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A PROSPERIDADE QUE VIVE EM TOTAL SAÚDE E SUCESSO

Prosperidade insistem que a terminologia latina "imago Dei " significa exata cópia de Deus.

Eles pregam que se somos chamados filhos de Deus, isso significa que somos da mesma natureza que Deus, portanto deuses. Alicerçam seus pensamentos em textos que dizem que nascemos do Espírito e temos agora o "gen" de Deus em nós. Por mais que esse argumento pareça convincente, ele extremiza o que a Bíblia diz. Não pode haver uma dedução lógica que se somos chamados filhos de Deus, devemos ser da mesma natureza que o próprio Deus.

1. De uma maneira genérica toda a raça humana, inclusive os incrédulos, são chamados "geração" de Deus. (Atos 17.28)

2. Paulo refere-se à filiação dos gentios como por adoção, o que já exclui o fato de ser da mesma natureza. (Rm 8.15,23)

3. João que usa muito o termo "nascido de Deus" usa também a expressão "unigênito do Pai" em relação a Jesus. Jesus é filho diferente de todos os outros. Ninguém chegará ao nível que ele está. Quando Kenneth Copeland diz que Jesus não deve ser mais chamado de filho unigênito, sua doutrina deve ser descartada como heresia.

4. Por último, quando o Novo Testamento diz que os nascidos de novo, possuem uma nova natureza, não está significando que o homem agora é da mesma natureza que Deus ou Cristo, apenas que seu caráter foi regenerado à semelhança da integridade moral de Deus.

Os defensores da Teologia da Prosperidade insistem que somos participantes da natureza divina baseando suas teorias em II Pedro 1.4:

"Desse modo ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas vos torneis

participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, pela concupiscência que há no mundo". Quando Pedro nos diz no versículo 3 que: "O seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e à piedade", ele está se referindo a uma qualidade de vida moral, íntegra e não à essência da natureza de Deus. No novo nascimento nos tornamos participantes de sua natureza moral.

Nem mesmo o próprio apóstolo Paulo se considerou um deus em qualquer momento de sua vida. Por exemplo, em Atos 14.11-14, Deus curou um homem por intermédio de Paulo. "Vendo as multidões o que Paulo fizera, levantaram a sua voz, dizendo na língua licaônica: Fizeram-se os deuses semelhantes aos homens, e desceram até nós." A resposta de Paulo não foi: - Sim, nós somos deuses, e vocês também, podem exercitar o poder miraculoso da fé. As Escrituras dizem que Barnabé e Paulo, rasgaram as suas vestes, e saltaram no meio da multidão, clamando: " - Senhores, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões, e vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo...".

Capítulo 8 - A PROSPERIDADE QUE VIVE EM TOTAL SAÚDE E SUCESSO

O culto se desenvolvia com um clima de consternação e quebrantamento, pois pela manhã ouvimos o testemunho do missionário que perdera seu filho em um acidente automobilístico, voltando para casa dias depois de se formar no seminário. Seu desejo era ser missionário como o pai. A súbita morte não lhe

poupou. Em seguida, uma senhora pediu para dar testemunho, estranhamente parecido com o que ouvíramos do missionário: " - Meu filho foi acidentado hoje pela manhã", prosseguiu ela. " - Seu carro caiu no rio, submerso por mais de cinco minutos. Passava por ali, um desconhecido que pulou nas águas e o resgatou. Quero que vocês saibam que Deus sempre salva seus filhos de desgraças", concluiu. Quando aquela senhora pronunciou a palavra "sempre", caiu um peso de consternação sobre nós, pois o missionário que perdera seu filho, chorava.

Outro exemplo. Nas Filipinas, durante o Congresso de Lausanne II, Joni deu sua mensagem como

paraplégica, a milhares de pastores do mundo. Seu relato foi muito parecido com a introdução de seu livro biográfico:

"Isolado, por si, o que é um minuto? Simplesmente uma medida de tempo. Há sessenta deles numa hora, 1.440 num dia. Aos dezessete anos de idade eu já gastara 9 milhões deles em minha vida. Entretanto, em algum plano, aquele simples minuto foi isolado. E naqueles sessenta segundos houve mais significado do que todos os outros milhões de segundos de minha vida anterior.

Tantas ações, sensações, pensamentos, e sentimentos se condensaram naquele fragmento de tempo. Como descrevê-los? Como começar a catalogá-los? Recordo-me claramente dos detalhes daqueles poucos segundos destinados a transformar minha vida para sempre. Não houve alerta ou qualquer premonição. Oscar Wilde escreveu: 'Neste mundo há somente duas tragédias. Uma é não recebermos o que queremos e a outra é recebermos.'. Para refrasear o que ele disse, posso afirmar: Só há duas grandes alegrias. Uma é quando Deus responde todas nossas orações e a outra alegria é não recebermos resposta ao que pedimos a ele. Creio assim pois sei que ele é infinitamente mais sábio que eu e sabe o que preciso. Ele é inteiramente confiável, não importa qual direção nossas circunstâncias nos levem.

Nos Salmos sabemos que Deus não nos trata de acordo com os nossos pecados e iniquidades. Meu acidente não foi punição pelos meus erros - merecendo-os ou não. Somente Deus sabe o porquê da minha paralisia. Talvez ele soubesse que eu seria, em última análise, mais feliz servindo-o. Se ainda caminhasse com os meus pés, fica difícil saber onde estaria minha vida. Talvez, passasse pela vida -casada e divorciada - insatisfeita e desiludida..."

Com esse testemunho ela passou a mostrar sua luta em vencer a paralisia, primeiro através dos cuidados médicos e, depois que a medicina mostrou-se impotente, com oração. Emocionados ouvimos como ela foi triunfante mesmo condenada a uma cadeira de rodas.

A Teologia da Prosperidade sustenta uma doutrina bizarra que nenhum filho de Deus pode em qualquer circunstância, adoecer e que isso demonstra falta de fé ou dar lugar ao diabo em sua vida. Hagin sustenta que há mais de quarenta e cinco anos nunca adoeceu nem com dor-de-cabeça. Ele prega que tanto ele como todos os membros de sua família gozam saúde perfeita.

Para os seguidores desta heresia, morrer com menos de setenta anos é uma prova de incredulidade, imaturidade espiritual, ou pecado.

Toda heresia é uma verdade bíblica levada a seu extremo. Quando Hagin insiste em afirmar que todo o cristão deve ter uma saúde perfeita, ele está absolutizando uma verdade, que não pode ser extremada. Há duas questões que devem ser analisadas em separado: o sofrimento e a cura divina.

Por que as pessoas sofrem ?

Não é necessário muita experiência para se perceber que o justo sofre. Todas as vezes que visito um hospital, que oficio um ato fúnebre, ou aconselho uma esposa desiludida pelo fracasso de seu lar enfrento a pergunta: " - Por que isso aconteceu logo a mim?"

As dimensões da bondade e soberania divinas parecem em contradição. As pessoas se perguntam: " - Se Deus é bom como pode ele permitir que isso sobreviesse a mim, se é soberano por que não impediu?" C. S. Lewis propõe assim a questão do sofrimento e a onipotência divina:

"Se Deus fosse bom, Ele desejaria fazer suas criaturas perfeitamente felizes, e se Deus fosse todo-poderoso poderia fazer tudo o que quisesse. Mas as criaturas não são felizes. Portanto, falta a Deus bondade, poder, ou ambas essas coisas." (Lewis, C.S. - O Problema do Sofrimento - Editora Mundo Cristão - São Paulo - 1983, página 19.)

Para se meditar sobre o sofrimento da humanidade, deve-se recusar terminantemente a possibilidade de que a dor do cristão é sinal de alguma falta de fé da sua parte ou prova que não está em contato com Deus. Comumente, ouve-se que toda doença vem de Satanás e pode sempre ser rejeitada pela fé. Tolice simplista! Admita-se que no princípio, a queda da humanidade trouxe a doença e a morte. Se o salário do pecado é a morte, aceita-se que se não tivesse havido pecado, não existiria doença alguma. Mas nada disso significa que o sofrimento e a dor vem da falta de fé; ou que se houver fé suficiente a cura será sempre certa e a libertação automática.

Voltemos à pergunta inicial. O que tornou o mundo um vale de lágrimas? Se ao criar o mundo Deus disse, muito bom. A dor e o sofrimento não faziam parte de seu plano original e acontecem como resultado direto do pecado. Se não existisse avareza humana não haveria a exploração do trabalho; a riqueza seria melhor distribuida e muitas mortes seriam poupadas. Se não houvesse o egoísmo, não seriam erguidas estruturas sociais e econômicas esmagando milhares de pessoas. Se não fosse a concupiscência dos olhos não se veria adultérios, sensualidade e o comércio do sexo. Sem a soberba da vida, roubo e ganância não tirariam de muitos para enriquecer uns poucos.

Deus sustenta uma ordem que ferida, trás miséria. Seu universo subsiste com leis que obedecidas geram felicidade, quebradas produzem sofrimento e dor.

Israel sempre sofreu quando violou a lei de Deus (Sl 107.17, Is 24.5,6). Judá foi destruída pelo seu pecado (Jr 13.22). Paulo mostra que alguns adoeceram por tomarem a ceia indignamente (1 Co 11.29-30).

O sofrimento judicial é aquele que vem como quebra do equilíbrio moral. Nos dois Testamentos, muitas vezes, a justiça de Deus é sinônimo de:

a) maldição (Dt. 25.15-19); b) aflição (Sl 90.15); c) destruição (I Co 3.17). A condição de Deus não colocar enfermidade vem da condicional "Se". Quando essa cláusula é violada, Deus mesmo passa a ser executor de uma sentença de juízo sobre o povo. (Dt 28.15-29, Mt 10.28)

C. S. Lewis argumenta que: "Deus sussurra para nós em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nossas dores; o sofrimento é o seu megafone para despertar um mundo surdo".

Davi reconheceu seu sofrimento como uma prevenção para que não caminhasse ainda mais fundo em desobediência:

A dimensão preventiva do sofrimento é a maneira de Deus gritar basta ao homem. Muitas vezes, o sofrimento vem como característica tolhedora para que as pessoas não continuem e não se aprofundem na sua desobediência.

O sofrimento no hospital do menino que roubou o carro do pai e bateu contra um poste, fraturando algum membro, não desaparecerá pela fé. Não há pílula que acalme a depressão de um homem que gasta sua vida dissolutamente. Deus permite o sofrimento para que o socorro seja buscado, e o arrependimento venha. Paulo que recebera grandes revelações poderia engrandecer-se pela soberba. Ele mesmo afirma que recebeu um espinho na carne, para não se elevar por aquilo que viu. O que era o espinho, não se sabe. Ele,

entretanto, afirma que aquele sofrimento o mantinha humilde e dependente do Senhor. (II Co 12.7-10) Há ainda faces do sofrimento que são educativas. Paulo disse em II Co 1.9 que ele padecera para aprender a confiar em Deus. Há alguns que sofrem para que melhor possam consolar os outros (I Co 1.5-6). Outros, para crescerem interiormente em esperança (Rm 5.3-5). E há ainda a dor que vem para valorização das prioridades da vida. (II Co 4.16-18)

Amy Charmichael fez um poema que traduz muito bem o ensino de Paulo sobre o sofrimento:

"Humilde, pedi a Deus que me desse alegria, Que minha vida coroasse com flores de prazer; Pedi felicidade sem qualquer mistura,

Querendo que brilhante fosse a minha senda;

Choroso, procurei estas bênçãos obter.

Mas, agora lhe agradeço que me deu a dor. Pois com a minha dor e tristeza me veio, Um dote de ternura, um ato e pensamento; E com o sofrimento veio a compaixão; Percepção que o sucesso nunca produzira; Pai, eu seria tolo e falto de real bênção, Se atendido tivesses meu cego pedido.

Ora, o próprio Senhor Jesus foi aperfeiçoado em seu ministério naquilo que padeceu. (Hb 2.10 e 5.8) O relato de Hebreus 11.36-38 mostra que se, como diz Caio Fábio, a fé honrou alguns homens de Deus livrando-os da morte, tortura e escárnio, outros honraram a fé, morrendo e sofrendo.

De acordo com Pedro, há o sofrimento segundo a vontade de Deus (I Pe 4.16-19), e não porque o diabo tenha tido livre acesso à vida das pessoas. Tudo o que acontece segue o propósito e desígnio de Deus.

A cura divina

A Bíblia é conclusiva em afirmar que Deus tanto provê a salvação espiritual como a cura física. (Sl 103.1-2). O Calvário propiciou e garantiu em Cristo tanto a cura, como a salvação conforme Isaías capítulo 53.

O incidente em que Jesus disse ao paralítico que os seus pecados seriam perdoados, serviu para demonstrar que para ele é tão fácil pronunciar perdão como cura divina (Mt 9.1-8). Aliás, a expressão grega "sozo " é traduzida por salvação e cura.

Quando o leproso se aproximou de Cristo, dizendo: "Se queres, serei limpo". A resposta de Cristo foi clara: "Quero, sê limpo (Mt 8.1-3). A conclusão é axiomática: a vontade de Deus é curar seus filhos de quaisquer males que padeçam.

Entretanto, há de se concordar que nem todos são sempre curados. Quantos crentes fiéis já morreram prematuramente. Quantos pais já choraram a partida de seus filhos no início da vida. Eis aí o dilema: se é da vontade de Deus que seus filhos sejam curados, se a provisão do Calvário incluiu a cura divina, por que então nem todos desfrutam uma saúde perfeita?

Kenneth Hagin e os teólogos da Prosperidade insistem que, se Cristo morreu para expiar as nossas doenças e também os nossos pecados, todos os cristãos devem esperar que Deus cure seus corpos hoje. Quando isso não acontece, algo deve estar errado com o crente. Pois se Deus prometeu, ele prendeu-se às suas promessas. A teologia de Kenneth Hagin, quanto a cura divina tropeça quando ele exalta o "já" da cruz à custa do "ainda não". O Calvário nos deu cura divina, que se concretiza processualmente no presente, e absolutamente no céu, no futuro. É certo que temos saúde em Cristo, mas ressalte-se que esse conceito só se aperfeiçoará em sua plenitude quando esse corpo mortal for revestido da imortalidade. Na terra, nos sentimos cansados, algumas vezes doentes, padecendo do mais terrível de todos os males, a velhice.Todas as pessoas que já receberam alguma cura milagrosa já morreram ou morrerão.

As palavras de Paulo acerca do corpo humano, ainda imperfeito, soam como uma antítese do que prega Hagin:

"Levando sempre no corpo o morrer de Jesus para que também sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal". (II Co 4.10-11)

John Stott comenta sobre o versículo acima da seguinte maneira:

"O apóstolo refere-se à enfermidade e mortalidade de nossos corpos humanos, especialmente (no caso dele) com relação à perseguição física. É, diz ele, como experimentar em nossos corpos o morrer de Jesus, e o propósito desse experimentar é que a vida de Jesus possa ser revelada em nossos corpos.(...) ele parece estar dizendo que agora em nossos corpos mortais (cujo fim é a morte) está sendo revelada (repetida duas vezes) a própria "vida" de Jesus (também repetida duas vezes). Ainda quando nos sentimos cansados, doentes e esmagados, experimentamos um vigor e uma vitalidade que são a vida do Jesus ressurreto dentro de nós.

Paulo exprime o mesmo pensamento no versículo 16: 'Mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo o nosso homem interior se renova de dia em dia"'.

Assim como todos os benefícios da salvação ainda não se completaram e Paulo fala de uma salvação futura ainda a ser experimentada pelos já salvos, pode-se dizer que a cura divina ainda não é total. Sua plenitude só se concretizará na nova Jerusalém, que contém a solução última para o sofrimento humano. Toda a criação geme aguardando a sua redenção dos processos de morte instalados no mundo. Só no Apocalipse virá a solução final:

"Deus enxugará de seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, pois já as primeiras coisas são passadas". (Ap 21.4)

"No meio da sua praça, em ambas as margens do rio, estava a árvore da vida. que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês. E as folhas da árvore são para a cura das nações". (Ap 22.2)

Quando Jesus entrou no tanque de Betesda (Jo 5) haviam cinco pavilhões cheios de doentes. Entretanto, o Senhor curou apenas um. Por quê? Não há uma resposta, Ele apenas escolheu assim. O motivo de Deus escolher curar alguns aqui, e a outros Ele fazer esperar pela sua cura na eternidade, ninguém sabe. Paulo exercitou os dons de cura em seu ministério. Levantou um paralítico, ressuscitou um morto, mas deixou enfermo Timóteo, seu mais fiel discípulo, na sua enfermidade receitando um remédio caseiro (vinho com água). Trófimo foi deixado doente em Mileto. Por que esse poderoso homem de Deus não conseguia sucesso na cura de seus seguidores? Mistérios de Deus! Acusar de falta de fé é um argumento simplista e irresponsável.

Essa tensão sobreveio-me quando perdi um querido amigo vitimado pela leucemia. Nilson era diácono da nossa igreja. Cheio de vida, com uma família linda, achou-se encurralado por essa doença maligna. Oramos intensamente, e de forma heróica ele viveu por alguns anos. O quadro agudizou e o médico previu sua morte em alguns dias. Eu senti que deveria tratar com ele sobre o momento mais glorioso da vida de um cristão, a hora de se encontrar com o Senhor. Com muito carinho, tato e temor diante de Deus, conversamos sobre a morte. Mesmo crendo na soberania de Deus de reverter aquele quadro tão devastador, encaramos a

possibilidade, bastante concreta naquela altura dos fatos, que ele morreria. Alguns dentro da igreja souberam desse meu encontro com o Nilson e assumiram a atitude dos pregadores da prosperidade: " - O irmão vai morrer porque o pastor já está decretando. Prosseguiram na lógica herética da confissão positiva: " - Vamos orar, o irmão Nilson será curado, tampando assim a boca do pastor". O Nilson passou para o Senhor

conforme o médico previra. O problema ficou comigo e com a família, devido a essa irresponsabilidade doutrinária. Se ele fosse curado, eu ficaria desacreditado. Afinal de contas ele foi curado porque o grupo orou. Se ele morresse, eu perdia também, pois assim provava-se de fato que eu não possuia fé.

Deus cura? Sim. Deus cura sempre todos? Não. Por quê? Ninguém sabe. Qualquer teologia de cura e de milagres deve ter espaço para Deus não curar. Caso contrário, além do trauma da morte, virá a culpa de não ter exercitado fé o suficiente. Como somos imperfeitos sempre haverá a dúvida sobre nossa inabilidade de crer.

Qual a atitude à tomar quando alguém adoece? Orar. Orar sempre, sem desfalecer, crendo que Deus continua sendo um Deus de prodígios e milagres. Descansando sobretudo em Sua graça e soberania. A teologia de Hagin peca quando afirma que pedir cura a Deus e ao mesmo tempo dizer que queremos que Ele faça a Sua vontade, é falta de fé. Porém abandonar-se aos desígnios de Deus, crendo na integridade de Seu caráter, é a maior demonstração de fé.

A promessa da Teologia da Prosperidade de uma saúde perfeita parece grande, entretanto, ela joga um imenso jugo sobre os ombros dos cristãos. Pois todas vezes que adoecer demonstra algo de errado com a pessoa. Por essa razão, alguns dos seus propagadores tiveram que hospitalizar-se escondidos, para que seu raciocíno não caísse por terra, quando o seu público descobrisse suas enfermidades.