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A Responsabilidade do Administrador pelas Dívidas da Sociedade no CSC

III. CAPITULO - RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES POR DÍVIDAS DAS

3.1. A Responsabilidade do Administrador pelas Dívidas da Sociedade no CSC

NO CSC

A responsabilidade dos administradores pressupõem a existência de um dever, um ónus ou um

risco, devendo a atuação destes ser regulada por essas realidades jurídicas. As regras da responsabilidade

dos administradores encontram-se elencadas no CSC e no CIRE. No CSC está regulado no Capítulo VII

do Título I designado por “Responsabilidade Civil pela Constituição, Administração e Fiscalização da

Sociedade”. Já no CIRE encontra-se regulado no título VIII intitulado “Incidente de Qualificação da

Insolvência”.

O CSC desde sempre regula esta matéria das responsabilidades dos administradores, no entanto,

o CIRE, relativamente a esta matéria, inspirou-se na Ley Concursal espanhola de 2003, nomeadamente

nos arts. 163º a 175º

213

. Contudo, só a partir das alterações introduzidas pela Lei nº 16/2012 de 20 de abril

ao CIRE é que passou a tratar da responsabilidade dos administradores da sociedade insolvente, pois até

essa alteração, só se tratava de aspetos processuais da responsabilidade dos administradores, e depois da

alteração teve-se em atenção os aspetos substantivos da matéria.

214

É importante salientar que o CSC é um Código autónomo e autossuficiente, enquanto o CIRE

está dependente de outras leis, como por exemplo o CSC. DUARTE

215

considera “a regulação do CIRE

muito infeliz (nasceu como tal, tendo a infelicidade sido agravada pelas alterações nela introduzidas pela

Lei 16/2012 de 20 de abril), seja pelas dúvidas que levanta, seja por várias das sus soluções serem pouco

razoáveis”. Este autor considera também, que esta divisão das normas estabelecidas para a

responsabilidade dos administradores pelo CSC e pelo CIRE tem desvantagens, nomeadamente de a

responsabilidade vir a ser debatida nos processos de insolvência, e o processo de insolvência tem como

finalidade liquidar as empresas que já estejam numa situação económica inexequível para beneficiar os

credores da empresa, tendo em vista dirimir os prejuízos que a empresa possa obter. E este panorama não

se encadeia com o problema da responsabilização pessoal dos administradores das sociedades pelas

dívidas da sociedade.

216

Importa referenciar que relativamente à responsabilidade tributaria, os administradores irão ser

chamados a uma relação tributária acessória, relativamente a uma relação tributária principal, pois estes

213 Cfr. PEREIRA, Rosa Manuela Gomes - O incidente de qualificação e os seus efeitos, in Dissertação de Mestrado, Porto: Universidade Católica Portuguesa, 2011. p. 6.

214 Cfr. DUARTE, Rui Pinto –“Responsabilidade dos administradores: coordenação dos Regimes do CSC e do CIRE”, in III Congresso de Direito da Insolvência. Coimbra: Almedina, maio 2015. p. 151 e 152.

215 Cfr. DUARTE, Rui Pinto, op. cit., p. 152 e 153.

42

irão responder subsidiariamente.

217

Entende-se por administradores, sendo devedor uma pessoa coletiva, “aqueles a quem incumba

a administração ou liquidação da entidade ou património em causa, designadamente os titulares do

órgão social que para o efeito for competente” segundo o art. 6º nº 1 alínea a) e art. 19º do CIRE.

218

A responsabilidade do administrador perante as dívidas da empresa ocorre devido ao facto de

serem os administradores que determinam a vontade da empresa. Isto é, são eles que atuam e tomam

determinadas decisões em representação da empresa, logo serão estes responsabilizados, apesar de se

tratar de uma responsabilidade de uma dívida alheia.

219

A responsabilidade dos administradores perante a sociedade é uma responsabilidade subjetiva,

que se baseia na culpa do administrador, mesmo que apenas se presuma que haja culpa. Os

administradores respondem pelos danos causados através de atos praticados, e até mesmo pelas omissões

desses atos, em contradição com os seus deveres/obrigações legais, art. 64º e art. 72º do CSC

220

.

FRADA

221

entende que os administradores devem observar uma certa conduta estabelecida pela

lei, e até diz que “abreviadamente, poderá chamar-se a esse dever o dever de legalidade dos

administradores”. No entanto, este dever não se encontrar explanado na lei, mas é um dever que existe e

com o qual os administradores se deparam.

A sociedade tem o ónus da prova dos danos causados e do nexo de causalidade, ou seja, é ela que

deve alegar qual foi o facto ilícito realizado pelo administrador, comprovando que este agiu com culpa.

222

O administrador tem o ónus de provar a inexistência de culpa e de ilicitude

223

, ou seja, o administrador

deve provar que o facto que ocorreu não foi por sua culpa.

224

No Acórdão nº 05979/12 Tribunal Central Administrativo do Sul de 27 de novembro de 2012,

217 Cfr. VEIGA, Fábio Silva –“A Responsabilidade Tributária Subsidiária por violação dos deveres de administração”, in III Congresso Internacional de Ciências Jurídico-Empresariais, p. 53, in https://iconline.ipleiria.pt/bitstream /10400.8/860/1 /artigo3_III_CICJE.pdf (visitado em 10 de fevereiro às 16h17).

218 Cfr. VIEIRA, Nuno da Costa Silva, op. cit., p. 55.

219 Cfr. MARQUES, Paulo, op. cit., p. 150.

220“Art. 72º - Responsabilidade de membros da administração para com a sociedade:

1-Os gerentes ou administradores respondem para com a sociedade pelos danos a esta causados por atos ou omissões praticados com preterição dos deveres legais ou contratuais, salvo se provarem que procederam sem culpa. 2 - A responsabilidade é excluída se alguma das pessoas referidas no número anterior provar que atuou em termos informados, livre de qualquer interesse pessoal e segundo critérios de racionalidade empresarial. 3 - Não são igualmente responsáveis pelos danos resultantes de uma deliberação colegial os gerentes ou administradores que nela não tenham participado ou hajam votado vencidos, podendo neste caso fazer lavrar no prazo de cinco dias a sua declaração de voto, quer no respetivo livro de atas, quer em escrito dirigido ao órgão de fiscalização, se o houver, quer perante notário ou conservador. 4 - O gerente ou administrador que não tenha exercido o direito de oposição conferido por lei, quando estava em condições de o exercer, responde solidariamente pelos actos a que poderia ter-se oposto. 5 - A responsabilidade dos gerentes ou administradores para com a sociedade não tem lugar quando o ato ou omissão assente em deliberação dos sócios, ainda que anulável. 6 - Nas sociedades que tenham órgão de fiscalização, o parecer favorável ou o consentimento deste não exoneram de responsabilidade os membros da administração.”

221 Cfr. FRADA, Manuel Carneiro –“O dever de legalidade: um novo (e não escrito?) dever fundamental dos administradores”, in

Direito das Sociedades em Revista, Outubro, 2012, ano 4, vol. 8, semestral. Coimbra: Almedina. p. 65.

222 Cfr. CARDOSO, Paulo e VALENTIM, Carlos, op. cit., p. 55; DOURADO, Ana Paula, op. cit., p. 86 e VIEIRA, Nuno da Costa Silva, op. cit., p. 289 a 292.

223 Cfr. DOURADO, Ana Paula, op. cit., p. 86.

43

foi discutida a definição de gerente, quais os atos e funções de um gerente, e ainda o que deve ser

considerado da responsabilidade do gerente. Aqui temos que analisar como se tratasse da figura do

administrador, pois é a figura que é relevante para o estudo. Entendeu-se neste acórdão que a

gerência/administrador é o órgão que detêm competência para atuar em nome da sociedade “no comércio

jurídico, criando, modificando e extinguindo relações jurídicas com outros sujeitos de direito”,

vinculando a sociedade, através dos seus atos e decisões perante terceiros. Os poderes que os

administradores detêm são restritos ao que se encontra estabelecido no objeto social, “com a simples

exceção dos casos em que as deliberações dos sócios produzam efeitos externos.” Os administradores

atuam em representação da sociedade perante terceiros, vinculando juridicamente a sociedade de acordo

com o estipulado no objeto social, ou seja, o administrador só deve exercer as suas funções segundo o que

abranja a capacidade da sociedade.” Estes gozam “de poderes representativos e de poderes

administrativos face à sociedade.” É importante verificar a distinção destes dois poderes, pois os poderes

administrativos verificam-se quando o ato tenha a ver com relações internas entre a sociedade e quem

administra, enquanto os poderes representativos verificam-se quando o ato respeite relações da sociedade

com terceiros. Os administradores podem ser alvo de ações de responsabilidade civil, interpostas,

nomeadamente pela sociedade (art. 72º do CSC); pelos credores sociais (art. 78º do CSC); e por sócios e

terceiros (art. 79º do CSC).

225

Os demandantes através da propositura destas ações têm como finalidade

verem os seus danos ressarcidos.

226

Uma vez verificados os pressupostos da responsabilidade civil (o

nexo de causalidade, o facto ilícito, a culpa, e o dano) os administradores serão responsabilizados.

227

A situação explanada no art. 72º retrata uma situação de responsabilidade civil dos

administradores fora do quadro da insolvência.

228

O nº 1 prevê a responsabilidade dos “gerentes ou

administradores para com a sociedade pelos danos a esta causados por actos ou amissões praticados cm

preterição dos deveres legais ou contratuais, salvo se provarem que procederam sem culpa.” Esta

responsabilidade é de natureza contratual, uma vez que, o exercício de atuação do administrador é

efetuado com base no vínculo contratual entre estes e a sociedade.

229

O nº 1 deste preceito legal trata de

uma responsabilidade constituída na culpa, pois este art. prevê uma presunção de culpa por parte do

administrador, sempre que este não atue segundo os seus deveres legais e é aqui que se funda a ilicitude

da atuação do administrador.

230

Isto não acontece se o administrador provar que atuou sem culpa, ou seja

o ónus de prova recai sobre o administrador.

231

A sociedade tem o ónus de provar que o administrador

tem culpa (facto ilícito, dano e nexo de causalidade), e o administrador tem o ónus de provar a

225 Cfr. BARREIROS, Filipe – Responsabilidade Civil dos Administradores: os Deveres Gerais e a Corporate Governance. Wolters Kluwer Portugal. Coimbra: Coimbra Editora. p. 82

226 Cfr. SUBTIL, Raposo – Responsabilidade dos Administradores e Gerentes – Crise Financeira na Empresa – Reestruturação, Recuperação ou Liquidação, 11 de abril, in http://www.rsa-advogados.pt/Backoffice/UserFiles/A%20%20Raposo%20Subtil%20-%20Responsabilidade%20dos%20Administradores%20e%20Gerentes%20(2).pdf, p. 18. (visitado em 9 de março às 22h50)

227 Cfr. VALLES, Edgar, op. cit., p. 13 e BARREIROS, Filipe, op. cit., p. 83.

228 Cfr. DUARTE, Rui Pinto, op. cit., p. 155.

229 Cfr. OLIVEIRA, V. Cunha – A Responsabilidade Civil dos Administradores e Gerentes das Sociedades Comerciais. Lisboa: Vida Económica. 2011. p. 47.

230 Cfr. RAMOS, Maria Elisabete –“Riscos de Responsabilização dos administradores – Entre a previsão legislativa e a decisão jurisprudencial”, in Direitos das Sociedades em Revista, março, 2015, ano 7. vol. 13, semestral. Coimbra: Almedina. p. 84.

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inexistência da ilicitude e da culpa.

232

O nº 2 do preceito legal estabelece que é o administrador que deve

provar que não atuou com culpa e que cumpriu com os deveres que lhe são impostos pelo art. 64º do

CSC

233

, ou seja é o administrador que tem o ónus da prova.

234

A lei aqui não tem em conta uma obrigação

de resultado e torna-se difícil identificar se o administrador agiu ou não com culpa.

235

Se o administrador

na sua defesa não conseguir provar que agiu segundo as regras estabelecidas legalmente, isto é, agiu

licitamente, só lhe restará defender-se segundo o disposto no nº 1 do art. 72º do CSC e dizer que atuou

sem culpa. O regime previsto no art. 72º está idealizado de forma a tornar a defesa dos administradores

mais árduos. Sempre que sejam demandados à responsabilidade, os administradores tem que provar que

agiram sem culpa e sem ilicitude, o que facilita a tarefa de os condenarem.

236

O art. 78º do CSC estabelece a responsabilidade dos administradores perante os credores sociais

fora do quadro da insolvência. O nº 1 diz que: “respondem para com os credores da sociedade quando,

pela inobservância culposa das disposições legais ou contratuais destinadas à protecção destes, o

património social se torne insuficiente para a satisfação dos respectivos créditos.” Aqui a ilicitude surge

sempre que o administrador não atue segundo as normas que se encontra legalmente estabelecidas para a

proteção dos credores sociais

237

.

238

Contudo, o legislador não fez questão de identificar quais são as

normas que se possam considerar de proteção dos credores sociais, e deste modo cabe a jurisprudência e à

doutrina identificá-las e delimitar a ilicitude e culpa da atuação do administrador.

239

Esta

responsabilização, ao contrário do que acontece na responsabilidade para com a sociedade, só se afere

quando o património da sociedade se torne insuficiente para satisfazer os direitos dos credores, por o

administrador ter tido uma atuação ilícita (nexo de causalidade; dano direto da sociedade; dano indireto

dos credores)

240

. Pois, enquanto a sociedade conseguir satisfazer os direitos desses credores sociais, estes

não irão sofrer qualquer dano.

241

Os prejuízos são criados diretamente na sociedade, e só irão afetar os

credores sociais indiretamente. Para este tipo de responsabilidade é necessário que o património da

sociedade se torne insuficiente para satisfazer os créditos dos credores, devido aos prejuízos causados à

sociedade pelo administrador.

242

Relativamente ao pressuposto da culpa, são os credores que têm o ónus

de provar que o administrador atuou com culpa, pois esta culpa não se pode presumir.

243

Também é importante salientar que não é fácil identificar se estamos perante uma

responsabilidade civil contratual, ou perante uma responsabilidade extracontratual. De facto, entende-se

232 Cfr. VALLES, Edgar, op. cit., p. 14.

233 Cfr. VASCONCELOS, Pedro Pais –“Responsabilidade Civil dos Gestores das Sociedade Comerciais”, in Direito das Sociedade em Revista, março, 2009, ano 1, vol. 1, semestral. Coimbra: Almedina. p. 24.

234 Cfr. OLIVEIRA, V. Cunha, op. cit., p. 47 e BARREIROS, Filipe, op. cit. p. 91.

235 Cfr. DUARTE, Rui Pinto, op. cit., p. 156.

236 ABREU, Jorge Coutinho –“Diálogos com a jurisprudência, II – Responsabilidade dos administradores para com os credores

sociais e desconsideração da personalidade jurídica”, in Direito das Sociedade em Revista, março, 2010, ano 2, vol.1, semestral. Coimbra: Almedina. p. 25.

237 Nomeadamente as do art. 6º do CSC e art. 18º do CIRE.

238 Cfr. ABREU, Jorge Coutinho, op. cit., p. 52.

239 Cfr. RAMOS, Maria Elisabete, op. cit., p. 90.

240 Cfr. ABREU, Jorge Coutinho, op. cit., p. 52.

241 Cfr. DUARTE, Rui, op. cit., p. 156 e 157.

242 Cfr. VALLES, Edgar, op. cit., p. 24.

45

que para haver responsabilidade perante os credores sociais, tem de existir um vínculo anterior com a

sociedade, para que nasça essa obrigação. No entanto, também é notório que esse vínculo estabelece

relações entre a sociedade e o credor, e não entre o credor e o administrador da sociedade. Pois, o vínculo

contratual é estabelecido entre a sociedade e o credor. E quando os sujeitos (credor e administrador) são

diferentes do mencionado anteriormente, não é possível equiparar-se a essa relação jurídica, relações

jurídicas diferentes, com propósitos diversos.

244

OLIVEIRA

245

entende que “não estamos perante uma obrigação nascida de qualquer umas das

fontes previstas no direito obrigacional, mas sim face a um direito absoluto de que gozam todos os

credores sociedade e que é típico da responsabilidade civil extracontratual”.

No nosso entender, a responsabilidade civil neste caso do nº1 do art. 78º do CSC é aquiliana,

pois não há vínculo contratual, logo não se trata de uma responsabilidade civil contratual, e não há

presunção de culpa, segundo o que se encontra estipulado no art. 483º do CC, pois é natural na

responsabilidade civil excluir-se a presunção de culpa.

246

VALLES

247

entende estarmos perante uma

responsabilidade “delitual, uma vez que não existe entre os credores e a sociedade qualquer relação

contratual”, ou obrigacional. A responsabilidade delitual é considerada uma responsabilidade subjetiva e

provêm da culpa dos administradores.

248

O art. 79º do CSC refere-se a situações de responsabilização dos administradores para com os

sócios e terceiros

249

por “danos diretamente causados”. O nº 1 diz que: “os gerentes ou administradores

respondem, nos termos gerais, para com os sócios e terceiros pelos danos que diretamente lhes

causarem, no exercício das suas funções”. Também aqui estamos perante uma responsabilidade civil

aquiliana (delitual)

250

. Esta surge da aplicação “nos termos gerias” do nº1 do art. 79º do CSC e por a

exclusão mencionada legalmente do art. 72º nº 1 efetuada pelo art. 79º nº 2.

251

VALLES

252

considera esta

responsabilidade “delitual”, pois “não existe qualquer relação contratual entre os administradores e os

sócios ou terceiros”. Os administradores irão responder dentro do que se encontra estabelecido nos

termos gerais, estabelecido pelo art. 483º do CC relativo à responsabilidade extra-obrigacional

(responsabilidade civil), perante os sócios ou terceiros.

253

BARREIROS

254

entende que não existe qualquer vínculo contratual e obrigacional entre os

administradores e os sócios ou terceiros, pelo que se trata de “uma responsabilidade extra-contratual e

não obrigacional”. Quando nos referimos aos termos gerais, significa isto que, o administrador para

responder nesses termos tem de ter violado o direito de outra pessoa ou ter violado qualquer norma que

244 Cfr. OLIVEIRA, V. Cunha, op. cit., p. 50.

245 Cfr. OLIVEIRA, V. Cunha, op. cit., p. 51.

246 Cfr. ABREU, Jorge Coutinho, op. cit., p. 28.

247 Cfr. VALLES, Edgar, op. cit., p. 24.

248 Cfr. BARREIROS, Filipe, op. cit., p. 110.

249 Como terceiros podemos considerar os trabalhadores da sociedade, fornecedores, clientes, Estado, credores sociais que não beneficiem do art. 78º, sócios enquanto terceiros.

250 Cfr. BARREIROS, Filipe, op. cit., p. 115.

251Cfr. ABREU, Jorge Coutinho, op. cit., p. 29.

252 Cfr. VALLES, Edgar, op. cit., p. 25.

253 Cfr. RAMOS, Maria Elisabete, op. cit., p. 95.

46

tinha como finalidade proteger os interesses alheios, como está previsto no nº 1 do art. 483º do CC.

255

Os

administradores respondem pelos danos que causarem aos sócios e terceiros, mas é importante distinguir

que há dois tipos de danos. Os danos indiretos que surgem no património da sociedade e que

indiretamente afetam os trabalhadores colocando o seu emprego em risco ou até mesmo os seus salários

estagnados sem lugar a aumentos ou incentivos, e os sócios veêm as sua participações sociais reduzidas

ou terceiros.

256

Os danos diretos são aqueles que se efetuam no património dos sócios ou de terceiros sem

o serem através da sociedade, isto é, prejudicam diretamente a esfera patrimonial dos sócios ou

terceiros.

257

O ónus de prova corre por conta do credor, pois nada é referido relativamente ao pressuposto

da culpa, isto é, são os sócios e os terceiros.

258

Relativamente à responsabilidade solidária, o art. 73º do CSC estabelece que a sociedade pode

acionar a responsabilidade solidária entre vários administradores responsáveis, no entanto os

administradores tem direito de regresso (art. 73º nº 1 do CSC e art. 524º do CC). Aqui o fator da culpa é

um pouco irrelevante, pois não é importante decifrar quem tem maior grau de culpabilidade nesta

responsabilidade, uma vez que todos irão responder solidariamente.

259

O art. 73º do CSC retrata também

as regras estabelecidas para os administradores procederem a indeminização aos credores.

260

Aqui só

serão responsabilizados solidariamente os administradores responsáveis, pois não são solidariamente

responsáveis todos os administradores. A responsabilidade dos administradores é uma responsabilidade

que é individual, subjetiva e que se baseia na culpa da atuação do administrador e não por facto realizado

por outros administradores.

261