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Os desdobramentos dessas discussões em âmbito internacional considerando o impacto da Construção Civil resultaram em outro documento: Agenda 21 para Construção Civil. O atendimento das questões ambientais foi defendido numa Agenda 21 ao setor da AEC (JOHN; SILVA; AGOPYAN, 2001). Assim, por este documento ficaram estabelecidos critérios para uso racional de recursos especialmente em relação a perdas, desperdícios, durabilidade, conservação de água, qualidade interna do ar das edificações e eficiência energética.

O congresso Habitat II realizado em Istambul com a temática de assentamento humano sustentável produziu a Agenda Habitat II. Esta é constituída de planos de implementação de políticas urbanas que estimulem o desenvolvimento sustentável (BRASIL, 2000a).

A necessidade de se adequar às legislações cada vez mais rigorosas e a procura por ganhos de produtividade no universo da Construção Civil aperfeiçoam os processos desta indústria (SILVA, 2003). A autora indica que somente com algum estímulo o setor se organizará para buscar edificações mais sustentáveis. Lobo e Lobo (2008) apontaram quatro razões para a busca de sustentabilidade nas edificações, conforme o quadro seguinte.

RAZÕES ARGUMENTOS

Matérias-primas A redução de oferta e demanda crescente por insumos de materiais de construção elevam os custos de produção.

Desperdícios Alto índice de desperdício.

Valorização do produto Produto com maior valor agregado.

Eficiência Redução de custos de manutenção e a operacionalização da edificação.

QUADRO 3 - RAZÕES PARA SUSTENTABILIDADE NAS EDIFICAÇÕES FONTE: Adaptado de Lobo e Lobo (2008)

Os conceitos de sustentabilidade pertinentes às edificações ainda não foram bem estabelecidos, sobretudo nas esferas econômicas e sociais (BOYLE, 2004;

TAVARES, 2006).

Contudo, mesmo nos aspectos relativos ao meio ambiente, é necessário definir um parâmetro para avaliação de sustentabilidade vista a complexidade do tema. As ações para edificações mais eficientes e o atendimento destas metas pode ser observado na figura 1, que relaciona sustentabilidade e arquitetura.

FIGURA 1 - RELAÇÕES DE SUSTENTABILIDADE E ARQUITETURA FONTE: Mülfarth (2002)

As relações entre sustentabilidade e arquitetura se baseiam em seis quesitos, como foi observado na figura 1. Estes ainda se desdobram em outros requisitos.

O primeiro quesito analisado diz respeito às repercussões do processo do projeto sobre Ciclo de Vida das edificações e à recuperação de conceitos de arquitetura.

Os conceitos recuperados fazem parte do objetivo de melhor usufruto das condições bioclimáticas e menores uso de sistemas artificiais de climatização e uso.

As preocupações para sustentabilidade apresentadas foram: os impactos ecológicos, energia embutida de materiais construtivos, potencial de reutilização e reciclagem do material e a toxidade deste.

Os critérios de sustentabilidade na arquitetura foram elencados com as seguintes questões:

- entorno - localização, implantação, transporte e paisagem;

- recursos naturais - consumo de água, consumo de energia, materiais, estruturas preexistentes, reciclagem e recuperação de resíduos;

- qualidade ambiental interna - qualidade do ar, conforto térmico, ventilação iluminação e acústica;

- estratégias de projeto - flexibilidade/adaptabilidade, desenho multidisciplinar integrado, manutenção e controle;

- aspectos socioeconômicos - não serão objetos centrais de análise pela complexidade do tema.

O benefício de uma edificação preocupada com questões ambientais se reflete em ganhos de até 40% na eficiência das edificações (GBCB, 2008; FOSSATI, 2008).

Esses ganhos podem ser mensurados pela racionalização de recursos naturais com a redução de consumo de água e energia elétrica (LOBO et al., 2009b).

As questões de sustentabilidade, tal como já havia sido realizada em outros setores, buscou a certificação de avaliação por sistemas que permitissem identificar edificações sustentáveis. Essas certificações são capazes de identificar questões de desempenho e garantir ao consumidor final a qualidade ambiental do produto.

A estrutura desses métodos de avaliação ambiental baseia-se em lista de verificações de itens para desenvolvimento de soluções para fase de projeto da edificação. As listas de verificações por sua vez são um instrumento prático ao dinâmico setor da AEC.

Os edifícios contemplados com essa certificação têm um substancial aumento no valor agregado, com pequenos aumentos de custos para etapas de projeto e planejamento do empreendimento (USGBC, 2008; LOBO et al., 2009a).

A exigência desses selos para produtos produzidos pela construção civil tem várias origens, em geral órgãos estatais e instituições com preocupações ambientais em sua cultura organizacional. McFarland (2007) identificou a proporção das solicitações para uso do selo de sustentabilidade LEED nos Estados Unidos. Como um dos resultados, a pesquisa apresentou o gráfico setorial figura 2.

FIGURA 2 - SOLICITAÇÕES DE EDIFICAÇÕES CERTIFICADAS PELO LEED FONTE: McFarland (2007)

O gráfico identifica o papel que os órgãos públicos desempenham no sentido de pressionar pelo uso de ferramenta de certificação ambiental naquele país, representado 49% do total. Os setores organizados privados apresentam ¼ (um quarto) das solicitações por edificações com comprovação de sustentabilidade por meio do LEED.

Apesar das vantagens comprovadas (SILVA, 2003; FOSSATI, 2008, LOBO;

LOBO, 2008; LOBO et al., 2009a; LOBO et al., 2009b) pelos sistemas de avaliação ambiental com certificação para o desempenho de edificações, estes não são os únicos mecanismos de avaliação ambiental.

Há ainda trabalhos cujo parâmetro de sustentabilidade restringe-se a atender as definições da Agenda 21. Porém, o plano de ações deste documento é uma linha guia e não implicações de metas a serem cumpridas, com indicação de prazos e ferramentas para este objetivo.

Há identificação de vários parâmetros para análises ambientais para desempenho de edificações: consumo energético e consumo de recursos hídricos, consumo de água potável, manutenção, durabilidade, energia embutida, potencial de

reciclagem, emissões de resíduos são apenas alguns exemplos destes parâmetros.

A caracterização de um parâmetro se dá pela possibilidade de o item avaliado ser quantificado e ser objeto de análise de processo para eventuais melhorias ou medidas mitigatórias.

Três motivos distintos levam à opção de parâmetro de sustentabilidade a emissão equivalente de CO2. Inicialmente, dos gases emitidos pelas atividades antropogênicas este gás é o que apresenta maiores implicações para o aquecimento global. Em termos do efeito radioativo, ele representa 55% do total dos gases de efeito estufa e o que mais é gerado pelas atividades da AEC (BUCHANAN; HONEY, 1994). O segundo motivo é apontado por Tavares e Lamberts (2008), a viabilidade de mensuração de CO2 embutido de uma edificação pela análise energética desta, por meio de uma análise de processo, na qual se considera todo o consumo energético do processo (ALCONR; BAIRD, 1996). A última razão é o apelo comercial e de mídia dos mercados de crédito de carbono.

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