1 SOCIEDADES (IN) SUSTENTÁVEIS E DESENVOLVIMENTO: ALGUNS
1.3 A PROVEITAMENTO SUSTENTÁVEL E GESTÃO AMBIENTAL
A relação sociedade-natureza é responsável pelas transformações nos recursos naturais em menor escala temporal que as transformações do tempo geológico. A relação do homem no planeta produz o espaço geográfico. O solo que se constituí a principal superfície de contato do homem na natureza está sujeito ao contato direto dessas alterações promovidas pelo homem na natureza.
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A questão ambiental assume grande relevância pela dimensão dos problemas ambientais que são gerados pela expansão das sociedades no espaço geográfico. Conservar a natureza tornou-se essencial pela estagnação dos recursos naturais. Diferentes espaços são produzidos pela ocupação humana, os núcleos populacionais produzem paisagens através da produção espacial dessas localidades, porém, em muitos casos, sem considerar a preservação do meio natural.
O desenvolvimento sustentável é um conceito que defende uma alternativa de desenvolver os espaços geográficos de forma economicamente equilibrada e que garanta a continuidade dos recursos naturais para as gerações atuais e futuras. Cabe destacar que a forma como o manejo dos recursos naturais é comumente praticado não se adéqua ao modelo de sustentabilidade esperado.
Bellen (2003) realiza uma abordagem sobre o entendimento da sustentabilidade e outros conceitos que elucidam como a natureza é utilizada pelas sociedades ao longo do planeta:
A sustentabilidade requer um padrão de vida dentro dos limites impostos pela natureza. Utilizando uma metáfora econômica, deve se viver dentro da capacidade do capital natural. Embora o capital natural seja fundamental para a continuidade da espécie humana sobre a Terra, as tendências mostram uma população e consumo médio crescentes, com decréscimo simultâneo deste mesmo capital. Estas tendências levantam a questão de quanto capital natural é suficiente ou necessário para manter o sistema. A discussão destas diferentes possibilidades é que origina os conceitos de sustentabilidade forte e fraca (BELLEN H. M. V., 2003. p. 73).
A conceituação de sociedades sustentáveis, baseada na necessidade de se manter a diversidade ecológica, social e cultural dos povos acena para a necessidade de se pensar na diversidade de sociedades sustentáveis, com opções econômicas e padrões de desenvolvimento diferenciados.
Os processos de desenvolvimento podem ser compreendidos mediante a análise dos condicionantes que determinam a sua organização, sendo que tanto nos sistemas ecológicos quanto nos sistemas sociais, estes processos são sistemas que se mantêm longe do equilíbrio termodinâmico, ressalta Silva Neto (2006).
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Segundo é apontado por Almeida (2007), o conceito de sustentabilidade parte da premissa de que há uma resiliência nos ecossistemas e, portanto, uma capacidade de uso. Para que o uso dos serviços ambientais seja sustentável, deve estar dentro de uma zona de conforto.
No que se refere à ética da sustentabilidade e as políticas de desenvolvimento, Viana elucida que
As novas bases da convivência que conferem governabilidade ao sistema político requerem, portanto, um novo paradigma do desenvolvimento, apto a inserir o ser humano no centro do processo de desenvolvimento, considerar o crescimento um meio, e não um fim, proteger a oportunidade de vida das gerações atuais e futuras e, por conseguinte, respeitar a integridade dos ecossistemas naturais que permitem a existência de vida no planeta (VIANA, 2008, p. 48)
Neste ínterim, ao discorrer a respeito da (in)sustentabilidade das sociedades atuais, vale ponderar que é insensato tentar desvincular os problemas do meio ambiente dos relacionados ao desenvolvimento. A compreensão adequada dessa “crise” pressupõe, portanto, que esta relaciona-se ao esgotamento de um estilo de desenvolvimento ecologicamente depredador.
Mesmo que ainda esteja longe o surgimento de uma medida mais consensual de sustentabilidade ambiental, é imprescindível entender que os índices e indicadores existentes já exercem papel fundamental nas relações de fiscalização e pressão que as entidades ambientalistas devem exercer sobre governos e organizações internacionais. (VEIGA, 2008, pág. 182)
Ecologicamente, caracteriza-se a incorporação da natureza à cultura, bem como a quebra das relações de subsistência local, significando não apenas a acumulação de bens para fins não relacionados à sobrevivência biológica, mas também a possibilidade de alcançá-la por meio da incorporação de ambientes cada vez mais afastados da comunidade local. Conforma indica Sachs,
De modo geral, o objetivo deveria ser o do estabelecimento de um aproveitamento racional e ecologicamente sustentável da natureza em benefício das populações locais, levando-as a incorporar a preocupação com a conservação da biodiversidade aos seus próprios interesses, como um componente de estratégia de desenvolvimento. Daí a necessidade de se adotar padrões negociados e contratuais de gestão da biodiversidade. (SACHS, 2008, p.51)
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De acordo com o autor supracitado, o fator determinante da qualidade de vida de uma população, e, por conseguinte, de sua sustentabilidade, não é unicamente seu entorno natural, e sim a rede de relações entre componentes que configuram um determinado modelo de ocupação do território.
A maior dificuldade está na natureza necessariamente multidimensional do processo de desenvolvimento. Ela sempre tornará muito duvidoso e é discutível qualquer esforço de se encontrar um modo de mensuração que possa ser representado por um índice sintético, por mais que se reconheça seu valor simbólico e sua utilidade em termos de comunicação. (VEIGA, 2008, Pág. 105)
As diferentes dimensões da natureza devem ser respeitadas no desenvolvimento de metodologias de estudo que priorizem a interação das mesmas, considerando uma unidade de elementos que estabelecem confluência e se alteram a todo momento.
Sendo uma questão primordialmente ética, só se pode louvar o fato da idéia de sustentabilidade ter adquirido tanta importância nos últimos anos, mesmo que ela não possa ser entendida como um conceito científico.
A sustentabilidade não é uma noção de natureza precisa, discreta, analítica ou aritmética. Tanto quanto a idéia de democracia – entre muitas outras idéias tão fundamentais para a evolução da humanidade, ela sempre será contraditória, pois nunca poderá ser encontrada em estado puro. (VEIGA, 2008, Pág. 165)
A noção de sustentabilidade poderá variar de acordo com a construção cultural em que o indivíduo está inserido, sabendo-se que, o que é considerado enquanto bem estar social está atrelado ao envolvimento da sociedade a que se pertence com o meio que a circunda.
Diante de tais discussões, pode-se por em questãos relevantes interrogações a respeito do significado do termo sustentabilidade: É possível ser sustentável sem ultrapassar o limiar de resiliência dos sistemas ambientais? A sustentabilidade pode ser pensada enquanto mudança real de postura com os ambientes naturais?
Considerando as proposições apresentadas acerca do tema abordado, a conceituação de "sociedades sustentáveis" ainda está em processo de construção, exigindo a elaboração de
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novos paradigmas e acenando para a necessidade de se pensar em novos padrões de desenvolvimento.
Sobremodo, desenvolvimento econômico e sustentabilidade são temas interdependentes e dependem de um planejamento e gestão ambiental que contemplem as demandas atuais.
Vista aérea do povoado Crasto, em Santa Luzia do Itanhy. Fonte: http://sergipeemfotos.blogspot.com.br/2013
[...] existe, no entanto, uma consciência crescente de que a continuidade da diversidade de culturas humanas é elemento fundamental para a constituição de sociedades pluralistas e democráticas, e, por conseguinte, sustentáveis. (DIEGUES, 2008)