1. Verificação geral
O asseio da CT constitui um valor essencial que expressa a saúde do ambien- te. A limpeza dos quartos e dormitórios são feitas pelos companheiros de dormitórios; já os espaços comuns, por equipes formadas por residentes. A supervisão é feita por um quadro de funcionários e residentes avançados. O resultado disso será pormenores levados em consideração, como maçanetas e talheres polidos, sala de estar em perfeito estado, jardim asseado etc.
Essa verificação pode ser semanal, mas especialmente motivada por eventos especiais, tais como: visitas externas ou feriados. Pode também haver moti- vação para uma verificação geral, sequencialmente a um período de instabi- lidade na CT, ou simplesmente para energizar positivamente o conjunto de membros. Todos os residentes são recrutados para as atividades, sendo or- ganizados por equipes e sempre sob a supervisão do corpo de funcionários. Essa supervisão relata os resultados das atividades em reuniões fraternais para motivar os resultados alcançados.
A verificação geral é importante no gerenciamento clínico da comunidade, agregar e manter o orgulho comunitário e principalmente avaliar como cada indivíduo se porta sob pressões da comunidade e se relacionam uns com os outros durante as tarefas.
2. Verificação rotineira
Trata-se do principal sistema de vigilância da CT. Traça o espectro global do asseio e limpeza, da ordem operacional, da segurança física e do clima psicológico da CT. Várias vezes ao dia equipes de supervisão formadas por um corpo de funcionários e residentes avançados percorrem as instalações munidos de prancheta e canetas, a fim de anotarem todos os detalhes do asseio para que o corpo de funcionários e os residentes tenham a mesma im- pressão sobre o status da comunidade, fomentando assim o gerenciamento clínico e provendo dados sobre as condições físicas do ambiente, sendo este o um indicador do status psicológico da comunidade.
A verificação rotineira relaciona os espaços físicos e psicológicos, pois a relação dos residentes com o espaço físico revela questões de disciplina e treinamento, autocontrole, compromisso e agregação. Aprender a organi- zar o ambiente físico estimula os residentes a exercer autocontrole sobre o comportamento emocional. Um ambiente organizado expressa um jargão conhecido na CTs: ”Cama limpa significa cabeça limpa”.
Não há fórmula para criar uma equipe de verificação. A verdade é que quan- to mais pessoas e com uma maior frequência nas inspeções, pode-se realizar uma (mais provável) verdadeira avaliação sobre a saúde física e psicológica do ambiente. (ser traçada). É importante não ter horários programados, a fim de evitar a prévia preparação por parte dos residentes, pois o intuito é de avaliar a rotina realizada pelos residentes.
Comunidades Terapêuticas I
Tudo o que for anotado e verificado deve ser comunicado ao corpo de fun- cionários do próximo plantão, a fim de evitar transtornos quando determina- dos comportamentos forem autorizados, porém sendo estes contra normas internas, por parte dos residentes. Também durante a verificação pode-se checar o comportamento de residentes que não cumprem com as tarefas determinadas, sendo esse um comportamento negativo e de potencial agra- vo sobre a comunidade devendo ser solucionado o problema de determina- do residente.
Códigos regulatórios dão parâmetros para a verificação rotineira que, além de traçar o perfil da comunidade, pode traçar o perfil individual de cada residente. Durante a verificação rotineira problemas como de inter-relacio- namento podem ser detectados, entre outros muitos que podem surgir, e o gerenciamento desses problemas é a chave de contenção da disseminação de uma atitude negativa, que pode partir de um único indivíduo e dissemi- nar por toda a comunidade. Por isso deve ser dada ênfase na solução de pequenos focos de alteração.
3. Exames de urina
O ambiente das comunidades terapêuticas é livre de quaisquer tipos de subs- tâncias químicas, e até mesmo medicamentos, como aspirinas, insulinas, ou qualquer tipo de psicotrópicos que ficam guardados em consultórios médi- cos, sendo as equipes médicas que os controlam.
Os exames de urina são usados como instrumento auxiliar, para avaliar o provável uso de drogas, nas dependências da CT ou fora dela por algum residente suspeito. Nem sempre esses exames foram rotineiros, porém atu- almente órgãos financiadores das CTs como os departamentos de justiças tornaram parte do programa o exame de urina. No começo esse método mostrou-se um tanto quanto humilhante ao indivíduo que está em recupera- ção, pois o fato de ter que urinar em um recipiente e estar sendo observado por alguém, o colocava numa situação psicologicamente constrangedora. Contudo, ao longo dos anos as CTs conseguiram incorporar esses exames ao programa, tornando-os instrumento auxiliar na manutenção de um am- biente livre de drogas. E num âmbito individual pode fornecer dados para avaliar o progresso de cada indivíduo dentro do programa, podendo verificar se para aquele indivíduo o programa está surtindo efeito, uma vez que é possível avaliar se aquele residente diminuiu, ou até mesmo parou com o consumo de drogas.
e-Tec Brasil
Deve ser a responsabilidade de um ambiente “limpo” dos próprios residen- tes, uma vez que os próprios companheiros são mais capazes detectar algo de suspeito no outro companheiro, e caso haja a conivência da omissão do fato, este também deve ser responsabilizado, portanto a vigilância é papel de todos da comunidade.
As coletas do material para o exame de urina podem ter duas motivações: coletas aleatórias não anunciadas, e os exames motivados por incidentes. As coletas aleatórias não anunciadas selecionam residentes ao acaso, a fim de garantir um ambiente “limpo” dentro da CT, ou em caso de suspeita de “casa suja” por parte de vários residentes. Os exames motivados por inci- dentes são implementados numa causa provável ou por base numa obser- vação onde residentes ou até mesmo um funcionário pode estar realizando consumo de drogas na CT. Nesse caso é realizada uma entrevista e solicitado o exame ao suspeito.