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A sociedade tem sido regularmente surpreendida com notícias envolvendo parlamentares nos mais variados tipos de delitos. O Congresso Nacional nada mais

69 CRETTELA JÚNIOR, José. Ibidem, p. 2.638.

70 “Art. 139. Na vigência do estado de sítio decretado com fundamento no art. 1 3 7,1, só poderão ser tomadas contra as pessoas as seguintes medidas: I - obrigação de permanência em localidade determinada; II - detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes comuns; III - restrições relativas à inviolabilidade da correspondência, ao sigilo das comunicações, à prestação de informações e à liberdade de imprensa, radiodifusão e televisão, na forma da lei; IV - suspensão da liberdade de reunião; V - busca e apreensão em domicílio; VI - intervenção nas empresas de serviços públicos; VII - requisição de bens. Parágrafo único. Não se inclui nas restrições do inciso III a difusão de pronunciamentos de parlamentares efetuados em suas respectivas Casas Legislativas, desde que liberada pela respectiva Mesa.”

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é do que o espelho da sociedade, que lá se encontra representada e daquele órgão espera a concretização, em forma de legislação, de suas expectativas.

Assassinatos, estelionatos, tráfico internacional de drogas, furto e roubo de caminhões de carga são alguns dos delitos que, depois de investigados, já apresentaram entre seus autores e mentores cidadãos detentores de cargos eletivos na esfera federal, traduzindo também uma representação negativa que provocou e provoca a ira de uma minoria que acompanha os trabalhos lá realizados.

Em 1999 o Brasil foi escandalizado com a denúncia de crimes bárbaros que tinha como protagonista um deputado federal do Estado do Acre. Assassinatos envolvendo narcotráfico e outros crimes comoveram e chocaram a nação, chamando ainda mais a atenção para a conduta dos políticos, já tão desacreditados.

Outro fato que se deve considerar é que a Constituição de 1988, quando suprimiu a expressão “no exercício do mandato” ou “no exercício de suas funções”, que limitava a imunidade material e que os textos anteriores continham, tomou mais frágil a interpretação e a defesa do instituto perante a opinião pública. O que deveria ser uma garantia plena para uma atuação representativa irrestrita passou a receber a conotação de privilégio, distanciando-se da real finalidade do instituto.

Já em 1995, a justificativa da proposta de Emenda à Constituição n.° 34-

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B, do Dep. Domingos Dutra e outros , dizia:

O Instituto da Im unidade Parlam entar, instituído p a ra garan tir o livre, legítimo e lícito exercício da ação parlamentar, protegendo o parlam entar do arbítrio dos outros p o d e re s e a té m esmo do p o d e r econômico, tem sido desfigurado e confundido com impunidade, na m edida em que vem sendo desviado p a ra se rv ir de guarda-chuva a parlam en tares acusados

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de crim es com o estelionato, homicídio, tráfico de drogas e outros ilícitos. A so cied ad e brasileira exige o fim desse privilégio.

E continua o Deputado Federal do Partido dos Trabalhadores do Maranhão:

A im unidadè parlam entar, tratada dè fò rm a genérica com o está na Constituição, não p o d e subsistir, p o is se constitui em fon te perm anente de desg aste do Parlam ento. Há, assim, necessidade de regulam entar os casos alcançados p ela imunidade parlam entar como form a de resguardar os legisladores sérios, responsáveis, honestos e com prom etidos com os reais an seios da sociedade brasileira.

Inegavelmente foi a partir de 1995 que a discussão sobre a necessidade de adequação do artigo 53 se tomou mais freqüente.

Até o final da legislatura que se encerrou em 1994, o Supremo Tribunal Federal, a corte máxima do país, havia encaminhado à Câmara dos Deputados 89 pedidos para processar membros daquela Casa. Só um foi concedido .

O Jomal Folha de São Paulo, do dia 28 de maio de 1995, publicou uma matéria onde o deputado federal José Luiz Clerot (PMDB-PB), que integrava a Comissão de Constituição de Justiça daquela Casa, já afirmava que a tendência da comissão era propor uma alteração mais profunda da Constituição, limitando a imunidade ao crime de opinião.

De acordo com o renomado jomal, até maio de 95 havia 26 (vinte e seis) pedidos de autorização do Supremo Tribunal Federal para processar deputados: 12 por crime comum e 14 (quatorze) por injúria ou difamação. Já no Senado o número

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Os pedidos de licença do STF geralmente ficam engavetados. O presidente do STF, Marco Aurélio, afirmou recentemente que poderão ser processados até mesmo os congressistas que tiveram licença negada pela Câmara ou pelo Senado.Em dezembro de 99, o Senado rejeitou, de uma só vez, um pacote de 14 ofícios do STF, entre eles o pedido para processar o senador Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) por tentativa de homicídio contra o adversário político Tarcísio Buriti. "Quero um julgamento para pôr um ponto final no caso", disse Cunha Lima. O senador Luiz Otávio (PPB-PA) também será atingido. Há um pedido no Senado

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era menor, num total de 09 (nove) pedidos, quatro (04) por crime comum e cinco (05) por crimes contra a honra.

Aliado aos constantes fatos negativos envolvendo parlamentares, muitos já utilizando a proteção do “escudo da imunidade” há algum tempo, veio a constatação evidenciada pela mídia e, por conseqüência, estendida à opinião pública, que os tempos eram outros e a imunidade parlamentar que antes era essencial no confronto entre a assembléia política e a autoridade do rei estava a merecer alguns retoques.

O “rei” já não podia mais, aleatoriamente, utilizar todo e qualquer expediente para garantir a mordaça ou as algemas dos legisladores. Nos tempos da mídia eletrônica e da informação digitalizada, onde a fibra ótica e os satélites se tomaram propulsores da notícia, o poder de intimidação do poder executivo se não desapareceu, assumiu outras condicionantes, com facetas distintas daquelas que se apresentavam nas origens do instituto em comento e justificavam sua existência com alcance estendido.

O que se exigia e se deve exigir das autoridades, em todos os níveis de poder, é uma transparência que justifique as ações e as posturas adotadas.

A crítica que se instala não visa atingir a imunidade material, considerada ainda pela maioria dos críticos e doutrinadores como essencial, mas sim a imunidade processual, também dita formal, impeditiva da instauração de ação penal contra parlamentar, senão mediante licença da Casa a que pertença, que como já se viu, em caso de a Casa responsável negar a licença ou não se pronunciar, provoca a suspensão do processo até o término do mandato, bem como a suspensão da prescrição.

para processá-lo por falsidade ideológica. 'Acho que é oportuno o fim da imunidade. O julgamento vai me dar um alívio', afirmou.” (Folha de São Paulo, 20/12/2001, p. A-19).

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Esta espécie de imunidade parlamentar desapareceu na própria Inglaterra, país de origem do instituto, onde surgiu em decorrência da luta dos “Comuns” contra as prerrogativas absolutistas do poder real, ou ainda contra as prisões por dívidas, muitas vezes criadas para gerar conveniências às decisões almejadas pela realeza.

As entidades civis organizadas também cobravam uma reforma no artigo 53, limitando a imunidade dos parlamentares aos atos praticados em decorrência e no exercício do mandato. Dentre estas entidades, pode ser destacada a Ordem dos Advogados do Brasil, que tem assumido a vanguarda das questões polêmicas envolvendo governo e governados.

CAPÍTULO III

AS PROPOSTAS DE ALTERAÇÃO

DO INSTITUTO DA IMUNIDADE PARLAMENTAR