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A ECORM Córrego Seco funciona de segunda à sexta, no horário de 7h às 11h30min no período da manhã, e de 12h30min às 17h no período da tarde, atendendo a quatro turmas do Ensino Fundamental Séries Finais. Os estudantes atendidos possuem idade entre dez e quinze anos e são, em sua maioria, filhos de camponeses, os quais exercem atividades diversas como agricultores, meeiros, trabalhadores rurais assalariados e diaristas. No turno da manhã, de segunda à sexta, todas as turmas vão para a escola. No turno da tarde, de segunda à quinta, cada dia fica uma turma, conforme o quadro 05.

Quadro 05 - Disposição das turmas nos turnos matutino e vespertino.

Turno Segunda Terça Quarta Quinta Sexta

Manhã 6º, 7º, 8º, 9º 6º, 7º, 8º, 9º 6º, 7º, 8º, 9º 6º, 7º, 8º, 9º 6º, 7º, 8º, 9º

Tarde 6º 7º 8º 9º ---

Fonte: ECORM Córrego Seco (2016).

Na ECORM Córrego Seco foram realizadas observações dos diversos ambientes e situações que envolvem a prática pedagógica da escola, bem como reuniões de equipe, planejamento docente, aulas, momentos de integração dos estudantes, momentos de reflexão coletiva e outras atividades de caráter relevante à pesquisa que foram surgindo durante o processo de investigação. Todas essas observações foram registradas em fichas descritivas. Realizou-se, também, a análise documental dos planos de aulas dos educadores, Projeto Político Pedagógico da Escola, bem como outros documentos que forneciam subsídios para nossas análises.

No que tange aos educadores23, inicialmente, aplicou-se um questionário para levantamento dos dados de identificação pessoal e profissional, por meio do qual foi possível traçar um perfil dos docentes. Diante disso, identificamos que quatro dos educadores pesquisados possuem graduação de nível superior em licenciaturas, e uma educadora possui curso superior em outra área, acrescido de Complementação

23

A escola possui seis educadores. No entanto, fizemos a opção em realizar a pesquisa com os cinco que trabalham de forma integral na escola, ficando de fora o educador da disciplina de Educação Física, visto que este está na escola em apenas alguns horários, o que dificultaria a pesquisa, além de que ele não acompanha as demais atividades pedagógicas da escola inerentes à metodologia da Pedagogia da Alternância.

Pedagógica, estando esta atualmente cursando uma licenciatura. Todos os educadores possuem cursos de especialização e aperfeiçoamento na área de educação, e três deles foram ter sua primeira experiência como educadores na ECORM Córrego Seco. Cada educador atua em uma área do conhecimento, sendo elas: Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Sociais, Ciências da Natureza e Ciências Agropecuárias.

Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com os cinco educadores, buscando, por meio de suas narrativas, identificar as relações deles tanto com o que está no currículo prescrito, quanto com o currículo efetivo, ou seja, as nossas preocupações estiveram voltadas a conhecer quais as aproximações e distanciamentos que se verificam entre os discursos e as práticas observadas no cotidiano escolar, bem como a evidenciar como a inter-relação entre a escola e o contexto no qual está inserida implica a produção curricular. Esses diálogos foram gravados e posteriormente transcritos, facilitando assim a análise das informações.

Ainda na pesquisa de campo com os educadores, aconteceram observações das aulas – as quais se deram por meio de uma matriz de análise – que buscavam identificar as convergências e divergências dos discursos dos educadores, nas entrevistas, com a prática em sala de aula e o que é proposto no Plano de Curso.

Posteriormente a uma prévia análise dos dados obtidos nas entrevistas e nas observações das aulas dos educadores, elaborou-se um questionário buscando elucidar algumas lacunas que não foram preenchidas nas entrevistas e observações, sendo este entregue aos educadores após uma breve explicação sobre o mesmo, a fim de que as interpretações das questões garantissem os objetivos. Um dos educadores não devolveu o questionário respondido.

Na seção que analisa a pesquisa de campo, representaremos cada educador por letras distintas, visando a respeitar os princípios éticos em pesquisa científica quanto ao sigilo dos personagens envolvidos. Dessa forma, os nossos sujeitos serão identificados como Educador A, Educador B, Educador C, Educador D e Educador

E.

Outro passo dado na pesquisa de campo foi a escolha, de forma aleatória, de cinco estudantes, todos do oitavo ano do Ensino Fundamental, para a realização de um

grupo focal. Toda a conversa foi gravada, objetivando facilitar a transcrição e posterior análise das informações. Ressaltamos que a conversa foi dirigida por meio de questões previamente estruturadas, cujos objetivos eram dar voz aos estudantes sobre o que pensam e sentem em relação às práticas pedagógicas que são desenvolvidas, bem como sobre possíveis questionamentos e indagações que porventura tivessem.

Por fim, realizou-se, com os estudantes, a análise dos materiais produzidos por eles, bem como dos registros feitos nos cadernos. Essa atividade tinha como objetivo identificar as formas como os educadores trabalhavam os conteúdos e questionar os estudantes escolhidos sobre algumas problemáticas identificadas durante as observações.

Quando analisarmos as entrevistas e as observações feitas com os estudantes, também respeitando os princípios éticos da pesquisa cientifica, os identificaremos por números distintos, sendo Estudante 1, Estudante 2, Estudante 3, Estudante 4 e

Estudante 5.

Utilizando das contribuições de Souza (2007) sobre histórias de vida e narrativas como campo potencial de pesquisa, vemos que os sujeitos pesquisados, ao compartilharem suas memórias, trazem à tona o contexto sociocultural em que estão inseridos, contribuindo para as possibilidades de uma análise sincrônica e diacrônica dos fatos, evidenciando uma gama de situações que podem vir a contribuir para as reflexões propostas na pesquisa. Ressaltamos aqui, que, de acordo com Souza,

Quando invocamos a memória, sabemos que ela é algo que não se fixa apenas no campo subjetivo, já que toda vivência, ainda que singular e auto- referente, situa-se também num contexto histórico e cultural. A memória é uma experiência histórica indissociável das experiências peculiares de cada indivíduo e de cada cultura (2007, p. 63).

Outra contribuição importante de Souza (2007) se dá quando ele nos diz que “narrar é enunciar uma experiência particular refletida sobre a qual construímos um sentido e damos um significado. Garimpamos, em nossa memória, consciente ou inconscientemente, aquilo que deve ser dito e o que deve ser calado” (2007, p. 66). Essa definição contribui diretamente na elucidação dos objetivos propostos nesta pesquisa, principalmente no que diz respeito a identificar os sentidos e significados

dados pelos educadores ao Plano de Curso dos CEFFA‟S e na identificação das multiplicidades de relações e tensionamentos que interferem no currículo.