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A responsabilidade do sócio prevista no art 13 da Lei nº 8.620/93 –

3. PRESSUPOSTOS MATERIAIS PARA A CONFIGURAÇÃO DA

3.2. Hipóteses legais de responsabilidade tributária do sócio

3.2.4. A responsabilidade do sócio prevista no art 13 da Lei nº 8.620/93 –

Não menos polêmica do que as duas modalidades gerais de atribuição de responsabilidade tributária anteriormente tratadas, a hipótese prevista no art. 13 da Lei nº 8.620/93, aplicável especificamente aos débitos relativos a contribuições previdenciárias, também suscitou uma série de questionamentos antes de ser finalmente revogada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.

Com efeito, dispunha aquele artigo, expressamente, que os titulares de firma individual e os sócios de sociedade empresárias limitadas responderiam solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. Mais radical, o parágrafo único

impunha aos acionistas controladores e aos administradores, gerentes e diretores responsabilidade solidária e subsidiária, com seus bens pessoais, pelos débitos perante a Seguridade Social, por dolo ou culpa.

Nesse contexto, mesmo após a consolidação do entendimento de que o simples inadimplemento do tributo não constitui infração à lei para fins de responsabilidade tributária, houve quem, invocando a norma ora em comento, continuasse a defender a aplicação daquela tese às contribuições previdenciárias.

Instado a se manifestar sobre a matéria, o Superior Tribunal de Justiça chegou a decidir, através de sua Primeira Turma, em consonância com aquele posicionamento, na mesma esteira da interpretação extensiva que vinha dando ao art. 135, III do Código Tributário Nacional.

Do mesmo modo do que se passou com a interpretação consolidada acerca deste último dispositivo legal, a Primeira Seção do Tribunal acabou por pacificar a questão para, afastando a incidência do art. 13 da Lei nº 8.620/93, aplicar o art. 135, III do CTN também às contribuições previdenciárias.

Realmente, analisando o texto legal, observar-se que o artigo em tela parecia violar de maneira manifesta as disposições genéricas contidas no Código Tributário Nacional acerca da sujeição passiva da obrigação tributária, além de malferir a própria Constituição Federal53.

Com efeito, cabe salientar, em primeiro plano, conforme já ressaltado anteriormente, que, contrariamente ao que deixa transparecer o dispositivo legal, solidariedade não representa uma forma de atribuição de responsabilidade tributária. As hipóteses de responsabilidade do sócio encontram previsão genérica tão somente nos arts. 134 e 135 do Código Tributário Nacional.

Ademais, nos termos do art. 128 do mesmo Código, a responsabilidade pressupõe que o terceiro possua alguma relação, que não seja pessoa e direta, com o fato gerador do tributo. No caso em apreço, observa-se que o legislador buscou imputar responsabilidade ao sócio não gerente ou diretor de maneira completamente indiscriminada, vez que estes, por não

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Cf. MACHADO, Raquel Cavalcanti Ramos. Responsabilidade do sócio por créditos tributários lançados contra a pessoa jurídica – os arts. 124, II, 134 e 135 do CTN, o art. 13 da Lei 8.630/93 e a razoabilidade. p. 84-93. In: Revista dialética de direito tributário 114. São Paulo: Dialética, 2005 apud MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Processo Tributário. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 242-243.

praticarem atos de gestão, não presentando a pessoa jurídica, não possuem, em regra, qualquer relação com o fato gerador da obrigação tributária.

Por fim, o dispositivo parecia violar o disposto no art. 146, III, “b” da Constituição federal, de acordo com o qual cabe à lei complementar tratar de normas gerais acerca da obrigação tributária. No caso, a matéria vinha sendo tratada por lei ordinária, o que poderia levar ao reconhecimento da inconstitucionalidade formal nesse ponto.

Raquel Cavalcanti Ramos Machado54, com amparo no princípio da razoabilidade, assevera, ainda, que

de qualquer modo, ainda que de acordo com a lógica formal restassem dúvidas quanto aos casos de responsabilidade do sócio pelo não pagamento de tributo por parte da sociedade, uma vez considerada a lógica do razoável, não se poderia admitir sua responsabilização indiscriminada. Isso porque tal interpretação desconsidera a prática da organização empresarial, esvazia a figura do sócio sem poder de gerência, e traz graves e desnecessários prejuízos à economia, com o desestímulo à formação de novas pessoas jurídicas.

O acórdão que se segue, exarado pelo Superior Tribunal de Justiça55, muito bem resume a matéria:

TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO (SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LTDA). SOLIDARIEDADE. PREVISÃO PELA LEI 8.620/93, ART. 13. NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR (CF, ART. 146, III, B). INTERPRETAÇÕES SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. CTN, ARTS. 124, II, E 135, III. CÓDIGO CIVIL, ARTS. 1.016 E 1.052.

1. Tratam os autos de agravo de instrumento interposto pelo INSS em face de decisão proferida pelo juízo de primeiro grau que indeferiu pedido de inclusão dos sócios gerentes no polo passivo da execução fiscal movida contra a empresa Empreiteira Ramiro e Gomes Ltda. - Microempresa. O TRF/3ª Região, sob a égide do art. 135 do CTN, negou provimento ao agravo à luz do entendimento segundo o qual o inadimplemento do tributo não constitui infração à lei, capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios. Recurso especial interposto pela Autarquia apontando infringência dos arts. 135, III, e 136, do CTN, 13, caput, Lei 8.620/93 e 4º, V, da Lei 6.830/80.

2. A solidariedade prevista no art. 124, II, do CTN, é denominada de direito. Ela só

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MACHADO, Raquel Cavalcanti Ramos. Responsabilidade do sócio por créditos tributários lançados contra a pessoa jurídica – os arts. 124, II, 134 e 135 do CTN, o art. 13 da Lei 8.630/93 e a razoabilidade. p. 84-93. In: Revista dialética de direito tributário 114. São Paulo: Dialética, 2005 apud MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Processo Tributário. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 242-243.

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BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 749.034/SP. 1ª Seção. Relator Ministro José Delgado. Julgado em 28/9/2005. Diário da Justiça 19/12/2005. p. 206.

tem validade e eficácia quando a lei que a estabelece for interpretada de acordo com os propósitos da Constituição Federal e do próprio Código Tributário Nacional. 3. Inteiramente desprovidas de validade são as disposições da Lei nº 8.620/93, ou de qualquer outra lei ordinária, que indevidamente pretenderam alargar a responsabilidade dos sócios e dirigentes das pessoas jurídicas. O art. 146, inciso III, b, da Constituição Federal, estabelece que as normas sobre responsabilidade tributária deverão se revestir obrigatoriamente de lei complementar.

4. O CTN, art. 135, III, estabelece que os sócios só respondem por dívidas tributárias quando exercerem gerência da sociedade ou qualquer outro ato de gestão vinculado ao fato gerador. O art. 13 da Lei nº 8.620/93, portanto, só pode ser aplicado quando presentes as condições do art. 135, III, do CTN, não podendo ser interpretado, exclusivamente, em combinação com o art. 124, II, do CTN.

5. O teor do art. 1.016 do Código Civil de 2002 é extensivo às Sociedades Limitadas por força do prescrito no art. 1.053, expressando hipótese em que os administradores respondem solidariamente somente por culpa quando no desempenho de suas funções, o que reforça o consignado no art. 135, III, do CTN.

6. A Lei 8.620/93, art. 13, também não se aplica às Sociedades Limitadas por encontrar-se esse tipo societário regulado pelo novo Código Civil, lei posterior, de igual hierarquia, que estabelece direito oposto ao nela estabelecido.

7. Não há como se aplicar à questão de tamanha complexidade e repercussão patrimonial, empresarial, fiscal e econômica, interpretação literal e dissociada do contexto legal no qual se insere o direito em debate. Deve se, ao revés, buscar amparo em interpretações sistemática e teleológica, adicionando-se os comandos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e do Código Civil para, por fim, alcançar-se uma resultante legal que, de forma coerente e juridicamente adequada, não desnature as Sociedades Limitadas e, mais ainda, que a bem do consumidor e da própria livre iniciativa privada (princípio constitucional) preserve os fundamentos e a natureza desse tipo societário.

8. Recurso especial não-provido.

Assim, em boa hora, foi editada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na lei nº 11.941/2009, que revogou expressamente o artigo em questão, encerrando de vez a controvérsia e passando-se a aplicar, às contribuições previdenciárias, as disposições gerais trazidas pelo Código Tributário Nacional, na esteira do que já vinha sendo decidido pelo Superior Tribunal de Justiça.