• Nenhum resultado encontrado

A PESQUISA SOBRE O TRABALHO DO EXECUTIVO NO BRASIL

No Brasil, quase não existem pesquisas sobre o trabalho do executivo, com ênfase nos aspectos administrativos. Identificou-se alguns estudos, dentre os existentes, como o de Teixeira (1985) em sua tese de doutorado, onde estuda as influências pessoais na análise do cargo administrativo.

Na pesquisa de Bento e Wysk (1983) é relatado as funções do administrador. Foi realizada pesquisa piloto no Rio de Janeiro, em 4 empresas de pequeno e médio porte e 6 empresas de médio-grande e grande porte. Foram aplicados 3 questionários em cada uma delas. Na referida investigação as funções executivas foram estabelecidas conforme a classificação a seguir:

Drucker – ênfase nos resultados;

Barnard – ênfase nos processos – coordenação;

Fayol – analítica ou clássica – planejar, organizar e controlar;

Mintzberg – de ação ou empírica – relações interpessoais, informação e decisão.

Ainda neste estudo foram feitas correlações simples entre as variáveis de funções executivas – decisão, coordenação, planejamento, organização, controle, relações interpessoais e informação e as variáveis de controle – sucesso da empresa, controles gerenciais, tamanho, qualificação e abordagens dos problemas. A partir deste estudo, os autores recomendam que:

♦ parece importante a ênfase do treinamento dos futuros executivos em decisão, a variável que mais ser relacionou com sucesso;

♦ informação e controle estão relacionados com decisão e neste caso, também deveriam ser enfatizados.

A pesquisa de Escrivão Filho (1995), “A natureza do trabalho do executivo: uma investigação sobre as atividades racionalizadoras do responsável pelo processo produtivo em empresas de médio porte”, visa compreender os vínculos de significação que dão sentido à ação do executivo. O trabalho de campo fundamentou-se na observação participante e envolveu o estudo de 3 médias empresas do ramo mecânico de Joinville – SC.

Numa pesquisa realizada em 1994, Gonçalves e Veiga (1995) investigaram como os gerentes de empresas, sediadas em Belo Horizonte, interpretavam sua atuação como decisor e como avaliavam a qualidade da informação recebida dos sistemas de informação automatizados.

Funaro (1997) escreveu a dissertação de mestrado “Estilo gerencial dos administradores de bibliotecas: o caso da Universidade de São Paulo”, pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Franzini (1997) também escreveu dissertação de mestrado sob o título “Papéis e competências: um estudo no nível gerencial intermediário de uma instituição financeira multinacional”, na Universidade de São Paulo. A exploração da questão referente aos papéis dos gerentes nas organizações e suas principais competências compõem o eixo principal do trabalho.

Outros trabalhos foram realizados sobre estilos gerenciais, com ênfase no perfil psicológico dos gerentes, enfatizando a personalidade, o comportamento, o relacionamento interpessoal e as preferências motivacionais, com destaque para a dissertação de mestrado de Moraes (1978), dissertação de mestrado de Bergamini (1979) e tese de doutorado de Bergamini (1983).

Algumas pesquisas sobre a natureza do trabalho do executivo foram realizadas no Brasil com ênfase nos aspectos sociais: Cordeiro, Carvalho e Pereira (1964) pesquisaram sobre os problemas e métodos de trabalho das pequenas empresas. A equipe de pesquisadores foi de 16 professores da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, da Escola de Administração da Universidade da Bahia e do Instituto de Administração da Faculdade de Ciências Econômicas do Rio Grande do Sul. Foram entrevistados 155 administradores de São Paulo, Salvador e Porto Alegre (MACHLINE, SÁ MOTTA e WEILL (1966)).

Pereira (1965) em seu livro “Empresários e administradores no Brasil”, objetiva analisar as origens étnicas e sociais, a mobilidade e carreira de dirigentes das empresas industriais paulistas. A pesquisa foi realizada em empresas industriais, nacionais ou estrangeiras, com mais de 249 empregados, localizados na Grande São Paulo. De um universo

de 541 empresas, a amostra ficou com 80. Foram utilizados o questionário e a entrevista como instrumentos de coleta de informações.

Covre (1976) realizou pesquisa empírica com aplicação de questionários com 224 alunos da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas. Utilizou-se também de entrevistas de alunos e professores. Em 1991 escreveu “A formação e a ideologia do administrador de empresas”, assinala que a capacidade do dirigente de empresas na atual fase do capitalismo é a “visão global”. A autora salienta que a função do administrador é atender as necessidades do capital.

Em sua tese de doutorado, “Ação gerencial na administração pública”, Junquilho (2000) tem por objetivo a identificação de práticas sociais de gestão, oriundas da ação dos gerentes no serviço público. Tomando-se como pressuposto que os atores organizacionais não agem exclusivamente segundo suas escolhas individuais, mas também condicionadas por elementos, regras e recursos, inerentes à estrutura organizacional da realidade em que estão inseridos, mostra-se como os gerentes re/produzem, em seus cotidianos, traços da sociedade brasileira. A pesquisa foi realizada nas Secretarias de Estado do governo do Espírito Santo. As informações revelam que os gerentes contribuem, com suas ações, para a re/produção de propriedades estruturais brasileiras, seja mantendo-as e/ou refazendo-as, criando e recriando práticas sociais oriundas de cenários organizacionais onde impera o paradoxo entre o pessoal – a afetividade, a amizade, a idéia da família, e o impessoal – as leis, decretos e demais regulamentos formais que são obrigados a seguir.

Silva (2000) em sua tese de doutorado, teve como objetivo principal, compreender o processo de aprendizagem de competências gerenciais, dos professores (sem formação em gestão), que assumem atividades, atribuições e responsabilidades como Diretores das Unidades Universitárias da UFSC. Lucena (2001) em sua tese de doutorado, teve como objetivo central de seu trabalho, compreender a natureza da aprendizagem de gerentes proprietários do setor de varejo de vestuário da cidade de Florianópolis.

No Brasil, a biblioteca universitária tem sido estudada sob diversas abordagens. Há trabalhos que a estudam como organização (RAYWARD, 1969), como sistema econômico (MARCHANT, 1975), como organização social de serviço (TARAPANOFF, 1982), como burocracia (LYNCH, 1979), dentre outras.

Essas são abordagens que refletem o estudo da biblioteca universitária como organização complexa e sob uma perspectiva sistêmica, sendo analisada com referência ao ambiente no qual está inserida e suas relações com essa ambiência. Assim, desenvolve-se uma

abordagem conceitual para o desempenho dos papéis dos administradores de diferentes níveis hierárquicos das bibliotecas universitárias a partir de um estudo de multicasos.