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A saída definitiva do Ordinariado Militar do Brasil

VIII – O SEMINÁRIO MAIOR (de constituição opcional 317 )

3. A saída definitiva do Ordinariado Militar do Brasil

Os vínculos jurídicos de pertença dos clérigos ao Ordinariado Militar do Brasil são dissolvidos definitivamente por diversas causas canônicas, que variam de acordo com a condição de incorporação definitiva (incardinação) ou provisória (adscrição) do clérigo no OMB. São elas: excardinação, rescisão do Convênio escrito celebrado entre o legítimo Superior do clérigo e o Arcebispo do Ordinariado Militar, término do tempo prefixado (quando o ofício é ad tempus), renúncia do clérigo ao ofício, destituição do ofício, privação do ofício, demissão do estado clerical e promoção do clérigo ao episcopado, a ser exercido em outra Igreja particular.

a) Excardinação

Excardinação é o fato jurídico pelo qual, por força do direito ou da decisão da autoridade competente, um clérigo deixa de pertencer, definitiva e absolutamente, a uma Igreja particular (ou Prelazia Pessoal, Instituto de Vida Consagrada ou Sociedade de Vida Apostólica que tenham tal faculdade), passando a ser, automaticamente, incorporado a outra Igreja particular (ou Prelazia Pessoal, Instituto de Vida Consagrada ou Sociedade de Vida Apostólica que tenham tal faculdade). O procedimento da excardinação é o mesmo da incardinação derivada; com efeito, esses dois institutos jurídicos estão necessariamente ligados, de sorte que um só tem validade com a existência do outro.

A excardinação só pode ser concedida licitamente por causas justas, como a utilidade da Igreja ou o bem do próprio clérigo; mas não pode ser negada, a não ser que haja causas graves. Todavia, diante da recusa, o clérigo que se julgar prejudicado e que tiver encontrado um Bispo que o acolha, pode fazer recurso contra essa decisão368.

Durante a vacância da sé do Ordinariado Militar, o Administrador diocesano não pode conceder excardinação e incardinação, ou licença para um clérigo transferir-se a outra Igreja particular, a não ser após um ano de vacância da sé episcopal e com o consentimento do colégio dos consultores369.

b) Rescisão do Convênio

Ao tratar da adscrição (= agregação), vimos que a passagem legítima do clérigo incardinado em uma Igreja particular ao Ordinariado Militar do Brasil, para nele desempenhar provisoriamente atividades pastorais, deve ser precedido por um Convênio escrito celebrado entre o Bispo diocesano do clérigo e o Arcebispo do Ordinariado Militar do Brasil. Tal Convênio, por justa causa, pode ser rescindido, tanto por um dos signatários como por ambos. É o que prevê o cân. 271 § 3:

O clérigo que tiver passado legitimamente a outra Igreja particular, permanecendo incardinado em sua própria Igreja, pode ser chamado de volta, por justa causa, pelo próprio Bispo diocesano, contanto que sejam respeitados os convênios feitos com o outro Bispo, bem como a equidade natural; igualmente, respeitando as mesmas condições, o Bispo da outra Igreja particular poderá, por justa causa, negar ao clérigo a licença para ulterior permanência no seu território.

Advirta-se que, considerada a peculiaridade do Ordinariado Militar do Brasil, o Convênio escrito deve conter uma cláusula na qual os signatários se obrigam a respeitar a legislação específica da Força (Armada ou Auxiliar) na qual o clérigo exercerá o seu ofício. Com efeito, no caso dos presbíteros, não se pode esquecer que Capelão militar é, ao mesmo tempo, função militar e ofício eclesiástico. Por isso, enquanto militar, o Capelão deve obedecer à legislação militar; enquanto integrante do clero do OMB, pelo ofício eclesiástico que desempenha, está subordinado ao

368 Cf. cân. 270. 369 Cf. cân. 272.

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ordenamento canônico. É o que estabelece o Artigo IX do Acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé sobre a Assistência Religiosa às Forças Armadas:

O Capelão militar católico, no exercício de suas atividades militares, subordinar-se-á a seus superiores hierárquicos; no exercício de sua atividade pastoral, seguirá a orientação e prescrições do Ordinário Militar, conforme as normas do Direito Canônico.

Quando o clérigo é oriundo de um Instituto de Vida Consagrada ou Sociedade de Vida Apostólica, observe-se a normativa do cân. 682, citada retro.

c) Término do tempo prefixado

Como a rescisão do Convênio, esta causa de saída definitiva do OMB se aplica apenas aos casos de adscrição. O tempo de permanência do clérigo incardinado em outra Igreja particular (ou Prelazia Pessoal, Instituto de Vida Consagrada ou Sociedade de Vida Apostólica) no Ordinariado Militar do Brasil deve ser prevista no Convênio escrito e, por conseguinte, deve constar na provisão canônica. Expirado o tempo prefixado, o clérigo perde o vínculo jurídico com o OMB.

No caso dos Capelães, deve-se considerar, primeiramente, que, segundo a Constituição Apostólica «Spirituali Militum Curae», os sacerdotes nomeados Capelães no Ordinariado gozam

dos direitos e são obrigados a observar os deveres dos párocos370. Em segundo lugar, há de se levar em conta a Legislação Complementar da CNBB ao cân. 552, que diz:

1. O pároco goza de verdadeira estabilidade; por isso, seja nomeado por tempo indefinido.

2. Havendo razão justa, pode o Bispo diocesano nomear párocos por período determinado, não inferior a seis anos, sempre renovável.

Terminado o tempo prefixado, a perda do ofício tem efeito somente a partir do momento em que for comunicada por escrito pelo Arcebispo do Ordinariado Militar do Brasil371.

d) Renúncia ao ofício

Por renúncia entende-se a manifestação inequívoca, por justa causa, feita à autoridade competente, do desejo do clérigo de não mais exercer a titularidade do ofício. Para ser válida, a renúncia a um ofício no OMB deve ser feita ao Ordinário Militar do Brasil, por escrito ou oralmente diante de duas testemunhas372. Ela só produzirá o seu efeito se o Arcebispo, tendo ponderado se a causa foi justa e proporcionada373, não rejeitá-la dentro de três meses374.

Como causa de saída definitiva do OMB, a renúncia ao ofício aplica-se apenas aos casos de adscrição.

e) Destituição do ofício

O clérigo é destituído quando perde o ofício contra a sua vontade, por decreto da competente autoridade375 ou por força da lei376. A destituição, que não tem necessariamente um caráter penal, pois sua finalidade não é punir um delito e sim garantir o bem público, pode ser feita pelo Arcebispo do Ordinariado Militar ou ipso iure. O Arcebispo do Ordinariado Militar só pode destituir um clérigo por uma causa grave e observando-se o modo de proceder determinado pelo direito377. O mesmo vale para que alguém possa ser destituído de um ofício conferido por tempo determinado, antes de 370 Artigo VII. 371 Cf. cân. 186. 372 Cf. cân. 189 § 1. 373 Cf. cân. 189 § 2. 374 Cf. cân. 189 § 3. 375 Cf. cân. 192. 376 Cf. cân. 194. 377 Cf. cân. 193 § 1.

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transcorrido esse tempo378. Para produzir o seu efeito, o decreto de destituição deve ser comunicado por escrito.

Mesmo exercendo um ofício no OMB, o clérigo religioso pode ser destituído também pelo seu Superior, segundo o que prescreve o cân. 682 § 2: O religioso pode ser destituído do ofício que

lhe foi confiado, a juízo da autoridade que o conferiu, avisado o superior religioso, ou a juízo do superior, avisado quem o conferiu, não se exigindo o consentimento do outro.O mesmo vale para os membros das Sociedades de Vida Apostólica379.

Contra o decreto de destituição do Arcebispo do Ordinariado Militar, cabe recurso. É competente para julgar o recurso a Congregação para o Clero.

Por força do direito universal (ipso iure), a destituição do ofício ocorre em três situações: 1) quando o titular é demitido do estado clerical; 2) quando o titular abandona publicamente a fé católica ou a comunhão da Igreja; 3) quando o titular tenta o matrimônio, mesmo civilmente. Nos dois últimos casos, a destituição só pode ser urgida se constar dela por declaração da autoridade competente380.

A destituição do ofício, como causa de saída definitiva do OMB, aplica-se apenas aos casos de adscrição.

f) Privação do ofício

A privação é a perda de um ofício eclesiástico contra a vontade do titular, como pena imposta por um delito381. A pena de privação, que nunca pode ser latae sententiae382, é uma das punições possíveis para os seguintes delitos: solicitação do penitente para um pecado contra o sexto mandamento do Decálogo, por ocasião de confissão ou com o pretexto de confissão383, abuso de poder ou ofício eclesiástico384, violação grave da obrigação de residência em razão de ofício eclesiástico385, homicídio, rapto ou detenção de alguma pessoa com violência ou fraude ou sua mutilação ou ferimento grave386.

Os procedimentos para infligir a pena de privação do ofício se encontram nos cânn. 1341- 1353.

A apelação (pedido de intervenção de um tribunal superior contra uma decisão de um tribunal inferior que pareceu injusta ao solicitante) ou recurso (pedido a um tribunal superior que avoque para si a causa sobre a qual é competente um tribunal inferior) contra a sentença judicial ou o decreto que impôs ou declarou a privação tem efeito suspensivo387, a saber: os efeitos da pena ficam suspensos até a notificação do resultado final do apelo ou recurso.

Como causa de saída definitiva do OMB, a destituição do ofício aplica-se apenas aos casos de adscrição.

g) Demissão do estado clerical

378 Cf. cân. 193 § 2. 379 Cf. cân. 738. 380 Cf. cân. 194. 381 Cf. cân. 196 § 1. 382 Cf. cân. 1336 § 2. 383 Cf. cân. 1387. 384 Cf. cân. 1389 § 1. 385 Cf. cân. 1396. 386 Cf. cân. 1397. 387 Cf. cân. 1353.

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O clérigo que perde o estado clerical, de acordo com o direito, com ele perde os direitos próprios do estado clerical e, por isso mesmo, fica privado de todos os ofícios, encargos e de qualquer poder delegado388. A perda do estado clerical ocorre:

1. Por sentença judicial ou decreto administrativo que declara a nulidade da ordenação389. Mediante a emissão da sentença ou do decreto da instância competente – a Congregação para o Clero –, declara-se que o batizado nunca foi ordenado validamente;

2. Por pena de demissão (expulsão) legitimamente imposta390. A perda do estado clerical pode ser também uma pena canônica aplicada ao clérigo que comete os seguintes delitos:

 apostasia (repúdio total da fé cristã), heresia (negação pertinaz, depois de recebido o batismo, de qualquer verdade que se deva crer com fé divina e católica, ou a dúvida pertinaz a respeito dela) e cisma (recusa de sujeição ao Sumo Pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos), com prolongada contumácia ou escândalo grave391;

 arremesso das espécies consagradas, bem como sua subtração ou conservação para fim sacrílego392;

 uso de violência física contra o Romano Pontífice393;

 solicitação do penitente, no ato da confissão, por ocasião de confissão ou com pretexto de confissão, para um pecado contra o sexto mandamento do Decálogo394;

 tentativa de matrimônio, mesmo só civilmente, e persistência no escândalo, após admoestação 395;

 concubinato e persistência com escândalo em outros pecados externos contra o sexto mandamento do Decálogo, com maiores ou menores de idade396;

3. Por rescrito da Sé Apostólica, motivado por razões gravíssimas397.

Como causa de saída definitiva do OMB, a demissão do estado clerical aplica-se tanto aos clérigos incardinados quanto aos adscritos.

h) Promoção do clérigo ao episcopado, a ser exercido em outra Igreja particular.

Perde também definitivamente o vínculo jurídico com o OMB o clérigo que é nomeado pelo Santo Padre para o ministério episcopal, a ser exercido em outra Igreja particular. Isto porque, logo que se publica a nomeação do presbítero para o episcopado, o eleito, entre outras obrigações, deve

abandonar as tarefas a que antes se dedicava, para se entregar à oração e à meditação e, assim, se preparar para o seu novo ministério398.

4. Direitos e Deveres 388 Cf. cân. 292. 389 Cf. cân. 290, 1º. 390 Cf. cân. 290, 2º. 391 Cf. cân. 1364 § 2. 392 Cf. cân. 1367. 393 Cf. cân. 1370 § 1. 394 Cf. cân. 1387. 395 Cf. cân. 1394 § 1. 396 Cf. cân. 1395. 397 Cf. cân. 290, 3º. 398 C

ERIMONIAL DOS BISPOS 1130, d. Recorde-se, porém, que é somente em virtude da sagração episcopal e pela

comunhão hierárquica com a cabeça e os membros do colégio que alguém é constituído membro do corpo episcopal