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Esse conjunto mesmo exibindo uma pequena área de ocorrência, encerra uma alta representatividade para a leitura da memória e volutiva do Sistema Jaguaribeano.

Ocupa um espaço estrutural razoavelmente resguardado das mais enérgicas modificações tectonotermais do chamado Ciclo Brasiliano. Seu embasamento setentrional, mesmo no contato com os metassedimentos dessa seqüência, osten tam pequenas modificações, em relação ao que foi observado noutros tratos. Também, os granitóides de afloramentos às proximidades de Limoeiro do Norte, encerram uma trama magmática bem preservada (p.ex., Granitóide Quixeré).

Por outro lado, o embasamento a sul e leste, mostra-se francamente milonitizados

(foliação milonítica suavemente ondulada e crenulada) encaixando diques e sheets

pegmatíticos e graníticos, além de stocks desta última composição.

No que tange ao seu quadro estrutural, em relação ao de Ja guaribe e, conseqüentemente, ao de Orós, não ficou bem estabelecido no campo, porque a única e importante ligação, a Zona de Cisalhamento Jaguaribe, não foi observada em seções que mostrassem, diretamente, suas relações com essa Sequência Peixe Gordo.

Contudo, partindo-se do desenho crono-litoestrutural regional, envolvendo todas as sequências metasssedimentares associadas a metamagmatitos de idades estaterianas, admite-se, neste trablho, que as principais fases deformacionais dúcteis das supracrustais de Peixe Gordo, como sinônimas das fases 2 e 3 tratadas anteriormente. Assim, as defomações inerentes a Fase 1, como relacionada na literatura, para as seqüências Orós, Jaguaribe e Extremo Oeste Potiguar, não teriam importantes repercussões nesse trato. Isto

decorre também do fato de que a discreta foliação paralela a S0, marcada em setores de

baixo strain , deve-se a processos buriais (foliação diagenética), já que dobras isoclinais pré-F2 não foram observadas.

4.4.1 - A Fase F2

Para essa fase depara-se com setores estruturais distintos, sendo os de menor strain (geralmente na parte central da área) com estruturas sedimentares dos tipos acamadamento laminado e lenticular, marcas onduladas e estratificação cruzada, somando-se arranjos estruturais aos feitio s de wavy e flaser bedding, , pseudonódulos de arenitos em siltitos e ripple drift cross lamination, além daqueles de estruturas definidas como resultantes de deformações físicas induzidas ( load-casted e convolutas) (Fotos 3.31, 3.32 e 4. 22 a 4.25). Parte dessas configurações é francamente tectônica e ligada ao

desenvolvimento de S2.

Nesse setor, assinala-se uma forte irregularidade nos perfís das dobras, entre abertos

e angulares (Fotos 4.24 e 4.25), com as superfícies S2 oscilando entre um padrão discre to

a intenso. Enquanto as camadas metareníticas mostram S2 como uma clivagem espaçada e

irregular, em parte preenchidas por fluxo de material metapelítico que exibe a extensividade dessa estrutura planar refratada (Foto 4.26). Ao contrário, nos metalamitos

posicionamento plano-axial.

Em afloramentos com S0 de baixo mergulho, como o exibido na Foto 3.31, ocorrem

domínios de foliação cerrada que chega a imprimir uma geometria simila r a um kink em

S0 e se constituir em zona de falha reversa de pequeno rejeito, podendo refletrir uma

estruturação gerada tardi -F2 ou cedo-F3.

No sentido leste ou do contato metassedimentos versus metavulcânicas, essa

foliação S2 torna-se mais acentuada (Foto 3.31), chegando a ficar paralela à foliação

milonítica dessas últimas rochas. Nessa progressão, verifica -se que dobras de F2

receberam superposição estrutural, com S2 sendo dobrado.

4.4.2 - A Fase 3

Essa fase foi tratada como tendo sido desenvolvida num contínuo de F2,

provavelmente ligado ao funcionamento da Zona de Cisalhamento Jaguaribe.

No segmento próximo ao contato com o embasamento oriental, dobras isoclinais, fortemente inclinadas, de pequenos  (Fotos 4.27 a 4.29 e Fig. 4.6) foram admitidas como

resultante de uma amplificação de dobras de F2quando do desenvolvimento de F3 (Foto

4.28).

Pelo lado ocidental, num contexto mais próximo do contato dos metassedimentos com as metavulcânicas, aparecem dobras abertas duplamente mergulhantes suportadas por quartzitos envoltos por pelitos interacamadados com meta -arenitos (Fotos 3.28 e

3.29), que foram relacionadas a F2 exibindo superposição de F3, num contínuo

deformacional. Observa -se também nesse setor, uma intensificação na ocorrência de minidobras de eixos curvos, geralmente condicionadas a um fluxo desviatório entre domínios mais e menos competentes (pelíticos versus psamíticos versus vulcano- subvulcânicas ácidas).

Por sua vez, as análises meso e micropetrográficas de exemplares dessas dobras, ao

contrário das similares de F2, registram uma xistosidade fina a muscovita cortada por uma

clivagem de crenulação, num arranjo que marca um desenvolvimento heterogêneo em condições de temperaturas e taxas de strain similares as referenciadas aos estágios 3 e 4 de Bel & Rubenach (1983) (Fotos 4.30 e 4.31). Um arranjo estrutural dessa situação é mostrado na Fig. 4.6b e 4.6c e nas Fotos 3.28 a 3.30.

No que concerne as lineações do tipo b (eixo de minidobras), tem -se uma tendência

média para NNE com mergulho su perior a 450.

Crenulações associadas a dobras abertas elaboradas com o uso de superfícies miloníticas dos gnaisses do embasamento (Complexo Iracema), foram relacionadas a esta fase em estágio tardi-F3.

4.4.3 - A Zona de Cisalhamento Peixe Gordo.

Trata-se de uma zona de cisalhamento já fartamente documentada em trabalhos anteriores, que se reportam de alguma forma a esta região. Sendo, por vezes, adotada como locus de reativação quando da geração do Graben Apodi.

Como na Faixa Orós, as melhores registro s de milonitização encontra -se nas seções das metavulcânicas ácidas e augen gnaisses.

exibem média direcional NNW (N20 -30W) e de mergulhos em torno de 550 NE. Enquanto isto, os sigmóides de feldspatos, vistos segundo um plano subparalelo a xz, sinalizam um movimento oblíquo up dip, admitindo a existência de uma rampa oblíqua (Fig. 4.6 e Fotos 3.22 e 3.23), associada ao deslocamento do bloco que envolve as supracrustais de Peixe G ordo, no sentido SSW.

Indicação similar é ostentada pelos sigmóides dos augen gnaisses encaixados nos

ortognaisses miloníticos do “embasamento” ocidental (Complexo Iracema), com algumas

variações decorrentes da presença de dobras ou suaves ondulações.

Para o seu segmento meridional, com direção em torno de EW, não se tem informações. Contudo, observações às proximidades, envolvendo os gnaisses protomiloníticos do citado complexo, confirmam esse arranjo cinemático.

A lineação de estiramento mineral (feldsp atos e quartzo de metamagmatitos ácidos)

e seixos (metaconglomerado) exibem atitude média de 170/ 100 Az (Fotos 3.23 e 3.33).

As condições de PT reinantes durante as deformações miloníticas foram da fácies xisto verde (Capítulo 3).