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A sustentabilidade no Brasil: da Rio-92 aos dias atuais

3 CONTRATAÇÕES PÚBLICAS SUSTENTÁVEIS: PERSPECTIVAS E DESAFIOS PARA

3.1 A sustentabilidade e o desenvolvimento: surgimento paradoxal e o futuro da humanidade

3.1.1 A sustentabilidade no Brasil: da Rio-92 aos dias atuais

Diante da crescente onda de sustentabilidade mundial, o Brasil por deter um papel fundamental na concentração de riquezas naturais, sendo um celeiro mundial e ao mesmo tempo detendo a maior área da Floresta Amazônica, além da sua grande abundância de água

doce. Com isso, após os estudos da Comissão de Brundtland, em 1987, a ONU, indicou o Brasil como sede da Conferência. Assim, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), realizou-se no, Rio de Janeiro, em 1992, conhecida por Rio-92, elencou os principais dilemas da contemporaneidade em matéria de meio ambiente, com ações que despontavam como inovadoras e salutares para a gestão e a integralização do desenvolvimento sustentável centrado nos três núcleos conceituais o econômico, o social e o ambiental, que seriam a gênese nuclear para o presente e o futuro das nações.

Segundo a ONU (1992) o resultado da Rio-92 foi a elaboração e a disseminação da chamada Agenda 21 Global, que é um documento contendo 40 capítulos, com disposições específicas e gerais sobre o meio ambiente, e que não possui a vinculação obrigacional como a emanada dos tratados internacionais, porém apontava para as diretrizes e os meios condutores do desenvolvimento sustentável. Sendo-a referência ambiental internacional para alguns Estados.

Em seu Capítulo 4, a Agenda 21 Global evidencia a fundamental importância dos Estados, que tem seus governos como propulsores dessas práticas de consumo. Ou seja, para a ONU (1992), devemos considerar a necessidade de novos conceitos de bens e prosperidade, que não dependam dos recursos finitos da Terra, porém que sejam mais harmônicos com a capacidade da Terra em renová-los, mantendo-se um padrão normal de consumo e vivencia. Logo, as políticas de aquisição de bens e serviços passam a ser elementares para os Estados efetivarem novas formas de compras públicas com abrangência geral, baseadas nos pilares do desenvolvimento sustentável.

Com efeito, o Brasil ganha destaque por sediar um evento desta magnitude e por interpor medidas que influenciaram as conduções dos debates e os resultados. Sendo que dos 27 princípios arrolados no texto da Rio 92, 11 (onze) deles menciona-se a expressão “desenvolvimento sustentável”, por isso sua salutar relevância para a consolidação e a disseminação das contratações públicas sustentáveis.

Nesse intermeio, percebeu-se que a potencialidade do poder de compra dos governos locais era fundamental para a inserção dos parâmetros sustentáveis, isso ocorreu apenas no ano 2000, conforme Biderman, et al, (2008, p. 27):

A atenção para o potencial do poder de compra pelos governos só é lançada no ano de 2000 na “Convocatória de Hannover de Líderes Municipais Europeus para o Século XXI”, na “3ª Conferência Européia sobre Cidades e Municípios Sustentáveis”, onde 250 líderes municipais de 36 países

europeus aprovam o texto da conferência em que se define que os líderes municipais:

[...] devem prestar atenção para as oportunidades que surgem a partir de novas tecnologias e conceitos inovadores de serviços que tornam nossas cidades mais eco-eficientes” e “devem ter consciência sobre o poder de compra das autoridades locais no mercado e usá-lo para direcionar o desenvolvimento para soluções social e ambientalmente saudáveis”. Eles convocaram outras regiões “para manter sua própria casa em ordem introduzindo políticas para a compra de produtos e serviços verdes.

Ou seja, os municípios deveriam ter olhares diferenciados para as formas de aquisição de bens e serviços, pois refletiriam de maneira imediata as ações do desenvolvimento sustentável devido ao convívio social ocorrer nos limites locais e municipais.

No entanto, após a Rio-92 outras conferências foram realizadas como a de Berlim, em 2004. Mas em 2012, novamente o Brasil receberia a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, denominada de Rio + 20, e que trazia como principal tema a economia verde e a erradicação da pobreza. Com isso, seriam traçados parâmetros e diretrizes para a continuação das práticas do desenvolvimento sustentável. Logo, a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20) elencava diretrizes pertinentes para a economia verde, para a erradicação da pobreza e para as contratações sustentáveis. Dentre elas destacam-se as contribuições da ONU (2012) que:

As políticas de economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza devem:

a) ser coerentes com o Direito Internacional;

b) respeitar a soberania nacional de cada País sobre seus recursos naturais, tendo em conta as suas circunstâncias, objetivos, responsabilidades, as prioridades e o âmbito da ação no que diz respeito às três dimensões do desenvolvimento sustentável;

c) ser suportadas por um ambiente propício e por um bom funcionamento das instituições, em todos os níveis, com um papel de liderança para os Governos e com a participação de todas as partes interessadas, incluindo a sociedade civil;

d) promover o crescimento econômico sustentado e inclusivo, fomentar a inovação, oportunidades, benefícios e capacitação para todos e respeitar os direitos humanos;

[...]

o) promover padrões de consumo e produção sustentáveis;

Com isso, o ciclo de ações e intenções internacionais e nacionais estaria convergindo para as questões práticas inerentes a cada Estado, mediante as políticas públicas que eles conseguiram desenvolver e com olhos para a diminuição da pobreza. Sendo que até o dias atuais estes desafios estão presentes na “pátria amada”, e nos entes federados, além de refletirem as reais condições do desenvolvimento sustentável que o Estado brasileiro apresenta aos cidadãos, com pouca eficiência e ações ainda dispersas. Faltando assim a

implementação do desenvolvimento sustentável, que se inicia pela normatização desses preceitos e por políticas públicas condizentes com as realidades internacionais e nacionais.

3.2. A normatização das contratações e licitações públicas sustentáveis e o princípio da