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2. O BJECTIVOS E METODOLOGIA

2.2. D OCUMENTAÇÃO UTILIZADA , MÉTODOS E TÉCNICAS

2.2.2. O S LEVANTAMENTOS DE CAMPO

2.2.2.4. A S CHECKLISTS

Foram aplicadas duas checklists, checklist 1 – lista de controlo de avaliação de vulnerabilidade dunar e checklist 2 – lista de controlo de resiliência dunar, na Primavera de 2008 (dia 2 de Maio).

A vulnerabilidade biofísica do sistema dunar foi avaliada pela divisão em seis sectores/unidades (S1, S2, S3, S4, S5 e S6) distintas ao invés de uma única unidade, uma vez que os levantamentos de campo possibilitaram reconhecer uma grande diversidade no que respeita às suas características de vegetação dunar, de ocupação e uso antrópico, de caminhos não ordenados e de intervenções de ordenamento e gestão implementadas (tema a desenvolver no quarto capítulo). Esta abordagem permitiu realizar uma diferenciação espacial da vulnerabilidade biofísica do sistema dunar.

As checklists avaliam diversas componentes biofísicas e socioeconómicas que constrangem os sistemas dunares e constituem um instrumento de grande utilidade no processo de recolha e sistematização de informação que caracteriza as condições actuais dos sistemas dunares,

permitindo identificar os principais problemas que causam a sua erosão, degradação ou destruição, induzidos por factores naturais ou antrópicos, como mencionam Davies et al (1995), Laranjeira (1997), Laranjeira et al (1999), Matias et al (1998), Ramos-Pereira & Laranjeira (2002), Williams & Davies (2001) e Williams et al (2001).

De acordo com Davies et al (1995), Ramos-Pereira & Laranjeira (2002), Williams & Davies (2001) e Williams et al (2001), as checklists foram desenvolvidas com o intuito de:

(i) avaliar a vulnerabilidade biofísica dos sistemas dunares;

(ii) identificar os problemas que promovem essa vulnerabilidade, listando-os, classificando-os e avaliando-os através da atribuição de um valor em função de níveis de vulnerabilidade pré-estabelecidos;

(iii) apoiar a decisão no âmbito do ordenamento e gestão dos sistemas dunares.

Checklist 1 – lista de controlo de vulnerabilidade dunar

A checklist 1, denominada lista de controlo de vulnerabilidade dunar, foi inicialmente desenvolvida por Bodéré et al (1994, 1991) e Williams et al (1993) através da definição de uma metodologia de avaliação de níveis de vulnerabilidade aplicada a sistemas dunares litorais do noroeste europeu, mais especificamente da Bretanha Ocidental (França) e Sul do País de Gales (Reino Unido). Em 1994, foi aplicada por Dias et al (1994) a 11 sistemas dunares da costa Sudoeste e Sul de Portugal, com vista a testar a sua aplicabilidade a outros domínios morfoclimáticos (Ramos-Pereira & Laranjeira, 2002).

A checklist 1 está organizada em cinco secções de vulnerabilidade (secção A – sítio e morfologia; secção B – características da praia; secção C – características superficiais da duna nos primeiros 200 m; secção D – pressão exercida pelos diversos utilizadores; secção E – medidas de protecção recentes) que comportam um número total de 54 parâmetros a avaliar (Anexo I).

A avaliação rigorosa da vulnerabilidade do sistema dunar exigiu proceder a ajustamentos na checklist 1 que consistiram na remoção de alguns parâmetros de algumas secções que, devido às características dos sectores dunares individualizados, não se consideraram aplicáveis. Com efeito, Davies et al (1995), Dias et al (1994), Laranjeira et al (1999), Matias et al (1998) e Williams & Davies (2001), sugerem este procedimento quando a aplicabilidade de um dos parâmetros é questionável.

Quadro 2.2. Parâmetros removidos da checklist 1, aplicabilidade aos sectores individualizados e justificação.

SECÇÃO PARÂMETRO APLICABILIDADE JUSTIFICAÇÃO

S1 S2 S3 S4 S5 S6 C – características superficiais da duna nos primeiros 200 m 2. percentagem de superfície ocupada por blowouts

- - - N ausência de blowouts devido à elevada ocupação antrópica da frente dunar.

8. depósitos recentes de areia com gramíneas

N N N N N N ausência de dunas embrionárias com gramíneas. 12. antigas extracções de inertes a menos de 200 m da frente do mar

N N N N N N ausência de locais de extracção de inertes.

Em conformidade com a legislação que proíbe tais actividades em áreas classificadas, nomeadamente áreas protegidas, sítios da Lista Nacional de Sítios, sítios de interesse comunitário, zonas especiais de conservação e zonas de protecção especial criadas nos termos da legislação em vigor, como consta no Decreto-Lei nº 270/2001 de 6 de Outubro, artigo 2º, alínea b.

Ver também o Decreto-Lei nº 90/90 de 16 de Março; Resolução de Conselho de Ministros nº 11/2002 de 17 de Janeiro. D – pressão exercida pelos diversos utilizadores 4. equitação sobre as dunas

N N N N N N ausência de prática de equitação.

Dias et al (1994) questiona a aplicabilidade deste parâmetro no contexto português devido à reduzida prática desta actividade em sistemas dunares.

7. campismo ordenado

N N N N N N ausência de parques de campismo. 8. campismo

selvagem

N N N N N - ausência de prática de campismo selvagem.

Em conformidade com a legislação que proíbe tais actividades fora dos parques de campismo, como consta na Resolução do Conselho de Ministros nº 11/2002 de 17 de Janeiro, artigo 34º. 12. extracção comercial/ ocasional de inertes

N N N N N N ausência desta actividade.

Ver também o Decreto-Lei nº 90/90 de 16 de Março; Decreto-Lei nº 270/2001 de 6 de Outubro; Resolução de Conselho de Ministros nº 11/2002 de 17 de Janeiro.

13. pastagem N N N N N N ausência da prática de pastagem.

Dias et al (1994) questiona a aplicabilidade deste parâmetro no contexto português devido às especificidades climáticas e geográficas regionais, muito diferentes das dos países onde a checklist foi inicialmente aplicada

14. população de coelhos

N N N N N N ausência de população de coelhos.

Dias et al (1994) questiona a aplicabilidade deste parâmetro no contexto português devido às especificidades climáticas e geográficas regionais, muito diferentes das dos países onde a checklist foi inicialmente aplicada E – medidas de protecção recentes 4. controlo de equitação

N N N N N N inadequado devido à ausência desta actividade.

7. armadilhas de areia

N - - N - N ausência de armadilhas de areia.

Foi ainda feita uma pequena adaptação dos parâmetros 10. evolução da frente dunar desde 1940 e 11. evolução da vegetação desde 1940, da secção C – características superficiais da duna nos primeiros 200 m, que consistiu na redução da janela temporal de 1940 para 1980, uma vez que apenas foi possível apurar com rigor a execução de medidas específicas de intervenção no sistema dunar, com consequências directas na evolução da frente dunar e da vegetação, desde a década de 1980.

Checklist 2 – lista de controlo de resiliência dunar

A checklist 2, denominada lista de controlo de resiliência dunar, surge no seguimento dos resultados obtidos pela aplicação da checklist 1 a outros países europeus ao abrigo do programa europeu European Land-Ocean Interaction Studies/Dynamics and Integrated Management Methodos for Coastal Dune Ecosystems (ELOISE/DUNES 1996-1999), Environment and Climate Research Programme, European Commission DCXII, Marine Science and Techonology, como mencionam Ramos-Pereira & Laranjeira (2002) e Ramos-Pereira et al (2000).

Esta experiência permitiu reconhecer a necessidade de proceder a alguns ajustamentos na checklist original de modo a adaptar-se à realidade dos sistemas dunares do Sul da Europa. Assim, surge a checklist 2, em alternativa à primeira, baseada na capacidade de resiliência dos sistemas dunares litorais.

A checklist 2 está organizada em sete secções de vulnerabilidade (secção A – ocorrência de formas de erosão; secção B – ausência/presença de dunas recentes; secção C – fixação das areias pela vegetação dunar; secção D – degradação pelo uso; secção E – eficácia/ineficácia do ordenamento e gestão; secção OTA – obstáculos à livre transgressão de areias; secção AT – atractividade turística) que comportam um número total de 42 parâmetros a avaliar (Anexo II).

À semelhança do que sucedeu com a checklist 1, foi necessário retirar da checklist 2 alguns parâmetros de algumas secções que, devido às características dos sectores dunares individualizados, não se consideraram aplicáveis.

O Quadro 2.3. apresenta os parâmetros retirados da checklist 2.