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2.3 PUBLICIDADE E MARCAS

2.3.2 A semântica das marcas

Cotejando tais questões que se encontram no âmago deste trabalho, nos estudos

desenvolvidos por Kreutz (2014) com relação à marca “Colômbia” e como ela surgiu,

observou-se que o país passava por um problema sério relacionado ao narcotráfico e isso

ajudou a construir uma imagem de que era perigoso, logo, não sendo atrativo turisticamente,

muito menos propício para os investidores. Um esforço no sentido de resgatar o que o país

possuía de diferencial e a construção da marca “Colômbia” se constituiu em algumas das

estratégias empregadas para tentar transformar essa imagem relativa a esse destino turístico.

Atualmente, a Colômbia está cada vez mais se consolidando como um destino turístico da

América Latina (KREUTZ, 2014).

Nesse caso, idealizou-se o que se denomina de marca-território, que se constitui em

uma representação simbólica vinculada a um determinado local, seja um país, uma cidade ou

uma região, que abrange características específicas, cuja combinação das mesmas a diferencie

das demais. Essas características podem ser econômica, política, produtiva, comercial,

histórica, cultural e socialmente relevantes para seus públicos (DINNIE, 2008 apud KREUTZ,

2014), bem como as de paisagem (geografia e características populacionais) e as de elementos

simbólicos específicos como bandeira, hino entre outros. De acordo com os autores, o uso de

marcas associadas a países tem por objetivo desenvolver uma vantagem competitiva.

Figura 15 – Marca Colômbia

Fonte: Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=marca+colombia>. Acesso em: 10

out. 2017.

As Figuras acima buscam resgatar elementos singulares com uma clara referência ao

potencial turístico da Colômbia. Segundo Kreutz (2014), a marca Colômbia se traduz em uma

identidade flexível, baseada em figuras geométricas, escala de cores e símbolos que

representam o país e sua megadiversidade, composta pelos seus elementos mais marcantes. É

possível perceber que a marca mantém a característica da forma geométrica e a denominação

CO, caracterizada por Kreutz (2001) como caixa mágica, que muda alguns elementos como

cores e figuras, relacionando-se ao tema divulgado. Essas mudanças na marca a tornam

mutante, definida pela pesquisadora como mais flexível, dinâmica, plural, pois não se mantém

imutável. Pelo contrário, sofre modificações, como se observa na marca “Colômbia” (Figura

15).

O Brasil, via Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur), também possui sua marca,

inclusive o mapa-fôlder analisado (Figura 40) a estampa acima e à direita. Ao retomar nossos

símbolos, podemos buscar a identificação de cada um deles pelas cores da marca. A Figura a

seguir representa a “Marca Brasil”:

Figura 16 – Marca Brasil

Fonte: Manual da Marca Brasil (2010).

Em relação à marca acima, Kreutz et al. (2014) esclarece que, de acordo com o

Manual da Marca Brasil (2010 apud KREUTZ et al., 2014), a marca do país é representada

graficamente pela sinuosidade, destacada na biodiversidade natural do país, indo ao encontro

das curvas das montanhas e das ondas do mar. As cores escolhidas remetem à brasilidade,

definindo o Brasil como um país luminoso, brilhante e colorido. No entanto, esses atributos

podem não fazer sentido para quem a visualiza sem fazer todas essas reflexões em torno da

geografia brasileira, não causando identificação com a marca. Portanto, não se trata apenas da

construção de uma identidade visual da marca, mas de todos os elementos que a compõem, de

como isso agrega valor ao que se oferece e, acima de tudo, de como pode gerar identificação.

Na semântica das marcas, poderia se perguntar quais os significados a ela associados e

se o verde está relacionado às nossas matas como na bandeira do Brasil. Assim, essa

recorrência conduz a um referente que se repete e é redundante do ponto de vista de um apelo

turístico. Kreutz (2011, p. 1) afirma ainda que “as marcas são formas simbólicas

multissensoriais, cujos significados são construídos socialmente por meio de discurso

multimodal”. Assim, o papel do público é relevante nesse processo porque, mais do que

identificar o que vê, ele precisa se identificar com o que vê. O Brasil atrai turistas sobretudo

por ser um país tropical e ganhou destaque recentemente em veículos de comunicação

europeus como se vê a seguir:

Na última semana, destinos brasileiros ganharam lugar de destaque na imprensa

europeia. Com ênfase em sugestões para viagens de férias, três veículos, um da

Alemanha (Travel Zoo) e os outros do Reino Unido (The Spectator e The

Telegraph), apresentaram opções de atrativos turísticos brasileiros em cidades como

Rio de Janeiro, Paraty e João Pessoa, e as Cataratas do Iguaçu.

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De acordo com a mesma reportagem, os destinos preferidos pelos alemães são os que

possuem atrativos naturais como mostrado a seguir:

Dos turistas da Alemanha que vieram a Lazer para o Brasil, 47% escolheram

destinos de Natureza, Ecoturismo ou Turismo de Aventura, seguidos de Sol e Praia

(30%). Os franceses (cerca de 40%) preferiram Sol e Praia. De acordo com a

Demanda Turística do Ministério, ambos escolheram como os preferidos dos

destinos a lazer Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu e São Paulo.

A reportagem ainda destaca o modo como o Rio de Janeiro é visto pelos alemães:

O site de viagens Travel Zoo, voltado para o público alemão, destacou a capital

carioca na publicação intitulada “Samba, Sol e Praia”. De acordo com o veículo, o

Rio de Janeiro desperta emoções e se apresenta como um destino completo: com

praias, diversões noturnas e monumentos únicos. O Cristo Redentor, o Pão de

Açúcar e o desfile de escolas de samba durante o Carnaval foram os atrativos

ilustrados na matéria. O portal indica, ainda, uma viagem a Paraty e às Cataratas do

Iguaçu.

Com relação ao destino turístico Rio de Janeiro, a pesquisa revelou que há o interesse

por sua urbanidade. Não dá para deixar de destacar que o apelo ao estado, apesar de sua

violência, recai nos seus inúmeros símbolos que vão além daqueles naturalísticos. O apelo

cultural foi considerado um elemento importante representado pelo carnaval e pelos seus

monumentos.

Considerando também esses dados, este trabalho sugere que o Amazonas deveria

possuir uma marca-território, o que poderia trazer vantagens para a região, assim como outros

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Disponível em: <http://www.embratur.gov.br/piembratur-new/opencms/salaImprensa/index.html>. Acesso

em: 15 nov. 2017.

estados que já estão mais consolidados nesse sentido. Suscita-se que seria necessário que essa

marca aglutinasse sustentabilidade e que os vieses econômico, cultural e social pudessem

estar representados em torno da biodiversidade que a região apresenta, considerando que a

mesma pode ser vista como um espectro da vida vegetal e animal ao nosso redor. Por

natureza, é difícil medir a biodiversidade, que, cada vez mais, vem sendo considerada um

recurso natural crítico que a sociedade deve administrar como qualquer outro (ESTY;

WINSTON, 2008). É necessário desenvolver a região de forma sustentável sem deixar de

considerar as suas peculiaridades e a sua importância no que tange não apenas às questões de

ordem local, mas glocal.

Da mesma forma, seria importante que se consolidasse uma marca para retratar a

região que agregasse mais do que os aspectos já recorrentes, como os naturalísticos. Para

fortificar a marca, ela não poderia mudar durante trocas de governo. Com isso, o setor

turístico ganharia mais evidência. Seria importante, portanto, pensar no que a região tem

como diferencial, que outros elementos podem ser a ela associados, como isso pode ser

rentável tanto econômica quanto socialmente. A seguir apresenta-se a metodologia utilizada

para desenvolver a pesquisa.

3 METODOLOGIA

Esta pesquisa, de caráter interdisciplinar, visa analisar a construção de representações

discursivas em publicidades turísticas, tanto no viés verbal quanto no visual. Ela pode

permitir a produção de um retrato de como práticas discursivas são constituídas quando o

propósito é „comercializar‟ um produto local, como os rios e a floresta, nos contextos de

investigação – constituintes do corpus – que são apresentados neste capítulo. Sua natureza é

qualitativa, pois parte de fatos sociais e busca, via critérios de seleção e categorias analíticas,

a investigação e a compreensão desses fenômenos.