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4. Enquadramento Operacional 26

4.3. Área 3 – Desenvolvimento profissional 102

4.3.1. A reflexão como hormona de crescimento 103

A teimosia de querer encaixar uma peça que não é daquele espaço, ou conseguir montar um conjunto de peças muito rapidamente, são situações que impelem ao questionamento...Parar para pensar sobre elas traz uma renovada forma

na tentativa de resolução do quebra-cabeças…

Ver para além daquilo que se vê, torna-se possível quando se assume uma postura crítica perante os acontecimentos. Contudo, fazendo uma analogia com a montagem de um puzzle, quando se insiste em colocar uma peça num determinado local e mas ela nunca encaixa, porque é que continuamos a tentar colocá-la? Assim, surge a importância da reflexão, a qual decorre de uma atitude, um fenómeno, uma ação, onde procuramos compreensão e entendimento. Todavia, para entendermos as demais situações, precisamos de as analisar com base em referências que lhe deem sentido. Referências essas, que se reportam aos saberes que já possuímos ou aos saberes que procuramos pela necessidade de compreender a situação (Alarcão, 1996b). Desta forma, através da reflexão sobre as suas práticas, o profissional deverá ser capaz de gerar novos conhecimentos, tornando-se mais capaz e exímio no exercício da profissão.

Em contexto educativo, a competência profissional é um conceito, que remete para a capacidade que um profissional docente tem para tomar decisões e resolver problemas, referente a uma determinada situação, através da mobilização de recursos, conhecimentos ou saberes vivenciados, que permitem que este profissional se situe crítica e autonomamente na sociedade atual (Dias, 2010). Desta forma entende-se que um profissional competente deverá ser capaz de gerar conhecimentos, através da reflexão sobre as suas práticas. Esta competência assenta numa construção pessoal e específica de cada um, assim, de acordo com as exigências da EF, o profissional de EF, deverá ser “um

profissional com uma unidade identitária centrada na competência de conhecimento e competência ética, coadjuvada pela competência pessoal e social em íntima articulação com a competência funcional” (Batista & Pereira,

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desenvolvimento de diferentes formas de utilizar competências que já se possuem e, que se traduzem na aquisição de novos saberes (Alarcão, 1996a) que surgem as noções de: reflexão na ação, reflexão sobre a ação e a reflexão sobre a reflexão na ação.

Segundo Schön (1992), podemos entender o conhecimento na ação, como o conhecimento que é revelado no bom desempenho de uma ação. É um conhecimento tácito e espontâneo, resultando numa renovação da própria ação. A verbalização deste conhecimento é feita com base numa reflexão, que pode ocorrer ao mesmo tempo que a ação ou em retrospetiva a esta. Relativamente à primeira forma de reflexão, o autor refere-se à reflexão na ação, a qual se reporta à ação presente, sobre a qual é possível fazer a diferença, no período de tempo em que ela decorre, através da reorganização do que estamos a fazer enquanto estamos a fazer. Assim, o docente tem a possibilidade de melhorar a sua prática, no momento em que a mesma decorre. Nesta, a relevância sobre ação torna-se imediata. Na segunda, o autor faz referência à reflexão sobre a ação, a qual decorre numa pausa da ação, retomando o pensamento sobre aquilo que foi feito, para descortinar como o conhecimento na ação pode ter contribuído para um resultado inesperado. Este tipo de reflexão, permite ao professor perceber o tipo de contributo que, as decisões que tomou durante a ação tiveram sobre a sua prática. O mesmo autor apresenta, ainda, uma nova forma de reflexão, a reflexão sobre a reflexão na ação. Esta pode influenciar indiretamente a ação futura, uma vez que ao considerar os resultados que advieram da reflexão sobre a ação, o profissional pode tornar-se mais hábil na sua ação. Ou seja, o profissional docente, através desta forma de reflexão, tem a possibilidade, de em ações futuras, compreender de outra forma os problemas e encontrar novas soluções.

A prática destes três diferentes momentos de reflexão, foi decorrendo ao longo do estágio pedagógico, durante a lecionação das aulas na reorganização das tarefas (reflexão na ação), após as mesmas em conversas com a PC e os colegas estagiários acerca das aulas realizadas (reflexão sobre a ação) e, posteriormente, nos diários de bordo, no qual procurava relatar e refletir sobre acontecimentos da semana, inclusive o produto das reflexões no seio do NE, e

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arranjar estratégias para melhorar a minha atuação, enquanto EE (reflexão sobre a reflexão na ação).

A reflexão era muitas vezes realizada em grupo, onde a partilha de perspetivas sobre as várias situações, nos permitiam alargar horizontes perante as práticas já realizadas e as que se seguiam. Por outro lado, através dos diários de bordo, a reflexão era de caráter individual, a qual se revelou uma das minhas dificuldades, na medida em que, expressar por palavras aquilo que eu depreendia das atividades que observava e realizava, por vezes tornava-se um exercício pobre, pois como refere Alarcão (1996b, p. 182) “só após a descrição

do que penso e do que faço me será possível encontrar as razões para os meu conceitos e para a minha actuação, isto é, interpretar e abrir-me ao pensamento e à experiência dos outros para, no confronto com eles e comigo próprio, ver como altero – e se altero – a minha praxis educativa”. Ao longo do EP a reflexão

teve uma grande influência na renovação e melhoria da minha prática e consequentemente, a minha capacidade de refletir foi, também, ela evoluindo positivamente.