3.9.2-O M ODELO ABA
4.3 A S TIC NA APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS COM NEE
Os desafios da sociedade da informação, estão associados ao uso mais recorrente das tecnologias de informação e comunicação (TIC) e de meios informáticos com implicação na qualidade e educação das pessoas.
A Declaração de Salamanca ao preconizar uma educação para todos, ou seja baseada no princípio da inclusão e na necessidade de uma escola para todos, em que as instituições devem incluir todas as pessoas, aceitar as diferenças, apoiar as aprendizagens e responder às necessidades individuais pretendem minimizar as incapacidades, para que possamos fazer um percurso social e escolar o menos limitado possível, e num meio o menos restrito possível.
Neste sentido os recursos Tic devem ser utilizados em prol da educação de todos os alunos, mas especialmente dos que apresentam peculiaridades que os impedem ou dificultam a aprendizagem (Ginoto,2012).
As Novas tecnologias são para muitos um auxiliar indispensável para alcançar igualdade de oportunidades, de patamares de sucesso na aprendizagem e enquanto intervenientes no dia- a- dia (revista diversidade,2005, janeiro, fev. março).
Para Ginoto (2012), as Tic podem ser inseridas no processo educativo como recursos didáticos ou ferramentas que promovam o processo de ensino; como instrumento diferenciado de avaliação do aluno e uma ferramenta de aprendizagem.
Segundo a autora, as Tic contribuem para a consolidação de um sistema educativo inclusivo, devido às inesgotáveis possibilidades de construção de recursos, que facilitam o acesso às informações, aos conteúdos curriculares por parte dos indivíduos entre os quais, os que apresentam necessidades educativas especiais.
Permitem o acesso a conteúdos curriculares e organização diferenciada das atividades por forma a ter em conta as caraterísticas do aluno e suas especificidades (idem).
A lei nº9/89, de 2 de maio no artigo 14º define que as ajudas técnicas, incluindo as decorrentes das novas tecnologias, se destinam a compensar a deficiência ou a atenuar-lhe as consequências e a permitir o exercício de atividades quotidianas e a participação na vida escolar, profissional e social.
Segundo o artigo 22.º do Decreto-Lei n.º 3 /2008, de 7 de janeiro, “entende-se por tecnologias de apoio os
dispositivos facilitadores que se destinam a melhorar a funcionalidade e a reduzir a incapacidade do aluno, tendo como impacte permitir o desempenho de atividades e a participação nos domínios da aprendizagem e da vida profissional e social”
Como refere Damasceno e Filho (2002), o acesso a todos os recursos que são postos à disposição da sociedade, da escola, da tecnologia, têm influência nos processos de aprendizagem dos indivíduos. O indivíduo quando tem limitações, devido à sua deficiência, encontra mais barreiras do que a maior parte das outras pessoas. Desenvolver recursos que permitam a acessibilidade é uma forma de minimizar as barreiras e ao mesmo tempo integrar
esse indivíduo em ambientes ricos para a sua aprendizagem. Desenvolver recursos de acessibilidade pode e deve levar a combater preconceitos, que são gerados à volta da pessoa com deficiência, dando condições para aprender, interagir, exprimir o seu pensamento.
Ao desenvolver recursos que tendem a diminuir barreiras entre o ambiente de aprendizagem e o indivíduo, estamos a contribuir para diminuir preconceitos. Quando são dadas ao aluno com NEE, condições para este interagir no processo de ensino/aprendizagem, este indivíduo será tratado como um “ diferente- igual”, ou seja; é diferente pela sua condição de portador de Necessidades Especiais, por outro lado, “igual” porque consegue através destes meios interagir, relacionar-se no meio, utilizando recursos adaptados à sua condição. É visto como “igual” no sentido em que as suas diferenças se vão esbatendo e assemelhando-se cada vez mais às existentes entre todos os seres da mesma espécie, sendo assim visto como um “igual”. (Damasceno, 2002).
Alba e Sanchez Hipola (1996) cit in Ginoto (2012), defendem que o uso das Tic em indivíduos com NEE podem servir para:
- Favorecer a realização de atividades escolares quotidianas
- Uso do computador como recurso didático
- Aplicação da informática no desenvolvimento de conteúdos curriculares
- Recurso terapêutico no tratamento das alterações ou deficiências existentes.
As Novas tecnologias de Informação e Comunicação vêm sendo cada vez mais um instrumento importante como facilitador da inclusão e interação no mundo (Levy,1999, cit in Damasceno,2002).
O desenvolvimento de tecnologias de informação e comunicação, têm permitido a sua utilização como tecnologias de apoio, promovendo uma melhor inserção social, laboral e escolar aumentando assim a qualidade de vida das pessoas com deficiência (revista diversidade,2005,janeiro,fev.e março,).
No caso de pessoas com NEE esta realidade é cada vez mais evidente e as Tic podem ser utilizadas como tecnologia assistiva.
Tecnologia Assistiva é” toda e qualquer ferramenta ou recurso utilizado com a finalidade de proporcionar uma maior independência e autonomia à pessoa portadora de deficiência (Damasceno,2002).
Quer isto dizer, proporcionar uma maior independência ao indivíduo portador de deficiência, uma melhor qualidade de vida e inclusão social, isto através do aumento da comunicação, mobilidade, habilidades, controle do seu ambiente, trabalho e integração com a família, amigos e a sociedade.
Ainda de acordo com o Decreto-Lei n.º 93/2009, de 16 de abril, “as ajudas técnicas e tecnologias de
apoio apresentam-se como recursos de primeira linha no universo das múltiplas respostas para o desenvolvimento dos programas de habilitação, reabilitação e participação das pessoas com deficiência e inscrevem -se no quadro das garantias da igualdade de oportunidades e da justiça social da ação governativa do XVII Governo Constitucional e integração da pessoa com deficiência aos níveis social e profissional de forma a dar-se execução ao disposto na Lei de Bases da Prevenção, Habilitação, Reabilitação e Participação das Pessoas com Deficiência”.
Segundo a Web em Proinesp/Mec, cit por Damasceno (2002) a utilização das tic como tecnologia assistida pode ser feita em 4 áreas, a saber:
- As tic como sistemas auxiliares ou prótese para a comunicação. Com a informatização dos meios dos métodos tradicionais da comunicação alternativa como sejam os sistemas Bliss, PCS, ou PIC as tecnologias têm facilitado a maneira como as diversas pessoas se podem comunicar com o mundo exterior, ao mesmo tempo eu podem exprimir os seus desejos e pensamentos.
- As TIC como controle do ambiente. Na medida em que permitem ao indivíduo com dificuldades motoras atuar remotamente sobre eletrodomésticos, apagar e acender luzes, abrir e fechar portas levando a um maior autonomia nas atividades da vida diária.
- As TIC como ferramenta ou ambiente de aprendizagem, na medida em que há uma construção de conhecimento dos indivíduos com NEE.
- As TIC como meio de inserção no mundo do trabalho. Permitem que indivíduos com comprometimento motor se tornem cidadãos ativos e produtivos em alguns casos através do uso das TIC.
O uso e a prática das tecnologias em contextos educativos são instrumentos valiosos, tanto a nível formativo como educativo, na medida em que contribuem para centrar o aluno no seu processo de ensino-aprendizagem, desenvolvendo a sua autonomia, a sua motivação, o seu espírito crítico e a criatividade, e possibilitando uma fácil adequação aos seus interesses e ritmos de aprendizagem. Isto reflete-se inevitavelmente nas crianças com NEE pois as novas tecnologias são cada vez mais um sinónimo de igualdade, cabendo à escola ajudar estas crianças, tornando estes meios acessíveis a todos e aos profissionais da educação utilizá-los como aliado no seu processo de ensino / aprendizagem dos seus alunos, para que estes possam realizar atividades que antes lhes eram vedadas.
Florian (2010), cit in Ginoto (2012), ressalva que as TIC podem ser um reforço de modelos tradicionais ou um reforço de modelos inclusivos, podendo, na opinião da mesma, ser usadas com “recurso adicional para alguns” ou uma resposta educativa para todos.