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2. A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO BRASIL

2.2. A responsabilidade pela formação de professores

Na discussão sobre a formação de professores e seu desdobramento em inicial e continuada, faz-se necessário compreender a quem compete planejá-las, organizá-las, geri-las, executá-las e avaliá-las. Mas, em primeiro lugar deve se entender qual a concepção pela qual se confere isso ou aquilo como sendo formação inicial e formação continuada.

Atualmente a ideia disseminada, pela qual se fundamentam os documentos legais é de que a formação inicial de professores compreenda os cursos de licenciatura, nas diversas áreas de conhecimento (sendo esta uma etapa mais primária) e que as diversas modalidades de formação continuada constituiriam a sua complementação (etapas mais avançadas e aprofundadas).

Na visão de Canário (2001), tem prevalecido na atualidade um olhar dicotômico que separa a formação inicial e a formação contínua, o qual se sustenta na tese de que o processo formativo redunda da adição de duas etapas complementares, relativamente estanques, ou seja, articuladas de modo apenas sequencial e linear, sem um movimento de troca que melhor lhe relacione.

Ainda na linha de raciocínio de Canário (2001) a visão de formação que separa formação inicial e continuada, colocar-lhes-ia em um processo de hierarquização de etapas, cuja ordem determina sua natureza e importância. Assim, nega-se a continuidade da formação como algo inerente ao ciclo de vida profissional. Essa ideia, então, sustenta-se em duas premissas: a primeira trata de afirmar a predominância estratégica da formação inicial, por entender que esta precede e determina as posteriores situações formativas; a segunda é o entendimento da formação inicial a partir da racionalidade técnica, pela qual se procede a uma justaposição hierarquizada de saberes científico.

Sobre a formação de docentes com fim de atuação na educação básica, segundo o artigo 62, da lei n° 9.394/96 que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional (BRASIL, 1996), deverá ser realizada em curso de licenciatura plena, a qual será admitida como formação mínima para o exercício do magistério (redação incluída pela lei nº 13.415, de 2017 que altera as Leis nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e 11.494, de 20 de junho 2007, que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e o Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967; revoga a Lei nº 11.161, de 5 de agosto de 2005; e institui a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral.).

Com relação à responsabilidade pela formação de professores, o parágrafo 1° do artigo 62 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional- LDB (BRASIL, 1996), aponta que deverá ser a União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios, de forma essencialmente colaborativa, os promotores da formação inicial, da formação continuada e da capacitação dos profissionais de magistério.

A Lei n° 11.502, de 11 de julho de 2007, que modifica as competências e a estrutura organizacional da fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, de que trata a Lei no 8.405, de 9 de janeiro de 1992; e altera as Leis nos 8.405, de 9 de janeiro de 1992, e 11.273, de 6 de fevereiro de 2006, que autoriza a concessão de bolsas de estudo e de pesquisa a participantes de programas de formação inicial e continuada de professores para a educação básica (BRASIL, 2007), no seu artigo 2° dispõe que a “Capes subsidiará o Ministério da Educação na formulação de políticas e no desenvolvimento de atividades de suporte à formação de profissionais de magistério para a educação básica e superior e para o desenvolvimento científico e tecnológico do País”.

Ainda no que diz a Lei n° 11.502 (BRASIL, 2007), em seu artigo 2°, estabelece-se que:

§ 1o No âmbito da educação superior, a Capes terá como finalidade subsidiar o Ministério da Educação na formulação de políticas para pós-graduação, coordenar e avaliar os cursos desse nível e estimular, mediante bolsas de estudo, auxílios e outros mecanismos, a formação de recursos humanos altamente qualificados para a docência de grau superior, a pesquisa e o atendimento da demanda dos setores público e privado.

§ 2o No âmbito da educação básica, a Capes terá como finalidade induzir e fomentar, inclusive em regime de colaboração com os Estados, os Municípios e o Distrito Federal e exclusivamente mediante convênios com instituições de ensino superior, públicas ou privadas, a formação inicial e continuada de profissionais de magistério, respeitada a liberdade acadêmica das instituições conveniadas [...]. (BRASIL, 2007)

Em síntese, pode-se afirmar que a responsabilidade da formação de professores, num nível ampliado, é do Ministério da Educação, mas a CAPES é o órgão escolhido para o fomento das políticas. Além disso, cabe a ela também a articulação com as outras esferas públicas, bem como com as instituições formativas.

Além do que fora exposto acima, a Lei 11.502 também versa sobre a questão do ensino à distância, o qual seria privilegiado - a partir dela -, em relação à questão da formação continuada e presente também na formação inicial. Além disso, a lei define a CAPES como a responsável pelas políticas de valorização do magistério.

Outro marco de grande relevância no que diz respeito à formação de professores é o decreto nº 8.752, de 9 de maio de 2016, o qual dispõe sobre a Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica. Este texto substituiu o decreto nº 6.755, de 29 de janeiro de 2009 que versava sobre a Política Nacional de Formação de Profissionais do Magistério da Educação Básica e sobre a atuação da Coordenação de Aperfeiçoamento de

Pessoal de Nível Superior - CAPES no fomento a programas de formação inicial e continuada.

O decreto nº 8.752 (BRASIL, 2016), mencionado acima, ratifica os objetivos da lei nº 11.502 (BRASIL, 2007) no sentido de apontar caminhos e princípios para a articulação e fomento das políticas públicas voltadas para professores da educação básica, através da consolidação do que seria uma política nacional abrangente.

Como pode ser observada, a preocupação com a questão da formação inicial e continuada está manifesta nos marcos legal, mas isso não é suficiente para dizer que há uma valorização do magistério. A materialização das políticas de formação docente, então, precisa ser constantemente avaliada, pois assim, podemos perceber se estão sendo desenvolvidas conforme a realidade e a necessidade diária do professor.