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Além da localização dos impactos das chuvas, foi considerado qual o período do ano em que os sujeitos buscam informações relacionadas à previsão do tempo e na possibilidade de repercutir em problemas socioambientais na cidade. Com relação a esse questionamento, torna-se bem evidente que a busca por informações está intimamente associada à dinâmica pluviométrica da cidade (Figura 12).

Figura 12: Respostas sobre buscas de informações sobre as condições de tempo, por mês

Fonte: Organizado pelos autores.

Sobre a busca por informações, foi levantada na seguinte questão: “Há algum mês do ano em que você fica mais atento às informações sobre as condições atmosféricas e climáticas?” (Figura 13). E, com ela, foi possível visualizar que este movimento de procura possui certa sazonalidade, com forte aumento, sobretudo, de novembro a março, período em que observa-se a recorrência dos eventos de elevada intensidade e que deflagram os impactos na cidade (Figura 12), conforme aponta Tavares et al. (2019).

No que se refere às fontes de informações utilizadas em relação às condições atmosféricas e climáticas (Figura 13), observa-se uma variedade de respostas, demonstrando que os indivíduos se informam por meio de mais de uma fonte. Ademais, percebe-se que, além da importância das redes sociais enquanto fonte de informação sobre o tempo e clima, a maioria das pessoas responderam

que buscam as informações em sites específicos, como o Climatempo, CPTEC, entre outros, o que aponta para uma preocupação das mesmas com informações confiáveis no que tange a temática.

Figura 13: Respostas sobre as fontes de informações sobre as condições climáticas e atmosféricas

Fonte: Organizado pelos autores.

Essa preocupação, por sua vez, mostra-se intimamente atrelada à percepção dos indivíduos acerca das condições atmosféricas e climáticas, uma vez que conferir a previsão do tempo e demais informações climáticas, pelas respostas obtidas, é condição fundamental do cotidiano petropolitano.

Isso pois, os indivíduos compreendem e destacam a influência do clima na saúde, no humor e/ou na disposição, nas atividades cotidianas, no comportamento, nos riscos ambientais, no conforto, no trabalho, como já discutido anteriormente.

CONSIDERAÇõES FINAIS

A relação entre a sociedade e natureza perpassa a percepção. A partir dos sentidos, que passam pelo filtro da cultura e tornam-se percepções, o homem interage com o exterior. Dessa maneira, a partir do que se pôde observar, através da leitura e interpretação dos dados obtidos no decorrer da pesquisa, a percepção da população petropolitana encontra-se significativamente atrelada às condições de saúde, humor e/ou disposição. Apesar da cidade ter um histórico de

se trata da influência do clima na vida dos citadinos. Essa circunstância pode estar relacionada à falta de compreensão dos eventos adversos de precipitação (inundações, enchentes, movimentos de massa) enquanto derivação das condições atmosféricas e, portanto, relativos ao clima. Essa situação aponta para o entendimento da própria relação entre sociedade e natureza, visto que a influência do clima aparece, na maioria das respostas, desentrelaçada das dinâmicas da natureza.

O processo de ocupação da cidade de Petrópolis distanciou-se sobremaneira da proposta inicial disposta no plano urbanístico de Koeler. Essa condição, que fez com que a população ocupasse áreas outrora preservadas, elevou significativamente as taxas de movimentos de massa, como já elucidado, segundo estudos de Gonçalves et. al. (2014) e Guerra et. al. (2007). Destarte, com mais pessoas em áreas de risco aos movimentos de massa e as enchentes (considerando a expressiva ocupação nos fundos de vale), a percepção aos eventos climáticos e ao risco são alteradas, uma vez que os impactos decorrentes passam a atingir mais pessoas.

A partir das análises efetuadas, o distrito com maior taxa de ocupação (Petrópolis) apresentou maior quantidade de respostas em termos de ter vivenciado situações de movimentos de massa e/ou enchentes, assim como a ocorrência no bairro que reside. Quanto à percepção ao impacto, verificou-se que a relação entre o vivenciar o evento (o perigo) e percebê-lo enquanto risco encontra-se em significativa associação, dado que as pessoas que se sentem amedrontadas quando as condições de tempo mudam são, em maior número, as que, também, já vivenciaram uma ou mais situações de perigo.

Dentro da investigação sobre as inundações, os principais canais do município apresentam alta suscetibilidade à inundação, eventos estes que foram amplamente destacados pelos moradores dessas áreas, em bairros como o Centro e Quitandinha (no distrito de Petrópolis), Corrêas e Cascatinha (no distrito Cascatinha) e Itaipava (no distrito de mesmo nome), demonstrando serem essas áreas que de forma recorrente são impactadas pelas inundações.

Isto posto, reitera-se a importância dos estudos que debruçam a discussão sobre a percepção climática, uma vez que a percepção, ao apontar para o aspecto sensível, demonstra de que forma as condições e os fenômenos climáticos e atmosféricos impactam e sensibilizam a vida da população. Dessa forma, e considerando a percepção enquanto um indicador de demanda social, torna-se possível pensar em ações e estratégias de planejamento e gestão do espaço urbano que melhorem a qualidade de vida de maneira que faça sentido para os citadinos na medida em que parte da apreensão, assimilação e percepção deles próprios acerca da realidade na qual se inserem.

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