CAPÍTULO VI – ANÁLISE DOS RESULTADOS
4.5 A análise das propostas pedagógicas nas atividades com foco em leitura
4.5.2 As propostas pedagógicas nos portais educacionais
4.5.2.1 A perspectiva comunicacional nos portais PB e PE
A investigação das 20 atividades pedagógicas disponibilizadas nos portais PB e PE revelaram que a perspectiva comunicacional fundamenta os planos de aula oferecidos pelos autores nesses portais. Nesse caso, as atividades têm como finalidade proporcionar oportunidades para que o aluno possa construir conhecimento por meio de interações com o conteúdo (texto e tarefas) e com os
colegas. A tarefa, demonstrada na Figura 72, aponta para essa concepção de ensino e de aprendizagem.
Figura 72 - Atividade pedagógica B9, na seção Essential UK Archive, do portal PB (Anexo CD ROM)
Nesse exemplo, a tarefa solicitada antes da leitura do texto oportuniza aos alunos uma discussão prévia sobre o tema abordado no texto – a ingestão de bebidas alcoólicas por jovens. Essa discussão colabora para que os alunos, conjuntamente, possam construir hipóteses iniciais sobre o tema.
A seguir, exemplificamos uma atividade proposta pelo portal PE fundamentada na perspectiva comunicacional. Na Figura 73, apresentamos os objetivos da atividade E2.
Figura 73 – Objetivos da atividade E2, no portal PE (Anexo 1)
Na atividade E2, o autor propõe tarefas com o objetivo de debater o tema guerra. Para isso, ele faz uso de materiais referentes ao memorial que homenageia
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os veteranos da Guerra do Vietnã. Já nos objetivos propostos, é possível identificar que o autor concebe a construção do conhecimento mediada pela linguagem, nas seguintes passagens: Students will be able to express and share their thoughts and attitudes towards wars/Use the English language to express their thoughts and to discuss within a group.
A Figura 74 demonstra alguns dos procedimentos dessa atividade, fundamentados nessa perspectiva.
Figura 74 – Procedimentos da atividade E2, do portal PE (Anexo 1)
Observamos que no primeiro e segundo itens, o autor enfatiza a interação entre os alunos na produção do significado e a realização das tarefas em grupos: Ask students to share their responses to the book with a partner/Divide students into small groups. Make sure in each group there are advanced readers as well as struggling readers/Ask each group to reflect what they have learned from the reading.
Nesse sentido, os autores das atividades pedagógicas nesse portal concebem a linguagem como mediadora da construção do significado, como podemos observar, no exemplo da Figura 75.
Figura 75 - Atividade pedagógica B5, do portal PB (Anexo CD ROM)
Nessa atividade, o autor propõe uma tarefa cujo objetivo é identificar a linguagem utilizada nas mensagens de texto. No início, o autor apresenta a relevância do tema – This activity is appropriate where mobiles and texting are commom place.
A atividade apresenta dois itens com a mesma denominação Text messaging. O primeiro é direcionado aos docentes, haja vista que indica os procedimentos da atividade pedagógica. Podemos observar que, no segundo procedimento, o autor propõe tarefas para que o aluno trabalhe com a língua inglesa em termos do gênero mensagem de texto e reflita como este se configura em sua língua materna – The second two columns are for the students to think about their own language and to teach you a little of the text language of the country you are in. Nas palavras de Richards e Rodgers (2001, p. 157), “teachers help learners in any way that motivates them to work with the language”.
No último item dos procedimentos, o autor sugere que o professor discuta as modificações na linguagem em outros gêneros digitais – Depending on the level this could lead into a discussion on how language is changing with SMS and e-mail and how flexible both languages are. Consideramos relevante propor atividades que visem discutir essas questões, pois como argumenta Weininger (2001, p. 53)
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as novas tecnologias de comunicação digital massificada estão também causando alterações na linguagem em si, nas suas formas, na suas funções e na sua aplicação como ferramenta humana para a produção de conhecimento e a transformação do mundo em si
O segundo item, intitulado Task messaging, é direcionado aos alunos. Nessa tarefa, o autor sugere que a discussão sobre a linguagem seja efetiva por meio do trabalho colaborativo entre aluno-professor e aluno-aluno. Isso é reforçado no cabeçalho da tarefa solicitada aos alunos (Task 3 – text messaging, Figura 75): Complete the table of text language. Add more to the columns with the help of your classM8s and teacher! e nas duas questões propostas para discussão: Do you think texting is encouraging young people to spell badly? How many text messages do you send/receive each day?
Outro exemplo do portal PE, Figura 76, exemplifica essa concepção de linguagem.
Figura 76 – Procedimentos da atividade E7, do portal PE (Anexo 1)
Nos procedimentos da atividade E7, podemos notar que é sugerido pelo autor que o conhecimento seja construído em conjunto com os alunos, sendo mediado pela linguagem: When you look at the book with the children, don’t provide them with
the title chosen by the author. Let them decide on an appropriate one themselves/Help students develop the vocabulary needed for the story/Start to write the story as a group. Have the children tell you what to write.
Sendo assim, na concepção comunicacional, o professor atua como orientador e mediador já que sua função é orientar os alunos no desenvolvimento das tarefas propostas. O aluno tem um papel participativo nas tarefas colaborativas. A Figura 77 mostra esses dois aspectos no portal PE.
Figura 77 – Procedimentos da atividade E9, no portal PE (Anexo 1)
Os procedimentos na atividade E9 demonstram que o professor tem o papel de orientador e facilitador das tarefas como podemos observar nas passagens Brainstorm ideas with the students and guide them into choosing a specific experience to write about. Os alunos participam das tarefas em pares ou grupos, desempenhando as tarefas, orientadas pelo professor: Have students organize information on a Story Map. This will allow for guided practice when interpreting more complex relationships. The students can then pinpoint problems the characters
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experience and interview their parents to see if they too may have once faced a similar problem.
A concepção do papel colaborativo do aluno faz com que a metodologia de ensino nos portais PB e PE seja fundamentada nas tarefas em pares ou grupos (RICHARDS e RODGERS, 2001). Dessa forma, percebemos a recorrência da abordagem comunicativa nas atividades propostas. Nesse caso, diversas atividades lúdicas, tais como jogos, mímicas, quizzes são utilizadas na introdução das tarefas. Além disso, é recorrente o uso de “role play” como tarefas de pós-leitura, isto é, são utilizados como o objetivo de estender a discussão sobre o tema abordado nos textos, por meio da interação entre os alunos.
Nas Figuras 78 e 79, exemplificamos duas tarefas que utilizam “role play” para promover a interação entre os alunos.
Figura 78 – Role play na atividade pedagógica B2, do portal PB (Anexo CD ROM)
Figura 79 – Role play na atividade pedagógica E2, do portal PE (Anexo 1)
Na Figura 78, temos o exemplo de “role play” utilizada após a leitura do texto que aborda o tema “tatuagem”. Nesse caso, a técnica é usada como forma de promover a interação entre os alunos, com o objetivo de discutir uma situação do
contexto real, isto é, alguém que decidiu fazer uma tatuagem sem a permissão do pai.
No segundo exemplo, Figura 79, o autor sugere o “role play” para que os alunos discutam o tema abordado, o memorial em homenagem aos veteranos da Guerra do Vietnã, após a leitura de um livro. Cada aluno assume um “papel” (the speaker/the note-taker/the highlighter/the discussion facilitator), interagindo com os colegas na construção do conhecimento sobre o tópico proposto.
Weininger (2001) aponta que muitas das metodologias utilizadas na abordagem comunicativa não refletem um contexto real de comunicação. Segundo o autor (ibid., 45), “um ato comunicativo sem uma intenção comunicativa genuína e autêntica dos participantes é artificial e normalmente disfuncional linguisticamente”.
Leffa (2008, p. 142) aponta a ruptura entre o saber teórico e o exercício da prática pedagógica, alertando para a fragmentação dos planos, em exercícios cada vez mais especializados, que podem “levar a uma granularização dos exercícios, provocando anomalias que hipertrofiam determinadas partes, atrofiam outras e não possibilitam o desenvolvimento harmônico do corpo da língua”.
Weininger (ibid., 51) sugere que
com a ajuda dos recursos dos meios de comunicação eletrônica, os alunos podem relacionar-se com falantes da língua alvo de uma maneira contínua, fácil, econômica e eficiente, e os resultados dos trabalhos podem ser publicados de forma igualmente fácil. Assim, a artificialidade dos atos comunicativos dentro da sala de aula é substituída pela autenticidade do discurso real onde os alunos usam a língua alvo dentro de um contexto social relevante para comunicar conteúdos e negociar procedimentos, e não mais para “praticar” ou para evitar erros.
Concordamos com a opinião do autor, pois acreditamos que as atividades pedagógicas de leitura sugeridas nos portais educacionais PB e PE não utilizam os recursos que a comunicação mediada por computador proporciona. Nesse sentido, as tarefas propostas não apresentam temas relevantes para a construção do aluno como um cidadão engajado socialmente (GIROUX, 1988), tais como as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global, as ameaças terroristas nos países do Ocidente, as desigualdades sociais, as pesquisas biogenéticas, dentre outras.
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demonstre seu compromisso em levar em conta as concepções e os problemas que afetam profundamente os estudantes em suas vidas diárias. Igualmente importante é a necessidade de a escola cultivar um espírito de crítica e um respeito pela dignidade humana que sejam capazes de associar questões pessoais e sociais em torno do projeto pedagógico de ajudar os alunos a se tornarem cidadãos críticos e ativos.
Além disso, consideramos que essas atividades estão muito distantes do contexto brasileiro, especialmente aquelas do portal PE (St. Patrick’s Day, Extreme weather: hurricanes, Johnny Appleseed, an American folk hero, Walking by the wall; a virtual trip to the Vietnam Veterans Memorial), pois abordam temas sociais e culturais diferentes de nossa realidade.
No caso do portal PO, a investigação apontou para a perspectiva behaviorista. Na seção a seguir, descrevemos os dados que evidenciam essa constatação.