3 O PROFESSOR COMO MEDIADOR DOS SABERES
3.2 A SALA DE AULA COMO FACILITADORA DA APRENDIZAGEM
A sala de aula durante muito tempo era vista como um ambiente severo, onde o professor era autoritário, estando acima de todos os alunos, demonstrando superioridade. A organização da sala de aula era rígida, de cores escuras, os alunos em carteiras enfileiradas, sem praticamente poder se mexer, e o professor à frente que tinha como ferramenta de trabalho apenas quadro e giz, e uma obrigação em cumprir o livro didático. Felizmente, em uma sala de aula na contemporaneidade, num mundo digital e globalizado temos a oportunidade de exercer um ensino voltado para a autonomia, liberdade e aprendizagem livre. Nas escolas, é possível ver
situações democráticas, espaços de diversão, alegres e dinâmicos, pensados exclusivamente nos alunos e para os alunos, além disso, é realizado um planejamento flexível que pode ser modificado de acordo com a necessidade dos estudantes, dessa forma facilitando e dinamizando o trabalho do professor e a aprendizagem do educando.
Nesse contexto, segundo a teoria construtivista o ambiente escolar deve ser um espaço pensado e organizado com o objetivo de facilitar práticas educativas tanto para o professor, quanto para o aluno. Desse modo, para favorecer a aprendizagem, uma maneira interessante é esquecer a ideia da sala de aula com carteiras enfileiradas, uma vez que, o círculo por exemplo, proporciona ao professor uma oportunidade de debates e rodas de conversa, sendo possível está atento a cada aluno e proporcionar uma melhor participação das crianças a aula, tornando o ambiente propício a concentração, interações, troca de ideias e experiências entre os alunos estimulando a construção do conhecimento, assim, a sala de aula é então “[...] um espaço de vida no qual se faz história, que é construída e reconstruída a cada dia. É um lugar onde se tomam decisões e se constroem um fazer solidário, no qual todos têm o que aprender e ensinar ao outro” (COLLARES, 2003, p. 53), de modo que, a sala de aula seja organizada com foco nos objetivos de aprendizagem a serem alcançados.
David e Weinstein defendem que todos os ambientes construídos para crianças deveriam atender a cinco funções relativas ao desenvolvimento infantil, no sentido de promover: identidade pessoal, desenvolvimento de competência, oportunidades para crescimento, sensação de segurança e confiança, oportunidade para o contato social e privacidade. Sendo fatores essenciais na promoção de oportunidades de aprendizado:
• Identidade pessoal: É a caracterização de um ambiente voltado para o autoconhecimento da criança, um espaço onde ela possa se encontrar e se sentir a vontade para expressar suas ideias e opiniões, onde reconheça sua identidade através de pensamentos, memórias e valores.
• Desenvolvimento de competência: Proporcionar um ambiente favorável a superação de
desafios, onde a criança possa encará-los e seja capaz de se superar, assim, atingindo a realização em ser competente.
• Oportunidades para crescimento: Inserir a criança em um espaço onde alcance o desenvolvimento social, cognitivo e motor, ou seja, possibilitar situações em pautadas no crescimento da mesma.
• Sensação de segurança e confiança: Um espaço onde a criança possa viver, explorar, se divertir, e assim sentir-se segura.
• Oportunidade para o contato social e privacidade: Oferecer a oportunidade de um ambiente onde possa ter contato com os colegas, possa expressar seus sentimentos e compartilhar momentos. Já o contato privado, remete a espaços pensados para exepressar os sentimentos ruins, como o de raiva, onde a criança possa pensar e refletir suas ações.
Nessa perspectiva, a escola deve ter como foco oferecer oportunidades para satisfazer as necessidades dos alunos, planejar e organizar ambientes com determinadas finalidades pensando no bem estar dos estudantes “[...] a justificativa para tal arranjo é que o mesmo favorece mais as interações dos grupos de crianças e melhor o oriente ao redor de um foco, permitindo a elas oportunidades de escolha. Esses cantinhos podem se fixos ou arrumados a cada dia, segundo a programação do professor ou as sugestões das crianças” (MEC 2007, p.33-34).
Nesse seguimento, faz-se necessário criar um ambiente pensando e fundamentado exclusivamente para a criança e seu desenvolvimento integral, dessa maneira, a sala de aula pode tornar-se um espaço favorável ao educando, de modo que, “A sala de aula coloca-se não apenas como um lócus onde se dá o ensino, mas como um dos lugares privilegiados onde se dá o aprender. Introduz-se um novo discurso pedagógico que fala de movimentos, dialéticas, oposições, construções, reconstruções” (ESPÓSITO, 2006, p. 32).
Nesse sentido, é um local onde acontece não somente brincadeiras, mas descobertas, curiosidades, construção de identidade, socialização, entre diversas possibilidades que pode proporcionar, sendo um fator que desencadeará o desenvolvimento psicológico, social e físico das crianças.
Assim, o principal objetivo do ambiente educacional deve ser a aprendizagem significativa da criança, visto que, para que isto ocorra, este espaço deve pensado e organizado de maneira que o ambiente crie possibilidades de desenvolvimento, sendo rico em: materiais didáticos e dinâmicos, brinquedos, jogos, livros e etc, que tenham como finalidade um gerar novos conhecimento e habilidades. Dessa forma, torna-se um espaço onde ela possa se sentir livre e capaz de desenvolver-se plenamente.
Nesse seguimento, em uma perspectiva construtivista onde o aluno possui um papel ativo, faz muita diferença quando na organização e decoração da sala de aula, o professor convida as crianças a participar dos momentos de recorte, colagem, pintura, produção de material para a escola e sala de aula, de maneira que, com auxílio do professor o aluno consiga desenvolver habilidades que até então não conheciam,
Quantos conhecimentos terão sido necessários e, portanto, apreendidos, quantas habilidades terão sido desenvolvidas. E com orgulho essas crianças poderão ensinar a outras crianças de outras turmas [...] tendo registrado cada passo com auxílio da professora, poderão recuperar o processo vivido sempre que o desejarem (GARCIA, 1997, p. 17).
Para Garcia (1997) leva-se em consideração que cada atividade, por mais simples que pareça, traz a possibilidade de novas aprendizagens de modo que, é possível entender que este, é um processo contínuo, tornando-se necessário que o educador aponte os caminhos provocando reflexões e experiências transformadoras.
Nesse seguimento, para atingir resultados satisfatórios a organização da sala de aula deve ser pensada e fundamentada para que as crianças tenham acesso aos materiais disponibilizados, de forma que não dependam do professor para utilizar algum material, proporcionando ao aluno agir de forma independente, elaborando suas ações e conhecimentos autonomamente:
O ambiente físico é expresso como devendo ser arranjado de acordo com as necessidades e as características dos grupos de criança, levando-se em conta a cultura da infância e os diversos projetos e atividades que estão sendo desenvolvidos em conjunto com seus professores. A qualidade e a quantidade da relação criança–criança, adulto–criança, dos objetos, dos brinquedos e dos móveis presentes no ambiente dependem do tamanho destas e das crianças e podem se transformar em “poderosos instrumentos de aprendizagem” e em um dos “indicadores importantes para a definição de práticas educativas de qualidade” (BRASIL, 1998, p. 146).
Dessa forma, o espaço deve ser pensado sempre para a criança, para facilitar e favorecer seu desenvolvimento, onde ela possa transformar os objetos em poderosas ferramentas de aprendizagem, assim, o professor irá possibilitar as crianças a expressão da criatividade, curiosidade e a busca pelo aprender, “Aos poucos a criança vai ampliando seus esquemas,
adquirindo cada vez mais a possiblidade de garantir prazer por intermédio de suas ações. Passa a agir por razer. E é este prazer que traz significado à ação [...]” (MALUF, 2003, p. 83).
Considera-se que a teoria construtivista vê o aluno como protagonista, nessa perspectiva, uma sala de aula que comporte um número excessivo de estudantes, torna-se difícil para o desenvolvimento de práticas e interações pedagógicas, dada as limitações que este excesso provoca. Dentre algumas dificuldades, podemos citar o curto espaço de tempo, para o desenvolvimento e interação entre professor-aluno. Cada discente tem sua especificidade, e quanto mais tempo e condições favoráveis para o acompanhamento, melhores serão os resultados das aprendizagens.
Nessa linha de pensamento, Santos (2008, p. 71) determina algumas atitudes a serem exercidas pelo professor em sala de aula:
1. Dar sentido ao conteúdo: toda aprendizagem parte de um significado contextual e emocional.
2. Especificar: após contextualizar o educando precisa ser levado a perceber as características específicas do que está sendo estudado.
3. Compreender: é quando se dá a construção do conceito, que garante a possibilidade de utilização do conhecimento em diversos contextos.
4. Definir: significa esclarecer um conceito. O aluno deve definir com suas palavras, de forma que o conceito lhe seja claro.
5. Argumentar: após definir, o aluno precisa relacionar logicamente vários conceitos e isso ocorre por meio do texto falado, escrito, verbal e não verbal. 6. Discutir: nesse passo, o aluno deve formular uma cadeia de raciocínio pela argumentação.
7. Levar para a vida: o sétimo e último passo da (re) construção do conhecimento é a transformação. O fim último da aprendizagem significativa é a intervenção na realidade. Sem esse propósito, qualquer aprendizagem é inócua. (SANTOS, 2008, p. 73-74).
Logo, torna-se necessário refletir e analisar alguns aspectos, para assim conceber o que está sendo trabalhado, e entender o que o educando está aprendendo, isto é, como está ocorrendo este processo, e o que pode ser feito para melhorar.