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2. EDUCAÇÃO PARA TODOS: O PROGRAMA LER E

2.1. A proposta pedagógica do Programa Ler e Escrever

Dentre os objetivos do Programa Ler e Escrever, são destacados como os mais relevantes os de:

1 - apoiar o Professor Coordenador em seu papel de formador de professores dentro da escola; 2 - apoiar os professores regentes na complexa ação pedagógica de garantir aprendizagem de leitura e escrita a todos os alunos, até o final da 2ª série do Ciclo I / EF;3 - criar condições institucionais adequadas para mudanças em sala de aula,recuperando a dimensão pedagógica da gestão;4 - comprometer as Universidades com o ensino público.5 - possibilitar a futuros profissionais da Educação (estudantes de cursos de Pedagogia e Letras),experiências e conhecimentos necessários sobre a natureza da função docente, no processo de alfabetização de alunos do Ciclo I / EF4.

E para atingir esses objetivos, a SEE/SP organiza ações com o intuito de garantir a implementação desse material em suas escolas, tais como:

a) encontros semanais dos PCs nas diretorias de ensino: são nesses momentos que os profissionais são orientados de como proceder em relação à aplicação desse material em sala de aula;

3Meta do governo federal compartilhada para os estados e municípios da federação. 4Reproduzido de: http://lereescrever.fde.sp.gov.br/

b) a reorganização de classes exclusivas com alunos que apresentam dificuldades ou defasagens na aprendizagem5 a fim de garantir que esses avancem para os anos seguintes do ensino fundamental sem dificuldades em leitura e escrita;

c) a presença de um "aluno pesquisador" nas classes de 1º ano e nas de recuperação das aprendizagens e defasagens;

d) a produção e distribuição dos materiais do Programa Ler e Escrever para todos os alunos e professores do 1º ao 5º ano do ensino fundamental;

e) disponibilização de materiais complementares para composição do acervo da "biblioteca da sala de aula"; e outros como: globos, calculadoras; enciclopédias, dentre vários;

f) acompanhamento sistemático da equipe pedagógica das diretorias de ensino nas escolas para verificar as ações dos professores coordenadores e dos professores nas salas de aula na implementação do referido programa.

Para garantir esse acompanhamento pedagógico, tanto por parte da equipe da diretoria de ensino como do professor coordenador da unidade escolar, o material traz um modelo de registros intitulado "Rotina Semanal" em que consta o passo-a-passo dos conteúdos a ser trabalhados e a atuação do docente na implementação das atividades a ser desenvolvidas em sala de aula. Essa Rotina será mais bem explicitada no capítulo da metodologia deste estudo.

Ainda o formato do Programa Ler e Escrever garante o

acompanhamento Institucional Sistemático - às Diretorias de ensino, realizado mensalmente por uma equipe da CENP em reuniões nas Diretorias de Ensino e em encontros centralizados na capital, envolve os responsáveis pela gestão pedagógica das escolas de Ciclo I (Supervisores e PCOPs6) [...]

Nesses momentos são analisados os dados das avaliações dos alunos com

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"Trata-se de um projeto emergencial, cuja duração deve ser temporária, uma vez que a meta das séries anteriores é justamente torná-lo desnecessário". Disponível em: <http://lereescrever.fde.sp.gov.br/>

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especial atenção para a alfabetização inicial (mapas de sondagem7) (SÃO

PAULO, 2010, p.4).

Em relação à organização do material para a aplicação em sala de aula, o Programa Ler e Escrever divide-se em projetos semestrais, perfazendo um por semestre e, a partir de 2014, foram acrescentados mais dois projetos para os segundos e quartos anos:

Quadro 1 - Os temas dos projetos - Programa Ler e Escrever

ANO SEMESTRE PROJETOS

1º Brincadeiras Tradicionais

Um olhar sobre a cultura dos povos indígenas do Brasil: o cotidiano das crianças

1º Cantigas Populares

Pé de moleque, canjica e outras receitas juninas: um jeito gostoso de aprender a ler e escrever

2º Anta, onça e outros animais do Pantanal Era uma vez um conto de fadas

1º Quem reescreve um conto, aprende um tanto! 2º Jardim, um mundo para animais pequenos

1º Animais do Mar

2° Confabulando com fábulas

3º Meios de Comunicação

1º Uma lenda, duas lendas, tantas lendas

2º Universo ao meu redor

Fonte: Organizado pela pesquisadora, extraído do Guia de Orientações Didáticas - São Paulo, 2014.

Em relação a esses projetos e sua organização apontam-se algumas considerações preliminares: com exceção dos 2º e 4º anos, o Programa gira em torno de dois projetos semestrais; acredita-se que esta forma reducionista de explorar dois ou

três temas durante o ano letivo restringe o trabalho pedagógico do professor com outras temáticas que poderiam ser incorporadas ao currículo dos anos iniciais.

Como no caso do terceiro projeto do 2º ano, Anta, onça e outros animais do Pantanal ou do projeto do 4º, Animais do Mar, em que o público são alunos do Estado de São Paulo, poderiam ser buscados animais da fauna paulista, já que a temática sobre os animais do mar seria interessante, mas contrastaria com a realidade de alunos do interior paulista, que podem não conhecer o litoral como foi o caso dos alunos das três classes da escola participante.

Não se trata de não trabalhar tais temas, mas de analisar, refletir e quantificar, a partir de uma investigação prévia, que outros assuntos poderiam ser abordados para melhor rendimento e aproveitamento das aulas. Veja-se, por exemplo, a dengue, a crise hídrica, a violência doméstica, a história de vida dessas crianças, dentre tantos outros.

É preciso investigar e entender o contexto de vida do educando e, em que medida a instituição escolar pode contribuir para sua formação. E para isso faz-se necessária a manutenção e intensificação de uma relação dialógica, comprometida criticamente com a formação escolar do aluno, entre o aluno, professor, escola e família e sociedade (FREIRE, 1978).

O Estado é o protagonista da implantação e implementação das políticas educacionais, e essas vêm carregadas de controvérsias, organizadas de forma unilateral e imutáveis, tornando imperativas a "criatividade", a formação e o conhecimento científico dos atores (os professores) para estabelecer ações que ressignifiquem essas políticas nos interesses de determinada população (VARGAS, 2012).

Como afirma Vargas (2012, p.101),

o Estado é o principal ator das políticas educacionais e essas são pensadas e escritas para infraestruturas adequadas, sem variações de contextos,recursos, desigualdades regionais e locais. Por sua vez as políticas não são fixas e imutáveis e podem ser interpretadas e compreendidas como resposta a problemas da prática. As políticas estão envoltas de conflitos, crenças, valores, criatividades e relações de poder.

Mas para que haja ressignificação desse currículo em termos práticos, é imprescindível uma relação proativa por parte dos professores entre o que está proposto e o que pode estar ao alcance das diversas populações escolares.

Se para Vargas (2012) as políticas são passíveis de adequações, para Constâncio (2012) não o são necessariamente, em razão da fragilidade da formação dos professores, que dificulta, consideravelmente, o entendimento implícito nas políticas públicas educacionais, as quais vêm recheadas de questões ideológicas e políticas que diferem daquelas estabelecidas nas camadas populares.