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A recusa da multimedialidade e hipermedialidade

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6. A imaturidade técnica e a cultura do entretenimento

6.3 A recusa da multimedialidade e hipermedialidade

Vejamos agora quais os meios utilizados pelas rádios online e de que modo cada um se associa com o tipo de licença. A Tabela 8 permite-nos identifi car algumas tendências relativamente às 202 estações que têm website.

O texto é, claramente, o principal elemento não sonoro da construção do dis- curso radiofónico online, sendo utilizado por 81,7% das estações. Não pode deixar de ser notado, assim, que 18,3% das estações não veiculam mensagens neste formato, o que permite perceber um estado extremamente básico do seu website que, em grande parte destes casos, se resume a uma homepage que dá acesso ao serviço de streaming e, eventualmente, aos contactos. A diferença entre os três tipos de estações é, a este respeito, estatisticamente válida (V=0,106), sublinhando, ainda que ligeiramente, uma tendência para confi rmar as rádios nacionais como as que mais usam este meio e as locais como as que menos o fazem.

As imagens fotográfi cas seguem-se ao texto na ordenação dos recursos audio- visuais usados pelas rádios online, com 62,9% das estações a usarem-nas. O valor da medida de associação entre os dois indicadores (V=0,194) permite perceber que há uma tendência para as rádios web-only usarem menos fotos que as nacionais e as locais. Aliás, no caso das emissoras nacionais essa uti- lização é feita por todas e nas locais estende-se a quase dois terços do total. Assim, aqui se nota uma propensão para que as rádios web-only tenham websites mais pobres do que as hertzianas.

Tabela 8 – Meios usados e tipo de licença

Meios

Tipo de licença

Total V Crámer Web-only Nacional Local

Texto Sim N.º 15 7 143 165 0,106 % de texto? 9,1% 4,2% 86,7% 100,0% % de tipo de licença 88,2% 100,0% 80,3% 81,7% Não N.º 2 0 35 37 % de texto? 5,4% 0,0% 94,6% 100,0% % de tipo de licença 11,8% 0,0% 19,7% 18,3% Fotos Sim N.º 7 7 113 127 0,194 % de fotos? 5,5% 5,5% 89,0% 100,0% % de tipo de licença 41,2% 100,0% 63,5% 62,9% Não N.º 10 0 65 75 % de fotos? 13,3% 0,0% 86,7% 100,0% % de tipo de licença 58,8% 0,0% 36,5% 37,1% Vídeos Sim N.º 1 1 7 9 0,094 % de vídeos? 11,1% 11,1% 77,8% 100,0% % de tipo de licença 5,9% 14,3% 3,9% 4,5% Não N.º 16 6 171 193 % de vídeos? 8,3% 3,1% 88,6% 100,0% % de tipo de licença 94,1% 85,7% 96,1% 95,5% Infografi as Sim N.º 0 4 13 17 0,340 % de infografi as? 0,0% 23,5% 76,5% 100,0% % de tipo de licença 0,0% 57,1% 7,3% 8,4% Não N.º 17 3 165 185 % de infografi as? 9,2% 1,6% 89,2% 100,0% % de tipo de licença 100,0% 42,9% 92,7% 91,6% Ilustrações Sim N.º 2 3 29 34 0,136 % de ilustrações? 5,9% 8,8% 85,3% 100,0% % de tipo de licença 11,8% 42,9% 16,3% 16,8% Não N.º 15 4 149 168 % de ilustrações? 8,9% 2,4% 88,7% 100,0% % de tipo de licença 88,2% 57,1% 83,7% 83,2%

Os dados disponíveis relativamente à utilização do vídeo revelam que, sem diferenças entre os tipos de estações (V=0,094), este não é, na prática, um meio usado pela rádio online.

Já no uso de infografi as se verifi ca, com intensidade relevante (V=0,340), que apenas as rádios nacionais as tendem a incorporar nos seus websites, com mais de metade deste tipo de estações a fazê-lo. Esta constatação pode ser explicada pela maior disponibilidade orçamental que possuem, o que lhes permite usar um meio que, por ser interactivo, é de produção mais cara que os restantes. Daqui recolhemos mais um indício da menor capacidade fi nanceira das rádios web-only, já que nenhuma estação usa infografi as.

A mesma natureza de razões pode estar na base das diferenças, ainda que menos signifi cativas (V=0,136), que observámos na utilização de ilustrações. Apesar de dotarem os websites de um apelo extra, as ilustrações apenas aparecem em 16,8% das estações, verifi cando-se uma muito maior propensão para serem usadas pelas rádios nacionais do que nos outros dois tipos de emissoras. Em resumo, há evidências que distinguem entre si as rádios web-only, nacio- nais e locais no que respeita ao uso que fazem online dos diversos recursos audiovisuais, concordando apenas na não utilização de vídeo. Nota-se uma maior riqueza, a este nível, dos websites das rádios nacionais, em claro con- traponto com os que pertencem às rádios com exclusiva existência online. Situadas entre esses dois tipos de estações, estão as locais que, no entanto, também revelam no geral pouca sofi sticação; entre estas encontramos a maior proporção de presenças internet de nível básico.

A utilização de vários meios no website não é, por si só, garantia da produção de um discurso multimediático. Tal só acontece se esses meios contribuírem, em simultâneo, para a construção de uma mesma mensagem. Os dados que recolhemos a este respeito constam da Tabela 9.

Tabela 9 – Multimedialidade e tipo de licença

Multimedialidade Tipo de licença Total

Web-only Nacional Local

Ausente N.º 13 0 115 128 % de multimedialidade 10,2% 0,0% 89,8% 100,0% % de tipo de licença 76,5% 0,0% 64,6% 63,4% Texto + Imagem N.º 3 1 52 56 % de multimedialidade 5,4% 1,8% 92,9% 100,0% % de tipo de licença 17,6% 14,3% 29,2% 27,7% Texto + Som N.º 1 0 5 6 % de multimedialidade 16,7% 0,0% 83,3% 100,0% % de tipo de licença 5,9% 0,0% 2,8% 3,0% Texto+Som+Imagem N.º 0 6 6 12 % de multimedialidade 0,0% 50,0% 50,0% 100,0% % de tipo de licença 0,0% 85,7% 3,4% 5,9%

Aqui se nota que uma maioria destacada das estações web-only (76,5%) e locais (64,6%) não adopta nenhuma forma de multimedialidade na sua pre- sença internet, enquanto todas as estações nacionais já utilizam discursos multimédia. Esta diferença entre os tipos de estações é indubitavelmente con- fi rmada por V=0,458.

Nas rádios online e locais, nos casos em que há multimedialidade, nota-se uma inclinação para privilegiar discursos constituídos por texto e imagem. Já nas nacionais a sofi sticação na composição das mensagens é evidenciada por 87,5% de estações que recorrem a elaborações com texto, imagem e som, normalmente associadas a notícias, em que cada meio complementa a infor- mação prestada pelos outros dois.

As rádios nacionais são também, destacadamente, as que mais utilizam dis- cursos hipertextuais (ou hipermediais), tal como se pode observar na seguinte tabela:

Tabela 10 – Hiperlinks e tipo de licença

Hiperlinks Tipo de licença Total

Web-only Nacional Local

Inexistentes N.º 12 0 139 151 % de hiperlinks 7,9% 0,0% 92,1% 100,0% % de tipo de licença 70,6% 0,0% 78,1% 74,8% Intralinks N.º 1 1 27 29 % de hiperlinks 3,4% 3,4% 93,1% 100,0% % de tipo de licença 5,9% 14,3% 15,2% 14,4% Extralinks N.º 2 0 0 2 % de hiperlinks 100,0% 0,0% 0,0% 100,0% % de tipo de licença 11,8% 0,0% 0,0% 1,0% Ambos N.º 2 6 12 20 % de hiperlinks 10,0% 30,0% 60,0% 100,0% % de tipo de licença 11,8% 85,7% 6,7% 9,9%

Em termos gerais nota-se que 74,8% das estações não usam hipertexto, 14,4% usam apenas intralinks e apenas 9,9% recorrem a intralinks e extralinks. Há pois, globalmente, um alheamento das rádios face à possibilidade de produ- ção de discursos não lineares que, de algum modo, dão ao ouvinte/utilizador o papel de condutor do processo de comunicação.

Uma análise das diferenças entre os tipos de licença, com signifi cado estatís- tico garantido pela existência de uma relação entre os fenómenos que pode ser considerada forte (V=0,418), torna claro que apenas as rádios nacionais usam

ambos os tipos de links, sendo bastante reduzida a proporção das web-only e das locais que o fazem.

Ao mesmo tempo, é possível constatar que as estações locais que usam estru- turas hipertexto tendem a privilegiar o uso de intralinks, ao passo que nas web-only, quando apresentam links, não manifestam uma inclinação especial por qualquer dos tipos.

Em suma, também neste aspecto as rádios nacionais revelam mais desenvol- vimento no que diz respeito às possibilidades de inovação dos processos de comunicação.

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