Consolidado
31/12/2008
Notional Taxa Valor
Original 1 Exposto 2 Média Justo
US$ mil US$ mil R$/US$ R$ mil
Contratos futuros de dólar
Non Deliverable Foward 295.000 295.000 2,33 (11.726)
Target Foward 1.490.000 2.980.000 1,78 (1.774.298)
Venda de opções de compra US$ 751.667 751.667 1,91 (331.546)
Posição vendida de US$ 2.536.667 4.026.667 1,85 (2.117.570)
Non Deliverable Foward 2.967.667 2.967.667 2,36 (1.366)
Target Foward 320.000 80.000 1,79 45.666
Compra de opções de compra US$ 491.667 491.667 1,80 97.073
Posição comprada de US$ 3.779.334 3.539.334 1,80 97.073
Posição líquida de US$ 1.242.667 487.233 (1.976.197)
(1)Quantidades originais contratadas
(2)Considera a probabilidade de exercício do notional contratado, com base na curva futura
do dólar.
Fonte:
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4437258/mod_resource/content/1/Aula9-Sadia-Demonstra%C3%A7%C3%B5es%20Anuais%20Completas-2008.pdf
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A compra da Sadia pela Perdigão pode ser analisada pela Teoria dos Jogos, já que
esta operação resultou na fusão de duas grandes corporações, com valores diferentes.
Alencar et al (2010 p.6) fala que fatores micro e macro ambientais exigem que as
organizações se adequem às novas demandas, buscando estratégias que contribuam com
a sua vantagem competitiva. Dentre as opções de estratégias no nível das corporações, as
alianças estratégicas têm sido bastante consideradas, pois consegue reduzir as ameaças,
superar barreiras e criar valores ao explorar possíveis oportunidades trazendo para as
organizações vantagens consideráveis. No caso da BRF, resultante da fusão de duas
grandes empresas alimentícias brasileiras, passaram por um relacionamento complicado
que enfim em uma fusão, mas não sem muitos desencontros. Neste contexto de interação
entre as organizações, a Teoria dos Jogos se mostra promissora ao fornecer uma nova
perspectiva analítica.
O comportamento estratégico ocorre regularmente entre executivos, gerentes e
investidores no mundo dos negócios. As vidas dessas pessoas são repletas dessas
situações onde eles precisam decidir entre entrar em novos mercados, lançar novos
produtos, investir imediatamente ou perder a oportunidade de investir, adquirir um item
cujo uso futuro é incerto. Em cada uma dessas situações, o indivíduo se confronta não
apenas com a incerteza sobre o cenário futuro, mas também sobre as ações que as outras
pessoas irão tomar. Desta forma, podemos conceituar este comportamento como
comportamento estratégico (GECKIL; ANDERSON, 2010).
Em várias ocasiões é possível observar situações que, de alguma forma,
indivíduos, grupos ou organizações são levados a interagir com outros indivíduos, grupos
ou organizações. Desta forma, há a necessidade de se tomar decisões racionais em uma
situação tal que, seja qual for a ação que um faça, afetará o outro, mostrando uma
interdependência. Estes momentos podem ser vistos como jogos e seus protagonistas
como jogadores. Ainda, é possível utilizar métodos e teorias matemáticas para analisar
estes momentos tão idiossincrásicos (ALENCAR et al, 2010).
Em 1944, John Neumann e Oscar Morgenstern publicaram a Teoria dos Jogos e o
Comportamento Econômico, que estabelecia bases econômicas e matemáticas para o que
hoje chamamos de Teoria dos Jogos, Von Neumeann e Morgentern estabeleceram o
campo onde a economia e as questões sociais podiam ser descritas por modelos
matemáticos adequados aos jogos de estratégia. Mas esses jogos eram jogos de apenas
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uma rodada. Os participantes só podiam jogar uma vez e não podiam interagir novamente
após o início do jogo. Mas, em meados dos anos 50, John Forbes Nash Jr desenvolveu
novas ferramentas para a teoria dos jogos e o conceito geral de teoria não cooperativa e
teoria de barganha cooperativa. Ele introduziu o que conhecemos hoje como equilíbrio
de Nash de um jogo estratégico em 1951. Em um equilíbrio de Nash, cada estratégia
maximiza o custo do participante, de tal forma que os outros participantes também
maximizarão os seus próprios custos (GECKIL; ANDERSON, 2010).
A teoria dos jogos cooperativos é mais solta do que a dos jogos não cooperativos.
Ela se preocupa com aquelas situações nas quais os participantes podem negociar antes
dos jogos começarem sobre o que será feito nas jogadas. É normal presumir que essas
negociações sinalizarão que se tratam de acordos vinculados. Sob essas condições, os
acordos são discutidos e as estratégias a serem jogadas perdem a sua importância. O que
tem mais importância no jogo é a estrutura do jogo, desde que esta estrutura determine
quais contratos serão factíveis (NASH, 1996)
Os jogos são analisados por Alencar et al (2010, p.13) que afirma, de acordo com
o então presidente do conselho de administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan, que
houve pelo menos 5 tentativas de união entre a Sadia e a Perdigão, todas esbarrando na
questão sobre quem iria controlar a nova empresa. Apesar de terem se unido na BRF
Trading Company em 2001, um empreendimento que preveria um comportamento
cooperativo de ambas, na prática, levou à rivalidade para dentro da nova empresa. Outro
ponto a se atentar é a efetiva fusão, quando a conjuntura mudou as preferências dos
jogadores, em particular as da Sadia.
Esse jogo da Sadia versus Perdigão retrata a disputa pelo controle da nova
companhia e o estilo de jogo adotado pelos participantes. As contribuições de Nash,
chamadas de “jogos não cooperativos”, queriam enfatizar que Nash desenvolveu uma
nova teoria em contraste aos “jogos cooperativos” de Von Neumann e Morgenstein. Nash
explica, com a sua teoria, jogos com dois ou mais personagens e de soma zero (KUHN;
NASAR. 2002).
Alencar et al (2010, p. 13) realiza o primeiro jogo com dois jogadores, a Sadia (S)
e a Perdigão (P). As opções de cada um, resumidamente, é ceder ou não o controle
acionário da nova empresa após a fusão. Neste jogo, ambas consideram uma fusão em
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que se mantém o controle acionário é a melhor opção e, uma fusão onde se perca o
controle acionário é a pior opção. A questão principal é que ambos não consideram os
possíveis benefícios de uma fusão. Para ambos, ter ou não uma fusão não importou no
jogo, pois a razão da decisão foi basicamente manter o controle acionário.
Considera-se que este é um jogo simultâneo pois, embora são sejam tomadas
decisões simultaneamente em um mesmo momento, a segunda a efetivamente a tomar a
sua decisão final não tinha informações sobre a decisão da primeira nem das
consequências. Ainda se percebe, pelo padrão de comportamento de ambas, o modelo
competitivo que as duas empresas tomavam. Esse comportamento vai contra a forma
estratégica de atuar como uma joint venture, que pede um comportamento colaborativo.
Ss = {a,b} a = Não ceder o controle acionário (ua = +1)
b = Ceder o controle acionário (ub = -1)
Sp = {x, y} x = Não ceder o controle acionário (ux = +1)
y = Ceder o controle acionário (uy = -1)
Quadro 7
–
O Jogo entre a Sadia e a Perdigão
Perdigão
x (não ceder) y (ceder)
Sadia a (não ceder) +1, +1 +1, -1
b (ceder) -1, +1 -1,-1
Fonte: http://www.anpad.org.br/admin/pdf/eso2422.pdf
Buscando um equilíbrio de Nash para o jogo temos:
- Se P decidir por x, S optará por a, que lhe dará u = +1
- Se P decidir por y, S optará por a, que lhe dará u = +1
- Se S decidir por a, P optará por x, que lhe dará u = +1
- Se S decidir por b, P optará por x, que lhe dará u = +1
Percebe-se que o equilíbrio é dado pela combinação de estratégias Ss = a; Sp = x
onde ambos decidem não ceder.
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Em um segundo jogo, com os mesmos dois jogadores, Sadia (S) e Perdigão (P), a
situação mudou. Para a Sadia era muito mais uma questão de sobrevivência do que
propriamente uma questão de controle acionário. Se a Sadia tivesse a opção de uma fusão
onde ela mantivesse o controle acionário, logicamente ela a exerceria, mas dada a
disparidade de forças econômicas no jogo, essa opção não existe.
A teoria desenvolvida por Nash é baseada na ausência de coalisões, onde se
assume que cada participante age de forma independente, sem qualquer tipo de
colaboração, ou mesmo comunicação. E para essa teoria, é importante também a noção
de ponto de equilíbrio. O ponto de equilíbrio é uma generalização do conceito da solução
de um jogo de soma zero entre dois personagens. Uma série de pontos de equilíbrio em
um jogo de soma zero simplifica o conjunto de estratégias concorrentes dos participantes
do jogo em questão (KUHN; NASAR. 2002).
Um modelo de negociação é um jogo não cooperativo que é baseado num
procedimento de negociação aplicado a um jogo cooperativo. No início, um modelo pode
ser estudado e analisado tal com um ponto de equilíbrio de um jogo não cooperativo e o
tipo de solução obtida pode ser considerada como uma solução obtida pelo jogo
cooperativo (NASH, 1996).
Alencar et al (2010, p.14) diz que pode-se considerar que as opções principais
para cada um se resumem a realizar ou não a fusão. Neste jogo, é preferível a Sadia
realizar a fusão (u = +1) do que não a realizar (u = -1). Para a Perdigão também é preferível
uma fusão (u = +1), mas se ela não ocorrer por decisão da Sadia, é relativamente
indiferente (u = 0) pois não altera a sua situação. Este jogo pode ser analisado como um
jogo sequencial, pois as decisões foram tomadas em diferentes momentos. Quando a
segunda tomar alguma decisão, ela já terá as informações sobre a decisão da primeira.
Hipoteticamente, a situação da Sadia lhe levaria a buscar uma solução e, portanto, foi
considerado que ela foi a primeira a jogar. Mas, ao optar por representar o jogo como
simultâneo, não alteraria seus resultados e nem seus equilíbrios.
Na verdade, a expressão “modelo de negociação” pode ser utilizada de uma
maneira ampla. O modelo de negociação de um jogo não cooperativo pode não ter
nenhuma solução realmente satisfatória. O modelo pode ser um modelo intermediário que
pode ser futuramente modificado para que atinja um resultado bastante satisfatório para
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uma solução teórica. Muitas modificações mostram o jogo é, na verdade, jogado entre
todos os participantes. Outra possível experimentação pode verificar os efeitos de jogadas
repetidas dentro do mesmo jogo pelos mesmos participantes. Isso pode fazer com que as
negociações do jogo sejam mais cooperativas por conta das informações, que podem ser
transmitidas e deduzidas pelo histórico de jogadas anteriores. Precedentes podem ser
estabelecidos e os jogadores podem convencer os outros que eles continuarão a ter o
mesmo comportamento em jogos futuros (NASH, 1996).
Para entender melhor a dinâmica, representa-se o jogo em sua forma estendida:
Ss = {a,b} a = Propor a fusão
b = Não Propor a fusão
Sp = {x, y} x = Aceitar a fusão
y = Não aceitar a fusão
Figura 1 – O jogo entre Sadia e a Perdigão – Fusão
x (+1, +1)
P
a
S P1 y (-1, 0)
S1
b (-1,0)
Ou então podemos representar da seguinte forma:
Quadro 8
–
O Jogo entre a Sadia e a Perdigão - Fusão
Perdigão
x (aceitar) y (não aceitar)
Sadia a (propor a fusão) +1, +1 -1, 0
b (não propor a fusão) -1, 0 -1,0
Fonte: http://www.anpad.org.br/admin/pdf/eso2422.pdf
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Alencar et al (2010, p.15) fala que há dois equilíbrios de Nash, onde o equilíbrio
é dado pelas combinações das estratégias Ss = a; Sp = x, onde ambos optam pela fusão, e
Ss = b; Sp = y, onde ambos não realizam a fusão, em decorrência da escolha de não fusão
pela Sadia. Para entender melhor esses equilíbrios, serão apresentados na forma de jogos
sequenciais, eliminando equilíbrios dados por opções não muito prováveis ou críveis.
Inicialmente, no momento P1 a Perdigão decide entre x e y, onde x lhe dá u = +1 e y u =
-1. Desta forma, a Perdigão escolhe x. Em um segundo momento, a Sadia tem como
opções de escolha as opções a, que resultaria em u = +1, e b, que resultaria em u = -1.
Sendo assim, a Sadia certamente escolheria a opção a. Assim sendo, o equilíbrio perfeito
de Nash seria dado pelas combinações de estratégias onde Ss = a e Sp = x, ou seja, onde
ambos optam pela fusão.
Figura 2 – Jogo Sequencial 1° Momento
1° Momento
x (+1, +1)
P
a
S P1 y (-1, 0)
S1
b (-1,0)
Figura 3 – Jogo Sequencial 2° Momento
2° Momento
P (+1,+1)
S a
S1 P1
b (-1,0)
Para o primeiro jogo percebe-se que o equilíbrio é dado pela combinação de
estratégias Ss = a; Sp = x, onde ambos decidem não ceder. Isso só aconteceu porque as
duas empresas estavam em paridade de forças e a fusão, apesar de trazer nítidas vantagens
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financeiras e operacionais, por conta das questões políticas e subjetivas de cada empresa,
foram colocadas em segundo plano (ALENCAR et al, 2010).
No segundo jogo encontra-se que o Equilíbrio Perfeito de Nash é dado pela
combinação de estratégias Ss = a; Sp = x, onde ambos optam pela fusão. O segundo
equilíbrio é improvável com mudança no jogo, pois houve uma desigualdade de forças
econômicas e, consequentemente, desequilíbrio na força de barganha na disputa pelo
controle acionário. A fusão acabou sendo a salvação da Sadia. Já para a Perdigão a fusão
foi vantajosa sob todos os aspectos, pois ela permitiu todos os ganhos de uma fusão sem
a perda do controle acionário.
Embora a literatura sobre estratégias corporativas indique que uma fusão é uma
boa opção por vários motivos, neste caso da BRF, as primeiras decisões foram tomadas
por conta da política e preservação de poder. A Teoria dos Jogos aponta que as decisões
tomadas nesse jogo foram tomadas de modo racional, dentro da lógica da preferência dos
jogadores. No primeiro jogo o objetivo era manter o controle acionário e, após isso, colher
os benefícios da fusão. Num segundo jogo, após os escândalos financeiros da Sadia, a
lógica do jogo mudou para ela, passando o ser o foco muito mais pela sobrevivência do
que por qualquer tipo de ganho pela sinergia da fusão. Já para a Perdigão, a situação
permaneceu inalterada. Segundo a lógica do Equilíbrio de Nash, o equilíbrio permanece
enquanto não houver razões para um jogador mudar unilateralmente sua decisão, o que
acabou acontecendo com a Sadia. A mudança de status quo de um jogo para o outro
permitiu observar que, quando se trata de dois jogadores em paridade de forças e em boa
posição em seu ambiente, a submissão é algo fora de questão e o comportamento
cooperativo é apenas uma das opções (ALENCAR et al, 2010).
No documento
ANÁLISE MICROECONÔMICA DA GESTÃO DE RISCOS EM EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS – O CASO DA BRF
(páginas 70-77)