Capítulo II – Metodologia
1. O contexto de pesquisa
1.3. A professora ministrante do curso
Para realizar um dos objetivos de nossa pesquisa, uma análise da atuação do professor e do modo como ele fez uso das atividades elaboradas para trabalhar os gêneros résumé e note
de lecture em sala de aula, decidimos convidar um profissional que fosse experiente no
ensino-aprendizagem do francês como língua estrangeira e que estivesse ligado, de alguma forma, ao tema do letramento acadêmico. Isso também facilitou a análise da atuação da professora e sua influência no desenvolvimento das capacidades de linguagem dos alunos. Escolhemos a professora Olga, cuja descrição será feita a seguir. Ressaltamos aqui que a identidade da professora ministrante do curso foi preservada, logo o nome aqui apresentado é fictício.
A professora ministrante tem duas formações universitárias, a primeira em jornalismo, pela Universidade Metodista de São Paulo e a segunda em Letras com habilitação em português e francês, pela Universidade de São Paulo. Realizou duas iniciações científicas durante sua graduação em Letras, ambas na área de ensino de gêneros textuais em francês e sob a orientação da professora doutora Eliane Gouvêa Lousada. Foi professora assistente de língua portuguesa na França de outubro de 2011 a abril de 2012, após seu retorno ao Brasil, retomou a graduação em Letras, português-francês, e em julho de 2012 se tornou professora- monitora de francês nos Cursos Extracurriculares oferecidos pela Cultura e Extensão da FFLCH-USP. Em agosto do mesmo ano, passou a integrar a equipe do Laboratório de Letramento Acadêmico da FFLCH-USP, da qual faz parte até hoje, oferecendo monitoria de escrita acadêmica em francês para alunos da graduação e da pós. Quando o curso de escrita acadêmica foi aplicado, em julho de 2015, Olga era mestranda pelo Programa de Estudos Linguísticos, Literários e Tradutológicos em francês da USP, desenvolvia um projeto sobre a produção de gêneros da esfera universitária em francês e continuava atuando como professora de francês.
Como foi possível observar, Olga é uma professora experiente no ensino da língua francesa e que desenvolvia um projeto de mestrado cujo tema está diretamente ligado ao curso oferecido.
1.4. Os participantes do curso
O curso de escrita acadêmica teve quinze inscritos: desses alunos, quatro não participaram de nenhuma aula28 e onze frequentaram o curso durante as duas primeiras semanas; nas duas últimas semanas tivemos apenas oito participantes. Os onze participantes preencheram um questionário no primeiro módulo do curso, como informamos no subitem 1.2., seu objetivo era nos permitir conhecer melhor os estudantes, bem como, seus interesses em relação à língua francesa e o motivo que os levou a realizar o curso.
O grupo era composto por graduandos e pós-graduandos de diferentes áreas, eram elas: Letras, História, Psicologia, Direito, Artes e Rádio e TV. Dos onze participantes, dez tinham vínculo com a Universidade de São Paulo, seja como aluno ou funcionário. A faixa etária dos alunos era variada, o mais novo tinha 20 anos e o mais velho tinha 59. Dentre os participantes, a maioria dominava outra língua estrangeira como inglês, espanhol e italiano. Descreveremos, a seguir, os onze participantes do curso; lembramos que a identidade de todos os participantes foi preservada, logo os nomes apresentados são fictícios. As informações abaixo foram coletadas por meio de um questionário, portanto, nas apresentações que seguem optamos por “relatar” o que disseram os alunos.
Lucas, 29 anos, era estudante de graduação em Letras com habilitação em português- francês e realizava uma Iniciação Científica na área de Estudos literários em francês na época em que realizou o curso de escrita acadêmica. Ele afirmou gostar de escrever em português e em francês e que já produziu gêneros da esfera universitária em língua francesa, como análises de obras, resenhas e trabalhos finais de disciplinas. Ele realizaria um intercâmbio no segundo semestre de 2015 para um país francófono, o que o teria motivado a realizar o curso de escrita acadêmica, pois acreditava que ele poderia auxiliá-lo na produção escrita dos trabalhos acadêmicos que precisaria realizar durante seu intercâmbio. Lucas participou de nosso curso piloto e diante da possibilidade de realizar o intercâmbio para um país francófono, decidiu realizar o curso mais uma vez.
Luíza, 57 anos, é formada em Letras com habilitação em português e francês pela USP e realizava um pós-doutorado pela mesma universidade na área de Estudos literários em francês na época em que realizou o curso. Ela afirmou gostar de escrever em português e em
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O fato de se inscrever em um curso e não estar presente em nenhuma aula não é algo surpreendente nos cursos extracurriculares de francês, já que, muitas vezes, os alunos têm bolsa total ou parcial e não perdem muito com o não prosseguimento do curso. Além disso, muitas vezes, os alunos trocam de turma. Portanto, esse fato não nos surpreendeu.
francês e que já produziu gêneros da esfera universitária em língua francesa; ainda segundo ela, por conta de seu pós-doutorado precisava escrever artigos e capítulos de livros nesse idioma. Luíza diz ter decidido realizar o curso de escrita acadêmica para aprimorar sua produção escrita em francês, bem como, a comunicação oral no idioma, já que precisava realizar apresentações orais de sua pesquisa em congressos internacionais.
Adriana, 59 anos, é formada em Psicologia e realizava um pós-doutorado em sua área de formação no período em que o curso foi ministrado, além disso, era funcionária da Faculdade de Educação da USP. Adriana diz gostar de escrever em português e em francês, ela não precisava produzir textos escritos da esfera universitária em língua francesa, mas por conta de sua pesquisa, precisava realizar apresentações orais em língua francesa e iria se apresentar, em novembro de 2015, em um congresso na França.
Cecília, 24 anos, era graduanda em Letras português-francês pela USP e realizava uma Iniciação Científica na área de Estudos linguísticos em francês. Ela assegurou gostar de escrever em português e em francês e que e já produziu gêneros acadêmicos em língua francesa no Brasil e na França, onde realizou um intercâmbio. Os gêneros já produzidos foram artigos científicos, resenhas, sínteses e dossiês. Cecília decidiu realizar o curso de escrita acadêmica, pois precisava escrever textos em francês nas disciplinas da graduação e porque se interessava pelo ensino da língua francesa.
Miguel, 20 anos, também era graduando em Letras com habilitação em português e francês pela USP e realizava Iniciação Científica na área de literatura brasileira. Ele alegou gostar de escrever em português e em francês e que precisava, assim como, já havia produzido gêneros da esfera universitária em francês, como trabalhos de análises literárias e resumos. Miguel realizaria um intercâmbio no segundo semestre de 2015 para um país francófono e afirmou que isso o motivara a fazer o curso de escrita acadêmica.
Maria, 26 anos de idade, é formada em Direito e era aluna de graduação em História pela USP. Ela afirmou gostar de produzir textos em português, mas que não precisava e não gostava de produzi-los em francês. Disse que decidiu realizar o curso de escrita acadêmica porque prestaria uma prova de línguas (TCF) no mês de agosto e porque queria melhorar sua produção escrita em língua francesa. Maria foi um dos três participantes que abandou o curso após duas semanas, ela enviou um e-mail para a professora ministrante justificando a sua saída, a participante afirmou que decidiu realizar a prova de francês (TCF) apenas no ano seguinte e que, portanto, decidiu abandonar o curso.
Alice, 40 anos, é formada em Artes (Educação Artística) e realizava um mestrado em sua área de formação, ela não tinha nenhum vínculo com a Universidade de São Paulo. Afirmou gostar de escrever em português e em francês e que produzia textos acadêmicos em língua francesa, como resumos e comentários acadêmicos, sobretudo por conta de seu mestrado. Alice disse que decidiu fazer o curso de escrita acadêmica para aprender sobre a estrutura e as especificidades dos textos em francês.
Giovane, 26 anos de idade, é formado em Letras português-francês pela USP e realizava, no período em que o curso fora ministrado, um mestrado na área de Estudos literários em francês pela mesma universidade. Ele declarou gostar de escrever em português, mas que não gostava de fazê-lo em francês, no entanto precisava produzir textos da esfera dos estudos universitários e da carreira acadêmica em língua francesa, como o artigo científico. Giovane afirmou ter decidido realizar o curso porque conhecia a qualidade dos Cursos Extracurriculares de francês, bem como, a qualidade de seus professores-monitores. Ele é um dos participantes que abandonou o curso. Assim como a participante Maria, ele justificou sua saída, afirmando não poder continuar devido ao seu trabalho.
Isabel, 56 anos, era aluna de graduação em Letras, português-francês, na Universidade de São Paulo e realizava uma pós-graduação. A participante já tinha uma formação superior no período em que o curso foi ministrado. Isabel afirmou não gostar de escrever nem em português e nem em francês. Ela retomou a graduação em Letras em 2015, esteve afastada por dois anos, e diz que devido à graduação precisou produzir provas em língua francesa. Isabel decidiu seguir o curso de escrita acadêmica com o objetivo de desenvolver as capacidades necessárias para entender e produzir os gêneros em francês de maneira adequada.
Laura, 21 anos, era estudante de graduação em História pela USP. Ela afirmou gostar de escrever em português e em francês, mas que não precisava produzir textos escritos em língua francesa, apesar de já ter produzido resumos nesse idioma. Laura realizaria um intercâmbio para um país francófono no segundo semestre de 2015 e decidiu fazer o curso para ter menos dificuldades em seu intercâmbio. Ela é a terceira participante que abandou o curso, mas ao contrário dos outros dois colegas não justificou sua saída.
Pilar, 29 anos, é formada em Rádio e TV e cursava, durante o período em que o curso fora ministrado, a graduação em Letras com habilitação em português e francês pela Universidade de São Paulo. Ela afirmou que precisava produzir textos escritos em francês, como provas da universidade, dossiês e e-mails. Pilar também realizaria um intercâmbio para
um país francófono no segundo semestre de 2015 e decidiu fazer o curso de escrita acadêmica para se preparar para ele.