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3.3 A Inserção da Sustentabilidade no Futebol Mundial e no Brasil

3.3.3 A Sustentabilidade na Copa do Mundo de 2014: o Amadurecimento do Programa

GoalTM

Após o término da Copa do Mundo realizada na África do Sul, a FIFA e o Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014 começaram a trabalhar, segundo os seus organizadores, para desenvolver uma estratégia de sustentabilidade para o torneio que seria disputado no Brasil, com objetivos claros, ambiciosos e realistas. Considerando as lições aprendidas nas duas edições da Copa do Mundo anteriores e os desafios locais, foram identificadas ações sociais e ambientais que deveriam ser aplicadas para definir a estratégia do Programa Green GoalTM. Assim, foram definidas sete áreas-chaves e seus respectivos objetivos, conforme se segue (FIFA, 2014):

1) Governança organizacional: os esforços de sustentabilidade da Copa do Mundo foram guiados por princípios de responsabilidade, transparência, comportamento ético e respeito pelos interesses das partes interessadas, pelo Estado de direito, normas de comportamento e direitos humanos;

2) Meio Ambiente: o trabalho para reduzir o impacto negativo ambiental foi realizado durante a preparação e o desenvolvimento da Copa do Mundo da FIFA, com foco nos resíduos, água, energia, transporte, compras e mudança climática; o evento também teve o objetivo de aumentar a conscientização sobre a Meio Ambiente;

3) Envolvimento e desenvolvimento da comunidade: foi estimulado o mais alto nível de bem-estar nas cidades-sede, apoiando iniciativas que usam o futebol como um catalisador para o desenvolvimento nas áreas de educação, saúde, inclusão, segurança civil e anti-discriminação;

4) Práticas operacionais justas: o envolvimento com orgnizações de terceira-parte e indivíduos e promover um comportamento socialmente responsável entre seus stakeholders através da liderança pelo exemplo e apoio dado e através de políticas de aquisões sustentáveis;

5) Anseios dos consumidores: o objetivo foi proteger os direitos dos consumidores através do aplicação dos princípios de defesa do consumidor, incluindo saúde e segurança, serviços ao consumidor, educação do consumidor e proteção de dados, bem como a promoção de um evento inclusivo para todos; 6) Práticas trabalhistas: o esforço por garantir práticas trabalhistas justas, incluindo salários justos e benefícios em um ambiente de trabalho seguro e saudável;

7) Direitos humanos: os direitos humanos e o Estado de Direito deveriam ser respeitados, incluindo os conceitos de justiça social e equidade.

Além dessas áreas de atuação, a quinta edição do documento “Recomendações e Requisitos Técnicos” da Federação Internacional de Futebol (FIFA, 2011), em seu item 1.4, determinou que as principais metas do programa Green GoalTM eram: reduzir o consumo de água potável, evitar e/ou reduzir a emissão de resíduos, criar sistemas de abastecimento de energia mais eficientes e aumentar o uso do transporte público nos eventos FIFA. Se essas metas fossem atingidas, elas contribuiriam para estabelecer um clima neutro em relação às emissões de gases do efeito estufa.

Em relação ao consumo de água foi proposto o uso mais responsável de água potável para fins de irrigação, que deveria ser avaliado junto com o armazenamento de água pluvial para uso no ciclo da água, sendo que um maior potencial econômico poderia ser atingido

através da instalação de tecnologia de economia de água em instalações sanitárias durante a fase de construção (FIFA, 2011).

Considerando os rejeitos, a remoção dos mesmos representa um elevado custo administrativo de um estádio. Para limitar a quantidade de rejeitos gerados, foi proposta a reutilização de recipientes de bebidas, reciclando-os através de coleta seletiva, e a introdução de alimentos e produtos promocionais sem embalagens.

Em relação à energia, no projeto e na construção dos estádios foram empregadas atividades de baixo consumo de energia: as áreas com potencial de economia de energia incluíam o uso de tecnologia fotovoltaica.

Além dessas recomendações e propostas, houve um item dedicado à certificação, em que foi relatado que os métodos e sistemas facilitariam o processo de definição de objetivos e a avaliação de impactos, citando expressamente alguns deles, tais como, Leadership in Energy

Efficient Design (LEED), Building Research Establishment Environmental Assessment

Method (BREEAM), Classificação de Construção Sustentável e determinação de Pegada de

Carbono. Mais adiante, foi informado que “todos os estádios devem incorporar técnicas e princípios de construção sustentável em seus projetos”, sendo que os mesmos deveriam obter, pelo menos, a certificação LEED (FIFA, 2011, p.38).

Esse documento ainda apresenta uma preocupação em relação aos custos para a construção de um estádio sustentável, conforme as recomendações LEED, onde é dito que quanto maior a pontuação atingida pelo projeto, maior o custo do estádio. Apesar de ser um custo maior inicialmente, a adoção de sistemas sustentáveis podem reduzir o consumo de água e energia e os custos de manutenção ao longo da vida útil do estádio. Para o planejamento geral e a elaboração do orçamento, foi considerado o seguinte:

 Certificação: 0% de aumento no orçamento;

 Certificação a Prata: 0% a 2% de aumento no orçamento;

 Prata a Ouro: 2% a 5% de aumento no orçamento;

 Ouro a Platina: 2% a 5% de aumento no orçamento.

Por fim, há informações sobre a construção sustentável e seus benefícios. A construção sustentável:

Incorpora práticas de projeto, de construção e operacionais que reduzem ou eliminam significativamente o impacto negativo sobre o meio ambiente e seus ocupantes e (...) permite a utilização eficiente de recursos e contribui para mitigar as alterações climáticas, criando ambientes residenciais e de trabalho mais saudáveis e produtivos (FIFA, 2011, p.39).

Os principais benefícios foram divididos em três categorias, a saber:

 Ambientais:

 Melhora e proteção de ecossistemas e da biodiversidade;  Melhora da qualidade do ar e da água;

 Redução da geração de resíduos sólidos;  Conservação dos recursos naturais;

 Redução das emissões de carbono.

 Econômicos:

 Redução dos custos operacionais;  Aumento do valor do ativo e dos lucros;

 Aumento da produtividade e satisfação dos funcionários;

 Otimização do desempenho econômico durante o ciclo de vida.

 À Saúde e às Comunidades:

 Melhora do ar, das condições térmicas e da acústica;  Melhora do conforto e da saúde dos ocupantes;  Minimização da pressão sobre infraestrutura local;

 Contribuição para a melhoria da qualidade de vida em geral.