2.2 Contextualização da EAD: amparos legais no Brasil
2.2.1 A Portaria MEC nº 1.134/2016 e seus reflexos na EaD
A Portaria MEC nº 4.059/2004, regulamentava e autorizava cursos presenciais ofertarem 20% da carga horária total do curso ser à distância viabilizando o ensino híbrido, ou seja, permitia que este percentual da carga horária plena de um curso fosse ministrada na modalidade semipresencial. Em
seu Art. 1º da Portaria MEC nº. 4.059 falava que as instituições de ensino superior poderiam introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos, a oferta de disciplinas integrantes do currículo que utilizassem a modalidade semipresencial, com base no art. 81 da Lei nº. 9.394, de 1996, e no disposto nesta Portaria, como segue as informações seguintes:
Art. 1º. As instituições de ensino superior poderão introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos, a oferta de disciplinas integrantes do currículo que utilizem modalidade semipresencial, com base no art. 81 da Lei n. 9.394, de 1.996, e no disposto nesta Portaria. § 1º. Para fins desta Portaria, caracteriza-se a modalidade semipresencial como quaisquer atividades didáticas, módulos ou unidades de ensino-aprendizagem centrados na auto-aprendizagem e com a mediação de recursos didáticos organizados em diferentes suportes de informação que utilizem tecnologias de comunicação remota. § 2º. Poderão ser ofertadas as disciplinas referidas no caput, integral ou parcialmente, desde que esta oferta não ultrapasse 20 % (vinte por cento) da carga horária total do curso. § 3º. As avaliações das disciplinas ofertadas na modalidade referida no caput serão presenciais. § 4º. A introdução opcional de disciplinas previstas no caput não desobriga a instituição de ensino superior do cumprimento do disposto no art. 47 da Lei no 9.394, de 1996, em cada curso superior reconhecido. Art. 2º. A oferta das disciplinas previstas no artigo anterior deverá incluir métodos e práticas de ensino-aprendizagem que incorporem o uso integrado de tecnologias de informação e comunicação para a realização dos objetivos pedagógicos, bem como prever encontros presenciais e atividades de tutoria. Parágrafo único. Para os fins desta Portaria, entende-se que a tutoria das disciplinas ofertadas na modalidade semipresencial implica na existência de docentes qualificados em nível compatível ao previsto no projeto pedagógico do curso, com carga horária específica para os momentos presenciais e os momentos a distância. Art. 3º. As instituições de ensino superior deverão comunicar as modificações efetuadas em projetos pedagógicos à Secretaria de Educação Superior - SESu -, do Ministério da Educação - MEC -, bem como inserir na respectiva Pasta Eletrônica do Sistema SAPIEns, o plano de ensino de cada disciplina que utilize modalidade semipresencial. Art. 4º. A oferta de disciplinas na modalidade semi-presencial prevista nesta Portaria será avaliada e considerada nos procedimentos de reconhecimento e de renovação de reconhecimento dos cursos da instituição (MEC, 2004, p.1).
No entanto, no mês de outubro de 2016, o Ministério da Educação publicou a Portaria MEC nº. 1.134 a qual revogou à anterior, nº 4.059, de 10 de dezembro de 2004.
O texto da Portaria MEC nº 4.059, permite que as instituições de ensino superior que possuam pelo menos um curso de graduação reconhecido,
poderão ofertar disciplinas na modalidade à distância, podendo ser ofertadas integral ou parcialmente desde que não ultrapassem 20% da carga horária total do curso.
Art. 1º As instituições de ensino superior que possuam pelo menos um curso de graduação reconhecido, poderão introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus cursos de graduação presenciais regularmente autorizados, a oferta de disciplinas na modalidade a distância. 1º As disciplinas referidas no caput poderão ser ofertadas, integral ou parcialmente, desde que esta oferta não ultrapasse 20% (vinte por cento) da carga horária total do curso. 2º As avaliações das disciplinas ofertadas na modalidade referida no caput serão presenciais. 3º A introdução opcional de disciplinas previstas no caput não desobriga a instituição de ensino superior do cumprimento do disposto no art. 47 da Lei no 9.394, de 1996, em cada curso de graduação reconhecido. Art. 2º A oferta das disciplinas previstas no art. 1º deverá incluir métodos e práticas de ensino-aprendizagem que incorporem o uso integrado de tecnologias de informação e comunicação para a realização dos objetivos pedagógicos, bem como prever encontros presenciais e atividades de tutoria. Parágrafo único. Para os fins desta Portaria, entende-se que a tutoria das disciplinas ofertadas na modalidade a distância implica na existência de profissionais da educação com formação na área do curso e qualificados em nível compatível ao previsto no projeto pedagógico. Art. 3º As instituições de ensino superior deverão inserir a atualização do projeto pedagógico dos cursos presenciais com oferta de disciplinas na modalidade a distância, conforme disposto nesta Portaria, para fins de análise e avaliação, quando do protocolo dos pedidos de reconhecimento e renovação de reconhecimento dos cursos. Art. 4º Fica revogada a Portaria MEC no 4.059, de 10 de dezembro de 2004 (MEC, 2016, p.1).
Desta forma, a Portaria citada anteriormente exige formação adequada além de tutoria e plano de ensino, itens os quais devem ser integrados com as TIC, no entanto não deixa claro de que forma e quando estes itens precisam ser apresentados.
Conforme mencionado na Portaria MEC nº. 1.134, deve-se seguir as orientações do art. 47 da Lei no 9.394 de 1996, aborda a necessidade das instituições informarem de modo público o programa, duração e demais itens que compõem o currículo:
Art. 47. Na educação superior, o ano letivo regular, independente do ano civil, tem, no mínimo, duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver.§ 1o As instituições informarão aos interessados, antes de
cada período letivo, os programas dos cursos e demais componentes curriculares, sua duração, requisitos, qualificação dos professores,
recursos disponíveis e critérios de avaliação, obrigando-se a cumprir as respectivas condições [...] (BRASIL, 1996).
Quando mencionada a formação do professor, não deixa explicito quais os cursos mínimos necessários, uma vez que na Portaria “profissionais da educação com formação na área do curso e qualificados em nível compatível ao previsto no projeto pedagógico”, ficando desta forma, a critério de cada instituição decidir a formação mínima para o exercício da função.
De modo geral, a Portaria em discussão, continua permitindo que cursos presenciais ofereçam disciplinas com carga horária online, desde que não ultrapasse 20 % da carga horária total do curso.
Portanto, para que a oferta possa ser efetivada, as IES devem tê-la previsto nos Projetos Políticos dos cursos e preciso enviar para cada nova oferta, um documento ao MEC, para aferição e controle dos 20%.
A EaD exige uma nova forma de pensar Educação, estamos em uma sociedade em constante transformação, em que o acesso a informação é rápido e consideravelmente fácil, contribuindo desta forma para a mistura das culturas, assim percebe-se a necessidade em apresentar algumas reflexões sobre cultura e educação híbrida, os quais serão apresentados no próximo item.
2.3 Cultura e Educação híbrida: reflexões teóricas sobre a bimodalidade