfil da pequena imprensa de Mato Grosso do Sul que tem como objetivo diagnosticar este segmento de mercado quanto a: 1) Ordem estrutural – a) apu- rar o número de pequenos jornais existentes no estado; b) levantar qual a estrutura da pequena empresa jornalística; c) identificar as características do produto jornal; d) traçar o perfil de seus jornalistas; e) identificar o perfil dos empresários do setor; 2) Ordem conjuntural – a) avaliar o índice de crescimento destes veículos; b) identificar os fatores sócio-econômicos e tecnológicos que contribuíram para este desempenho.

Como primeira fase desse projeto foi desenvolvido o Portal de Mídia (www.portaldemi- dia.ufms.br) no qual estão postados os dados iniciais dos jornais localizados no estado. Este paper tem como objetivo apresentar e interpretar esses esses primeiros dados que foram o perfil mais geral da pequena imprensa de Mato Grosso do Sul. A rigor, o estado não possui grandes jornais. Os dois principais, o Correio do Estado, tem uma tiragem de apenas 17 mil exemplares dia, e O Estado, apenas 11 mil. Para efeito desse estudo, são considerados como os dois maiores jornais e não foram enquadrados como objeto desta pesquisa. Todos os demais jornais com linha editorial não segmentada, não institucio- nais e com objetivos comerciais foram considerados.

Trata-se de uma pesquisa pioneira no estado e tem como relevância discutir construções e desconstruções a respeito de um país de grandes dimensões como o Brasil, marcado pela heterogeneidade, diversidade e contradições.

Uma Breve Conceitualização

A revitalização das mídias locais e regionais começou a ganhar força no contexto da globalização das comunicações, e se desenvolveu como uma política de comunicação de proximidade. Nela o cidadão vê o seu lugar, a sua história e a sua cultura retratadas pelos mass media. Autores como Castells (2000) e Hall (1998) também demonstram o interesse pelo reforço das identidades locais concomitantemente com o processo de globalização. Xosé López Garcia (1999) contribui também com a idéia quando relata que os proces- sos de globalização e o fortalecimento da comunicação local são complementares e interconectados, ou seja, o global precisa do local para se realizar. Tal fato pode ser evidenciado uma vez que, atualmente, existe uma demanda por uma comunicação mais próxima a vida dos cidadãos e que preservem a diferença. Peruzzo (2002, p. 70) diz que a valorização dos meios de comunicação em nível local ocorre no auge do processo de globalização, e que este ao invés de destruição, contribui na geração de um reforço da identidade local ou na construção de uma.

Podemos dizer que existe uma impossibilidade de se definir fronteiras precisas entre o regional, local e o comunitário, uma vez que as fronteiras estabelecidas, conforme cita também Ianni (1997) não são geográficas, mas sim culturais, ideológicas, de idioma e de circulação de informação. “Em outras palavras o local se constitui num espaço caracte- rístico constituído por partes que se relacionam, mas que ora se identificam, dependem umas das outras, e ora são excludentes”. (Perruzo, 2002, p. 63).

Sendo assim, apesar do critério geográfico ter um peso relevante na definição do meio de comunicação local, ele não é determinante, pois o conceito de território extrapola as marcações geográficas e administrativas e incorpora outras dimensões do campo das identidades culturais e das condições de relacionamentos na sociedade.

Especificamente com relação a produção midiática de proximidade, Peruzzo apud Carlos Camponez (2002, p.129) diz que:

[...] proximidade já não se mede em metros. Devemos estar preparados para conceber a produção de conteúdos que, embora longe de nossas casas, nos são próximos, bem como para assistir à produção nas regiões de conteúdos tão ho- mogeneizantes e massificadores quanto os das grandes corporações de media. [...] Não é a proximidade geográfica que, por si só, faz o media regional.

Renato Ortiz (1999) e Alain Bourdin (2001) também citam que não é possível dar um con- torno territorial preciso para o local/regional, uma vez que o mesmo se constitui em um espaço onde as partes estão interconectadas. Dessa forma, os pesquisadores dizem que os meios de comunicação que operam em nível local podem valorizar os sotaques e modos de vida da população do entorno, observando múltiplas variáveis e atentando para fatores como a proximidade, singularidade, diversidade e familiaridade, caracterizados abaixo:

Proximidade – sentido de proximidade diz respeito à noção de pertencimento, ou dos vínculos existentes entre pessoas que partilham de um cotidiano e de in- teresses em comum;

Singularidade – cada localidade possui aspectos específicos, tais como a sua história, os costumes, valores, problemas, língua etc., o que, no entanto, não dá ao local um caráter homogêneo;

Diversidade – o local comporta múltiplas diferenças e a força das pequenas unidades;

Familiaridade – constituída a partir das identidades e raízes históricas e culturais. Castells (1997) define que a importância da informação de proximidade aumenta a partir da defesa da identidade local, onde as relações permanecerão no âmbito das pessoas pró- ximas, aquelas que compartilham um mesmo idioma e uma mesma realidade e identidade local; onde a fonte de significado e experiência de um povo e que, explica Collier (1997), emerge quando mensagens são trocadas entre pessoas.

Neste contexto, reiterando a importância da mídia local, o projeto de pesquisa Perfil da Pequena Imprensa de Mato Grosso do Sul objetiva fazer o mapeamento e traçar o perfil desses jornais que diz respeito a sua estrutura empresarial e editorial. Como primeira fase desse projeto, foi desenvolvido o Portal de Mídia (www.portaldemidia.ufms.br). Com base nos primeiros dados de 126 jornais localizados em 44 municípios, e que cons- tam do portal, foi possível desenvolver um perfil inicial desses periódicos.

O Portal de Mídia

A estrutura dos meios de comunicação de Mato Grosso do Sul, notadamente dos jornais impressos, é uma incógnita. Quantos são, qual o montante de sua tiragem, quantos jor- nalistas empregam, qual o faturamento e qual o alcance entre os leitores são algumas das muitas questões sem respostas. O projeto de pesquisa Perfil da Pequena Imprensa de Mato Grosso do Sul objetiva fazer o mapeamento desses jornais e traçar o perfil do setor. O Portal reúne dados sobre a comunicação em geral e sobre o exercício da profissão de jornalista. Agrega links de importantes sites da área como os de crítica de mídia, legislação

do setor, cursos de graduação e pós-graduação, sindicatos e federação da categoria, etc. Apresenta também resenhas e dicas de filmes, livros e cursos na área. O objetivo é tornar- -se um referencial como fonte de pesquisa para estudantes, professores e profissionais e, principalmente, democratizar as informações sobre os meios de comunicação local. Colocado na rede em abril de 2011, já contém o maior banco de dados sobre a imprensa de Mato Grosso do Sul, com informações sobre 126 jornais impressos, 80 emissoras de rádio de seis de televisão. Informações que já estão disponíveis à sociedade, servindo como um verdadeiro canal de democratização da informação sobre os meios de comu- nicação. Entre 13 de abril de 2011 e 1º de março de 2012, o Portal teve 2.775 acessos, o que demonstra sua repercussão e comprova sua aceitação como fonte de referência para estudantes, professores e profissionais que pesquisam a mídia sul-mato-grossense.

Indicadores de Breve Perfil

Até julho de 2011 foram identificados e localizados 126 jornais no estado, a partir dos quais foi possível traçar este breve perfil e tecer algumas avaliações apresentadas a se- guir. Os 126 estão localizados em 44 (56,4%) dos 78 municípios sul-mato-grossenses. Isso perfaz a média de 2,8 jornais por município onde há jornais. Nossa estimativa é de circulem entre 140 e 150 jornais no estado, o que coloca os 126 periódicos pesquisados, bem próximos do número total.

Dos 44 municípios que possuem imprensa escrita, 20 (45,5%) têm apenas um jornal. As dez (22,7%) cidades com maiores números de títulos são: Nova Andradina e Corumbá com seis cada; Aquidauana, Três Lagoas e Camapuã com cinco cada; Amambai, Coxim, Dourados e Ponta Porã com quatro cada. Os demais 14 (31,8%) municípios contam com dois ou três jornais.

Desponta no mapa a concentração dos jornais em cidades com maior número de habitantes e densidade econômica, evidenciando a correlação entre estes dois fatores e a mídia. O estado tem apenas cinco municípios (6,4%) com mais de 50 mil habitantes3, enquanto que 53 (68%)

têm no máximo 20 mil habitantes, um mercado difícil para o desenvolvimento da mídia. Na faixa entre 20 mil a 50 mil habitantes estão apenas 20 (25,6%) municípios. Esses indicadores podem sinalizar porque 34 (43,6%) dos 78 municípios ainda não possuem jornal.

Faixas de distribuição da população por município

Faixa de habitantes Nº de municípios %

Até 5.000 07 9,0 5.001 a 10.000 18 23,1 10.001 a 15.000 16 20,5 15.001 a 20.000 12 15,4 20.001 a 25.000 09 11,5 25.001 a 30.000 02 2,6 30.001 a 35.000 03 3,8 35.001 a 40.000 01 1,3 40.001 a 45.000 03 3,8 45.001 a 50.000 02 2,6 Acima de 50.000 05 6,4 TOTAL 78 100

Fonte: IBGE Censo Demográfico 2010

3 De acordo com o Censo Demográfico de 2010 do IBGE, os municípios são os seguintes: Ponta Porã (77.872 habitantes), Três Lagoas (101.791), Corumbá (103.703), Dourados (196.035) e Campo Grande (786.797).

Campo Grande, com seus 786 mil habitantes (potenciais leitores) e a maior concentração de órgãos públicos e de empresas públicas e privadas (potenciais anunciantes), abriga o maior número de jornais. Foram localizados 32 periódicos, do maior do estado, Correio do Estado, com 17 mil exemplares dia, a publicações de bairros, de entidades, semaná- rios entre outros. A cidade apresenta um fenômeno diferenciado no mercado editorial brasileiro, que é a distribuição gratuita de jornais dominicais na avenida Afonso Pena. São de 10 a 15 periódicos distribuídos a milhares de leitores que se deslocam pela manhã, principalmente de carro, quase que exclusivamente para receber os jornais. Iniciado no final da década de 80, o ritual já se tornou um programa habitual para muitos leitores. Partindo para os indicadores constantes nas fichas dos jornais cadastrados no Portal, emergem algumas características mais específicas destes veículos. A primeira delas é no campo tecnológico. Dos 126 jornais, 70 (55,5%) possuem também uma versão online e 56 (44,5%) não. Como a maioria dos jornais na versão impressa (ver adiante) tem perio- dicidade semanal e quinzenal, uma questão interessante a se pesquisar é a adequação das pautas e dos conteúdos do online para o impresso e vice-versa, já que o jornalismo online tem como uma das características a instantaneidade.

Outra característica de ordem tecnológica é a de que todos os jornais têm pelo menos a capa e contra-capa coloridas. Muitos também apresentam algumas páginas coloridas em seu interior. O sistema off-set e a cor têm contribuído para um grande avanço no aspecto visual dos jornais, porém, o projeto gráfico de expressiva parcela deixa a desejar quanto à legibilidade e hierarquização da informação. Falta uma melhor concepção es- tética para que estes veículos obtenham mais qualidade visual.

A periodicidade dos jornais apresenta indicadores interessantes (quadro abaixo). Dos 126, 49 (38,8%) são semanários e 36 (28,6%) são quinzenais. Apenas 11 (8,7%) são diá- rios. Essa é uma realidade que reflete a grande maioria da pequena imprensa distribuída pelo interior do Brasil. Apenas como comparativo, segundo Fernandes (2003), dos 168 jornais que circulavam em Santa Catarina em 1999, 48% eram semanários e 19% eram quinzenais. Esse indicador pode ser explicado em razão de fatores operacionais, dos custos, da pouca intensidade dos fatos jornalísticos, do reduzido número de leitores e de anunciantes nas pequenas comunidades. Nestes casos, a atualidade da notícia fica circunscrita à periodicidade do veículo. Porém, tanto o semanário quanto o quinzenário, em boa parte dos casos, parecem satisfazer a demanda do fluxo de informação local. Como a maioria dos jornais não dispõe de gráfica própria, os custos com a impressão se tornam elevados, o que dificulta a produção de um diário. Outro elemento complicador é que, na maioria das vezes, a sede dos jornais é distante das gráficas, o que aumenta o custo com o transporte e pessoal para levar e buscar o jornal. Mas o principal problema é o reduzido mercado de anunciantes que na maioria dos municípios não propicia a sub- sistência de jornais de maior porte. Como bem observa Marques de Melo (1973, p. 131), “enquanto as cidades não atingem plena autonomia econômica e social, a imprensa será sempre raquítica, ou, em alguns casos, inexistirá”.

Periodicidade Periodicidade Nº de jornais % Semanal 49 38,8 Quinzenal 36 28,6 Diário 11 8,7 Mensal 10 7,9

Periodicidade Bi-semanal 05 3,9 Tri-semanal 01 0,8 A cada 10 dias 01 0,8 Não informado 13 10,3 Total 126 100

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Ao contrário da região Sul do país onde a maioria dos jornais abraçou o formato tabló- ide, em Mato Grosso do Sul 87 (69%) são standard e 39 (31%) são tablóides. Embora o tablóide seja mais prático para a leitura, o standard ainda é considerado um formato que transmite mais seriedade e também permite um projeto gráfico mais elaborado.

Como ocorre com grande parte dos jornais interioranos brasileiros, o período de sobre- vida dessas empresas também é reduzido em Mato Grosso do Sul. O quadro a seguir revela que 83 (65,8%) dos 126 atualmente em circulação surgiram entre 1996 e 2010, um período de apenas 14 anos. Chama atenção também o fato de que dos jornais lan- çados ente 1966 e 1970 já não há mais nenhuma circulação. Esse foi um dos períodos mais duros da ditadura militar com a censura imposta aos meios de comunicação, mas é provável que jornais tenham sido lançados até mesmo motivados pela própria ditadura, como veículos de oposição ou situação. Porém, nenhum deles ainda perdura.

Tal definhamento suscita um outro interessante ponto de investigação e parece seguir a tendência nacional das micro empresas onde, de cada 100, cerca de 70 fecham antes de completar um ano de atividades. Muito em breve, menos da metade dos atuais 83 periódicos aqui destacados estarão fora de circulação. Além do fator econômico e da falta de hábito de leitura dos brasileiros, agora há a forte concorrência com a Internet.

Períodos de surgimento dos jornais

Período de fundação Nº jornais %

Até 1960 04 3,2 De 1961 a 1965 01 0,8 De 1966 a 1970 00 00 De 1971 a 1975 03 2,4 De 1976 a 1980 08 6,3 De 1981 a 1986 05 3,9 De 1986 a 1990 07 5,5 De 1991 a 1995 11 8,7 De 1995 a 2000 24 19,0 De 2001 a 2005 31 24,6 De 2005 a 2011 29 23,0 Não informado 03 2,4 TOTAL 126 100

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O índice de difusão dos pequenos jornais sempre foi uma incógnita, uma vez que não são auditadas suas tiragens. Muitas vezes os números são elevados para impressionar o mercado anunciante, o leitor e o concorrente. As informações levantadas nas fichas dos jornais evidenciam que a maior faixa de tiragem está entre 1.001 e 3.000 exemplares

com 36,5%. Como são jornais estritamente locais ou microrregionais cujas populações são reduzidas, as tiragens também são pequenas. Além disso, acrescente-se o fato do baixo de índice de leitura entre os brasileiros.

A segunda maior faixa, 15,1%, está entre três mil e cinco mil. O Correio do Estado (Cam- po Grande), com tiragem declarada de 17.500 exemplares é único acima dos dez mil. Não pode ser considerado um jornal de grande porte, mas é o maior de Mato Grosso do Sul. No quadro a seguir, a distribuição dos jornais por faixa de tiragem.

Tiragem

Número de exemplares Nº jornais %

Até 1.000 exemplares 12 9,5 De 1.001 a 3.000 46 36,5 De 3.001 a 5.000 19 15,1 De 5.001 a 8.000 05 3,9 De 8.001 a 10.000 03 2,4 Acima de 10.000 01 0,8 Não informado 40 31,7 TOTAL 126 100

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O quadro abaixo coloca em evidência o restrito alcance dos pequenos jornais quanto a sua área de circulação.

Circulação

Quantidade de municípios nos quais circula Nº jornais %

De 1 a 5 62 49,2

De 6 a 10 24 19,0

Acima de 10 23 18,2

Não informado 17 13,5

TOTAL 126 100

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Dos 126 periódicos pesquisados, 62 (49,2%) chegam apenas entre 1 e 5 municípios. Uma explicação pode estar nas longas distâncias entre os municípios sul-mato-gros- senses, o que encarece a distribuição. Por outro lado, 23 (18,2%) assinalam circular em dez municípios ou mais. Destes, alguns assinalam chegar em todo estado. Vale ressalvar que alguns não chegam efetivamente a um significativo grupo de leitores. Uma prática muito comum é a remessa de alguns exemplares para prefeituras municipais, câmaras de vereadores e outros órgãos públicos. Muitas vezes esses jornais ficam empilhados em gabinetes e repartições e não chegam ao leitor.

Considerações

A pesquisa possibilitou a realização de um mapeamento inédito e bastante expressivo dos jornais de Mato Grosso do Sul. Foram localizados 126 dos 140 a 150 que estimamos existir no estado. Eles estão localizados em 44 municípios, o que evidência a falta de jornais nos outros 34. Por outro lado, a média é de 2,8 jornais por município onde eles existem, sendo que em vinte municípios circula apenas um jornal.

O projeto de pesquisa sobre o Perfil da pequena imprensa de Mato Grosso do Sul está na sua fase inicial. Além do mapeamento, os jornais estão sendo visitados aplicados ques- tionários junto aos empresários e jornalistas para diagnosticar a estrutura da empresa, perfil do empresário, características do jornal e perfil do jornalista. Esse material mais elaborado deve ser publicado em livro até o final do próximo ano.

Referências

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