107 27 – Mulheres e homens ilustres – (biografias, estudos críticos, homenagens, factos e notas), subdivididos em: Portugal, Brasil e Diversos países, 28 – Lembranças (factos e notícias dos tempos modernos), 29 – Linguagem portuguesa (etimologias, locuções, etc.), 30 – Miscelânea Moral e religiosa (Santos e varões ilustres da Igreja), 31 – Mitologia e lendas fabulosas, 32 – Pensamentos, máximas e conceitos, 33 – Prosas literárias (portuguesas e brasileiras), 34 – Ciências naturais (Receitas e indicações úteis), e por fim 35 – Poesias.
Mas também não podemos deixar de mencionar um pouco mais das intenções de sua criadora, de uma forma geral Guiomar Torrezão vinha prontamente agradecer a colaboração de todos os colaboradores, mulheres e homens, escritoras e escritores que de um modo geral contribuíram para que o Almanach das Senhoras, prosperasse e fosse o grande sucesso que foi, em sua opinião “muitos figuravam os primeiros talentos de Portugal,” conforme ficou estipulado na secção “Expediente”, do primeiro Almanach das Senhoras, conforme segue:
Cumpre-nos em primeiro logar agradecer, isto com uma effusão e reconhecimento que não logra traduzir-se em palavras, a amável, delicada e prompta coadjuvação que temos encontrado por parte de todas as senhoras e cavalheiros que collaboram n´este livrinho, entre os quaes, com orgulho que nos não podem levar a mal o dizemos, figuram muitos dos primeiros talentos de Portugal.
Oxalá que o publico lhes continue os generosos intentos acolhendo esta publicação nascente, que apparece á luz timida como a puerícia, cheia de incertezas e de receios, com o estimulo da sua protecção.
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Sendo intenção nossa que este annuario prosiga, bem falado – como ousâmos esperar – pela benevolencia publica, e auxiliado por todas as distinctas senhoras e cavalheiros que se dignam honral-o com as suas producções litterarias, reservamos para o anno de 1872 todo e qualquer escripto que não poude ter cabida no presente almanach.
Rogâmos em especial a todas as nossas conterraneas que consagram os seus ocios a cultura das boas lettras e para quem tão particularmente este livrinho foi creado, que se não esqueçam de enviar-nos os fructos de algumas flores que em hora propicia lhes brotar da fantasia, fructos que o almanach colherá semprre com gloria, e especial solicitude.
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108 Áquelles dos nossos collaboradores cujos artigos soffressem alguma alteração pedimos um milhão de desculpas attentas as exigencias imperiosas, e as dimensões restrictas de publicações taes.
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Aos nossos actuaes collaboradores e mais pessoas que de futuro o queiram ser, rogamos que nos enviem os artigos que destinarem para o almanach de 1872 o mais tardar até 15 de Abril de 1871, subscriptando-os a D. G. Torrezão, livraria de A. M. Pereira, Rua Augusta, Nº. 50-52.
Publicaremos também com o maior prazer quaesquer artigos ou poesias, de cavalheiros e senhoras, que do Brasil nos sejam enviados.
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O almanach annuncia, e abre secção especial para apreciar, toda e qualquer publicação litteraria de que receba dois exemplares: além d´isso dará conta de todos os livros de senhoras publicados durante o anno corrente.
Serão de prompto satisfeitas quaesquer requisições de almanachs que de fóra sejam feitas á livraria de A. M. Pereira, Rua Augusta, Nº. 50-52, tendo o cuidado de enviar em estampilhas o valor dos exemplares requisitados: custará cada Almanach das Senhoras 240 réis.”53
No primeiro número que publicou como directora, na secção “Expediente”, Maria O´Neill, explicou porque assumiu a direcção do Almanach tão repentinamente, pois em decorrência da doença da mãe de Júlia de Gusmão, esta precisou abandonar, com pesar, a direcção literária do Almanach das Senhoras.
Da pequena biografia da ex-directora do anuário, Júlia de Gusmão, com que abre o Almanach das Senhoras de 1910 para 1911, transcreve-se o excerto seguinte, no qual recorda a acção por ela desenvolvida na direcção da publicação:
“Para os leitores deste anuário é familiar o seu nome. Em onze anos, durante os quais a ilustre senhora dirigiu esta publicação com proficiência e zêlo, superiores a todo o elogio, o releram nas suas páginas, firmando múltiplas composições que são verdadeiros mimos literários.54
53Guiomar Torrezão, Almanach das Senhoras para 1872, Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira, 1871, pp. 06-7.
54Júlia de Gusmão, “Aos leitores”, Almanach das Senhoras para 1900, Lisboa, 1899, p. 12.
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7.1. O Almanach das Senhoras tem um Homem como Proprietário
Foi em 1914, após o falecimento de Maria Felismina Torrezão Venâncio, que Eusébio Alberto da Silva Venâncio, esposo e único herdeiro da mesma, tornou-se proprietário do periódico. Pela primeira vez desde a sua fundação e criação o Almanach das Senhoras teve um homem como proprietário. Entretanto as linhas de orientação continuaram as mesmas pois apesar de o periódico ter um homem com proprietário a direcção ainda estava nas mãos das mulheres, nas mãos de Maria O´Neill.
O Almanach das Senhoras, desse ano traz a biografia da proprietária anterior, acompanhada de seu retrato. Sobre Felismina Torrezão, foi publicada no mesmo a seguinte afirmação:
Era um belo exemplar antropológico, mas era, por igual, um alto exemplo do que pode ser e valer a mulher quando solidamente instruída e fortemente educada.
Instruída sem pedantismo, educada sem arrebiques, piedosa sem superstições, religiosa sem fanatismos, dócil mas não escrava, humilde mas não servil, nobremente altiva, e não ridiculamente soberba, completando o marido, e completando-se por ele, nem superior nem subalterna, digna e nobremente igual.55
Felismina Torrezão foi uma mulher assim como sua irmã, que não baixou guarda diante das dificuldades impostas pela sociedade, e era digna de ser tratada de igual para igual. Assim como sua irmã, única e singular amiga, Felismina Torrezão também foi homenageada no periódico, (ver Anexo III).
55 Maria O´Neill. In: Almanach das Senhoras, Lisboa: Parceria Antonio Maria Pereira, 1914, pp. 07-14.
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7.2. As Publicações seguintes do Almanach das Senhoras
A partir de 1918, o nome do proprietário deixa de ser mencionado em cada número, somente constando o nome da directora do Almanach das Senhoras, e a propriedade deste, passa para António Maria Pereira, o conhecido editor de Camilo Castelo Branco.
Como informou Maria O'Neill, no artigo “Aos Leitores” a partir desse ano, toda a correspondência, deveria passar a ser dirigida a morada da Casa Editora Parceria A.
M. Pereira – Rua Augusta, 44 a 54, Lisboa.56
Entre 1925 e 1928, últimos anos da publicação, a direcção ficou a cargo de Julieta de Luna. No Almanach das Senhoras para o ano de 1925, inclui-se uma pequena biografia com fotografia de Maria O'Neill. No esboço biográfico, sem indicação de autoria, mas redigido provavelmente pela actual directora literária, encontra-se a informação de que Maria O'Neill teria deixado a direcção do anuário devido aos seus muitos afazeres pessoais.
Nesse número foi publicado o retrato da escritora D. Maria O'Neill, como uma homenagem merecida ao seu privilegiado talento e invulgar ilustração, “que a tornam, no nosso meio literário, uma das mais completas cerebrações femininas de nosso tempo, segundo as palavras do editorial.” Maria O'Neill, fez com grande dedicação e exímia competência o que se havia proposto quando assumiu a direcção do periódico, tendo após sua saída sido homenageada no mesmo.
Contudo o interesse do público pelo Almanach das Senhoras, assim como tantos outros, parece ter-se ido dissipando com o tempo, deixando este de ser publicado no ano de 1928.
56 Maria O´Neill, “Aos leitores” Almanach das Senhoras para 1918, Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira, 1899, p. 14.
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