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A sala de aula invertida (flipped classroom) tem suas raízes no ensino híbrido (blended learning), cujo conceito foi desenvolvido com base em experiências de e-learning (TARNOLOPOLSKY, 2012). O conceito básico da sala de aula invertida é levar o aluno a fazer fora da sala de aula o que antes era feito em sala de aula, transferindo, assim, eventos tradicionalmente feitos em aula para o seu espaço externo (BERGMANN, SAMS, 2012; LAGE, PLATT, TREGLIA, 2000). Dessa forma, o aluno passa a assumir a responsabilidade pelo estudo teórico, enquanto as aulas

em sala de aula são utilizadas para que ocorra uma aplicação prática dos conceitos previamente estudados pelo aluno (JAIME, KOLLER, GRAEML, 2015).

O uso do modelo da sala de aula invertida não é recente (TREVELIN, PEREIRA NETO, 2013; VALENTE, 2014), havendo já na década de 90 registros dos primeiros estudos sobre esse tema. Valente (2014, p. 86) observa que “[…] a partir dos anos 2010, o termo flipped classroom passou a ser um chavão” e, com isso, começam a surgir escolas de Ensino Básico e Superior que passam a utilizar essa abordagem.

Ao comparar a aula ministrada conforme o ensino tradicional e a aula segundo a abordagem da sala de aula invertida, Valente (2014) considera que há uma inversão porque, enquanto no ensino tradicional a sala de aula é o espaço utilizado para que o professor possa transmitir informação para o aluno e que este deve estudar o material apresentado na aula, fazer exercícios em sala de aula e em casa e, em seguida, passar por alguma atividade de avaliação para comprovar que esse material foi assimilado, na abordagem da sala de aula invertida o aluno deve estudar o tema proposto antes da aula, e a sala é utilizada como um espaço de aprendizagem ativa: um lugar onde os alunos fazem perguntas, participam de discussões e de atividades práticas de forma interativa com seus pares e professores, enquanto os professores trabalham as eventuais dificuldades advindas dos alunos, em vez de simplesmente ministrarem aulas expositivas sobre o conteúdo da disciplina. São situações que também podem ser proporcionadas fora das salas de aula, como, por exemplo, com a utilização de redes digitais e sociais.

Conforme o relatório Flipped Classroom Field Guide (2015), as regras básicas para inverter a sala de aula são: 1. as atividades em sala de aula envolvem uma quantidade significativa de questionamento, resolução de problemas e de outras atividades de aprendizagem ativa, obrigando o aluno a recuperar, aplicar e ampliar o material aprendido on-line; 2. os alunos recebem feedback imediatamente após a realização das atividades presenciais; 3. os alunos são incentivados a participar das atividades on-line e das presenciais, sendo que elas são computadas na avaliação formal do aluno, ou seja, valem nota; e 4. tanto o material a ser utilizado on-line

quanto os ambientes de aprendizagem em sala de aula são altamente estruturados e bem planejados.

Portanto, com a sala de aula invertida, o estudante passa a ser o protagonista de sua aprendizagem enquanto o professor orienta, auxilia e conduz o processo.

Vale mencionar aqui que, apesar desta abordagem parecer ser uma tendência do século XXI, o papel de preceptor que coloca o estudante na condição de agente ativo remonta-nos à Grécia Antiga, o que sugere que tais metodologias têm princípios muito antigos.

Valente (2011) argumenta que os aspectos fundamentais da implantação da sala de aula invertida são: a produção de material para o aluno trabalhar on-line; e o planejamento das atividades a serem realizadas na sala de aula presencial. Bacich e Moran (2018), por sua vez, consideram que o mais relevante nessa inversão de sala de aula é engajar os alunos em questionamentos, ampliando e aplicando o que foi aprendido, seja em ambiente on-line ou em espaços físicos não formais de aprendizagem.

Independentemente de ocorrerem de forma presencial, semipresencial ou on-line, são situações que necessitam de um planejamento prévio do professor para que possam atender aos anseios e expectativas de engajamento dos alunos.

Para se trabalhar dentro da abordagem da sala de aula invertida, também tem se recorrido à estratégia de cidade educadora, ou seja, aquela que extrapola os limites da sala de aula. Assim, os alunos são convidados a deixarem o ambiente escolar para visitarem espaços não formais de educação e, em seguida, contextualizarem essa experiência com conceitos dos conteúdos abordados em aula de forma que venham fazer sentido para o aluno.

Espaços não formais de educação são espaços que possibilitam aos alunos a aprendizagem fora do espaço escolar (museus, praças, parques, outros espaços culturais etc.), tendo, porém, como meta a associação dessa experiência ao conteúdo que está sendo tratado na escola. Vale notar, entretanto, que muitos

professores não estão de acordo com essa ação porque demanda um tempo que não dispõem, visto que as aulas são cronometradas em 50 minutos e devem dar conta dos conteúdos estipulados no conteúdo programático das escolas. Assim, aceitam essa forma opcional de educação, mas se trabalhada fora da sala de aula – por exemplo, favorecendo a busca de informações, pesquisas, fora da sala de aula.

2.9 Ensino híbrido

A demanda do século atual na educação está associada ao ensino a distância, efetivamente no ensino superior. Com a possibilidade de acesso às informações disponíveis na rede mundial de computadores, é possível imaginar que todo conteúdo escolar possa ser acessado de qualquer lugar em qualquer tempo.

Valente (2014) nomeia o ensino híbrido de E-Learning quando parte das atividades são realizadas totalmente a distância e a outra parte é realizada em sala de aula. Para Valente e Escudeiro (2000, p. 05), o E-learning “[…] é a concretização desse ideal tradicional da educação com uma comunidade crítica de alunos, com a tendência à realização de uma aprendizagem relevante, significativa e continuada”.

Staker e Horn (2012) definem o ensino híbrido como blended learning.

Consideram-no como um programa de educação formal que mescla momentos em que o aluno estuda os conteúdos e instruções usando recursos on-line e outros em que o ensino ocorre em uma sala de aula, podendo haver interação com outros alunos e com o professor nos dois ambientes.

O diferencial do blended learning é que o conteúdo e as instruções do curso e/ou disciplina devem ser elaborados especificamente para ele, ao invés de usar qualquer material disponível para o público em geral na internet. Além disso, a parte presencial do blended learning deve necessariamente contar com a supervisão do professor, valorizar as interações interpessoais e ser complementar às atividades on-line, proporcionado um processo de ensino e aprendizagem mais eficiente,

interessante e personalizado, envolvendo gerenciamento de usuários, conexões ideais nas instituições, entre outros aspectos que são relevantes para que o ensino híbrido possa ocorrer de forma eficaz.