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A Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural

1.3 A Política Cultural da Secult/BA

2.4 A Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural

Em 2003, o MinC implanta a Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, o primeiro órgão especializado nessa área de atuação dentro do governo federal e a experiência inovadora é citada como exemplo em vários organismos internacionais. A Secretaria foi responsável, junto com a Secretaria de Políticas Culturais por representar o Brasil no processo de construção e aprovação da Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais. Além disso, desenvolve ações de proteção a segmentos sócio-culturais minoritários.

Atualmente, possui como secretário o paraibano Américo Córdoba, em substituição a Sérgio Mamberti que assumiu a presidência da Fundação Nacional das Artes – FUNARTE. Córdoba integrou a equipe da Secretaria como gerente até 2008 quando recebeu o convite do ministro para assumir o cargo de secretário.

O principal objetivo da Secretaria é garantir aos grupos e redes de agentes culturais o acesso aos recursos para desenvolver as suas ações. Com essa finalidade foi criado o Programa Identidade e Diversidade Cultural: Brasil Plural que se consolidou

35 com a inclusão no Plano Plurianual. A aprovação do programa nos planos plurianuais possibilitou ao Minc contemplar segmentos sócio-culturais; grupos etários, movimentos e áreas transversais do segmento cultural que antes não eram atendidos pelas políticas culturais.

A construção das políticas adotadas pela secretaria ocorre em parceria com a sociedade civil por meio de reuniões com grupos de trabalho, oficinas, fóruns, seminários, dentre outras atividades, além da análise das necessidades e demandas de cada minoria, ou seja, ela nasce do diálogo com os cidadãos que serão beneficiados. Por outro lado, a construção dessas políticas em sistema de participação nasce da mobilização de determinados setores das sociedades civis que por muito tempo foram esquecidos pelas políticas culturais e reclamavam da dificuldade em utilizar meios de acesso como as leis de incentivo.

Entre as ações realizadas pela Secretaria oriundas desses encontros estão: o colegiado setorial para as culturas populares e indígenas, inclusão digital de pessoas com deficiência, seminários sobre a convenção da diversidade cultural, e os prêmios: loucos pela diversidade, culturas ciganas, culturas populares, prêmio cultural LGBT, dentre outros. Como um dos destaques das ações executadas pela Secretaria, estão os editais prêmios para os povos indígenas, onde reconhecendo a dificuldade dessas populações na formatação de projetos, o órgão passou a receber projetos orais, gravados em fitas cassete ou formatos similares. Esta é uma das possibilidades de inclusão para comunidades que tradicionalmente foram excluídas das políticas públicas e por esse motivo não estavam habilitadas tecnicamente para atender a todas as exigências legais dos processos seletivos. Ainda assim, esse é apenas um pequeno avanço perto dos inúmeros entraves criados por uma legislação elitista que ainda exclui grande parte da população.

As ações da Secretaria estão direcionadas basicamente a garantia dos direitos das minorias étnicas, religiosas, sexuais, dentre outras, representando um avanço nas políticas públicas no sentido de criar condições mais igualitárias. O apoio a essas minorias se dá mais efetivamente através da política de editais-prêmios em razão da dificuldade que as instituições possuem de atender as exigências burocráticas do Estado. Em uma política de financiamento com as dificuldades na execução e prestação de contas do recurso, as instituições ficariam inadimplentes e impossibilitadas de buscar novos recursos. Paralelamente a secretaria reconhece essa dificuldade e tem

36 estabelecido prioritariamente a modalidade de premiação, pois nesse modelo não há prestação de contas, como forma alternativa de promover o acesso desses segmentos.

Outra ação importante desenvolvida pela Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural é uma série de seminários com o objetivo de disseminar os artigos da convenção. Os seminários têm como público alvo especialmente gestores públicos e privados no intuito de sensibilizá-los para que os princípios da convenção estejam imbuídos na elaboração das políticas culturais. O seminário é dividido em quatro mesas de debates: 1) Discussão sobre o texto da Convenção em si; 2) a utilização e aplicação da Convenção nas políticas públicas de cultura; 3) como a produção de bens, serviços e expressões culturais se articulam com o desenvolvimento local e regional; 4) como a sociedade civil pode contribuir na implementação da Convenção e para atingir os seus objetivos.

A secretaria de Identidade e Diversidade Cultural não é o único órgão a tratar do tema dentro do MinC. O audiovisual tem uma grande colaboração nos projetos da diversidade cultural, bem como a Secretaria de Cidadania Cultural, através do Programa Cultura Viva e o programa mais recente do Governo Federal, o Mais Cultura. O primeiro foi fortalecido pela evolução das tecnologias de captação e difusão de imagens e sons que permitem aos produtores e a sociedade civil criarem alternativas de produção, criação e difusão de conteúdos e desta forma fortalecer a diversidade. A Secretaria de Cidadania Cultural, como veremos mais detalhadamente no capítulo a seguir, foi a responsável pela criação do programa Pontos de Cultura que potencializa ações que já são reconhecidas e executadas em locais distribuídos por todo o território nacional. O Mais Cultura tem ampliado as ações que já estão sendo desenvolvidas através de grande aporte financeiro.

A análise das políticas públicas para a diversidade ressalva a sua importância como tema estratégico para as políticas culturais que se estabelece não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, reafirmando o direito soberano dos Estados na implementação de políticas necessárias a proteção e promoção das expressões culturais. A diversidade e os preceitos da Convenção não estão presentes apenas na Secretaria de Identidade e Diversidade, mas em todas as ações do Ministério da Cultura. O capítulo seguinte, que trata do Cultura Viva e o Mais Cultura propõe uma análise das ações destes programas em sua relação com os fatores que promovem a diversidade.

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