• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO 1 – O CONTEXTO DA PESQUISA: CARACTERIZAÇÃO

1.2 O referencial analítico da pesquisa

1.2.2 A precisão de conceitos no referencial analítico

O exposto no ponto anterior mostra que existem pelo menos dois referenciais analíticos que são usualmente utilizados para os estudos de integração econômica e, ainda, para os de integração energética.

O primeiro enfoque sobre o comércio internacional teve uma grande influência da corrente de pensamento positivista. No dizer de Teixeira (2003, p. 5): “A teoria neoclássica e o marginalismo, em seu desenvolvimento, foram o coroamento da visão positivista de ciência no campo social, amparando-se filosófica e metodologicamente nos autores do Círculo de Viena e mais tarde em Karl Popper [...]”. A busca de um conhecimento universal, de uma teoria geral explicativa com base num monismo metodológico, que considera como método

32

Existem diversas iniciativas, algumas delas lançadas no começo da presente década, que respondem ao mesmo enfoque cuja menção não representará nenhum avanço do ponto de vista teórico. Entre essas iniciativas podem ser citadas, por exemplo: Plan Puebla-Panamá, Iniciativa de Infraestrutura Regional Sul-americana (IIRSA)

científico o utilizado nas ciências naturais, são características do positivismo. Esta busca da assepsia metodológica, que se fundamenta na abstração teórica, na criação de um sujeito racional fora da realidade social e histórica –“[....] sem interferências dos valores das concepções de mundo, dos sentidos de classe” (SAUER, 2004, p. 26)-, constitui uma das principais argumentações da crítica marxista com relação a aqueles enfoques nas ciências econômicas. A visão embasada na visão econômica clássica apresentada parte do princípio “idealista” de que os sujeitos agentes na economia somente se diferenciam pela sua posição ou papel no mercado; e que eles se apresentam no mercado em iguais condições. Os sujeitos econômicos são desprovidos, segundo este enfoque, do contexto social, histórico, das relações sociais de produção.

De outro lado, o segundo enfoque apresentado, o da geopolítica, se bem considera aspectos mais abrangentes que a visão clássica da economia internacional, parte do princípio que os agentes da integração são os Estados como institutos homogêneos, deixando de lado a dilucidação de como se realiza o processo de expansão do capitalismo, tanto no interior das nações como na relação entre elas. Como este tipo de visão é predominante no campo das relações internacionais, pode dar-se o caso de sentir-se subjugado pelo poder explicativo do enfoque, posto que este se fundamenta no contexto histórico. Mas os resultados da análise ficam confinados na explicação de algumas ações dos Estados, como se fossem os únicos atores do processo. O Estado tem um papel fundamental, mas acredita-se, com base nos dados que serão apresentados, que as relações sociais de produção, no plano internacional e nacional, têm também um papel crucial para o entendimento de como e quais foram as motivações destes grandes projetos.

No presente estudo parte-se do pressuposto que a produção material e as relações sociais que a determinam se apresentam como motores que movimentam a realidade histórica. São as relações de produção num grupo social determinado e o desenvolvimento das forças produtivas os que vão constituir o principal impulso dessa dinâmica histórica.

De acordo com o que foi apresentado no item 1.1, se parte da premissa de que o contexto no qual se insere o conceito de energia é o das relações concretas que os seres humanos estabelecem com a natureza e que são social e historicamente construídas no marco dos processos de organização da produção: é o trabalho humano realizado por seres concretos que transforma a natureza e permite a reprodução do capital dentro de uma sociedade pautada pelo modo de produção capitalista. Isto se encontra em linha com o pensamento de Antonio Gramsci, citado por Dorival Gonçalves Jr (2007, p. 135), quem diz respeito à energia, no caso à eletricidade, o seguinte:

“A eletricidade é historicamente ativa, mas não como mera força natural (como descarga elétrica que provoca incêndios, por exemplo), e sim como elemento de produção dominado pelo homem e incorporado ao conjunto de forças materiais de produção, objeto de propriedade privada. Como força natural abstrata, a eletricidade existia mesmo antes de sua redução a força produtiva, mas não operava na história, sendo um tema para hipóteses na ciência natural (e, antes, era o “nada” histórico, já que ninguém se ocupava dela, ao contrário, todos a ignoravam).”

O conceito da energia (o conceito de eletricidade, para fins analíticos, pode ser extrapolado para o de energia) como elemento ativo na história se vincula com o fato de que a energia se incorpora a certa organização da produção. Faz parte da atividade econômica, gerando riqueza para os agentes que se apropriam dos excedentes econômicos oriundos da exploração da força de trabalho e do uso das diversas tecnologias que permitem incrementar os lucros, contrapondo-se à tendência dos lucros decrescentes.

Pesquisadores como Fred Halliday e Estenssoro desenvolvem uma aplicação do materialismo histórico para o estudo das relações internacionais. Segundo Halliday (1999, p. 61 e seguintes) e Estenssoro (2003, p. 13-14), uma abordagem teórica centrada no marxismo leva em conta os seguintes aspectos:

• A determinação material. Para o caso particular das relações entre Estados, por exemplo, o sistema internacional – ou qualquer componente deste – não pode ser abstraído de um modo de produção. O processo de acumulação do capital busca transcender fronteiras nacionais com a participação dos Estados.

Para Estenssoro, no campo das relações internacionais “[...] o materialismo histórico confere primazia à base sócio-econômica sobre a superestrutura política (Estado)[...]” (ESTENSSORO, 2003, p. 231). Isto está de acordo com a colocação de Offe e Ronge (1984, p.123), segundo a qual o Estado capitalista garante e institucionaliza regras para defender os interesses comuns dos membros de uma sociedade capitalista de classes. Não se trata necessariamente de atender com exclusividade os interesses de uma classe ou outra, senão de preservar e impulsionar o processo de acumulação capitalista. Como este processo não conhece fronteiras políticas, pelo contrário, para a sua expansão precisa de ir além das fronteiras originais e subordinar a seus preceitos os Estados em escala internacional.

• A determinação histórica. A dimensão histórica dos processos sociais e econômicos é fundamental para compreender as transformações das relações sociais de produção ao longo do tempo. Este aspecto é crucial no entendimento como as manifestações ou representações sociais podem mudar, adaptar-se, mas sempre buscando a preservação de um processo de acumulação determinado.

Neste sentido, caberia resgatar novamente o pensamento de Marx interpretado por Antonio Gramsci (1999, p. 32), in verbis:

“ 1] el de que ninguna sociedad se impone tareas para cuya solución no existan ya las condiciones necesarias y suficientes o que éstas no estén al menos en vías de aparición y de desarrollo; 2] y el de que ninguna sociedad se disuelve y puede ser sustituida si primero no se han desarrollado todas las formas de vida que están implícitas en sus relaciones […]”

No caso do modo capitalista de produção deve ser reconhecida a sua capacidade de transformação e adaptação ao longo da história, gerando ciclos com intercalação de crises e apogeu, com estágios intermediários. Em comparação com outras formações econômico-sociais da história, o capitalismo foi bastante efetivo para seus interesses e para manter-se; possui a faculdade de desenvolver as forças produtivas da sociedade, incorporando ganhos de produtividade por meio do desenvolvimento do conhecimento científico e tecnológico. Como consequência, se tem um acelerado crescimento da produção, com a pressão que isto representa para os recursos naturais e a energia. • A centralidade das classes sociais. O sistema capitalista permeia as nações, se

internacionaliza. O Estado não somente defende os interesses comuns de uma sociedade capitalista nacional, senão que cede às pressões externas do sistema. Neste aspecto, o enfoque marxista dá uma guinada na visão geopolítica: o âmbito das relações internacionais (ainda que os Estados sejam os agentes evidentes do processo, o sistema internacional onde estão representados predominantemente Estados de sociedades capitalistas reproduz o que Offe e Ronge (1984) determinaram para os Estados nacionais). As relações entre os Estados respondem à preservação do modo capitalista de produção. O próprio sistema internacional, nos moldes que foi concebido, garante o processo de acumulação de capital. Para Dorival Gonçalves (2007), este processo se realiza geralmente em parceria entre empresas nacionais vinculadas ou subordinadas aos grandes capitais internacionais.

• A revolução. Para Halliday este seria o conflito inevitável: a desigualdade e a pobreza crônicas passam a conter a semente de grandes transformações políticas e sociais. No caso dos países da América Latina, as contradições criadas pela recente aplicação de políticas neoliberais, que geraram grande desigualdade (vide a Tabela 1.4 para identificar o incremento da desigualdade social na maior parte dos países da América Latina), levaram não a uma revolução com armas, pero sim a uma revolução institucional em vários países da região. Nestes acederam ao poder governos de

esquerda, que estão se mantendo apesar de ataques e golpes de Estado perpetrados pelas forças reacionárias que, conforme foi mencionado, não conhecem fronteiras.

Na Tabela 1.4 pode notar-se o incremento notável da concentração da renda na Bolívia, no Equador e na Venezuela, durante a década das reformas neoliberais (década de 1990). Nestes três países se deram profundas modificações de orientação da política econômica nos últimos dez anos.

Tabela 1.4 – Relação (quociente) entre a renda dos 20% da população mais rica sobre a renda dos 20% da população mais pobre em alguns países da América do Sul e México

País 1990 1997 1999 Diagnóstico Argentina 13,5 16,4 16,5 Piorou Bolívia 21,4 34,6 48,1 Piorou Brasil 35,0 38,0 35,6 Similar Chile 18,4 18,6 19,0 Piorou Colômbia 35,2 24,1 25,6 Melhorou Equador 12,3 12,4 18,4 Piorou México 16,9 17,4 18,5 Piorou Venezuela 13,4 16,1 18,0 Piorou Nota: Em alguns países se tomam valores de anos próximos aos que aparecem na Tabela.

Fonte: CEPAL (2002).

Em suma, as pautas do materialismo histórico expostas buscam a revelação dos elementos que caracterizam a estrutura e as transformações históricas de uma sociedade com base na análise das relações de produção. Nas palavras de Marx (1947, p. 917): “É sempre a relação direta dos proprietários dos meios de produção com os produtores diretos, a que revela o segredo mais recôndito, a base oculta de toda a estrutura social [...]” (apud GONZÁLEZ CASANOVA, 1971, p. 26, tradução nossa). Trata-se das relações sociais de exploração de uns homens por outros, que adquire formas específicas de apropriação do excedente do trabalho produzido pelo produtor direto, que não é retribuída. Como essas formas, em uma determinada época, dependem de formas anteriores e mudam, se modificam pelas novas forças que geram, encerram em si mesmas a contradição e confirmam o seu caráter histórico.

Para Pablo González Casanova (1971, p. 27 et seq.), quem conhece profundamente a realidade da América Latina, as contradições geradas pelas relações de exploração estão no cerne das desigualdades sociais, seja qual for o modo de produção “explorador” de que se

trate: escravismo, feudalismo ou capitalismo. Assim, a ignominiosa conseqüência da desigualdade surge como resultado da exploração considerada “necessária” nas relações de produção nas quais o produto social é apropriado pelos capitalistas, com base no trabalho assalariado. Este é o germe de sua contradição imanente e a possibilidade de acabar politicamente com o regime atual de exploração, se são aproveitadas suas próprias debilidades naturais e momentos de crise. De fato, conforme foi colocado recentemente mais acima, houve transformações radicais da orientação política e econômica em muitos países da América Latina, alentadas pelo incremento das desigualdades sociais durante a última aplicação das políticas neoliberais na região.

Conforme será apresentado no ponto a seguir, o processo de acumulação capitalista desenvolve diversas formas para manter-se, inclusive consegue se nutrir das próprias crises, mas sem mudança de suas características essenciais nas relações sociais de produção. É mediante esta constatação que o enfoque torna-se uma poderosa ferramenta analítica, explicando os diversos mecanismos utilizados para a preservação deste modo de produção. Esta capacidade de interpretação das transformações sociais provém do método dialético de consideração dos elementos constitutivos das relações de produção social.

No caso que é do interesse particular desta pesquisa, esta abordagem permitirá revelar o motor impulsionador dos projetos de integração energética na identificação dos beneficiários diretos destes projetos, por meio da apropriação dos excedentes econômicos, num contexto histórico determinado.

No tipo de estudo que se deseja realizar aqui, González Casanova (1971, p. 38 et seq.) aponta a necessidade de determinar o “campo visual” da pesquisa. Para este pensador mexicano, isto implica o mergulho na “oficina” de produção para verificar nesse fenômeno social como se reproduz o capital. Este exercício poderia realizar-se em diversos subconjuntos33 da realidade social, chegando até o âmbito das relações políticas entre governantes e governados, ainda que neste caso as relações possuam características próprias que as diferenciam das relações de exploração.

Segundo o enfoque deste autor, as relações humanas não se esgotam na empresa de produção, existem outras relações que devem ser conhecidas – ou consideradas - em sua especificidade, pois a relação imediata entre as classes, a relação na “oficina” altera essas

33

Para González Casanova (1971), no interior de uma realidade social determinada podem ser identificados diversos subconjuntos, onde as relações sociais possuem um caráter explicativo completo, para esse nível de realidade, mas não esgotam a interpretação do conjunto. Esta abordagem, em certo modo, fragmentada e cartesiana da realidade social, constitui um instrumento analítico poderoso de interpretação.

demais relações. E as alterações – pela própria especificidade dos demais fenômenos – não podem ser iguais, nem qualitativa nem quantitativamente.

No caso particular deste estudo, o cenário em que se desenvolvem os projetos de integração energética não se restringe exclusivamente à indústria de energia. Conforme será desenvolvido em seguida, os Estados têm um papel fundamental para garantir o arcabouço normativo que permitiu a preservação da exploração, em suas diversas formas de manifestação.

Assim, o estudo da aplicação de políticas estatais que sustentam o processo de acumulação capitalista precisa de um referencial analítico que permita tecer ilações que dêem sentido aos dados empíricos.

Na tradição teórica do marxismo esta questão é recorrente em muitas análises, existindo um espectro de correntes que interpretam a participação do Estado nas relações de produção social de diferentes maneiras. Tem-se, por exemplo, uma corrente em que o Estado é um instrumento das classes dominantes, que seria uma visão apresentada, no marco conceitual34 de Gramsci, para quem o Estado é uma instituição que canaliza os interesses da classe hegemônica (GRAMSCI, 1987; BUZZI, 1969). Seja qual for a corrente de pensamento que se considere cabe lembrar que esta é uma questão já colocada por Marx35: a relação entre o mundo político (Estado) e o processo de acumulação do capital.

Uma discussão sobre esta questão é bem mais complexa e ampla do que poderia ser desenvolvido neste trabalho. Porém, considera-se que o pensamento apresentado por Clauss Offe e Volker Ronge (1984) atende ao objetivo de fornecer um referencial analítico útil para o posterior mergulho nos dados empíricos. Para estes autores, o Estado não protege interesses específicos de uma classe, mas sim as relações sociais que constituem o “requisito institucional” para a dominação e preservação do modo de produção capitalista.

Assim, Clauss Offe e Volker Ronge (1984, p. 123 et seq.) definem o Estado numa sociedade capitalista como uma forma institucional do poder público em sua relação com a produção material, que se caracteriza, sem a consideração estrita de diferenças e mudanças estruturais e de função na história, pelas seguintes quatro determinações funcionais:

34

Utiliza-se a frase “marco conceitual” para facilitar a redação, mas deve ser apontado que para Gramsci a discussão teórica não era uma preocupação e sim uma interpretação da realidade histórica e social (principalmente da realidade italiana, dividida aparentemente em duas “nações” totalmente separadas: o sul atrasado e o mundo industrializado septentrional).

35

Cita-se, como exemplo, a colocação desta questão na introdução da Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, publicada nos Anais Franco-Alemães, segundo Karl Marx (2005, p. 145).

• A privatização da produção: a propriedade que funciona produtivamente é “privada” ou se maneja como tal, isto é, sua utilização política não está sujeita, em princípio, a decisões políticas. Ainda que o estoque de capital esteja em mãos do Estado em alguma sociedades industriais capitalistas não contradiz esta afirmação, pois caberia perguntar-se se as estratégias adotadas pelas empresas estatais, por exemplo, são diferentes das do capital privado. E se assim for, Offe e Ronge (1984) sugerem perguntar-se se essa produção “política” persegue “[...] outros objetivos que não os de pôr a disposição do processo de produção privada, de forma permanente e com baixos custos, bens infraestruturais como eletricidade, transportes, etc.” Como se apresentará em seguida, este pensamento está em linha com a denominada teoria do anti-valor. • A dependência dos impostos: o poder público depende, indiretamente, a través de mecanismos do sistema tributário, do volume de acumulação privada. As dependências públicas demonstram seu poder com meios materiais.

• A acumulação como ponto de referência: os agentes do poder público obedecem, “[...] como seu mandamento mais alto ao imperativo da constituição e consolidação de um ‘desenvolvimento econômico favorável’.” (OFFE e RONGE, op. cit, p.124) O interesse supremo dos detentores do poder estatal consiste em manter as suas próprias condições por meio da constituição de condições políticas ou legislativas que favoreçam o processo privado de acumulação.

• A legitimação democrática: a apropriação do poder através de eleições gerais permite legitimar essa apropriação. Offe e Ronge (1984) apontam que os mecanismos democrático-representativos da formação de vontades e da regulamentação de conflitos têm o intuito, no Estado constitucional burguês, de assegurar de forma politicamente duradoura a delimitação da esfera privada e a liberdade econômica sem intrusões do Estado. Existe, assim, uma dupla determinação do poder estatal: uma determinação institucional, formal, que se orienta pelas regras do governo democrático-representativo; e uma determinação de conteúdo, que se orienta segundo os requerimentos do processo de acumulação. Cabe destacar, porém, que os regimes militares que governaram muitos países da América Latina, em meados do século XX, via de regra cumpriram o mesmo objetivo enunciado por Offe e Ronge, sobre garantir

o processo privado de acumulação, mas não se embasaram em mecanismos democrático-representativos para legitimar o poder político (em muitos casos, se teve uma discutível fachada de democracia). Este fato, longe de contradizer as colocações deste enfoque, comprova a grande capacidade de transformação que possui o capitalismo para a sua preservação como modo dominante de organização das relações de produção.

Este grupo de determinações funcionais do Estado é utilizado como premissa para a demonstração da tese de Offe e Ronge (1984, p. 128) de que o critério estratégico mais abstrato e geral da política de um Estado capitalista consiste em criar condições para que todos os sujeitos jurídicos introduzam de maneira efetiva nas relações de trabalho a sua propriedade (seja em bens ou em força de trabalho). Trata-se de atender ao interesse geral das relações de troca capitalista, e não necessariamente certo interesse de classes.

Tendo em conta esses elementos presentes na relação entre o poder público e a produção material, Claus Offe (1984) levanta duas questões relacionadas com a “fisiologia” dessa relação, a saber: a) o planejamento estatal racionaliza o processo de valorização do capital; e b) a independência dos atos administrativos do Estado. Para Offe, o interesse comum da classe dominante se expressa nas estratégias administrativas e legislativas do aparelho estatal, mas não correspondem a interesses particulares (externos) e sim das “rotinas e estruturas formais das organizações estatais”, prevalecendo assim uma política de influencias em condições pluralistas.

Em relação com a primeira questão levantada por Offe, Bermann (1991, p. 205) responde que “[...] a racionalidade está presente em todos os passos tomados por cada um dos interesses particulares do capital”. Então, o capital procura que o Estado racionalize o conjunto de interesses, inclusive dos interesses contrários ao processo de valorização. No referente à questão da independência dos atos administrativos, a concessão de subsídios

Documentos relacionados