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A soja no Brasil: Panorama geral

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Capítulo II – Soja Geneticamente Modificada

2.1. A soja no Brasil: Panorama geral

Entre 1960 e 1970, a soja se consolidou como uma importante cultura no Sul do Brasil e posteriormente alcançou outras regiões do país. Nestes 20 primeiros anos de cultivo alguns fatores foram fundamentais para que a soja se firmasse como um produto comercial. Fatores como o clima - semelhante ao da região produtora da oleaginosa nos Estados Unidos; o desenvolvimento do programa que promoveu a calagem e a correção da fertilidade dos solos na região24; incentivos fiscais disponibilizados aos produtores de trigo que beneficiaram igualmente o cultivo da soja, que utiliza, no verão, a mesma área, mão de obra e maquinaria do trigo cultivado no inverno; mercado internacional favorável25; novos hábitos alimentares que substituíam as gorduras animais (banha e

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Junho de 2006.

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Este será realizado baseado principalmente no histórico do processo jurídico existente na página do IDEC (disponível em: <http://www.idec.org.br>. Acessado em set. 2003) e do trabalho de Menasche (2003) de construção de uma cronologia dos acontecimentos no Brasil e no Rio Grande do Sul.

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A chamada “Operação Tatu” no RS, realizada em meados dos anos de 1960.

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O mercado internacional estava em alta, principalmente em meados dos anos de 1970, em resposta à frustração da safra de grãos na Rússia e China, assim como da pesca da anchova no Peru, cuja farinha era amplamente utilizada como componente protéico na fabricação de rações para animais, substituído posteriormente pelo farelo de soja (EMBRAPA, disponível em: <http://www.cnpso.embrapa.br/producaosoja/SojanoBrasil.htm> acessado em nov. 2005). Além destes

manteiga) por óleos vegetais; modernização da agricultura, com a introdução de máquinas e insumos da revolução verde; além do estabelecimento de um importante parque industrial de processamento de soja, influenciaram no estabelecimento do seu cultivo no Sul do país26.

Já a região Central do Brasil, passou a ser cultivada com soja em meados de 1970 e principalmente a partir da década de 1980 por outros fatores, como: incentivos fiscais disponibilizados para a abertura de novas áreas de produção agrícola e para a aquisição de máquinas, construção de silos e armazéns; baixo valor da terra na região; desenvolvimento de um pacote tecnológico para a produção de soja nesta área, com destaque para as novas cultivares adaptadas ao seu clima e solo27; topografia altamente favorável à mecanização; melhorias no sistema de transportes, com o estabelecimento de corredores de exportação; bom nível econômico e tecnológico dos produtores, que oriundos do Sul do país, em sua maioria, já cultivavam soja com sucesso28.

Contudo, foi apenas a partir da década de 1990 que a produção de soja no Brasil passou a ter uma grande importância econômica e política e efetivamente ganhou espaço, em maior ou menor grau, em todas as regiões do país. Este impulso se deu por fatores que já estavam influenciando o crescimento da produção da soja em décadas anteriores, mas também por fatores que foram o estopim para o grande salto desta década.

Com a crise da vaca louca29 na Europa, a partir de 1986, a demanda por soja aumentou sensivelmente, isto porque, esta oleaginosa, fonte de proteína, e o milho, fonte de energia, passaram a ser insumos de grande importância para a ração de bovinos (e também de ovelhas e cervos) que não mais poderiam ser alimentados com restos de animais, já que estes eram os responsáveis pela transmissão da doença. Por ser transmitida aos seres humanos, está doença modificou os hábitos alimentares e a preocupação do Europeu com sua alimentação. Desta forma, a demanda por aves e porcos (também alimentados com rações30) e a opção de substituir carnes por proteína de soja fez crescer ainda mais a demanda internacional do produto, impulsionando a abertura de novas áreas de cultivo no Brasil.

A estes motivos, do aumento da demanda internacional de soja, acrescenta-se a entrada da China no comércio mundial. Mesmo sendo este país um grande produtor da oleaginosa, também é seu grande comprador no mercado internacional, já que sua numerosa população, em seus hábitos alimentares, tem a soja como um produto básico e tradicional, consumindo seus diversos derivados. Aliado a estes fatores está o desenvolvimento de pesquisas e de novas tecnologias e máquinas para a produção de soja no Brasil. Com a introdução do plantio direto (técnica de cultivo

fatores a elevação do preço internacional da soja, se deu neste período pelo embargo dos Estados Unidos às exportações de soja e derivados para a União Européia, tentando assim, controlar a inflação do país (BRUM, 2004).

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EMBRAPA, disponível em: <http://www.cnpso.embrapa.br/producaosoja/SojanoBrasil.htm>, acessado em nov. 2005.

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Em 1975 foi criada a EMBRAPA Soja, que patrocinaria, já a partir do ano seguinte, a instituição do Programa Nacional de Pesquisa de Soja, cujo propósito foi o de integrar e potencializar os isolados esforços de pesquisa com a cultura espalhados pelo sul e sudeste. Além do programa de pesquisa da EMBRAPA Soja, localizado no Paraná, outros programas de pesquisa com a cultura se estabeleceram, nessa mesma década no Brasil: Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais; EMBRAPA Cerrados, no Distrito Federal; COODETEC e FT-Sementes, no Paraná; FUNDACEP, no Rio Grande do Sul; e EMBRAPA Agropecuária Oeste e EMPAER, no Mato Grosso do Sul.

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EMBRAPA, disponível em <http://www.cnpso.embrapa.br/producaosoja/SojanoBrasil.htm>, acessado em novembro de 2005.

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A doença da vaca louca ou Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE) é a doença que ataca o gado, e pode ser transmitida aos seres humanos adquirindo características da CJD (doença de Creutzfeldt-Jakob). Não há tratamento para a doença, sendo esta sempre fatal. (International Vegetarian Union, disponível em

<http://www.ivu.org/portuguese/trans/vsuk-bse.html>. Acessado em 05 de nov 2005).

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Estas rações, em maior ou menor grau, dependendo da quantidade de proteína que cada animal a ser alimentado necessitava, continham soja e seus derivados.

onde a semeadura é realizada diretamente na palha já seca da produção anterior) as condições do solo, a utilização da água e máquinas (já que não se faz necessário o revolvimento da terra antes do cultivo) foram otimizadas, se transformando em economia e maior produtividade para o agricultor31. Ainda, com as pesquisas de novas variedades de grãos, já mencionadas, iniciadas fundamentalmente com o desenvolvimento da EMBRAPA soja em 1975 e, com o advento da Lei de Proteção de Cultivares, em 1997, em que novos programas de pesquisas privadas estabeleceram- se no país, com destaque para as da Monsoy, Fundação Mato Grosso, Syngenta, Pioneer e Milênia, a oleaginosa pôde ser cultivada em todas as regiões brasileiras32.

É também importante destacar que o desenvolvimento da engenharia genética vegetal estimulou novos programas de pesquisa sejam eles privados, públicos ou uma parceria entre estas instâncias, além de representar expectativas de maior controle (sobre pragas, sobre a utilização de herbicidas, sobre vírus) e lucratividades no campo. Finalmente pode-se mencionar a estabilização econômica de 1994, que possibilitou ao produtor, mais capitalizado e com uma moeda valorizada, importar máquinas modernas e insumos úteis para o melhor desempenho e maiores ganhos na agricultura.

Neste contexto, a produção da soja brasileira vem crescendo aceleradamente, principalmente nos últimos anos, ocorrendo à expansão de áreas cultivadas e aumento da produtividade. De acordo com o relatório do quarto levantamento da safra de grãos do ano agrícola 2004/0533, da CONAB, o Brasil possui uma área plantada com as culturas de verão de 47,1 milhões de hectares, 2,3% superior à área da safra passada, sendo que deste total, a soja ocupa 23.163,6 mil hectares, representando 47,7% da área cultivada com grãos, o que é um incremento de 8,7% em relação à safra anterior, incorporando principalmente áreas cultivadas com milho que diminuíram em 5,0%. Dos produtos pesquisados pelo levantamento da CONAB, a soja foi o que mais incorporou área. O gráfico abaixo demonstra o crescimento expressivo deste produto nas últimas três décadas:

Área Plantada com as principais culturas no Brasil

Em 106 ha. (10 milhões de hectares)

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O plantio direto na palha possibilitou a diminuição significativa do consumo de petróleo (60 a 70 % a menos de óleo diesel), o aumento do seqüestro de carbono (aumento do estoque no solo e da matéria orgânica em decomposição na superfície) e a diminuição expressiva da perda de solo por erosão (90 % de diminuição nas perdas estimadas em 10 t solo/t de grão produzido) (EMBRAPA, 2005).

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EMBRAPA, disponível em <http://www.cnpso.embrapa.br/producaosoja/SojanoBrasil.htm>, acessado em novembro de 2005.

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O período analítico desta pesquisa se estende até 2005, assim os exames conjunturais da soja no Brasil tiveram os dados da safra de 2004/05, colhida neste ano, como referência.

Fonte: EMBRAPA, disponível em: <http://www.cnpso.embrapa.br/producaosoja/tab/fig_0_3.htm>. Acessado em nov. 2005.

Contudo, mesmo com este incremento da área plantada, na safra de 2004/2005 ocorreu uma redução significativa da produtividade (7,1%), ocasionada pelos desequilíbrios climáticos em todo o país, com destaque para a acentuada seca no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Mesmo com a redução da produtividade, a safra de grãos de soja brasileira ainda apresentou resultados expressivos, participando com 50.229,9 mil toneladas, ou seja, 44,3% do total colhido de grãos. Pode se observar abaixo a tabela que apresenta a área plantada, a produtividade e volume de produção da soja nas regiões brasileiras ao longo de 14 anos:

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