2. LATINOAMERICANOS SÍ, PERO NO MUCHO – A PRESENÇA DO
2.2 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)
2.2.2 A segunda LDB de 1971
A dependência cultural tem evoluído com a importação de modelos de pensamentos e os “modismos” pontificam, mais que a originalidade, nos meios docentes. Nesse sentido, processaram-se as mudanças sem que estas tivessem ajudado a criar condições para a formação de um padrão intelectual mais autêntico, mais autônomo (Romanelli, 1986, p. 230).
A questão que se coloca, inicialmente, pela autora, retrata o contexto brasileiro do período de 1964 a 1968, o qual houve uma crise estudantil. Essa começou a se formar, de fato, em um período anterior, que resultou da aceleração do ritmo de crescimento da demanda efetiva de educação.
Romanelli (1986) ilustra como resultado desse crescimento dois fatores: “a implantação da indústria de base, [...] que criou uma quantidade e uma variedade de novos empregos e a deterioração dos mecanismos tradicionais de ascensão da classe média (p. 205)”.
O que se verifica, desse período, é à entrada de grandes multinacionais que, ao se instalarem, trouxeram novos serviços, novos sistemas burocráticos, além da criação de diversas empresas menores. Esses serviços e ocupações modificaram
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indiretamente questões referentes tanto à criação de infraestrutura, comunicação, transporte quanto energia, ocasionando a criação de novos empregos das mais diversas exigências de habilidades.
E, a partir dessas novas possibilidades, a classe média se depara com a seguinte situação:
de um lado, uma crescente demanda de pessoal, por parte do sistema econômico, e, de outro, uma crescente oferta de trabalho por parte das camadas médias, que veem nas hierarquias ocupacionais das empresas a única forma de manter ou conquistar status (idem).
No entanto, o aumento da procura de mão de obra não resulta em emprego garantido; nesse momento, entre as exigências, uma boa e adequada qualificação para cada ramo de ocupação era imperativo. “A educação, portanto, passa a ser encarada como o único caminho disponível, para as classes médias, de conquistar postos e, para as empresas, de preencher os seus quadros” (ROMANELLI, 1986, p. 206).
Como mencionado no início da seção, houve um período de crise, nesse período, no sistema brasileiro, porém, somente em 1968, quando de fato a crise estava em seu ápice se fez algo para conter as pressões que o governo sofria de todos os lados do sistema. A LDB (BRASIL, 1961) não previu o que o país carecia: estrutura escolar para a demanda de recursos humanos devido à expansão econômica.
Desta maneira e com base nas considerações de Romanelli (1986) era certo que a demanda de pessoal com qualificação de nível médio crescia em ritmo bem mais acelerado do que a oferta, e isto só cresceu nos anos seguintes. Por fim, se promoveu, a princípio, uma reforma universitária e, consequentemente, ficou demonstrado por documentos da época, os quais tratavam sobre uma redefinição da política educacional brasileira, uma necessidade de reformulação do modelo de educação primária e média que se instaurava.
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Em 11 de agosto de 1971, a Lei 5.692 (BRASIL, 1971) apresenta como objetivo principal fixar as Diretrizes e Bases para o ensino de primeiro grau (ensino primário) e segundo grau (ensino médio):
Artigo 1º. O ensino de 1º e 2º graus tem por objetivo geral proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de auto- realização, qualificação para o trabalho e preparo para o exercício consciente da cidadania (idem).
Desde esse primeiro artigo da Lei (BRASIL, 1971), já se percebe que as mudanças são imediatistas, visam à solução de um problema daquele momento, no caso se qualificar para trabalhar, atuar consciente de acordo com o que o cerca social e politicamente. Logo, a estrutura educacional passa ser a seguinte:
DURAÇÃO CARGA
HORÁRIA
FAIXA ETÁRIA OBJETIVO
Ensino de 1º grau
(OBRIGATÓRIO)
Oito anos 720 horas anuais
Dos sete aos catorze anos (formação da criança e do pré- adolescente) - Sondagem vocacional - Iniciação para o trabalho DURAÇÃO CARGA HORÁRIA
FAIXA ETÁRIA OBJETIVO
Ensino de 2º grau Três ou quatro anos 2.200 horas (para cursos de três anos) 2.900 horas (para cursos de Formação de adolescente - Habilitação profissional
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A essa nova estrutura se incluiu matérias obrigatórias no currículo como mencionadas no artigo 7º: “Educação Moral e Cívica, Educação Física, Educação Artística e Programas de Saúde nos currículos plenos dos estabelecimentos de 1º e 2º graus” (BRASIL, 1971) e, de modo geral, pode-se dizer, que o currículo passou a ser dividido em uma parte de educação geral e outra de formação especial.
Isto posto, Romanelli (1986) sucintamente expõe que
a educação geral deve fornecer uma base comum de conhecimentos e será dominante no ensino do 1º grau. A formação especial visa, no ensino de 1º grau, à sondagem de aptidões e iniciação para o trabalho, sendo incluída nas séries finais desse nível, em caráter não dominante e, no 2º grau, visa a habilitação profissional, sendo até dominante nesse nível (p. 240).
Por certo, a LDB de 1971 (BRASIL, 1971) também manteve uma estrutura curricular semelhante à da LDB de 1961 (BRASIL, 1961), pois, entre tantas proposições, além da inclusão de disciplinas obrigatórias, como já mencionadas, houve disciplinas optativas. As línguas estrangeiras, no artigo 8º parágrafo segundo, foram, nesse momento, mencionadas como opções entre as disciplinas:
em qualquer grau, poderão organizar-se classes que reúnam alunos de diferentes séries e de equivalentes níveis de adiantamento, para o ensino de línguas estrangeiras e outras disciplinas, áreas de estudo e atividades em que tal solução se aconselhe (BRASIL, 1971).
Primeiramente, na prática, uma vez mais as línguas estrangeiras e o seu ensino ficaram à parte. Agir, conforme o parágrafo anterior da Lei, reunindo alunos de diferentes séries e equivalentes níveis é, sem dúvida, tratar esse ensino como coadjuvante; não utilizá-lo como componente curricular, mas como um estudo secundário.
Além disso, não houve a especificação de quais seriam as línguas estrangeiras ensinadas, tampouco a quantidade de horas específica para elas, diferentemente do que ocorreu até o Decreto de 1942 (BRASIL, 1942), no qual as línguas estrangeiras eram especificadas juntamente com sua carga horária determinada por níveis de ensino.
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Laseca (2008, p.56) relata como consequências das LDBs de 1961 e de 1971, muitos alunos brasileiros dessa época nunca estudaram línguas estrangeiras, seja no primeiro ou no segundo grau e, ao citar Dahner (2006, p.7), no que diz respeito à língua espanhola, supõe que “transcorridos menos de vinte anos desde sua implantação (Reforma Capanema de 1942), sua saída quase total do espaço educativo, no qual permaneceram o inglês e/ou, em menor medida, o francês”.