fcjM geral, os analistas toleram, na situação analítica, outro tipo de comuni-cação além da expressa em palavras. Essa atitude "tolerante" tem algumas consequências. Talvez a mais importante seja a de abrir a porta para o acting-out, que é equivalente à regressão, pois as palavras sempre são uma forma mais adulta de comunicação do que a ação ou mesmo o gesto.
De certa forma, o processo de maturação e civilização avança, movimentan-do-se cada vez menos massa física, isto é, utilizanmovimentan-do-se cada vez menos energia muscular, para expressar uma mesma ideia, efeito ou mensagem. Isso significa que cada vez são envolvidos menos músculos e os movimentos tornam-se cada vez mais delicados e sutis. De todos os músculos esqueléticos, talvez sejam os da fala os que têm a menor massa, sendo, pois, os mais sutis e delicados; consequentemen-te, movimentá-los gasta menos energia do que movimentar qualquer outro. N o entanto, o processo de maturação não pára aí. A criança ou o primitivo primeira-mente substitui o grito e o choro pelo ato, depois aprende a gritar e chorar menos, isto é, a expressar a mesma intensidade de emoção utilizando menores quantias de massa física e energia muscular. A recompensa por esta restrição e disciplina é u m aumento cada vez maior da sutileza e riqueza de expressão, envolvendo a vida mental consciente e pré-consciente. E provável que isso vá mais adiante, até a vida mental inconsciente, que seria uma outra instância daquilo que Freud chamou de educação das pulsões.
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É da natureza da situação analítica reverter, em alguma extensão, tais processos de maturação e civilização. Em lugar de insinuar e sugerir sutilmen-te, o paciente aprende a afirmar explicitamente e, muitas vezes, com intensi-dade primitiva, o que pensa ou sente, logo compreendendo que não bastam descrições factuais imparciais, também devendo expressar suas emoções concomitantes. Modifica, então, a intensidade e o tom da voz, utilizando gestos ou movimentos; pode até mesmo se deixar levar pelas emoções, chegando, assim, ao ato, durante a transferência, ou seja, na situação analítica.
Tudo isso inevitavelmente termina originando uma tendência regressi-va, que afeta tanto o paciente como o analista. O que irá acontecer dependerá das respostas do analista. Evidentemente, cada analista tentará compreender o que o paciente procura transmitir por intermédio do acting-out; mas, para influir no acting-out, o analista precisa, de algum modo, comunicar — isto é, expressar—sua compreensão a seu respeito. Todavia, seu modo individual de expressar entendimento ou, como gostamos de chamá-lo, suas respostas habituais ao acting-out ["atuação"], "conduta" ou "repetição" do paciente podem variar muito e todas essas variações, utilizadas ou não de forma consistente, irão influenciar consideravelmente a "atmosfera" do consultório do analista.
O primeiro analista a descrever a atmosfera criada pelas "respostas"
consistentes foi, naturalmente, Freud, que a comparou ao reflexo de u m espelho bem polido. Isso significa — quando tomado literalmente — que o analista não acrescenta nenhum material estranho ao trabalho analítico, apenas reflete, sem distorções, o que se origina do paciente. Isso só pode ocorrer
—mesmo que nunca tenha sido dito explicitamente—se o material produzido pelo paciente consistir quase que exclusivamente de palavras e, a fortiori, as contribuições do analista à situação que está se desenvolvendo consistirem também exclusivamente de palavras. Todas as palavras que vêm do paciente, assim como as de seu analista, são usadas e mutuamente entendidas de uma forma adulta convencional. De fato, nas histórias de casos publicadas por Freud, não conseguimos encontrar nenhuma interpretação de qualquer tipo de material não verbal produzido por um paciente, embora desde os Estudos sobre a histeria (1895) ele tenha registrado observações sobre fenómenos não verbais. Sabendo quão impiedosamente acurados são os relatos de Freud a respeito de seu trabalho clínico, parece auto-evidente essa auto-imposta restrição. U m espelho reflete uma imagem, mas não modifica sua natureza; por isso, as palavras devem ser refletidas por palavras, mas a tradução do material não verbal em palavras iria além da função de espelho do trabalho analítico.
Fomos gradualmente aprendendo a entender e a utilizar não apenas o material verbal produzido por nossos pacientes, mas também aquilo a que chamamos de "atmosfera", criada em parte pelas palavras, em parte pela maneira do paciente utilizá-las e em parte por tudo aquilo que é chamado de
acting-out, "conduta", ou "repetição" na situação analítica. Este último grupo, como acabamos de destacar, sempre possui u m aspecto de regressão.
Clinicamente, isso significa que se observam, de tempos em tempos, durante u m tratamento analítico, fenómenos sugestivos de regressão. N o entanto, há, entre os analistas, opiniões amplamente divergentes a respeito da frequência, significado e importância desses fenómenos. As opiniões também variam, no que se refere ao quanto desses fenómenos é provocado pelo paciente, isto é, por sua personalidade, natureza e severidade de sua doença e ao quanto pela técnica de cada analista. E m nossa opinião, tanto analista como paciente possuem a sua parte, mas não é fácil identificar o que é devido a cada um. Qualquer descrição que procure isolar exclusivamente a contribuição de u m dos parceiros provavelmente irá fracassar. Mas mesmo dando-nos conta dessa armadilha, é de se esperar que cada descrição esteja marcada pelo ponto de vista pessoal do autor, sobretudo por suas experiências comuns, as quais, pelo menos em parte, são determinadas por sua própria técnica. Nossa descrição não seria u m exceção à regra.
Evidentemente, nenhuma das contribuições de cada parceiro é comple-tamente verbalizada, durante o tratamento — ou, no que se refere ao assunto, nas discussões científicas — embora as respectivas parcelas devam ser defini-tivamente consideradas. E m geral, é o paciente que é gradualmente levado a expressar em palavras suas contribuições não verbais — entre elas as suas propensões regressivas, "mudando assim da repetição para a recordação";
enquanto que, em geral, o analista não está sob tal pressão. Sua conduta profissional, isto é, os pormenores de sua técnica, são considerados tão bem padronizados que lhe parecem "naturais", sensíveis e cientificamente justifica-dos, de tal modo que, nos casos que progridem "normalmente" e sem obstácu-los, não irá sentir necessidade de mudar sua "repetição em recordação", ao expressar, na situação terapêutica, a conduta habitai em palavras, para sujeitá-la a u m escrutínio. E m muitos aspectos, essa atitude é sensata e realista — sem outros motivos do que os de economia mental. O analista pode ter certeza de que sua conduta já foi antes submetida a esse tipo de escrutínio, durante o treinamento. E assim que os analistas conseguem ter uma ideia da técnica
"clássica" ou "adequada" — de acordo o caso.
Vamos acompanhar, embora por pouco tempo, este exemplo, começando pelas contribuições do paciente. Os pacientes diferem consideravelmente em relação à regressão. Em suma, podem-se diferenciar dois tipos extremos, evidentemente com vários graus intermediários. Com u m dos tipos extremos podem-se obter resultados terapêuticos bastante satisfatórios, sem se regredir muito além do nível edípico. Com o outro, durante algum tempo, dificilmente são obtidos quaisquer resultados reais e estáveis, mas apenas o que são chamadas de melhorias pouco duradoras da transferência; ocorrendo resulta-dos terapêuticos verdadeiros apenas após u m período de regressão, que pode
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ser curto ou demorado, mas sempre de natureza mais primitiva do que os bem conhecidos fenómenos pertencentes ao nível edípico (1).
Voltemos agora às respostas do analista que, como acabamos de discutir, são uma parte importante de sua contribuição para o desenvolvimento da
"atmosfera". Bons exemplos das possíveis variações são as respostas do analista ao pedido do paciente para prolongar a sessão analítica. A duração tradicional é de 50 minutos (2) e, em geral, o analista tem 5 a 10 minutos livres, antes da sessão seguinte. E m princípio, devemos ou não concordar com a solicitação do paciente de deixá-lo ficar, ocasionalmente, mais 5 ou 10 minutos? O u devemos compensá-lo se chegou 5 ou 10 minutos mais tarde? Independentemente do fato de que a flexibilidade do analista também é limitada pelas circunstâncias externas (o próximo paciente pode já estar esperando; por outro lado, o analista pode ter uma hora livre depois da do paciente e este, por u m ou outro motivo, ficou sabendo disso, etc), deverá ele concordar em estender a sessão, e, se o fizer, que critério deverá utilizar para determinar se essa extensão é ou não recomen-dável?
U m a forma ainda mais difícil do mesmo problema surge quando a solicitação é para uma sessão extra, durante o fim-de-semana, após o trabalho diário ou mesmo durante as férias do analista. Julgamos ser irrefutável, seja qual for a resposta, que não terá sido apenas o paciente mas também o analista quem contribuiu para criar uma "atmosfera" no tratamento analítico. U m paciente de Anna Freud, várias vezes citado, ao qual foi permitido que telefonasse à analista em qualquer momento do dia ou mesmo do fim-de-semana, é uma prova convincente de que a aceitação e gratificação de algumas tendências regressivas ou de acting-out nem sempre são incompatíveis com a técnica "clássica"; em outras palavras, não é u m parâmetro irreversível.
As instâncias que acabamos de descrever são exemplos comuns das respostas do analista ao acting-out de u m paciente regressivo; os escolhemos, pois, em virtude de sua estrutura simples, podem ser facilmente discutidas.
Embora seja mais difícil de demonstrar, é certo que existem inúmeros meios pelos quais o analista pode responder às formas sutis de regressão do paciente.
Sua resposta pode ser de indiferença, desaprovação ou talvez apenas u m discreto sinal de contrariedade; pode tolerar o acting-out, mas sempre o segue com uma interpretação correta e oportuna, a qual, por sua vez, levará o paciente alguns passos mais na direção de aprender a linguagem do analista, inibindo novos acting-out; pode permiti-lo de forma simpática, como uma espécie de válvula de segurança, ou pode tomá-lo como um avanço, como uma evidência de que não mais necessita, ou necessita menos de interpretação, isto é, de interferência no acting-out, do que com qualquer outro meio de comunicação, ou seja, de associações verbais. Evidentemente, é apenas neste último caso que o acting-out e as associações verbais são igualmente aceitos como comunicações dirigidas ao terapeuta.
O analista pode aceitar a necessidade do paciente de regredir apenas nas comunicações compreensíveis, como nas fantasias, as quais em todos os demais aspectos são totalmente irreais; consequentemente, a resposta do analista — explícita ou implícita — irá significar que qualquer gratificação de tais necessi-dades seria incompatível com a situação analítica. U m a forma u m pouco diferente seria aceitar o acting-out como justificável, na situação analítica.
Finalmente, também é possível não só aceitar algumas dessas necessidades como plenamente justificadas, mas também gratificá-las — desde que a grati-ficação seja compatível com a situação analítica. Foi exatamente isso que ocorreu no caso de Anna Freud, citado antes.
Certamente, todas essas respostas contribuem—cada uma a seu modo — para desenvolver a "atmosfera" do tratamento. Algumas respostas abrem amplamente as portas para a regressão, outras oferecem apenas uma pequena abertura e ainda outras procuram evitá-la. Assim, a regressão, durante o tratamento analítico, depende não só do paciente mas também do analista. Nos capítulos 16-18, voltaremos a examinar, detalhadamente, algumas das respostas
"padronizadas" e suas consequências. Mas, antes de fazê-lo, descreveremos as consequências inevitáveis da regressão, quando se permite que se vá além do nível edípico.
Como acabamos de observar, sob a influência da situação psicanalítica, todos os pacientes, sem exceção, regridem até certo ponto; isto é, tornam-se infantis e sentem intensas emoções primitivas em relação ao analista; tudo isso, evidentemente, sempre faz parte do que é, em geral, chamado de transferência.
O impacto dessas emoções altamente carregadas leva a uma curiosa desigualdade na relação entre o analista e o paciente. O analista é sentido como uma pessoa poderosa, vitalmente importante, mas apenas até onde for capaz ou desejar gratificar ou frustrar as expectativas, esperanças, desejos e necessi-dades do paciente; além dessa esfera, o analista, como uma pessoa comum e real, quase não existe. Naturalmente, o paciente possui todo tipo de fantasias a respeito de seu analista, porém, em geral, tais fantasias têm mais a ver com o mundo interno do paciente do que com a vida e a personalidade reais do analista. Embora comparado ao analista, o paciente habitualmente sinta-se fraco e pouco importante, é apenas ele (o paciente) que importa, e importa enormemente; são exclusivamente os seus desejos, impulsos e necessidades que devem ser atendidos e é em seu interesse que deve estar, o tempo todo, o foco de atenção.
E este o padrão geral; mas, mesmo que não haja exceções, sua intensidade e duração variam com cada paciente. Alguns não vão além de u m certo ponto; os processos terapêuticos iniciados desse modo são suficientemente eficazes para fornecer u m reajuste suficiente e, depois de certo tempo, o paciente emerge espontaneamente dessa relação bipessoal primitiva, curando-se. Com outros, no entanto, ocorrem outros processos acima e além dos que acabamos de descrever.
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N a Parte I, revisamos em alguma extensão esses processos, tais como podem ser observados pelo terapeuta. Agora enumeraremos apenas as mais importantes dessas observações: as palavras perdem a credibilidade como meios aceitos de comunicação entre o paciente e o analista; em particular, as interpretações, que tendem a ser experimentadas pelo paciente como sinais de hostilidade e agressividade ou de afeição. Os pacientes começam a saber demais sobre seus analistas; é bastante comum que estejam mais atentos aos humores do analista do que aos seus próprios; paralelamente, seu interesse se torna aparentemente cada vez mais desligado de seus próprios problemas e sofrimen-tos, que originalmente o levaram a buscar a ajuda analítica, centrando-se cada vez mais em adivinhar os "reais motivos" do analista, para dizer isso, para proceder daquele modo ou para estar com determinado "humor". Tudo isso absorve uma considerável quantidade de libido e talvez seja por isso que os pacientes nesse estado aparentemente percam boa parte de sua pulsão para melhorar e de seu desejo e mesmo capacidade de mudar. A o mesmo tempo, suas expectativas sobre o analista crescem além das proporções de algo real, tanto em sentido positivo, sob a forma de simpatia, compreensão, atenção e pequenos presentes e outros sinais de afeto, como em sentido negativo, sob a forma de ataques ferozes, retaliação impiedosa, gélida indiferença e extrema crueldade. Para condensar essa situação em uma sentença, poderíamos dizer que a importância do passado está quase completamente perdida para o paciente; o que interessa é apenas o presente analítico.
E m termos analíticos costumeiros, tudo isso poderia ser descrito como uma exacerbação da neurose de transferência ou de amor transferencial, que assumiu o comando completo da situação analítica e, de fato, tornou-se tão intensa que é agora impermeável às interpretações habituais. Alguns analistas acham que esse desenvolvimento é provocado pelas fantasias persecutórias do paciente paranóide, que invadem a transferência. Em nossa opinião, todas essas descrições são muito fracas e por isso perdem o motivo real (1958).
Bem sabemos que mesmo os mais capacitados e experientes analistas encontram, algumas vezes, dificuldades com alguns pacientes e até mesmo fracassos ocasionais. Mesmo que isso seja desagradável, deve ser aceito que não há exceções a essa regra. Nossa opinião é a de que a maior parte das dificuldades e fracassos ocorre no tratamento de pacientes que apresentam os sinais que acabamos de descrever. Tais pacientes habitualmente são caracterizados como
"profundamente perturbados", "profundamente clivados", "intensamente esquizoides ou paranóides", "sofrendo de uma profunda ferida narcísica",
"tendo u m ego demasiado frágil ou imaturo", e outros; todas essas descrições indicam que, nesses pacientes, a raiz do distúrbio vai além ou mais fundo do que o complexo de Édipo, que é a nossa habitual preocupação no paciente médio.
Para chegar a uma melhor compreensão de algumas das dificuldades encontradas em nosso trabalho terapêutico com esse tipo de pacientes,
propo-mos, na Parte I, considerar a mente humana — ou talvez apenas a parte chamada de ego — como sendo constituída de três áreas, a do complexo de Édipo, a da falha básica e a de criação. Cada área é caracterizada por uma forma específica da força mental que nela opera e, finalmente, por u m nível específico dos processos mentais. Recapitulando:
N a área do complexo de Édipo, a estrutura característica é uma relação triangular, consistindo do sujeito e de dois objetos; a força característica é a originada de u m conflito e o nível dos processos mentais é o que corresponde e pode ser adequadamente expresso em linguagem adulta convencional.
N a área da falha básica, a estrutura prevalente é uma relação exclusiva-mente bipessoal, a mais primitiva das encontradas entre adultos. A forma de força mental não é a de u m conflito; sobre qual é essa forma, discutiremos mais tarde, nas partes IV e V . Entretanto, já podemos mencionar que, sob determi-nadas condições, a força que opera nesse nível cria estados semelhantes aos da toxicomania, que são descritos em nossa literatura como avidez. O nível dos processos mentais, particularmente os surgidos na situação terapêutica, é denominado por termos como "pré-edípico", pré-genital", pré-verbal", etc. N o capítulo 4, discutimos sem pormenores os motivos pelos quais acreditamos que esses termos podem confundir, propondo por isso chamá-lo de nível da falha básica.
E, finalmente, temos a área de criação, caracterizada pela falta de u m objeto externo. Como nosso método analítico se baseia na transferência, isto é, está ligado inseparavelmente à presença de pelo menos u m objeto externo, além do sujeito, não temos acesso direto para estudar tanto o nível de processos mentais dessa área, como o tipo de forças que nela atuam. Não obstante, os processos que ocorrem nessa área são de grande importância técnica, como, entre muitos outros, o constituído pelo problema criado por u m paciente silencioso.
Assim, podemos esperar encontrar na mente três diferentes conjuntos de processos terapêuticos e também esperar que os analistas provavelmente precisem de três diferentes conjuntos de medidas técnicas, cada uma voltada para influenciar a área correspondente da mente. Ademais, como a situação analítica é uma relação essencialmente bipessoal, com muitas qualidades que definitivamente são mais primitivas do que as pertencentes ao nível edípico, poderia ser esperado que nosso conhecimento teórico, relacionado à área da falha básica, e nossos métodos de lidar com os problemas nela encontrados, estivessem em u m estado bastante mais desenvolvido e muito mais seguramen-te fundamentado do que qualquer coisa que perseguramen-tença às duas outras áreas.
Evidentemente, o que ocorre é exatamente o oposto. Quase toda a nossa teoria se refere às estruturas e processos mentais pertencentes ao nível edípico, e o que é chamado de técnica analítica "clássica" — indubitavelmente o tipo mais bem fundamentado de todas as técnicas analíticas — lida quase que
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exclusivamente com problemas cuja estrutura dinâmica é ativada por u m conflito ou conflitos, podendo ser expressos, sem muita dificuldade, em linguagem convencional, ou seja, com problemas pertencentes à área do Édipo.
Para demonstrar a natureza da diferença entre os problemas técnicos que surgem da área edípica e os da área da falha básica, vamos revisar os fenómenos regressivos de u m outro ângulo. Uma das primeiras observações clínicas é a de que, em u m ou outro momento, durante o tratamento analítico, os pacientes deixam de cooperar. Isso pode assumir a forma de uma recusa a se mover, a mudar, de uma aparentemente completa incapacidade de aceitar qualquer condição externa adversa ou suportar qualquer aumento de tensão. Se o período de falta de cooperação for limitado, diz-se que é devido a uma resistência passageira ou à clivagem do ego, mas, se for duradouro, à prevalência de mecanismos esquizoparanóides. Outro tipo de interpretação atribui tais estados a u m ressentimento insolúvel contra a mãe e seus posteriores represen-tantes, por não ter dado ao paciente a afeição, simpatia e compreensão como deveria ter feito.
Embora sempre se tenha aceito que existe uma parte não cooperativa em todo paciente, tem-se discutido pouco sobre o que decide o quanto de cada paciente coopera em determinada situação analítica, em u m determinado período. E m casos de intensa regressão, o paciente parece incapaz de se dar conta do que dele é esperado, ou seja, a obediência à nossa "regra fundamental";
nesses momentos, é praticamente inútil tentar lembrá-lo das queixas originais
nesses momentos, é praticamente inútil tentar lembrá-lo das queixas originais