O direito à imagem, em sentido amplo, deságua na concepção de que a pessoa cuja imagem seja reproduzida por algum desses meios, sem a devida
autorização sofre dano pela divulgação da reprodução respectiva, exposição ao público ou degradação por esta mesma via.
Para a finalidade de assentimento, não basta o simples conhecimento de que se está sendo filmado, fotografado se, em verdade, a pessoa desconhece a finalidade de tal procedimento. Então, é legítima a conclusão de que o direito à imagem esteja vinculado ao direito autoral, devido ao fato de ambos incidirem na figura humana, embora o primeiro prevaleça sobre o do autor.
Não é somente o uso indevido da imagem por publicidade que conduz ao dano. A deturpação da imagem física ou interior do indivíduo, sob qualquer forma, constitui dano à imagem, cumprindo trazer à colação os exemplos de deformação estética permanente em virtude de lesão corporal (além de produzir dano psíquico na vítima, com perturbação de sua tranqüilidade) ou inclusão do nome de clientes na lista negra dos maus pagadores, sem motivo justificado, por iniciativa de instituições de crédito. Portanto, em ambas as situações, atingiu-se a aparência do lesado, sem anuência ou permissão.
Ainda constitui lesão objetiva à imagem do cidadão, a devolução de cheque por instituição financeira, sem que o indivíduo tenha criado oportunidade para tal. Por isso, a ofensora responderá pelo ato de seu funcionário, integrando o pólo passivo da demanda e possuindo direito de regresso.
Existe real ofensa no âmbito material e também no moral, já que restam violados o crédito da vítima e o direito à imagem, atingido na noção de pessoa cumpridora de suas obrigações, além do sofrimento pela vergonha experimentada.
Concorre para a realização do dano quem requerer o registro indevido de pessoa ou empresa no serviço de proteção ao crédito. O fornecedor do serviço só será responsabilizado quando agir com demora na exclusão do nome do ofendido do cadastro de inadimplentes. Deste fato, surgem a lesão patrimonial e a lesão
moral, sendo desnecessárias para a configuração da última a ocorrência de prejuízo material ou a ciência da parte de outrem, uma vez que o constrangimento de per si aperfeiçoa o dano moral.
Outro exemplo refere-se ao cheque pré-datado levado ao banco antes da data combinada. De acordo com o art. 28 do Decreto n.º 57.595, de 07.01.66, o cheque é pagável à vista, considerando-se não escrita qualquer menção em contrário. Entre o emitente do título e o portador da cártula, firma-se uma avença pela qual o último não apresentará o cheque antes da data combinada para o pagamento. O acordo, todavia, não alcança a instituição financeira que fica obrigada a efetuar o resgate no momento em que o título for apresentado pelo portad0or ou nominado. Levado ao caixa, o cheque será devolvido sem fundos, considerando-se que, no bojo do acordo descumprido, encontra-se implícita a circunstância de que, no momento da emissão, não haveria provimento monetário suficiente para garantir a dívida.
Ao desconsiderar o pacto acordado, o portador do cheque deve responder pela situação vexatória e originária de lesão moral à imagem do emitente, mantido o nexo de causalidade pela inexecução do contrato pactuado entre as partes.
O protesto cambial da letra de câmbio ou da nota promissória, sem motivo justificado, inclui-se no rol das lesões morais colacionadas, vez que o protesto indevido causa dano indiscutível à imagem do emitente do título de crédito que passa a ter seu nome marcado nos cartórios na condição jurídica de inadimplente.
Mesmo aqui, não se afigura necessário o conhecimento da parte de outras pessoas, para a caracterização do dano moral, devido à situação embaraçadora criada para o ofendido. O bem jurídico violado é o direito à imagem. O fato causador é o protesto de título de crédito sem causa. Assim também o prejuízo moral experimentado vincula-se ao ato de protesto indevido do título.
O acidente de trânsito pode originar lesões deformantes ou estéticas no indivíduo, erigindo-se em causa motriz de reparação por dano à imagem. Aqui permanecem todos os elementos da relação jurídica enfocada. A colisão ou atropelamento, motivados pela negligência ou imperícia, que constituem o ato lesivo, a violação do bem jurídico, a segurança e a integridade corporal, com adulterações físicas não consentidas bem assim o constrangimento (prejuízo) ocorrido com a deformidade proveniente do fato.
A relação obrigacional em foco pode surgir da atividade culposa exercida por médicos, parteiras e dentistas que são obrigados a ressarcir sempre que, da imprudência, da negligência ou da imperícia, decorrer a lesão deformante ou estética. É um vínculo que se encontra fundado exclusivamente nas existentes manifestações de culpa, previstas no art. 951 do Código Civil.
A Lei n.º 8.906/84, atual Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil, em seu art. 32, prevê a responsabilidade civil do advogado, responsável pelos atos que praticar com dolo ou culpa, no exercício profissional. Esclareça-se, por oportuno que, em outra oportunidade, pode ele ser o ofendido na relação profissional na qual ocorram os danos morais que, comumente, atingem a imagem construída no âmago de sua personalidade bem como, não raro, alcançam o conceito público do profissional no meio em que atua, exercendo sua atividade fim.
Outrossim, saliente-se que o dano à imagem pode surgir no decurso das relações de emprego, assim como em qualquer disciplina jurídica, dado os termos constitucionais norteadores da sua ampla reparação.