INSULARES EM DESENVOLVIMENTO
1. INTRODUÇÃO
Na conferência de Samoa em 2014, reafirmou-se o enquadramento especial dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, de sigla inglesa SIDS (Small Islands and Developed
States), no contexto do desenvolvimento sustentável, em virtude das suas especificidades
quanto às caraterísticas físicas e vulnerabilidades socioeconómicas e ambientais (United
Nations, 2014 a). Constituídos por 57 pequenos Estados, os SIDS dividem-se em três regiões
geográficas: 1. Caraíbas, 2. Pacífico e 3. África, Oceano Índico, Mediterrâneo e Sul do mar da China -AIMS. Cabo Verde integra este último grupo, juntamente com mais oito países. Sendo territórios insulares de dimensões reduzidas e rodeados por mar e/ou com uma significativa extensão de zonas costeiras, os SIDS possuem também em comum os mesmos desafios para efetuarem um desenvolvimento sustentável.
Os maiores desafios do desenvolvimento prendem-se com o rápido crescimento populacional, limitados recursos de base, insularidade, suscetibilidade a desastres naturais, vulnerabilidade a choques externos, excessiva dependência do comércio externo e fragilidade ambiental (Pelling e Uitto, 2002; Douglas, 2006). Portanto, os desafios do desenvolvimento de Cabo Verde não são diferentes do conjunto dos países dos quais ele faz parte, muito embora possua as suas particularidades, no que diz respeito ao clima e à localização geográfica.
Por se situar na zona do Sahel, faz com que o país seja muito vulnerável ao fenómeno das secas e ainda pela localização no oceano Atlântico norte, perto do hotspot das tempestades do Atlântico, faz dele, um país com elevado risco de ser afetado por desastres naturais, acrescido ainda de riscos vulcânicos e sísmicos.
A energia, como um fator determinante para o desenvolvimento em outras áreas, mas fundamentalmente para a da agricultura e do turismo, tem sido um dos grandes constrangimentos do desenvolvimento.
Apesar dos desafios, existem alguns elementos que podem constituir vantagens para o país continuar a enveredar por um desenvolvimento equilibrado, que seja capaz de assegurar a prosperidade para às gerações futuras, nomeadamente a boa governação, a posição geoestratégica, um bom relacionamento a nível das cooperações regionais internacionais, e o facto de ter feito um bom percurso em direção ao cumprimento das metas dos Objetivos do Desenvolvimento do Milénio que tinha sido definidas para 2015.
Neste capítulo pretende-se fazer uma breve abordagem do que tem sido a perspetiva de um desenvolvimento sustentável no país e, ao mesmo tempo, destacar os problemas de energia e alterações climáticas como dois grandes desafios para se conseguir tal desenvolvimento. Por isso, basear-se-á na revisão bibliográfica de diferentes documentos que têm abordado o conceito de desenvolvimento e desenvolvimento sustentável de modo geral e, particularmente para os SIDS. Será também necessário recorrer a documentos nacionais que contêm dados sobre o ponto de situação sobre o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio e informações da situação sobre água, energia e alterações climáticas.
2. ESTADO DE ARTE
2.1 A evolução do conceito de desenvolvimento
O conceito do desenvolvimento tem sido muito polémico. Durante algum tempo era considerado como o sinónimo de crescimento (de Oliveira e de Souza Lima, 2006), o que, como reflexo da expansão do sistema capitalista mundial, desembocou em várias crises para sociedade. Tal paradigma de desenvolvimento que era medido pela expansão do Produto Nacional Bruto, negligenciava aspetos como o bem-estar e a qualidade de vida. Para muitos críticos, essa visão quantitativa do desenvolvimento constituía a primeira causa da degradação ambiental sem que se tenha conseguido eliminar as desigualdades sociais (Bifani, 1999). Em resultado desta aposta no crescimento, começou a assistir-se a dada altura, ao esgotamento dos recursos, bem como um retrocesso do bem-estar de grande parte da humanidade; a falta de crescimento económico impediu o desenvolvimento, resultando no empobrecimento das pessoas e verificou-se uma maior pressão sobre o sistema natural como fonte de subsistência e como recurso para o desenvolvimento.
A partir dos anos 1960, assistiu-se uma forte crítica a esta visão do desenvolvimento, para dar lugar à emergência do conceito de sustentabilidade, que valoriza para além da dimensão
económica, a ecológica, a social e política. O primeiro Relatório do Clube de Roma (Meadows et al., 1972), intitulado “Os limites do crescimento” alertou a sociedade para a necessidade de controlar um crescimento infinito face aos recursos finitos do planeta. Para tal, propôs medidas como deter o crescimento demográfico, limitar a produção industrial e o consumo dos alimentos e travar a poluição. Este conceito, expondo uma versão pessimista sobre o esgotamento dos recursos do planeta, questionou o paradigma de crescimento económico ilimitado baseado na exploração desenfreada dos recursos naturais, comparativamente ao crescimento populacional tanto em número como em taxa do consumo
per capita, reforçando a preocupação já levantada por Malthus sobre a desproporção entre o
ritmo de crescimento populacional e o dos recursos naturais.
Já em meados dos anos 1980, surgiu um conceito do desenvolvimento mais abrangente proposto por Max Neef, Elizalde e Hopenhayn (1986, p:197-198), o desenvolvimento à escala humana, defendendo que este deverá basear-se “na satisfação das necessidades
humanas fundamentais, na geração de níveis crescentes de auto dependência e na construção da articulação orgânica entre seres humanos com a natureza e com a tecnologia, dos processos globais com locais, do pessoal com o social, do planeamento com a autonomia e da sociedade civil com o Estado”. Sendo assim, “as necessidades humanas, a auto dependência e articulações orgânica constituiriam pilares que sustentam o desenvolvimento à escala humana”. Juntamente com este conceito os autores também
reinterpretaram o da pobreza, passando de uma noção clássica estritamente económica (em que se refere exclusivamente a pessoas que se encontram abaixo de um determinado nível de renda), a uma noção mais ampla, que abarca a ausência de satisfação de necessidades humanas básicas. Neste contexto, exemplificaram vários tipos de pobreza: de subsistência (por alimentos e abrigos insuficientes, etc.); de proteção (por sistemas de saúde ineficientes, por violência, carreira armamentista, etc.); de afeto (devido ao autoritarismo, à opressão, às relações de exploração do ambiente de afeto, etc.); de entendimento (pela baixa qualidade de educação); de participação (pela marginalização e discriminação das mulheres, crianças e das minorias); de identidade (pela imposição de valores alheios e culturas locais e regionais, pela migração forçada, pelo exílio político, etc.).
Mais tarde (1990), o Programa das Nações Unidas (PNUD) sugeriu o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) como forma de medir do desenvolvimento de modo a “evitar o
quebrando assim, a ideia do desenvolvimento reduzida ao simples crescimento económico. Tal índice, resulta da combinação de três elementos fundamentais: educação, esperança de vida e rendimento (Romão, 1993). Este conceito que valoriza as várias dimensões do desenvolvimento, enfatiza-o como um processo que permite tanto a ampliação de um conjunto de opções para as pessoas, como também que seja capaz de maximizar os níveis de bem-estar alcançados. Ainda o PNUD sugeriu o Índice de Liberdade Humana (ILH) para avaliar a situação em matéria de direitos humanos, ainda que este tenha sido revogado posteriormente por alguns países.
Na perspetiva de Sen (2001), o desenvolvimento é um processo de expansão da liberdade das pessoas, significando que, para alcançá-lo, deve ser eliminado tudo que possa limitar as escolhas e oportunidades das pessoas. Apesar de elementos como o crescimento económico, a industrialização, o progresso tecnológico e a modernização social serem meios para expandir a liberdade, ele depende também de outros determinantes como arranjos socioeconómicos e os direitos políticos e civis.
2.2 O desenvolvimento sustentável
O conceito do desenvolvimento sustentável (DS) foi abordado formalmente pela primeira vez na conferência de Estocolmo em 1972, através do Relatório de Brundtland (1987, p:44) também conhecido por “Nosso futuro comum” e posteriormente consolidado pela Comissão Mundial sobre o Ambiente e o Desenvolvimento. Foi definido como um desenvolvimento no qual “procura satisfazer as necessidades da atual geração sem comprometer as
necessidades das gerações futuras”. O conceito tem sido discutido e amadurecido em vários
fóruns mundiais, nos quais os decisores políticos têm demostrado o seu compromisso e engajamento em torno da questão e definindo os mecanismos mais adequados para alcançá-lo, centrando-se sempre no reforço do equilíbrio entre os três componentes: sociopolítico, económico e ambiental. Todas as abordagens do DS reconhecem que os três componentes são interdependentes e devem se apoiar mutuamente, com a participação cada vez mais diversificada de atores a diversos níveis.
Hoje o conceito da sustentabilidade é amplamente utilizado como um dos principais modelos do desenvolvimento das sociedades, onde se procura uma combinação entre a eficiência económica, justiça social e prudência ecológica, porém, a sua evolução e aceitação não tem
sido isenta de críticas.
Desde logo, existe o problema de uso do termo (Boff, 2012); da interpretação (Lélé, 1991) e perceção do conceito (Bifani, 1999; Rogers, Jafal e Boyd, 2008); da ambiguidade nos princípios (O’Riordan, 1985; 2004); da arbitrariedade nos discursos (Christen e Schmidt, 2012) e ainda, da sua visão utópica para o presente século (da Veiga, 2005).
Muitas vezes tem-se usado o termo de forma abusiva, mostrando um certo modismo (Boff, 2012) e com interpretações incorretas e distorcidas, em que é entendido como mera sustentabilidade ecológica, preocupando apenas com as condições ecológicas para manter a vida humana ao longo das gerações futuras. Esta abordagem embora útil, é “reducionista” porque exclui as dimensões social, económica e política do termo (Bifani, 1999, p:109). As críticas em relação à falta de consistência na sua interpretação recaem sobre o facto da maioria da abrangência do conceito possuir natureza política e é elaborada por peritos em DS que por vezes têm uma perceção incompleta dos problemas da pobreza e degradação ambiental e confundem o papel do crescimento económico com o conceito da sustentabilidade e participação. Estas fraquezas podem levar a execução de políticas inadequadas e contraditórias (Lélé, 1991).
Na ótica de Rogers, Jafal e Boyd (2008), face à variedade de conceitos e definições do DS, há que definir os critérios operacionais para permitir a avaliação de cada objetivo contido nas três dimensões da sustentabilidade: os objetivos económicos não devem ser maximizados sem satisfazer as restrições ambientais e sociais; os benefícios ambientais não devem ser maximizados sem que as restrições económicas e sociais sejam satisfeitas e os benefícios sociais não devem ser maximizados sem que as restrições económicas e ambientais sejam satisfeitas.
O’Riordan (2004) considera o termo de utilização sustentável ambíguo, por carecer de dimensões temporal, espacial, ecológica, tecnológica e de gestão. Como forma de resolver este problema, o autor sugeriu como ponto de partida, a divisão de utilização sustentável em dois tipos: a ecológica, na qual incluem por um lado as atividades que não diminuem as capacidades produtivas do solo, água, vida selvagem e floresta e por outro lado, as que abarcam valores culturais e emocionais, valores estes que podem transcender os princípios da sustentabilidade produtiva. Um segundo tipo da utilização sustentável é de natureza socioeconómica e se baseia na utilização de instrumentos de política para penalizar aqueles
que contribuem para a degradação ambiental como por exemplo, o princípio do poluidor pagador.
A nível das políticas e discursos nota-se uma certa arbitrariedade nas compreensões da ideia da sustentabilidade e na tentativa de responder a principal questão -o que é ser sustentável? - (Christen e Schmidt, 2012). Para esses autores, às vezes os discursos são baseados no dogmatismo ou assunções intuitivas e vagas que se deixam transparecer em inúmeras estratégias políticas de sustentabilidade ou nas afirmações científicas, faltando a justificação racional e argumento científico. Os autores recomendam uma nova meta-abordagem como diretriz para os conceitos da sustentabilidade, mediante a elaboração de um “quadro formal
dos conceitos da sustentabilidade” como instrumento para superar as questões da
arbitrariedade. Este quadro que consiste em diferentes módulos que explicam e também fornecem os elementos necessários para uma resposta adequada a este problema, auxilia na estruturação dos diferentes aspetos do discurso sobre a sustentabilidade.
Ainda outros têm uma posição cética e radical em relação ao conceito de DS. Beckerman (2002) considera que provavelmente as gerações futuras estarão bem melhor do que as do presente, prevendo que em 2100 o PIB per capita global deverá ser superior ao quádruplo do atual, pelo que, estamos a sacrificar uma geração presente pobre para que as do futuro venham a viver melhor. Lomborg (2003) chamou a atenção para a existência de um certo alarmismo quanto ao estado real do mundo, assegurando que este é muito mais saudável do que os ambientalistas dizem, e que o mundo não vai ficar sem recursos naturais.
Face à visão crítica da sustentabilidade, O’Riordan (2004) salienta que é importante considerá-la não como uma meta, mas sim como um processo constante de transformação da sociedade e economia, no sentido de agir como fieis depositários para as futuras gerações do planeta.
Um dos grandes desafios do DS nos países mais pobres é ultrapassar o dilema de ter um desenvolvimento capaz de garantir uma boa qualidade ambiental. Uma vez que, para muitos destes países os recursos naturais são a única via para a sobrevivência e elementos essências para o crescimento económico, logo, surgem algumas inquietações nomeadamente: como orientar um desenvolvimento sem degradação ambiental? Como estabelecer a ligação entre o desenvolvimento sustentável, ambiente e pobreza? Até que ponto uma sociedade pode ser considerada sustentável? Quais são os maiores desafios do DS nos países em
desenvolvimento e nos pequenos Estados insulares desprovidos de recursos naturais como Cabo Verde? Segundo Rogers, Jafal e Boyd (2008), para contornar o dilema do DS, os esforços da governação devem ser dirigidos em torno da pobreza, da poluição, da participação, das políticas e falhas do mercado (incluindo a boa governação) e a prevenção e gestão de desastres, como os principais pilares em que se assentam o DS.
A pobreza deve ser reduzida através da satisfação das necessidades básicas, da avaliação estratégica das políticas e planos para minimizar as consequências ambientais e sociais do desenvolvimento, bem como a análise do impacto dos projetos no ambiente e na sociedade. Neste âmbito, devem também ser desenvolvidas medidas para combater as consequências negativas do êxodo rural nos países em desenvolvimento, incluir questões das energias renováveis e promover a cooperação regional e internacional.
A participação será um instrumento muito importante, através do qual os
stakeholders possam influenciar na tomada de decisão, partilhar experiências e
conhecimentos e controlar a utilização dos recursos. Ela abrange desde os cidadãos beneficiários do desenvolvimento incluindo os pobres, grupo de pessoas desfavoráveis, os governos, setor privado e sociedade civil como: as academias e institutos de investigação, os partidos políticos, as médias, as organizações não-governamentais, as instituições financeiras e doadores internacionais.
Para uma melhor participação dos diversos stakeholders no processo de desenvolvimento é também importante que eles estejam informados sobre as políticas e ações governamentais. Os níveis de intervenção também variam desde o local, ao distrital, provincial e nacional.
As políticas e falhas do mercado são fatores chaves que determinam o DS. Normalmente acontecem quando as funções do mercado livre produzem preços em que não refletem nos valores e ações sociais e económicos. Os maiores impactos são sentidos nos países mais pobres e dependentes da importação e refletem-se sobretudo na água e energia. A boa governação será um instrumento para prevenir as falhas do mercado, e por isso, é um fator relevante de DS. Ela deverá basear-se nos princípios de prestação de contas, na participação e descentralização, na previsibilidade e na transparência. A utilização dos fundos para outras atividades que não o DS ou a corrupção, sobretudo nos países em desenvolvimento obstaculiza, retarda e distorce o processo do desenvolvimento, com
consequências nefastas nos países mais pobres.
Pelos enormes impactos adversos sobre o sistema económico, ambiental e social, a prevenção e gestão de desastres constitui um importante desafio de DS nos países afetados. Questões ligadas às alterações climáticas, elevação do nível do mar, aumento da frequência de eventos extremos, os desastres tecnológicos e terrorismo, têm sido vistos como principais ameaças na promoção do DS.
Um grande desafio em que os países mais pobres enfrentam para o DS é gerir as ajudas ao desenvolvimento. Como forma de ultrapassar este problema, O’Riordan (1985) sugere novas abordagens, assentes na parceria público-privado de modo a permitir a transferência de tecnologia dos países mais ricos para os mais pobres, para resolver questões básicas como o abastecimento da água, energia, saúde, dentre outros; o autor propõe uma abordagem “Bottom-up”, em que os governos trabalham em estreita colaboração com os agentes voluntários não- governamentais a favor da população local e com forte engajamento respetivas comunidades. Ainda defende a avaliação da eficácia económica e ambiental das ajudas.
Não parece tarefa fácil construir uma sociedade sustentável. IUCN, UNEP e WWF (1991)4 identificaram nove princípios indispensáveis para a construção de uma sociedade sustentável: 1. Respeitar e cuidar da comunidade e da vida; 2. Melhorar a qualidade de vida humana; 3. Conservar a vitalidade e diversidade da terra (sistema de suporte da vida, biodiversidade e assegurar que as questões dos recursos renováveis sejam sustentáveis); 4. Minimizar a depleção dos recursos não renováveis; 5. Assegurar a capacidade de carga do planeta; 6. A mudança de atitudes e práticas individuais; 7. Capacitar a comunidade para cuidar do seu próprio ambiente; 8. Dispor de um quadro nacional para integrar o desenvolvimento e a conservação e 9. Criar alianças globais. Para além dos nove princípios, estas organizações propõem algumas estratégias a serem adotadas na prática, como por exemplo: uma forte interligação entre as questões a abordar em que, as ações se apoiam mutuamente e devem estar voltadas para o objetivo comum; as mudanças para o qual se pretende efetuar, no lugar onde se vive, deverão ser as essenciais, de longo alcance e requerem inteira dedicação; deve
4 International Union for Conservation of Nature; United Nations Environment Programme & World Wildlife
haver um trabalho de conjunto para se alcançar o sucesso.
Ainda relacionado com os princípios e práticas da sustentabilidade, há quem defende que para além das estratégias envolverem objetivos múltiplos e interligados, elas deverão estar enquadradas dentro de um pacote de instrumentos políticos (Turner, 1993). Por isso, é importante que os governos na sua promoção, façam mudanças nas respetivas formas e padrões de atuação. Esta pode ser mostrada através de muitos centros de tomada de decisão, numa lógica de partilha de responsabilidades e prestações de contas à sociedade civil (O’Riordan, 2004).
A nível macro, os instrumentos mais relevantes desenvolvidos para a concretização das metas do DS são Agenda 21, proposta na Cimeira do Rio sobre o Ambiente e Desenvolvimento em 1992 e as metas do desenvolvimento do milénio, constantes na Declaração do Milénio das Nações Unidas em 2000, onde foram propostos os 8 Objetivos do Desenvolvimento do Milénio (ODM) a serem atingidos até 2015. No entanto, durante este período, assistiu-se a outras importantes iniciativas das cúpulas, com vista à avaliação dos avanços, constrangimentos e redefinição das estratégias para o futuro, nomeadamente:
Na declaração de Joanesburgo em 2002, os líderes mundiais reafirmaram o compromisso com o desenvolvimento sustentável; assumiram a responsabilidade de avançar e fortalecer os pilares desenvolvimento sustentável; assumiram o compromisso de reforçar e aperfeiçoar a governação em todos os níveis, com vista à implementação efetiva da Agenda 21, das metas de Desenvolvimento do Milênio mediante um Plano de ação. Na declaração do Rio+20 (2012), os chefes de Estados e Governos presentes, renovaram o compromisso com o DS, pondo a tónica na busca de uma economia verde como forma de alcançar o desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza.
Na sequência do reconhecimento das particularidades dos desafios dos DS nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, desde a cimeira do Rio em 1992 (Agenda 21, cap. 17), em 1994, realizou-se em Barbados, a primeira conferência deste grupo de países. Tal conferência culminou com a elaboração um Programa de Ação de Barbados, e, 10 anos mais tarde, surge a Estratégia e Declaração de Maurícias (United Nations/SIDS, 2015).
Com vista à obtenção de uma maior integração entre as várias dimensões do Desenvolvimento Sustentável, na última Cimeira das Nações Unidas sobre o DS em setembro de 2015, foi feito o balanço do cumprimento dos ODM e determinou-se uma nova agenda