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A trajetória social do pastor e o capitalismo constitucional

No documento O lugar do pastor jubilado na igreja (páginas 47-50)

1.1 A IGREJA PRESBITERIANA ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO

1.2.3 A trajetória social do pastor e o capitalismo constitucional

Quanto a vida social do pastor, considerando que ele é um ―homem de prestigio‖ na sociedade as suas relações sempre deveriam contemplar profissionais uteis ao seu trabalho: e,g.,

médicos, visando facilitar o atendimento a carentes da comunidade; jornalista, que lhes permitem

ocupar a imprensa, ainda que esporadicamente para escrever apologeticamente; advogados, capazes de defender as causas de seus fieis. Etc.

Ao participar de outras associações, o pastor deve agir com muita cautela para não prejudicar os seus afazeres eclesiásticos. Recomenda o Prof. Julio A. Ferreira: ― as agremiações políticas são as menos indicadas‖10, pois a neutralidade favorecera as amizades em todos os

partidos. Desde o tempo do Seminário o estudante aprendia a manter distancia da política, pois o regulamento diz que:

―Comprometem-se quantos residem nos prédios do campus do Seminário a: letra n) abster-se de envolvimento em propaganda política e ideologia ostensiva, secular ou eclesiástica, atividade que se coaduna com o espírito e natureza do Seminário.‖

Certamente esta é causa de dificilmente encontrar-se algum ministro presbiteriano ocupando cargos políticos.

Duas outras áreas sempre foram vistas como fundamentais para o êxito do trabalho pastoral: a visitação aos membros da Igreja (ainda que sejam de caráter social) e a

correspondência devidamente atualizada e organizada com os demais papeis e documentos, pois

o ministro deve ser sempre pontual em seus compromissos. Alias, eficiência e organização são expressões chaves de seu êxito.

Chamam a nossa atenção as recomendações quanto aos seus relacionamentos. Por exemplo, no trato com as mulheres, recomenda Turner que, desde a formação teológica, deveria haver separação de sexo. Inclusive pensava que os seminaristas teriam que respeitar a norma da denominada ―lei do meio metro e três minutos‖11 que recomendava ao jovem ―não poder falar

com um jovem por mais de três minutos estando sozinhos, e sempre se mantendo a uma distancia não inferior a meio metro entre os dois.‖ Nesta obra, o autor ensina aos seminaristas ―como fazer um batismo‖ ou como tratar com uma mulher.

Quanto as exigências pessoais que sempre mereceram atenção especial na vida do pastor, estas envolvem cuidados que valorizam sobremaneira a sua indumentária e o seu visual, uma vez

10 Um dos mais citados professores do SPS e que influenciou profundamente os seus alunos, pois fez escola na área pastoral, principalmente em Homilética, a arte da pregação

que ele é homem publico que outorga status à Igreja. Desde o tempo do Seminário, o pastor aprendia a observar determinados hábitos, conforme prevê o regulamento:

―Comprometem-se quantos residem nos prédios do campus do Seminário a: letra j) Apresentar-se nas salas de aula, seus corredores e dependências, na secretaria e demais gabinetes e instalações no auditório, biblioteca e saguão principal, no período de expediente, devidamente trajados, limpos e asseados, não sendo admitido trajes sumários tais como bermuda, calções e similares ou trajes esportivos. Letra I)manter a todo tempo, atitude respeitosa, equilibrada, responsável, como convém a crentes cônscios de suas obrigações e a boa reputação da instituição, abstendo-se de brincadeiras ruidosas e descomedidas de gritarias e algazarras de qualquer forma de trote ou mau trato a quem quer que seja, coisas que perturbam o sossego da comunidade e tão desfavorável impressão causam na vizinhança.‖12

O pastor deve se preocupar com sua imagem, cuidando de sua higiene pessoal quanto a banhar-se e barbear-se (esta deve estar sempre bem aparada) e apresentar-se com um vestuário simples, sem luxo, mas bem cuidado, inclusive sem excessos e provocação. Os mínimos detalhes de postura devem ser observados, evitando erros que depõem contra a dignidade do pastor.

Considerando que seu atendimento pastoral acontecera sobretudo em áreas rurais, ao pastor é recomendado levar em suas andanças a sua pasta de viagem que devera conter: roupas, estojo, livros e papeis diversos. Dentre elas, uma muda de roupa branca, pijama, toalha, agasalho, aparelho de barbear, sabonete, pente, remédio de emergência, copo inquebrável, Bíblia, Hinário. Manual Presbiteriano, Manual de culto, confissão de fé e catecismo, o livro que esteja sendo lido, cadernetas de endereços dos crentes do campo e em geral, bloco, papel, envelope, papel higiênico, bloco de registros de membros, documentos (estes podem ir no bolso) – um diário também pode ser útil no futuro.

Segundo os bons manuais, o descanso do pastor (o seu dia sabatino, que deve ser a Segunda-Feira, dia observado desde os tempos de Seminário) e as suas férias anuais também são

importantes. Mas, devido aos constantes problemas financeiros, os ministros deverão recorrer a empréstimos paroquianos.

A caso do ministro, sempre bem freqüentada, principalmente pelos seus paroquianos – a grande maioria das residências pastorais localizam-se próximas ato templo – deve ser um exemplo as demais famílias de sua comunidade. O (bom) pastor sempre atento as obrigações familiares precisa prover, alem da manutenção da família, toda a organização e o funcionamento de sua residência, incluindo: cuidar da economia da água, energia elétrica, telefone, reparar pequenos defeitos, providenciar a localização e identificação de objetos uteis a família como: caixa de ferramenta (completa), remédios, arame, papel de embrulho, trapos de roupa, jornais velhos, garrafas usadas, caderneta de anotações. Haverá também de merecer grande importância a orientar seus familiares que são um espelho para os demais lares da Igreja.

A vida espiritual da família é de vital importância para o êxito do pastor, principalmente com a realização diária do Culto Domestico, objetivo constante das investidas do Inimigo que ―fará sempre que alguém se machuque, ou que alguém bata a porta, ou que.... são tantas as manhas‖ visando prejudicar esta necessária atividade no lar.

O pastor ideal é, então, aquele que deve cuidar de sua casa mantendo ―um lugar para cada coisa, cada coisa no seu respectivo lugar‖ – expressão utilizada por Ellis 13 para caracterizar

organização da vida domestica do pastor. Observa-se, com freqüência, mulheres e filhos de pastores (já merecedores de uma pesquisa) revoltados e desanimados pela vivencia religiosa em virtude da concorrência entre a Igreja e a família, esta comumente trocada por aquela. No entanto, estas são concebidas como parte dos ―ossos do oficio pastoral‖.

No documento O lugar do pastor jubilado na igreja (páginas 47-50)