4 O TERMO CIRCUNSTANCIADO REALIZADO PELA POLÍCIA MILITAR DE
4.3 A REGULAMENTAÇÃO DA LAVRATURA DO TERMO CIRCUNSTANCIADO
DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL.
No ano de 2007, a Polícia Militar de Santa Catarina resolveu, diante dos ótimos resultados obtidos e da ampla aceitação por parte da comunidade, do Poder Judiciário e do Ministério Público, implementar de forma generalizada e organizada a lavratura do termo circunstanciado para todos os municípios do Estado.
O Comando Geral da Polícia Militar de Santa Catarina criou uma comissão que, através de estudos jurídicos e uma grande interação com o Ministério Público e o Poder Judiciário, elaborou uma diretriz a fim de padronizar e regulamentar a confecção do termo circunstanciado pela Polícia Militar catarinense.
Após a fase de estudos e planejamento, o Comando Geral da Polícia Militar, em 2008, editou a Diretriz de Procedimento Permanente nº 037/2008, visando regular a atuação da Polícia Militar de Santa Catarina no atendimento ao cidadão, quanto ao registro de ocorrências policiais, bem como a lavratura do Boletim de Ocorrência, na modalidade de Termo Circunstanciado (BOTC). A vista disso, essa pode ser considerada um manual que prevê passo a passo a confecção dos documentos operacionais da Polícia Militar, e, entre eles, o termo circunstanciado.
A fim de atender o objetivo do presente trabalho, analisaremos as considerações dessa diretriz no que tange a lavratura do termo circunstanciado em relação aos critérios orientadores dos Juizados Especiais Criminais previstos no art. 62 da Lei n.º 9099.
No item 3, que trata da execução, a alínea ‘a’ traz conceitos e definições acerca do assunto, a fim de clarear e dirimir dúvidas sobre certos institutos jurídicos e administrativos da matéria.
1) Autoridade Policial
É o servidor público (militar ou civil) que se encontra investido em função policial. 2) Boletim de Ocorrência
Documento Operacional destinado ao registro dos Termos Circunstanciados, Prisões em Flagrante/Apreensões, Comunicações de Ocorrências Policiais e Outras comunicações não delituais.
a) Boletim de Ocorrência na forma de Termo Circunstanciado (BO-TC)
Documento operacional destinado ao registro de infrações de menor potencial ofensivo. Será lavrado pelo policial militar que primeiro tiver conhecimento da ocorrência, nos termos da Lei n.°9.099/95, autuado por um Oficial Gestor e remetido ao JECrim.
b) Boletim de Ocorrência na forma de Prisão em Flagrante Delito/Apreensão (BO- PF/Ap)
Documento destinado ao registro de ocorrência em que houver a prisão em flagrante do autor do fato ou a apreensão se criança ou adolescente, e a subseqüente condução à presença do delegado de polícia ou de outra autoridade competente, para fins de autuação de prisão em flagrante delito, apreensão por ato infracional ou simples entrega, conforme o caso requerer. Este documento servirá de comprovante da entrega do preso/apreendido à Polícia Civil ou a qualquer outro órgão competente, nas condições físicas e com os pertences descritos, bem como dos objetos apreendidos na ocorrência.
c) Boletim de Ocorrência na forma de Comunicação de Ocorrência Policial (BO- COP)
Documento operacional destinado ao registro da comunicação de qualquer tipo de infração penal (crimes ou contravenções), não importando o grau da ofensividade (maior ou menor potencial ofensivo), desde que não estejam presentes as condições que permitam a lavratura do Termo Circunstanciado ou a execução da Prisão em Flagrante/Apreensão.
Este documento será remetido à Delegacia de Polícia local para investigação e apuração da infração penal, no dia útil subseqüente a sua lavratura. Exceto quando lavrado em substituição a eventual BO-TC ou BO-PF/Ap que não prosperarem por falta de representação ou manifestação de interesse de queixa do ofendido, caso em que o BO-COP ficará arquivado na OPM para fins de registro do atendimento à ocorrência.
d) Boletim de Ocorrência para outros registros - BO-Outros
Documento destinado ao registro de situações não delituais, cuja comunicação aos órgãos oficiais se faz necessária para os devidos desdobramentos judiciais ou administrativos, como, por exemplo, o extravio ou o encontro de documentos. 3) Infrações penais de menor potencial ofensivo
São todas as contravenções penais e os crimes a que a lei estabeleça pena máxima não superior a 02 (dois) anos.
4) Juizados Especiais Criminais
São Órgãos do Poder Judiciário que têm competência para a conciliação, a decisão e a execução de penas, relativas às infrações penais de menor potencial ofensivo. 5) Crimes de ação penal pública incondicionada
São os crimes em que ação penal é promovida pelo Ministério Público, independentemente de intervenção ou de manifestação de vontade de quem quer que seja inclusive do próprio ofendido. As atividades de Polícia Ostensiva são procedidas a partir do fato, independentemente de manifestação do ofendido ou de quem o represente.
6) Crimes de ação penal pública condicionada
São os crimes cuja ação penal é promovida pelo Ministério Público, mediante a manifestação de vontade do ofendido ou de seu representante legal, através da apresentação de um pedido formal a que é dado o nome de representação. As atividades de Polícia Ostensiva são procedidas a partir da manifestação inequívoca do ofendido que solicita sua intervenção nos fatos.
7) Crimes de ação penal privada
São os crimes onde a ação penal é promovida somente pela parte ofendida ou pelo seu representante legal, através de uma queixa-crime em juízo. As atividades de Polícia Ostensiva são procedidas a partir da manifestação inequívoca do ofendido que solicita a intervenção policial nos fatos.
8) Contravenções Penais
Infrações penais de menor potencial ofensivo, cuja ação penal é sempre pública incondicionada e julgada perante os Juizados Especiais Criminais, independentemente da existência de procedimento especial estabelecido em lei. (PMSC, 2008)
Na alínea “b”, do item 3, temos um rol de documentos usados pela Policial Militar onde constam aspectos referentes a sua confecção e padronização.
O primeiro a ser abordado é o Boletim de Ocorrência. Conforme conceito anteriormente descrito, esse Boletim de Ocorrência pode ser de quatro tipos: Boletim de Ocorrência na forma de Termo Circunstanciado (BO-TC); Boletim de Ocorrência na forma de Prisão em Flagrante Delito/Apreensão (BO-PF/Ap); Boletim de Ocorrência na forma de Comunicação de Ocorrência Policial (BO-COP); Boletim de Ocorrência para outros registros (BO-Outros).
Quanto as orientações na elaboração do Boletim de Ocorrência na forma de Termo Circunstanciado (BO-TC), de início já é possível constatar a presença do princípio da simplicidade no que tange a formatação desses termos.
Como bem salientou Damásio de Jesus (2007, p. 22), visto na seção 2.3.2, o princípio da simplicidade “busca a finalidade do ato processual pela forma mais simples possível”. Nessa esteira observam-se nos itens trazidos por esta diretriz referentes ao cabeçalho, aos dados gerais e identificadores da ocorrência e quanto aos envolvidos, o aspecto singelo de sua elaboração, demonstrando facilidade quando da sua confecção. Vê-se o que diz a diretriz quanto a esse aspecto:
a) CABEÇALHO:
(1) OPM: Organização Policial Militar a qual pertence o Policial Militar atendente da ocorrência.
(2) Boletim de Ocorrência nº: número de controle seqüencial.
(3) Termo Circunstanciado: assinalar nas hipóteses de infrações penais de menor
potencial ofensivo, assim compreendidas todas as contravenções e os crimes de pena
máxima cominada não superior a dois anos, inclusive os delitos onde se preveja procedimentos especiais (ver relação de infrações de menor potencial ofensivo), excetuadas as hipóteses de prisão em flagrante delito, diante da negativa do autor do fato de assinar o Termo de Compromisso de Comparecimento ao JECrim, quando lavrar-se-á o Boletim de Ocorrência na forma BO - PF.
(4) Prisão em Flagrante/Apreensão: assinalar nas hipóteses de infração de menor potencial ofensivo em que se executar a prisão em flagrante delito, por negativa do autor em assinar o Termo de Compromisso de Comparecimento ao JECrim ou em flagrantes de infrações penais que não sejam de menor potencial ofensivo, impondo- se em ambas as situações à condução do autor à Delegacia. Já na modalidade de Apreensão, quando o autor de ato infracional de qualquer ofensividade (menor ou maior potencial) for apreendido em flagrante e encaminhado e entregue em outro órgão ou a um representante legal. Naquelas hipóteses em que não for possível a lavratura do Termo Circunstanciado pela Gu PM e houver a condução para a Delegacia de Polícia Civil para sua lavratura, o preso será entregue mediante o preenchimento do BO-PF/Ap.
(5) Comunicação de Ocorrência Policial: assinalar quando se tratar de comunicação de qualquer tipo de infração penal (crimes ou contravenções), não importando o grau da ofensividade, desde que não estejam presentes as condições que permitam a lavratura do Termo Circunstanciado ou a execução da Prisão em Flagrante Delito. (6) Outros: assinalar quando se tratar de situação que não se enquadre nos itens anteriores. Ex: extravio de documentos, encontro de documentos, entre outros. b) DADOS GERAIS E IDENTIFICADORES DA OCORRÊNCIA:
(1) Data/Hora do Fato: é referente à data/hora da ocorrência dos fatos, apuradas segundo as circunstâncias (flagrada pela Gu, indicado por testemunhas ou outra parte etc.). Caso não seja hipótese da Gu ter flagrado o fato e restar dúvida quanto à exatidão desta informação (data/hora), este campo deve ser preenchido com a expressão “A APURAR”. Preencher dia/mês/ano e hora/minuto.
(2) Data/Hora da Comunicação: relativas ao momento em que a Polícia Militar é comunicada do fato ou em que o flagrou.
(3) Data/Hora do Atendimento: relativas ao momento inicial de realização dos procedimentos policiais operacionais (geralmente corresponde ao momento em que a Gu chega ao local da ocorrência).
(4) Data/Hora do Encerramento: associadas ao momento em que a Gu encerra os procedimentos relativos ao atendimento da ocorrência.
(5) LOCAL:
(a) Logradouro: Logradouro (tipo e nome) e número, especificando o Bairro. (b) Ponto de Referência: Indicar um ponto de referência que seja significativo junto ao logradouro ou comunidade, bem como as coordenadas geográficas do local (latitude e longitude).
(6) FATO:
(a) Descrição do Fato: Apontar o tipo penal ou situação não delituosa responsável pela presença da Polícia Militar no local.
(b) Enquadramento Legal: registrar o dispositivo legal (artigo e lei) em que está sendo enquadrada a conduta apontada na descrição do fato.
c) ENVOLVIDOS:
(1) Envolvido: assinalar a qualidade da participação (comunicante, testemunha, ofendido, autor do fato ou a apurar).
(2) Nome: Informar o nome do autor do delito, do ofendido, da testemunha ou do comunicante do fato. Pode ser anotado nome de Pessoa Jurídica como autora de infrações ambientais ou como ofendido de infrações em geral.
(3) Data de Nascimento: informar a data de nascimento do envolvido.
(4) CI: Anotar o número da Carteira de Identidade do envolvido e indicar o órgão expedidor do documento.
(5) CPF: Anotar o número do CPF do envolvido (6) Filiação: Informar nome de Pai e Mãe do envolvido. (7) Sexo: Assinalar o sexo do envolvido.
(8) Cor: assinalar a cor da pele do envolvido.
(9) Naturalidade: indicar o nome do município e Estado da União de onde é natural o envolvido.
(10) Nacionalidade: informar a nacionalidade do envolvido. (11) Estado Civil: assinalar o Estado Civil do envolvido. (12) Escolaridade: assinalar a escolaridade do envolvido. (13) Situação: Assinalar o nível da escolaridade do envolvido.
(14) Endereço Residencial (Tipo de Logradouro): Indicar o endereço residencial do envolvido.
(15) Número: Apontar o número da residência do envolvido. (16) Bairro: Indicar o bairro do endereço do envolvido. (17) Município: Indicar o município do envolvido. (18) UF: Sigla da Unidade da Federação.
(19) CEP: Anotar o CEP relativo ao endereço informado. Caso o envolvido não saiba informar o CEP, este campo deverá ser preenchido pelo digitador do documento junto ao SCTC.
(20) Ponto de Referência: Indicar um ponto de referência que seja significativo junto ao logradouro ou comunidade.
(21) Profissão: Informar a profissão o envolvido.
(22) Local de trabalho: informar o nome do empregador (empresa, etc.). (23) Renda Mensal: assinalar a renda mensal média do envolvido.
(24) Endereço Profissional: informar o logradouro, o nº e demais campos relacionados ao endereço profissional.
(25) Telefones: Indicar os números de telefone para contato (residencial, do local de trabalho ou de recados ou celular).
(26) Condições físicas: Apontar a existência de lesões corporais ou sem lesão aparente. Sempre que houver lesões, indicar o local das mesmas, exemplo: corte de aproximadamente 10 cm na parte da frente da coxa direita, etc. se possível também descrever outros sinais e sintomas (equimose, hematoma, etc.).
(27) Bens que portava consigo: Preencher este campo somente se o envolvido for o autor do fato entregue na Delegacia de Polícia ou outro órgão, no caso de Prisão em Flagrante/Apreensão. Nesta situação registrar todos os pertences que o autor do fato portava consigo, e foram entregues na Delegacia ou outro órgão, como peças de vestuário, dinheiro, objetos, etc.
Nos casos em que houver mais de um envolvido na ocorrência, o policial militar utilizará o formulário CONTINUAÇÃO-ENVOLVIDOS, indicando o número do Boletim de Ocorrência ao qual será apensado. [...] (PMSC, 2008)
Resulta claro ao analisar os itens formatadores desse procedimento a preocupação da Polícia Militar catarinense em adotar um padrão simples, claro e objetivo. Ao mesmo tempo em que tal instrumento necessita de uma base mínima de informações para se tornar eficaz, o mesmo não tolera nada de supérfluo em sua confecção.
Quanto ao princípio da oralidade, bem observa Gonçalves (1998, p. 04), já citado na seção 2.3.1, que “o princípio da oralidade impõe que os atos realizados no juizado, preferentemente, devem ser realizados na forma oral [...] há, pois, um predomínio da forma falada sobre a escrita sem que esta, entretanto, fique excluída.” Assim sendo, esse princípio preconiza que só serão registrados por escrito os atos considerados essenciais.
A diretriz versa na seção que trata das orientações constantes para elaboração do relatório do BO-TC (item 3, b,1 d) o seguinte:
Relatório lavrado pelo policial militar que atender a ocorrência, em que deverão ser observados os seguintes princípios:
(1) Ser claro e completo o suficiente para oportunizar ao Ministério Público subsídios para oferecimento ou não da transação penal, além de permitir a elaboração da denúncia;
(2) Fornecer ao Ministério Público e ao magistrado os elementos para instrução do feito e para sentença;
(3) Ser objetivo e descritivo, indicando todas as circunstâncias consideradas relevantes;
(4) Conter relato das partes envolvidas, mesmo sobre fatos que não presenciados pelo policial, que destacará serem tais informações produzidas pela parte, sob sua responsabilidade. Não havendo tais declarações, deve o agente registrar que não houve declarações das partes;
(5) As versões, de forma breve e clara, serão consignadas na seguinte ordem: Policial, Ofendido, Testemunhas, Autor e conclusão do Policial;
(6) Pode conter, desde que assinaladas, como tais, opiniões e impressões do próprio agente policial sobre o fato (indicação de que as partes demonstravam exaltação ou medo, por exemplo, podem ser exploradas na audiência de instrução e julgamento, desde que tal fato chegue ao conhecimento da autoridade judicial);
[...]
(15) O Relatório tem vital importância na apreciação do fato, eis que o procedimento é, essencialmente, informal e oral. Muitas vezes, este será o único documento produzido na instrução do feito. Deverá primar pelo conteúdo. (PMSC, 2008)
Nesse aspecto, o Termo Circunstanciado realizado pela Polícia Militar de Santa Catarina substitui o Inquérito Policial, diminuindo o excesso de papel, limitando a documentação, consignando em termo tudo que for falado ao policial sobre o fato ocorrido de menor potencial ofensivo, atendendo o princípio da oralidade.
O princípio da informalidade pode ser detectado nessa diretriz (item 3, b,1 d) na seção que trata das orientações constantes para elaboração do relatório do BO-TC. Lembrando o ensinamento de Tourinho Filho (2008, p. 17), já ilustrado na seção 2.3.3, “[...] o processo no Juizado Especial deve ser despido de formalidade, um processo simples, sem a exigência de formas e termos sacramentais.” Desta forma, reza a diretriz acerca do assunto:
Relatório lavrado pelo policial militar que atender a ocorrência, em que deverão ser observados os seguintes princípios:
(7) O responsável pela lavratura do Boletim de Ocorrência não deve constar como “envolvido” da ocorrência, pois os seus dados identificadores serão lançados junto ao campo destinado à sua assinatura no Boletim;
(8) As testemunhas, quando da lavratura do BO na forma TC, não serão intimadas, pois a primeira audiência no JECrim se destina à conciliação entre o(s) ofendido(s) e autor(es) da infração penal ou oferecimento da transação penal; a presença ou não de outras testemunhas do fato deverá constar como observação neste campo, visando evitar que, na fase judicial, ocorra o arrolamento de testemunhas não-presenciais do fato. As testemunhas devem ser compromissadas e assinar logo após o término do parágrafo destinado à sua versão dos fatos;
(9) Nos delitos formais ou de mera conduta (aqueles em que a ação do autor é a própria consumação do delito, não exigindo resultado material, tais como, violação de domicílio, porte entorpecentes, ameaça, calúnia, difamação, etc.), é necessário que o atendente, ao relatar o fato, descreva, pormenorizadamente, a conduta praticada, inclusive referindo gestos, palavras, sinais e ações realizadas, pois que a essência do delito é a ação do autor;
(10) O relatório deve ser impessoal, completo e autônomo. É a primeira manifestação de Autoridade Pública sobre o fato e assim deve ser valorizado por quem o elabora;
(11) O atendente da ocorrência, responsável pela lavratura do BO, deverá destinar a primeira linha do Relatório para especificar a infração penal ou fato que entende ter ocorrido, sugerindo-se, para tanto, o seguinte texto: “Trata-se de ocorrência de furto
simples, furto qualificado, ameaça, etc.”;
(12) O relatório será lavrado consignando-se a versão dos envolvidos do fato, uma em cada parágrafo, seguida da assinatura do envolvido: Ex.: - O ofendido, Beltrano,
relata que(...); - A testemunha, compromissada, Ciclano, informa que (...); - O autor, Fulano, afirma que (...);
(13) Presume-se fidedignidade de todas as afirmações da autoridade que relata os fatos, salvo quando antecipadamente ressalve que decorre de informação das partes; (14) Caso seja necessário utilizar a outra folha do formulário destinada ao relatório, deve ser escrita, no final do campo do documento principal, a expressão sublinhada “continua”;
(15) O Relatório tem vital importância na apreciação do fato, eis que o procedimento é, essencialmente, informal e oral. Muitas vezes, este será o único documento produzido na instrução do feito. Deverá primar pelo conteúdo. (PMSC, 2008) Assim, verificando essas orientações, constata-se de fato que o BO-TC realizado pela Polícia Militar de Santa Catarina não busca um procedimento engessado, rígido e formal.
Os princípios de celeridade e economia processual, previstos como critérios orientadores do Juizado Especial Criminal, podem ser percebidos nas orientações da diretriz em comento na seção que relata sobre a gestão, processamento e encaminhamento dos boletins de ocorrência (3,c,3,d).
Como já fora abordado na seção 2.3.4 e 2.3.5 deste trabalho, Mirabete (1998, p. 25) sustenta que o princípio da economia processual “busca o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo possível de atos processuais ou despachos de ordenamentos.” No tocante ao princípio da celeridade, Gonçalves (1998, p. 04) salienta que ele “[...] busca reduzir o tempo entre a prática da infração penal e a decisão judicial, para dar uma resposta mais rápida para a sociedade”.
GESTÃO, PROCESSAMENTO E ENCAMINHAMENTO DOS BOLETINS DE OCORRÊNCIA
1) DA GESTÃO [...]
g) São atribuições do Oficial Gestor:
(1) Capacitação do efetivo da OPM para a lavratura do Boletim de Ocorrência; (2) Manter estreito relacionamento com o Poder Judiciário e Ministério Público; (3) Revisar o conteúdo dos Boletins de Ocorrência lavrados para encaminhamento aos respectivos órgãos;
(4) Controle da agenda de audiências dos Termos Circunstanciados; (5) Gestão do trâmite de documentos;
(6) Controle dos materiais apreendidos;
(7) Utilização do Sistema de Controle do Termo Circunstanciado – SCTC; (8) Outros aspectos referentes à gestão dos Boletins de Ocorrência.
2) PROCESSAMENTO E ENCAMINHAMENTO DOS BOLETINS DE OCORRÊNCIA NA FORMA DE TERMO CIRCUNSTANCIADO
a) Os Boletins de Ocorrência na forma de Termo Circunstanciado (BO-TC), após lavrados na ocorrência, mediante numeração registrada em livro, deverão ser processados, observando o que segue:
(1) Digitação do Boletim de Ocorrência no Sistema de Controle de Termo Circunstanciado – SCTC. Esta inserção de dados poderá ser realizada no setor responsável pela gestão dos boletins ou por quem o Oficial Gestor indicar.
(2) Revisão dos dados constantes do BO-TC, com análise da conformação do fato a um ou mais delitos de menor potencial ofensivo, e remessa ao Juizado Especial Criminal, devendo manter o original em arquivo na OPM;
(3) Juntada de todos os documentos operacionais produzidos em relação ao fato, bem como dos Boletins de Atendimento Médico, nos casos de lesões leves e culposas, e dos extratos de antecedentes relativos ao autor do fato, obtidos via INFOSEG, sendo tudo autuado, paginado e rubricado pelo Oficial Gestor;
(4) Remessa do BO-TC, respectivos anexos e objetos apreendidos, ao Juizado Especial Criminal pelo Oficial Gestor ou Comandante da OPM, se Oficial.
b) As diligências complementares aos BO-TC, quando requeridas pelo Poder Judiciário, deverão ser realizadas pelo órgão policial para o qual for dirigida a requisição, independentemente do órgão responsável pela lavratura do documento de origem da requisição. Todavia, o Comandante da OPM deverá dar conhecimento ao