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Atualmente o Governo alarma para a necessidade urgente de reforma no sistema previdenciário, porém faltam bases e análises de dados para se ter a certeza dessa precisão. Assim, importante se faz o estudo sobre o funcionamento do aparelho gestor.

Com base no Parecer elaborado para discussão da Proposta de Emenda Constitucional - PEC 287, pelo Poder Executivo, tendo como relator Arthur Oliveira Maria, passa-se a explanar a atual discussão acerca da existência ou não de um déficit no sistema previdenciário nacional.

O Ministro Eliseu Padilha, através de sua exposição buscou demonstrar a existência de um déficit crescente na Previdência. Segundo ele, em2014, esse déficit teria correspondido a 127 bilhões de reais; em 2015, 159 bilhões; em 2016, 227 bilhões; e se estimariam para o ano de 2017, 260 bilhões, sendo indispensável à reforma como forma de ajuste das contas, visando à preservação do sistema. (BRASIL, 2017a).

Para Marcelo Caetano, Secretário da Previdência Social do Ministério da Fazenda, o pressuposto para a análise de qualquer sistema previdenciário seria a questão demográfica, buscando demonstrar que a partir da década de 20, o envelhecimento populacional brasileiro passaria a ser muito rápido, havendo uma alteração significativa na composição da pirâmide demográfica brasileira. Assim, com uma sobrevida maior e uma diminuição no número de filhos por famílias, ou seja, nascimentos, a pirâmide começaria a se inverter, ficando sua base cada vez mais estreita e seu topo mais extenso, razão pela qual se justificaria plenamente o esforço reformista. (BRASIL, 2017a).

Em relação aos aspectos pautados ao Regime Geral da Previdência Social, Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores – UGT expôs a ideia da transferência da cobrança da dívida ativa da Previdência Social, segundo ele no valor de cerca de 374 bilhões de reais, para empresas especializadas em recuperação de crédito e em gestão do patrimônio, como forma de redução ou até solução ao problema enfrentado. Argumentou

ainda, que o montante com a venda de imóveis da Previdência Social poderia recompor o caixa da Previdência. Defendeu o fim das desonerações das contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamento das empresas, o aumento das alíquotas de contribuição do setor do agronegócio e o aperfeiçoamento da gestão e fiscalização para o combate à sonegação das contribuições da Seguridade Social. (BRASIL, 2017a).

Clemente Ganz Lúcio, presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social – CDES alertou que um projeto de reforma da previdência deveria ter como base a proteção universal e o estímulo ao emprego, diferentemente do que vem sendo discutido. Destacou que a reforma como apresentada retarda, impede e dificulta o acesso a qualquer dos benefícios, sendo nada menos que um grande retrocesso que está a excluir direitos de grande parcela dos trabalhadores. (BRASIL, 2017a).

O Deputado Leonardo de Melo Gadela, esteou que a reforma previdenciária deveria ter como base a garantia de sustentabilidade em função do envelhecimento da população, eliminando excessos e corrigindo distorções de modo a harmonizar as regras dos servidores públicos e dos trabalhadores da iniciativa privada, ajustando-se despesas de acordo com a realidade sociodemográfica. Ao seu ponto a reforma é necessária quando analisada com base no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE sobre o envelhecimento populacional que será crucial para desestabilização do sistema. (BRASIL, 2017a).

Antônio Fernandes dos Santos Neto, presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro - PMDB Sindical e da Central dos Sindicatos Brasileiros - CSB, pontuou que havendo empregos, desenvolvimento e inclusão social também haveria melhora no déficit, assim como a melhor cobrança das dívidas previdenciárias em relação às empresas. Pontuou que igualar o tempo entre homens e mulheres além de não resolver o problema em questão, é prejudicial, visto às múltiplas tarefas que esta segunda desenvolve além do labor. Apontou que as áreas financeiras, agroindustriais, agroexportadoras poderiam ter uma melhor forma de contribuição com o sistema. (BRASIL, 2017a).

Para o Sindicalista Gilson Reis, faltou o debate com as centrais sindicais, movimentos sociais e outros interlocutores a fim de realmente se encontrar soluções ao sistema e se buscou apenas atender aos sistemas financeiro nacional e internacional operantes no mercado brasileiro. (BRASIL, 2017a).

Ao final, Rogério Nagamine, coordenador de Previdência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA defendeu a reforma sob a égide, novamente, do envelhecimento do país. (BRASIL, 2017a).

Consoante Claudio Castelo BranciPuty - Professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal do Pará, considerou que a partir da análise das projeções de 2002 a 2015, apresentadas pelo próprio Poder Executivo, existem erros consideráveis das estimativas ali inseridas, apontando que o problema do déficit seria resultado de um problema fiscal criado pela crise econômica do país. Advertiu que a taxa elevada de crescimento de despesa não considera que a taxa de crescimento da população idosa tente a cair no longo prazo. (BRASIL, 2017a).

Por outro lado, Kaizô Beltrão - Professor da Fundação Getúlio Vargas - FGV, representante da Casa Civil da Presidência da Republica, mencionou que embora quando do início do sistema havia 30 pessoas contribuindo para cada beneficiário, hoje são apenas 02 contribuições para cada beneficiário. (BRASIL, 2017a).

Ainda, o Juiz Marcos da Cunha Araújo, criticou a ausência de estudo atuarial para a reforma, indicando para a falta de justiça social e segurança, quando se considera apenas um corte etário e não o tempo de contribuição. (BRASIL, 2017a). Como forma de esclarecimento, quando se fala em estudo atuarial trata-se das técnicas específicas de análise de riscos e expectativas, principalmente na administração de seguros e fundos de pensões.

Alexandre Zioli Fernandes - Coordenador Geral de Estatística, Demografia e Atuaria do Ministério da Fazenda, e André Calixtre - Técnico do IPEA, concluíram que o déficit é estrutural no sistema. (BRASIL, 2017a).

Vilson Antonio Romero - Presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil - ANFIP (2017, p.31) em diversos momentos reafirma a posição de que os cálculos do Governo Federal, ao apreciarem somente as contribuições incidentes sobre a folha de pagamentos, não consideraram boa parte das fontes de custeio da Seguridade, tais como a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL e a contribuição sobre a renda líquida dos concursos de prognóstico.

E assim, dentre tantas opiniões, passe-se ao estudo das fontes de custeio x déficit previdenciário, de acordo com as informações disponibilizadas pelo próprio Governo e contra razoadas por doutrinadores e pesquisadores, partindo da análise das fontes de custeio.

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