2.6 Vis˜ ao financeira sobre as flutua¸c˜ oes e SP’s An´ alise t´ ecnica
2.6.1 Desenvolvimento conceitual
2.6.1.1 A teoria de Dow
tista” em forma indistinta, entretanto, tem-se que esclarecer que n˜ao s˜ao a mesma coisa [91]. O amplo campo da an´alise t´ecnica se encontra cada vez mais dividido em dois tipos, o chartista, e o t´ecnico estat´ıstico. A diferen¸ca entre ambos esta no fato que o primeiro utiliza principalmente os gr´aficos para fazer progn´osticos, e, portanto, prevalece o car´acter subjetivo em sua an´alise, j´a que um gr´afico pode ser interpretado de distintas maneiras por pessoas diferentes. Ao contrario, o analista estat´ıstico toma estes princ´ıpios subjetivos, os quantifica e gera distintas indica¸c˜oes mecˆanicas de compra ou venda[63]. A inten¸c˜ao ´e reduzir ou eliminar por completo o elemento humano subjetivo da transa¸c˜ao. Para Robert e Magee [104] pode-se entender o chartismo como uma an´alise gr´afica, que prescinde completamente do valor intr´ınseco que pode ter uma a¸c˜ao, dos resultados da empresa, das not´ıcias sobre a mesma, etc. O chartismo centraliza toda sua aten¸c˜ao na cota¸c˜oes, e no volume de negocia¸c˜ao. Com estes dados, o chartista, disp˜oe de dois elementos que n˜ao admitem muita manipula¸c˜ao e que s˜ao f´aceis de obter. O objetivo do chartismo ´e determinar as tendˆencias das cota¸c˜oes (quer dizer se est´a em fase alta ou baixa) e identificar os movimentos que realiza a curva de cota¸c˜oes quando a tendˆencia muda (quer dizer quando perde a fase alta e passa `a baixa, e vice-versa). Para obter resultados se baseia exclusivamente no estudo das figuras que desenham suas cota¸c˜oes.
A maioria dos t´ecnicos e analistas de mercados coincidem em que grande parte do que hoje chamamos an´alise t´ecnica tem suas origens nas teorias propostas pela primeira vez por Charles Dow. 11 Estas s˜ao baseadas em uma s´erie de premissas sobre o funci- onamento dos mercados, usando para isto os pre¸cos de fechamento nas gr´aficas di´arias. Os trabalhos de Dow focavam na descri¸c˜ao do comportamento de mercado, sem adotar a priori uma decis˜ao de aproveitar a evolu¸c˜ao futura dos valores. Ele nunca tentou an-
11Em 3 de Julho de 1884 Dow publicou a primeira m´edia do mercado de valores, composta por onze
empresas: nove de ferrovias, e duas industriais. Posteriormente considerou que era necess´ario dividir o ´ındice em dois, e criou um de ind´ustrias e outro de ferrovias. At´e 1928 a m´edia industrial inclu´ıa 30 valores, n´umero que se mant´em na atualidade o ´ındice ´e conhecido como Dow Jones Industrial Average (DJIA).
2.6 VIS ˜AO FINANCEIRA SOBRE AS FLUTUAC¸ ˜OES E SP’S - AN ´ALISE T ´ECNICA 44 tecipar as tendˆencias, mas procurou reconhecer o aparecimento de mercados em alta ou em baixa. Os princ´ıpios b´asicos da teoria de Dow s˜ao os seguintes [104, 91]:
As m´edias descontam tudo: a soma e tendˆencia das transa¸c˜oes da bolsa represen- tam a soma de todo o conhecimento do passado. Esta premissa coincide com a mencionada anteriormente como premissa fundamental da an´alise t´ecnica.
O mercado tem trˆes tendˆencias: Dow entendia por tendˆencia ascendente aquela situa¸c˜ao em que cada sucessiva recupera¸c˜ao de pre¸cos fecha em um n´ıvel mais alto que o n´ıvel anterior mais alto da recupera¸c˜ao previa. Em outras palavras, uma tendˆencia ascendente segue um padr˜ao de picos e vales cada vez mais altos. A situa¸c˜ao oposta se define como uma tendˆencia descendente. Dow considerava que uma tendˆencia teria trˆes partes: prim´aria, secund´aria, e menor, e as comparava com a mar´e, as ondas, e as ondas do mar. Cada uma, forma parte de uma maior. A tendˆencia prim´aria ´e a de maior dura¸c˜ao, geralmente superior a um ano, e podem durar v´arios anos. A tendˆencia secund´aria representa corre¸c˜oes `a tendˆencia prim´aria e geralmente dura de trˆes semanas a trˆes meses. Por ´ultimo a tendˆencia menor dura menos de trˆes semanas.
As tendˆencias principais tˆem trˆes fases: Dow concentrou sua aten¸c˜ao nas tendˆencias prim´arias, as que considerava que se desenvolviam em trˆes fases bem diferenciadas:
1. Fase de acumula¸c˜ao: representa a compra informada que fazem os investidores mais r´apidos e melhor informados.
2. Fase de participa¸c˜ao p´ublica: ´e quando come¸cam a participar a maioria dos investidores que seguem tendˆencias, e tem lugar quando os pre¸cos come¸cam a avan¸car rapidamente e as not´ıcias melhoram.
3. Fase de distribui¸c˜ao: come¸ca quando os jornais publicam not´ıcias progressi- vamente melhores, quando as not´ıcias econˆomicas s˜ao melhores que nunca, e
2.6 VIS ˜AO FINANCEIRA SOBRE AS FLUTUAC¸ ˜OES E SP’S - AN ´ALISE T ´ECNICA 45 quando se incrementa o volume especulativo e a participa¸c˜ao p´ublica. Du- rante esta etapa, os investidores astutos que come¸caram a acumular quando ningu´em queria comprar, come¸cam agora a distribuir e a fazer de lucros sobre os investidores que entraram tarde na tendˆencia.
As m´edias devem confirmar-se entre elas: Ao referir-se a m´edia industrial e a m´edia de ferrovias, Dow considerava que n˜ao podia dar-se nenhum sinal importante de um mercado com tendˆencia de subida ou descida a n˜ao ser que ambas m´edias tivessem o mesmo sinal, confirmando-se assim uma a outra. Se isto n˜ao ocorria assumia que a tendˆencia anterior, ainda se manteria.
O volume deve confirmar a tendˆencia: Dow considerava que o volume devia incrementar- se na dire¸c˜ao da tendˆencia principal. Em uma tendˆencia ascendente o volume de- veria aumentar a medida que os pre¸cos crescem e diminuir quando estes caem. Em uma tendˆencia descendente, o volume deveria incrementar-se a medida que os pre¸cos baixam, e diminuir quando os pre¸cos avan¸cam. Os operadores sempre comparam tendˆencia e volume a fim de buscar uma confirma¸c˜ao entre os dois parˆametros. Uma tendˆencia continua em vigor at´e que d´e sinais de invers˜ao: Este princ´ıpio se
relaciona com uma lei f´ısica pela qual um objeto (neste caso a tendˆencia), tende a continuar em movimento at´e que uma for¸ca externa o faz mudar de dire¸c˜ao.
A tarefa mais dif´ıcil para os seguidores da teoria de Dow, ou para qualquer seguidor de tendˆencias, ´e ser capaz de distinguir entre uma corre¸c˜ao secund´aria normal em uma tendˆencia existente, e o primeiro trecho de uma nova tendˆencia em dire¸c˜ao oposta.