CAPÍTULO II: ESTRUTURAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA DE
2.4 A relação entre Controle Interno e Externo
A relação do Órgão de Controle Interno nas unidades jurisdicionadas e os respectivos Tribunais de Contas possui respaldo legal constante nas Constituições Federal e Estadual ou ainda em Leis específicas. Dentre os inúmeros objetivos do Controle Interno, um é o de amparar o controle externo no exercício de seu encargo institucional, de forma a corroborar com a autoridade administrativa competente, sempre que tiver ciência de acontecimentos de situações explícitas na lei.
Assim nos afirma a Resolução de nº 001/2009-TCE-PE, em seu Artigo 9º:
Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas do Estado, sob pena de responsabilidade solidária, nos termos do artigo 74 da Constituição Federal e do artigo 31 da Constituição Estadual. § 1º Quando da comunicação ao Tribunal, na situação prevista no caput deste artigo, o dirigente do Órgão Central do SCI informará as providências adotadas para:
I - corrigir a ilegalidade ou irregularidade detectada;
II - determinar o ressarcimento deeventual dano causado ao erário; III - evitar ocorrências semelhantes.
§ 2º Na situação prevista no caput deste artigo, quando da ocorrência de dano ao erário, deve-se observar as normas para tomada de contas especial, nos termos de Resolução específica deste Tribunal.
§ 3º Quando do conhecimento de irregularidade ou ilegalidade através da atividade de auditoria interna, mesmo que não tenha sido detectado dano ao erário, deve o Órgão Central do SCI anexar o relatório dessa auditoria à respectiva prestação de contas do Poder Municipal.
Esta disposição legal, de maneira prática, define os regulamentos na esfera de ação do controle interno, no que se refere a sua relação com o controle externo.
De forma resumida, a relação entre o controle interno e o externo está caracterizada por algumas ações, de incumbência do Órgão Central de Controle Interno de cada Município, como nos descreve Glock (2008, p. 26):
coordenação do atendimento às solicitações de informações e de documentos por parte da Câmara de Vereadores;
encaminhamento e acompanhamento das atividades in loco, efetuadas pelo Tribunal de Contas;
coordenação da preparação e do encaminhamento das prestações anuais de contas, das respostas às diligências e de todas as peças recursais ao TCE; realização de análise prévia das contas anuais do Município e encaminhamento do relatório juntamente com a prestação anual de contas; dar conhecimento ao Tribunal de Contas sobre as atividades inerentes ao Sistema de Controle Interno e sobre as auditorias internas realizadas; registro e acompanhamento de todos os processos que tramitam no TCE, envolvendo as administrações direta e indireta do Município;
encaminhamento ao TCE dos relatórios finais dos processos de tomada de conta especiais;
comunicação ao TCE sobre as irregularidades ou ilegalidades apuradas, para as quais a Administração não tomou providências visando à apuração de responsabilidades e ao ressarcimento de eventuais danos ou prejuízos ao erário.
Os responsáveis pelo controle interno podem encontrar irregularidades no decorrer da própria rotina de trabalho ou por meio de denúncias apresentadas, que neste
caso cabe prudência no sentido de verificar se as mesmas procedem ou apresentam evidências convincentes para, depois, tomar as medidas administrativas cabíveis.
A responsabilidade pelo controle interno está espalhada nos diferentes níveis e órgãos do Município. Assim Glock (2008, p. 28) afirma:
Cabeaosservidorescomcargodechefiadasdiversasunidadesdeestrutura, com observância da hierarquia funcional, encaminhar as irregularidades, de que tomarem conhecimento, ao órgão responsável pela coordenação do controle interno, como órgão central do Sistema. Os relatórios de auditoria de rotina, juntamente com os correspondentes às auditorias especiais, devem igualmente ser encaminhados ao Tribunal de Contas do Estado.
O dispositivo constitucional em seu § 1º, do art. 74, diz que: os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária. Tal dispositivo federal fora incorporado à legislação estadual por meio da Resolução 001/2009-TCE-PE, em seu Artigo 9º, já supracitada.
A pena da responsabilidade solidária sobreposta ao responsável da Unidade de Coordenação do Controle Interno, apenas acontecerá após a não comunicação por parte deste, dos fatos irregulares ao Tribunal de Contas do Estado, ou seja, a pena só será dirimida à medida que a relação entre controle interno e externo for bastante significativa.
Assim, Glock (2009, p. 28) afirma que:
Não existem dúvidas de que as atribuições que o controle interno foi designado pela Constituição Federal e pelas demais leis, no sentido de apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional, aumenta a responsabilidade e dá maior força à atuação da Unidade de Coordenação do Controle Interno, mas por outro lado, dá-lhe um caráter fiscalizador, o que colide frontalmente com o enfoque de órgão de assessoramento interno, quando atuaria muito mais na forma de orientação e prevenção, procurando o aprimoramento dos controles internos do Município.
Esta colisão de enfoques entre o controle interno como órgão de assessoramento a órgão fiscalizador constitui um dos inúmeros fatores que induzem os gestores públicos municipais a considerar o controle interno como um órgão meramente fiscalizador e assim não se sentirem confortáveis com a interação destes no processo de gestão.
Contudo, diante do exposto, deve-se buscar um ponto de equilíbrio entre as duas facetas de atuação. O ideal é ressaltar o estilo preventivo das atividades da Unidade Central de Controle Interno, por meio de apoio na prática das rotinas internas e dos referentes processos de controle, através de instruções normativas, preservando a ocupação de conferir a adesão e eficiência desses processos, por intervenção de procedimentos de auditoria interna.
Nesta conjuntura, com certeza, o volume de irregularidades ou ilegalidades a serem expostas ao Tribunal de Contas do Estado, tende a diminuir ou até não vir a existir.