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CAPÍTULO 2: O SIGNO LINGUÍSTICO NA ESTRUTURA CONCEITUAL DE UM

2.2 A SEMÂNTICA COGNITIVA

2.2.2 A Semântica de Frames

Fillmore, americano e professor da Universidade da Califórnia, em 1997, ao

fixar a Semântica de Frames como “parte da hipótese de que o aparato conceptual

humano é constituído não por conceitos isolados, mas por conjuntos conceptuais internamente estruturados” (SILVA, 1999, p. 20).

Os conceitos norteadores da Semântica de Frames são cena, esquema e frame.

Cena refere-se às “experiências do mundo real, ações, objetos, percepções e memórias

23 Tradução: resulta numa versão polissêmica ou multicategorial que, em vez de explicar porque tal ou tal

entidade particular pertence a tal ou tal categoria, dá conta do fato de que uma mesma palavra pode reagrupar vários sentidos diferentes, ou seja, pode remeter a vários tipos de referentes ou de categorias.

pessoais”, segundo Fillmore (1995, p. 82). Frames “refers to the linguistic units associated with a cognitive scene, [...] presuppose a fairly complete understanding of

the nature of the total transaction or activity”24 (Id., Ibid., p. 78-79). A cena pode ativar

o frame e vice-versa. Frames são associados na memória com outros frames, assim como cenas são relacionadas com outras cenas (Id., 1977b, p. 127).

Esquema se refere a “conceptual structures or frameworks that are linked together in the categorization of actions, institutions and objects found in sets of

contrast, object prototypes, among other”25 (Id., Ibid.). Faulstich (2011), ao interpretar

as ideias de Fillmore, declara que:

a noção de esquema é equivalente à de um quadro de ação ou de um contexto maior, dentro do qual cada item lexical tem uma significação própria. Esse quadro se organiza, por consequência, a partir de um conjunto de noções ou de pistas que se tornam necessárias para a caracterização de um acontecimento, como, por exemplo, uma mensagem publicitária.

Segundo Fillmore (1977a, p. 77), “the study of semantics is the study of the

cognitive scenes that area created or activated by utterances.”26 O autor exemplifica essa

afirmação ao mencionar que, “whenever a speaker uses any of the verbs related or

actived to the commercial event, por exemple, the entire scene of the commercial event

is brought into play – is ‘actived – but the particular word chosen imposes on this scene

a particular perspective.”27 Nesse contexto, alguém que ouve e entende cada enunciado

tem em mente a cena, envolvendo todos os aspectos necessários do evento. Os significados se relativizam em cenas. No evento comercial, duas pessoas são ativadas, o vendedor e o comprador. Este entrega o dinheiro e leva a mercadoria. Aquele recebe o dinheiro e entrega a mercadoria. A completa descrição desse evento deveria ter selecionado outros lexemas, como: bens, dinheiro, sistema monetário, duas pessoas participantes, duas transferências de posses, entre outros. Esse evento seria a cena, cujos participantes são os agentes. Os lexemas relacionados à cena são os frames. O conjunto de frames desse evento dá origem ao esquema.

24 Tradução: refere-se às unidades linguísticas associadas com cenas cognitivas, [...] pressupõem o

entendimento bastante completo da natureza do evento ou atividade.

25 Tradução: estruturas conceituais ou frameworks que estão ligadas entre si na categorização de ações,

instituições e objetos encontrados em conjuntos de contraste, objetos prototípicos, entre outros.

26 Tradução: o estudo da semântica é o estudo das cenas cognitivas que são criadas ou ativadas por

enunciados.

27 Tradução: toda vez que o falante usa qualquer um dos verbos relacionados ao evento comercial, por

exemplo, a cena inteira do evento é ativada, mas a palavra específica escolhida impõe à cena uma perspectiva particular.

Fillmore e Baker, por meio da aplicação da Semântica de Frames, criaram a FrameNet, que é um projeto lexicográfico computacional identificador e descritor de frames semânticos. Desse projeto da Universidade de Berkeley, na Califórnia, surgiu o site (https://framenet.icsi.berkeley.edu/fndrupal) que possibilita pesquisa eletrônica baseada em frames.

No contexto das analogias estabelecidas no dicionário analógico, é possível aplicar a Semântica de Frames. As cenas representadas em eventos selecionam frames, que são os lexemas relacionados ao evento. A cena e os frames formam o esquema, constituído por campo lexical, como interpretamos na figura:

Figura 16: Representação da aplicação da Semântica de Frames. Fonte: (VILARINHO, 2013)

Vejamos um exemplo do lexema transporte, que seleciona um conjunto de lexemas. O campo lexical é formado por conjunto de lexemas. Diante de algum evento relacionado ao campo lexical transporte, os lexemas ativados pelo léxico mental para efetivar a comunicação são os frames. O evento é a cena, na qual pode aparecer os tipos de transportes, selecionando os hipônimos. Para descrever as partes dos veículos, os hipônimos são apresentados. Os tipos do condutores dos veículos e outras relações associativas feitas na mente do falante constituem os conceitos conexos, que são lexemas justapostos em um mesmo plano hierárquico por relação de coordenação de significados, e seus conteúdos semânticos são de mesmo valor, de modo que o significado remete a outro por meio da analogia (FAULSTICH, 1993, p. 94-95; 1995, p. 287). Pode haver seleção de antônimos e sinônimos também. Cenas como viagem, entrega de mercadoria, deslocamento ao trabalho ativam frames do campo lexical transporte. O campo lexical representa o esquema. Essas observações foram representadas na figura posterior:

Figura 17: Aplicação da Semântica de Frames ao campo lexical transporte. Fonte: (VILARINHO, 2013)

A apresentação do liame entre a Semântica de Frames e o dicionário analógico está registrada na seção 5.4.

Utilizamos o programa XMind, que disponibiliza ferramentas para criação de mapa mental. Esse programa foi empregado por nós para elaboração de mapas mentais a fim de organizar a informação, como ocorre nas duas figuras anteriores. Na próxima seção, discutiremos sobre mapa mental e mapa conceitual.

2.3 MAPA MENTAL E MAPA CONCEITUAL PARA ORGANIZAÇÃO DA