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2. O PERCURSO DA PESQUISA

2.2 A PROFESSORA PARCEIRA , OS ALUNOS E O AMBIENTE ESCOLAR

Assim como destacado anteriormente, tivemos como critério escolher uma professora que tivesse participado das formações do PNAIC oferecidas pela UFSCar, que atuasse como professora alfabetizadora no ciclo de alfabetização e, que, principalmente, aceitasse estabelecer a parceria para o desenvolvimento da pesquisa em sua sala de aula, especificamente com relação ao ensino de Matemática.

A professora, participante da pesquisa, tem envolvimento com a Formação do PNAIC do núcleo UFSCar, desde o ano de 2013, da qual participou como professora alfabetizadora, visto que, na época, lecionava para um 3º ano do Ensino Fundamental. Em 2014 e em 2015, participou da formação como professora Orientadora de Estudos; e, em

2016, durante o semestre em que a pesquisa foi realizada em sua sala de aula, auxiliava no Programa como professora Formadora13.

Cabe destacar que, na formação do PNAIC, há os professores formadores, que são selecionados por universidades públicas brasileiras para realizar a formação dos professores orientadores, os quais, por sua vez, são escolhidos pelos municípios e os responsáveis pela organização da formação continuada tendo como foco os professores alfabetizadores, que atuam no ciclo de alfabetização de escolas públicas brasileiras (BRASIL, 2014).

Além de sua ampla participação nas formações do PNAIC, a professora- parceira também fez outros cursos de formação oferecidos pela Secretaria Municipal de Educação do município. Ela atua como docente há 10 anos na rede municipal de São Carlos e, desde 2013, trabalha como professora na escola em que a pesquisa foi realizada. Já lecionou para turmas de 2º, 3º, 4º e 5 º anos do Ensino Fundamental e, nesta escola, também já trabalhou como assessora de direção.

Apesar de não ter sido um critério para a escolha da docente que participaria da pesquisa, podemos considerar que a professora parceira dessa investigação é uma professora “diferenciada”, pois além de ter cursado o antigo Magistério, e ser formada em Licenciatura Plena em Pedagogia, também realizou Mestrado e Doutorado em Educação, na Universidade Federal de São Carlos. No Mestrado seu objeto de investigação foi a alfabetização de adultos e no Doutorado, a produção de textos.

A escola em que a pesquisa foi realizada localiza-se no município de São Carlos, em um bairro periférico da cidade. É destinada a alunos do primeiro ciclo do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), nos períodos matutino e vespertino, possuindo cerca de 230 alunos.

O espaço dessa instituição escolar possui dez salas de aula, uma sala de professores, uma sala da diretora, uma sala de coordenação, uma sala multiuso e um almoxarifado. Também conta com uma cozinha e um refeitório não muito grande, no qual há mesas e cadeiras para as crianças utilizarem enquanto se alimentam. Logo na entrada da escola há uma biblioteca, consideravelmente grande e com diversas opções de livros que as crianças podem levar para casa ou realizar a leitura no local. Próximo à entrada também há um pátio, com alguns jardins, no qual as crianças podem ficar quando chegam à escola e

13 A função do professor Formador, que é selecionado por universidades públicas brasileiras, é realizar a formação dos Orientadores de Estudos. Observa-se que em todas as funções no PNAIC a professora foi bolsista CAPES.

também durante o recreio. Aos fundos, há uma quadra de esportes, onde são realizadas as aulas de Educação Física.

Cabe destacar que, a pesquisa foi realizada com a turma dessa docente, que lecionava em um 2º ano do Ensino Fundamental, do período vespertino, com 21 alunos, entre 6 a 8 anos de idade (havia um aluno com 12 anos).

Antes mesmo de eu começar a frequentar o ambiente da sala de aula, a professora conversou com as crianças e explicou que haveria, em algumas aulas, a presença de uma pesquisadora. Em meu primeiro dia na escola, as crianças, muito curiosas, perguntavam, “Essa é a pesquisadora, professora?”, “O que você pesquisa?”, “O que nós vamos fazer?”. Desde o início, professora e alunos, me receberam muito bem, sempre sendo carinhosos e atenciosos. Desde então, foi possível perceber que esse ambiente era permeado por afeto e carinho. As crianças demonstravam isso em suas atitudes. Houve também uma ótima recepção por parte da diretora e de toda a equipe docente, durante todos os dias em que estive na escola.

Os responsáveis pelas crianças autorizaram a participação deles na pesquisa, assim como as próprias crianças aceitaram participar. Após a aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Carlos14, os Termos de Consentimento e de

Assentimento foram assinados por todos os participantes da pesquisa. Vale destacar que, antes de ir à escola, apresentamos a proposta na Secretaria Municipal de Educação de São Carlos, na qual o Projeto de Pesquisa foi devidamente analisado e aprovado.

Com relação aos alunos, sujeitos da pesquisa, destacamos que, alguns moravam em bairros próximos à escola, contudo, também havia outros que moravam em bairros mais distantes, sendo que um deles morava em um assentamento da cidade. É importante dizer que, diversas crianças da escola também eram de assentamentos ou bairros rurais.

Enfim, ao voltar ao ambiente escolar e estar numa sala de aula, pude me ver, novamente, como uma criança que está aprendendo a ler e a escrever, que brinca, que imagina, que inventa, que vive, de fato, a infância. Por outro lado, pude me projetar, ao presenciar a professora lecionar, como uma futura professora alfabetizadora. O mais interessante é que, em todo este misto de sentimentos, que me remeteu ao passado e também ao futuro, eu estava ali, no presente, como pesquisadora, com objetivos traçados e uma “lente” com os aportes teóricos em que esta pesquisa se baseia.

14 Número da CAEE: 57258816.2.0000.5504 - Parecer Consubstanciado do Comitê de Ética. Número do Parecer: 1.680.38. Ver em anexo.

O passado, o presente e o futuro. Um não exclui o outro, eles se complementam. Professora e alunos, vinte e uma crianças com características diferentes. Seres humanos únicos, participantes essenciais para essa investigação, a qual em cada linha aqui escrita, sem dúvidas, traz um pouco de cada um deles. De cada fala, de cada gesto, de cada carinho e de cada abraço recebido.

Na sequência, é descrito como se deu o processo de parceria com a professora alfabetizadora e a construção dos dados na sala de aula, quais as histórias utilizadas para a análise dos dados, as atividades propostas e os métodos utilizados.