Alguns aspectos práticos em relação ao protesto do cheque já foram expostos nos pontos anteriores, mas a partir de agora iremos destacar alguns dos requisitos mais importantes para se apresentar um cheque a protesto dentro do Tabelionato de Santa Rosa.
Segundo o artigo 715 parágrafo segundo da Consolidação Normativa Notarial e Registral, “o cheque poderá ser apontado no lugar do pagamento ou do domicílio do emitente, sendo obrigatória a sua apresentação prévia ao banco sacado, salvo se for alegada a necessidade de fazer a prova contra o próprio banco”. Percebe-se então que o cheque precisa estar devidamente carimbado pela instituição bancária, com os motivos que podem ser encaminhados a protesto.
Nesse entendimento temos o artigo 716, parágrafo segundo, da Consolidação Normativa Notarial e Registral da Corregedoria Geral de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul:
O documento apresentado deverá revestir-se dos requisitos formais previstos na legislação própria.
§2º - É vedado o apontamento de cheque devolvido pelo estabelecimento bancário em razão de alguma das hipóteses previstas nas alíneas 20, 25, 28, 29, 30 e 35 das Circulares números 2.655, 2.692 e 3050 e da Resolução nº 1682 do Banco Central do Brasil.
Com base neste entendimento é seguido o controle dos motivos de devolução dos cheques. O Cheque também não pode estar rasurado e nem ter emendas que modifiquem a sua essência, seguindo assim o principio da literalidade.
O cheque estando nominal a outra pessoa que não seja o apresentante deverá estar devidamente endossado para que então o apresentante possa
encaminhar a protesto, assim nos diz a Lei 7357/85, artigo 17 “o cheque pagável a pessoa nomeada, com ou sem cláusula expressa ‘’ à ordem’’, é transmissível por via de endosso”.
Importante ressaltar também sobre a questão do vencimento do cheque, pois segundo o artigo 9º da Lei 9492/97:
Todos os títulos e documentos de dívida protocolizados serão examinados em seus caracteres formais e terão curso se não apresentarem vícios, não cabendo ao Tabelião de Protesto investigar a ocorrência de prescrição ou caducidade.
Houve algumas discussões sobre a revogação do artigo 48 da Lei 7357/85, pelo artigo 6º da Lei 9492/97. Segundo este entendimento nos fala o autor Sérgio Luiz Jose Bueno (2011, p. 46):
Cremos não ter havido revogação, uma vez que o cheque é regido pela lei 7.357/85, de natureza especial, e a lei posterior, no caso a norma que rege o protesto, não regula inteiramente o cheque. De resto, o fato de seu art. 6º não mencionar prazo não significa que o aboliu. Raciocínio contrário poderia facilmente nos levar a dizer: se não mencionou,não pretendeu alterar. De qualquer modo, o art. 48 da Lei do Cheque estabelece norma a ser respeitada pelo portador do titulo. O tabelião tem o dever de lavrar o protesto, por força do art. 9º da Lei em discussão, e não pode ser responsabilizado por eventual dano causado ao devedor, pois age em conformidade com a lei, que o proíbe de investigar prescrição e decadência.
Com base nas informações citadas neste ponto e com os procedimentos no ponto anterior, pode se ter uma grande noção do procedimento e a realidade do protesto de cheque na Comarca de Santa Rosa, a partir de agora faremos então uma breve análise dos índices de cheques pagos, protestados, cancelados, sustados e que tiveram a desistência solicitada pelo apresentante dentro do Tabelionato de Protesto de Santa Rosa.
Realizada a pesquisa dentro do sistema eletrônico de dados do Tabelionato de Protesto de Santa Rosa, dos Cheques que foram encaminhados a Protesto no ano de 2012, estando dentro do período considerado válido para pagamento, que é de três dias úteis, contados da data da assinatura da intimação, 14% foram pagos.
Teve-se 8% de desistências, que pode significar que um acerto ocorreu neste meio tempo, entre os dias da intimação e o protesto. Trata do assunto Sergio Luiz Jose Bueno (2011, p. 91):
Antes da lavratura do ato, poderá o apresentante, independente de qualquer justificativa, formular ao Tabelião pedido de desistência do protesto, retirando o título do Tabelionato. Formulado tal pedido, nada impede que posteriormente o mesmo título seja novamente apresentado.O pedido deve ser formulado por escrito pelo próprio apresentante ou por quem validamente o represente. Há quem sustente que a simples entrega de uma via do formulário de apresentação por quem compareça ao Tabelionato basta para que se dê atendimento à postulação verbal de desistência. No entanto, com embasamento no Princípio da Segurança temos como recomendável a forma escrita.
No Tabelionato de Protesto de Santa Rosa, segue-se o Princípio da Segurança, onde o pedido de desistência, deve se dar de forma escrita, assinada então pelo apresentante, ou por quem o represente.
Cerca de 3% foram também sustados judicialmente. A sustação judicial, nada mais é do que um cumprimento de um oficio, ou mandado que o juiz expede para que o Tabelião de Protesto assim o cumpra. Neste entendimento Luiz Jose Bueno (2011, p. 95):
O que importa neste estudo é o conceito de sustação do protesto como ato que obsta sua lavratura. Sob tal aspecto, sustação do protesto é o ato do Tabelião que, em cumprimento de ordem judicial, pratica em seu serviço, com a anotação pertinente de que o protesto relativo a tal protocolo não se realizará em razão da mesma ordem. Trata-se, pois, de ato do Tabelião praticado por ordem do Juiz. Este determina a sustação e aquele a realiza. O parágrafo 3º deixa nítida esta conclusão ao mencionar ordem de sustação.
Em relação aos cheques que tiveram o protesto efetuado, 18% pode se dizer que foram resolvidos, pois tiveram seu cancelamento efetuado. Deixando assim de constar a restrição.
Com base nos dados citados acima, pode-se ter então uma breve noção do Cheque. Vale ressaltar que o resultado, em muitas ocasiões, pode não vir no primeiro momento, que seria o pagamento dentro do prazo dos três dias úteis, mas sim mais tarde, tornando assim possível o cancelamento do protesto.
3.3 Possibilidades para potencialização da satisfação do crédito através do