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1.1 O PROBLEMA E SUA IMPORTÂNCIA

2.1.2 Modelo da racionalidade limitada

2.1.3.3 A tomada de decisão

Para Simon (1965), “as decisões são algo mais que simples proposições factuais”, que seriam afirmações acerca do mundo que se pode ver e da maneira como funciona. As proposições podem ser testadas a fim de determinar se são verdadeiras ou falsas. As decisões são descrições de um futuro estado de coisas, podendo essa descrição ser verdadeira ou falsa. Elas possuem uma qualidade imperativa, pois orientam o comportamento rumo à alternativa escolhida. Assim sendo, as decisões possuem ao mesmo tempo um conteúdo ético e um conteúdo factual.

No processo decisório escolhem-se as alternativas consideradas como meios adequados para atingir os fins desejados. Os fins são apenas instrumentos para conseguir objetivos mais distantes (SIMON, 1965).

Segundo o autor, a decisão constitui o processo pelo qual uma das alternativas de comportamento adequada a cada momento é selecionada e realizada. O conjunto dessas decisões que determinam o comportamento a ser exigido num dado período de tempo chama-se estratégia. Sempre que se relaciona e executa uma dessas possíveis estratégias, determinadas conseqüências ocorrerão. O objetivo da decisão racional consiste em selecionar aquela estratégia composta de um conjunto preferido de conseqüências. Todas as conseqüências decorrentes da estratégia escolhida são relevantes para a avaliação de sua eficácia, e não apenas aquelas conseqüências que foram antecipadas.

Para Simon (1965), a tarefa de decidir compreende três etapas;

1. o relacionamento de todas as possíveis estratégias, ou seja, a busca de situações que requerem decisão (atividade de inteligência);

2. a determinação de todas as conseqüências que acompanham cada uma dessas estratégias, ou seja, o desenvolvimento e análise dos possíveis cursos de ação (atividade de projeto);

3. a avaliação comparativa dessas conseqüências, ou seja, a seleção de um curso particular de ação, entre os disponíveis (atividade de escolha).

O autor dá o nome de “avaliação da tomada de decisão” ao processo de determinação de preferência entre as conseqüências. A cada estratégia corresponde um grupo especial de conseqüências. Os valores das alternativas são numerosos e distintos, e cabe ao indivíduo, ao estabelecer suas preferências, avaliá-las e escolher entre elas.

Para Ackoff (1974), o controle é a avaliação das decisões depois que elas foram implantadas. Envolve a previsão do resultado de uma decisão, compara-o com o resultado real e toma uma medida corretiva quando há um desvio.

Zeleny (1982) afirma que a tomada de decisão é um processo dinâmico, no qual se buscam as informações que são enriquecidas pelo feedback resultante da análise de todas as conseqüências possíveis, reunindo e eliminando informações, levando-se em consideração incertezas e conceitos conflitantes.

Para Vale (1995), o processo de tomada de decisão é centralizado na mudança atual do tomador de decisão para a posição que ele almeja estar. O fator essencial é a existência de várias alternativas, a escolha através da comparação dessas alternativas e a avaliação dos seus resultados. Deve-se ressaltar que cada indivíduo aborda um problema de forma diferente, dependendo de sua experiência, do ambiente e da condição psicológica.

Para essa autora, as decisões podem ser classificadas em estratégicas, táticas e operacionais. As decisões estratégicas são orientadas para o futuro, envolvem incertezas, estabelecendo objetivos para a organização e planos de longo prazo. A decisão tática preocupa-se com a implementação das decisões tomadas em nível estratégico e a decisão operacional envolve a realização de tarefas específicas que assegurem execução eficiente e eficaz. As decisões também podem ser classificadas em programadas ou estruturadas e não programadas ou não estruturadas. Decisões programadas são aquelas que são tomadas pelo uso de uma regra ou procedimento, e as não programadas lidam com situações não usuais ou excepcionais, às vezes difíceis de serem quantificadas.

Segundo Azevedo (1999), a finalidade do controle é assegurar que os resultados das operações se ajustem tanto quanto possível aos objetivos estabelecidos. O controle é diferente do acompanhamento, que é a simples verificação do desempenho dos órgãos e dos recursos envolvidos, através de relatórios que informam o que foi realizado. No controle, procura-se saber as causas dos resultados para se obter a informação que possibilita uma opção corretiva.

Segundo Silva (2001), o desenvolvimento de modelos de programação matemática que auxiliam o processo de tomada de decisão, tanto em termos analíticos como computacionais, tem contribuído para a pesquisa e para a eficiência decisória para vários setores da economia.

A tomada de decisão foi considerada durante muito tempo como uma verdadeira arte, um talento, que ia sendo melhorado ao longo do tempo por meio do processo de aprendizado. Sendo assim, o processo decisório baseava-se mais em criatividade, julgamento, intuição e experiência do administrador do que em métodos analíticos e quantitativos com suporte científico (TURBAN, 1993).

Para Silva (2001), a tomada de decisão é mais complexa, em razão da interação de variáveis internas e externas, do envolvimento de vários “atores” no

processo de tomada de decisão, dos problemas de recursos e de oferta, das implicações de mercado, dos fatores ambientais, do ritmo da mudança tecnológica e do impacto do crescimento e da diversificação da produção.

A prática de tomada de decisão no setor agrícola está ligada à avaliação de todas as alternativas possíveis, satisfazendo a um conjunto de objetivos pretendidos e restrições impostas. O problema está em escolher a alternativa que melhor satisfaça ao conjunto total de objetivos, levando-se em consideração recursos econômicos escassos (SILVA, 2001).

Para o autor, o gerenciamento da propriedade rural é um processo contínuo e dinâmico, no qual a preocupação básica é a garantia do bom desempenho econômico do empreendimento. Para isso, o administrador rural deverá tomar decisões envolvendo a alocação de recursos limitados de terra, trabalho e capital, associados às alternativas de produção e organização da propriedade.

Para Hash et al. (1981), administração rural é processo de tomada de decisão, em que recursos limitados são alocados em várias alternativas de produção num ambiente de risco e incertezas para alcançar objetivos.

A tomada de decisão é um processo contínuo e está centralizado na alocação de recursos limitados de terra, mão-de-obra e capital entre os usos alternativos e competitivos. Essa alocação força o gerente rural a identificar metas e objetivos que possam guiá-lo na tomada de decisão concreta (KAY, 1986).

De acordo com Zeleny (1982), os conflitos ocorrem no momento em que duas estratégias distintas, selecionadas como formas de atingir determinadas metas ou objetivos, são mutuamente exclusivas, ou seja, quando as estratégias tornam-se alternativas. Contudo, devem-se definir as prioridades.

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